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O blog da Corrida de Rua

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Contra desperdício, tangentes

Por Cassio Politi | 04/05/2010, 14h03

Não é psicografia. É desenho de tangentes.

É simples: se numa prova de 10 km o atleta conseguir fazer todas as tangentes, ele percorrerá 10 km. Caso contrário, correrá a mais. Acontece que a multidão não permite que você corra de um lado para o outro. E aí perdemos as tangentes.

Na Meia da Corpore, fiz a tangente sempre que possível. Mesmo assim, medindo com GPS, corri 170m extras. O GPS de um amigo que não se preocupou em tangenciar marcou 700m percorridos a mais sem necessidade.

Num post anterior, expliquei tangência (veja aqui).

A chapa de oposição

Por Cassio Politi | 09/02/2010, 19h09

— Aceita um biscoito?

Recusei a oferta, mas adorei a ideia de bater um papo. A dona dos biscoitos e eu esperávamos o mesmo voo no saguão do aeroporto. O avião estava meia hora atrasado.

Ela contou que ia se encontrar com a filha mais nova, eu contei que ia dar aula. Ela falou de cinema, eu falei de Fórmula 1. Ela falou dos netos, eu falei do meu cachorro. O atraso já passava de duas horas.

— Tem certeza de que não quer um biscoito?

Minha segunda recusa foi a deixa para entrarmos num assunto que perseguia ambos: emagrecer. Aquela simpática senhora pesava uns 100 quilos. Ou mais. Seu regime consistia em comer de duas em duas horas, todos os dias, até a hora de dormir.

Me ajeitei dentro dos meus 95 quilos e pensei: comendo tanto, é impossível emagrecer. Ela interrompeu meu raciocínio explicando que, agindo assim, o corpo não armazena gordura. Fingi concordar. No fundo, eu queria rir daquela artimanha fajuta para se empanturrar o dia inteiro, e com o aval de um endocrinologista.

Enfim, entramos no avião, desembarcamos e nunca mais tive notícia dela. Nem ela de mim. Mas se nos encontrássemos num saguão qualquer hoje, quase dez anos depois, ela tomaria um susto. Estou 17 quilos mais magro porque comecei a correr.

Quer saber o que realmente me ajudou muito a correr? Foi o iPod. Até outro dia, eu era incapaz de correr mais do que dez quilômetros sem ouvir música. Ficava estressado, contando os segundos para o treino acabar.

Até que, um dia, ganhei um iPod. A música mudou minha percepção do tempo. Com rock, MPB, reggae e outros ritmos, consegui treinar mais tempo e, assim, concluir mais de uma meia maratona. Foi nessas provas que conheci alguns corredores. E logo descobri que nem todos concordam comigo.

Identifiquei que, tal qual esquerda e direita na política, havia ali duas correntes: os corredores tecnológicos e os corredores naturalistas.

Sempre fui um tecnológico convicto, com dificuldade para entender por que razão os naturalistas abominam a companhia da música. Alguns deles abrem mão até de frequencímetro e GPS. O George Volpão, por exemplo, já foi um tecnológico convicto. Mas mudou de lado e, se houvesse eleição, ele seria o candidato dos naturalistas pelo estado do Paraná. Não usa nenhum equipamento além de tênis, calção e camisa. Seu corpo basta. E o sujeito é bom: encara de maratona para cima.

Numa posição naturalista mais comedida está o ironman Kléber Corrêa, de São Paulo. Ele usa GPS e frequencímetro. Mas música, nem pensar. Ouve os sons do próprio corpo: passadas e respiração. Esse perfil é o mesmo do também paulista Anderson Zacarias, corredor de elite, com resultados expressivos e experiência vasta.

Que minha bancada tecnológica não leia isto, mas preciso fazer uma confissão. Experimentei outro dia correr 15 quilômetros sem música. Gostei, o que me deixou perplexo. Comecei, então, a fazer treinos de tiros sem iPod e notei que meu desempenho melhorou. Fiquei preocupado. É ainda mais grave o fato de atualmente eu completar longões com o fone preso ao ouvido, mas com o iPod desligado, porque começo a ficar viciado na batida que nem a Timbalada gravou até hoje: a dos pés e da respiração.

Felizmente, tornar-me um tecnológico com hábitos naturalistas não me excluiu das rodas de amigos. Afinal, corredores são assim mesmo: ouvem, aprendem, aprimoram conhecimento e mudam de opinião.

Quase me esqueço de contar que só comecei a correr depois que emagreci. E só emagreci porque uma nutricionista me mandou comer, acredite, de duas em duas horas. E só precisei ir à nutricionista porque zombei do que disse a senhora comilona no aeroporto. A oposição, naquela ocasião, também tinha algo a me ensinar.

Os políticos que me perdoem, mas é esmagadora a vantagem dos corredores na prática da democracia. Mais do que eleger candidatos, os atletas elegem ideias. Aprendem com a riqueza da divergência de pontos de vista. Colecionam amigos no plenário do asfalto. E não fazem promessas.

O dia em que o atleta foi mais veloz que o motorista

Por Cassio Politi | 12/10/2009, 20h56

Velocidade média de carro: 10,1 km/h

Almoçando uma vez com o amigo André Rosa, expliquei a ele como me distraio nas longas viagens para a casa de parentes no interior de Minas Gerais. Enquanto dirijo, fico calculando a velocidade média de meu carro de hora em hora. Faço contas também nas parciais: aos 15, 20, 30, 40 e 45 minutos. E aí comparo e até classifico os trechos conforme a velocidade.

O André ouviu pacientemente minha explicação. Matutou por um instante e, então, perguntou:

— Você contou isso para mais alguém?

Educadamente, ele me chamou de maluco. Que dirá o André se souber que meu passatempo não apenas continua, mas se desenvolveu? Agora, conto com o auxílio do GPS que uso para correr.

O campeonato
Decidi fazer uma competição na sexta-feira, véspera do fim de semana prolongado pelo feriado de Nossa Srª Aparecida. Caótico, o trânsito de São Paulo me fez criar uma prova virtual entre o atleta e o motorista.

Na Marginal Tietê, o GPS mostrou que, de carro, percorri 21,1 km em longas 2h05’10″. Numa recente meia maratona, meu tempo foi de 1h58’31″. Amador e limitado, o atleta foi mais rápido que o motorista nas ruas da cidade.

Neste momento o que intriga não é o caos do trânsito. Preocupante mesmo é dar ao André Rosa a oportunidade de ter razão.

Economize passadas em um quilômetro buscando os pontos de tangência

Por Cassio Politi | 30/09/2009, 13h32

A maior parte dos corredores tem o mau hábito de cumprir o percurso de uma prova ignorando as tangências. Usando GPS, fiz o teste na Meia Maratona das Pontes (27/9).

Em alguns trechos, percorri uma linha reta partindo do ponto de tangência de uma curva até o ponto de tangência da outra. Resultado: o GPS aferiu exato 1 km entre uma placa de distância e outra.

Em outros trechos, fiz a curva aberta, ignorando essa prática, e a distância entre as placas aumentou de 20 a 40 metros por quilômetro.

Pelas normas da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT), a medição é feita em linha reta, entre os pontos de tangência, como sugerido aqui. Isso significa que, na hora de marcar as distâncias, a organização da prova escolhe o menor trajeto possível dentro do percurso da prova.

Na figura abaixo, o desenho da esquerda mostra a linha azul, que representa o percurso adequado. Ou seja, o mais curto.

O desenho da direita, com linha vermelha, mostra aquilo que é mais habitualmente praticado por nós, corredores. A comparação mostra que, por uma questão de geometria, damos mais passadas para percorrer os mesmos mil metros.

Sob árvores, Garmin tem margem de erro

Por Cassio Politi | 26/09/2009, 18h35

Forerunner 310XT para triatletas chega ao Brasil

A Garmin, que anda fazendo a cabeça dos corredores com frequencímetros equipados com GPS, foi esclarecedora em pelo menos dois aspectos em seu estande no São Paulo Running Show, feira de corrida que termina dia 27 de setembro, em São Paulo.

Primeiro: a pronúncia correta é Gármin. Quase todo mundo fala Garmín. Segundo: sob árvores, o Forerunner 305 — um dos modelos da Garmin — fica mesmo perdidinho em bosques, como a pista de cooper do Parque do Ibirapuera, coberta por árvores. Quando muito “densas”, as folhas das árvores prejudicam o sinal do GPS.

O novo modelo Forerunner 310XT, próprio para triatletas, chega ao mercado brasileiro com uma melhoria no GPS que deve minimizar esse efeito. Pelo menos é a promessa da Garmin. O que continua assustando é o preço. Um Forerunner com GPS no Brasil custa entre R$ 1.600 e R$ 2.500. Nos Estados Unidos, sai por US$ 180 a US$ 400.

O custo e a carga tributária para importação são adversários implacáveis dos corredores.

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