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Tag: Guepardo

Ah, se eu fosse um guepardo

Por Cassio Politi | 03/12/2009, 12h44

Que animal você gostaria de ser?

Se fosse obrigado a deixar o topo da cadeia alimentar urbana, eu gostaria de ser um guepardo.

Não que seja minha intenção sair caçando gazelas por aí, tampouco pretendo ser trancafiado numa jaula de zoológico. É que eu queria muito correr como o guepardo.

As passadas do guepardo são perfeitas: impulso para a frente, e não para cima. Vive em grupo, mas corre sozinho.

Talvez por isso as gazelas sejam sempre a caça. Correm como principiantes, de olhos esbugalhados, esgotando o fôlego logo no início.

O guepardo cadencia a corrida. Guarda para o momento exato os tiros de 300, 400, 500 metros. Chega a 120 quilômetros por hora.

E por que não escolher o cavalo, tão forte e capaz de percorrer longas distâncias? Ora, o cavalo bate muito os pés no chão. Joelho nenhum aguentaria tanto impacto no asfalto. Sua mobilidade, então, é digna de compaixão. O cavalo é mais troncudo do que um corredor precisa ser.

O guepardo, por sua vez, dispara no calor da savana com seus 60 quilos. E enxerga como poucos. De dia, dispensa proteção para o sol. À noite, abre mão de qualquer iluminação artificial.

A girafa tem atributos técnicos para ser uma corredora de ponta. É alta e magra. Mas não tem vocação. Seu silêncio enigmático revela uma personalidade tranquila demais. Não precisa se livrar do estresse.

O guepardo está sempre agitado. Olha de um lado para o outro, como quem teve um dia puxado no trabalho. Nem se importa com o horário: corre de dia, corre de noite.

Os cães também seriam ótimos corredores se pensassem mais em si próprios. Mas não resistiram à tentação dos mimos de seus melhores amigos. Deve ser por isso que os cães não conseguem se concentrar. Enquanto correm, prestam atenção em tudo, menos em seu próprio desempenho. Um desperdício para o atletismo.

O guepardo é focado. Em sua corrida ágil, a cabeça não balança. Ele se mantém concentrado no alvo. É objetivo, corre em função de suas metas.

No quesito beleza, o guepardo não deve nada aos cães. É fotogênico. Em câmera lenta, faz expressões de esforço e determinação.

Agora, vou desligar o Discovey Channel, calçar meu tênis com amortecimento especial para corrida, colocar óculos escuros, boné, iPod, frequencímetro com GPS e roupa feita com tecido dry fit.

E vou para a minha corrida artificial, típica de um ser humano limitado que se orgulha de ocupar o topo da cadeia alimentar.

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