Fiz as contas e concluí que o par de tênis que estreei no início do ano está perto de completar 1.000 quilômetros. De tão amaciado, calçado e pés vivem um clímax. Mas bate a dúvida: quanto dura um tênis de corrida?
Solto a pergunta no Twitter.
Não há unanimidade. Alguns atletas usam até a sola acabar. Outros confiam no calçado enquanto sentirem bom amortecimento.
A maioria, no entanto, concorda com o seguinte dado: a vida útil é de 300 a 600 km. Literalmente, usei e abusei do McLaren, apelido que dei ao meu companheiro branco e cinza.
Vêm no Twitter opiniões de mais atletas. Um alerta para o risco de lesão. Outro explica que, após 600 km, a estrutura do calçado fica abalada.
Decido, então, ficar com a maioria. Loja de materiais esportivos, aí vou eu.
A Câmara do Comércio Exterior (Camex) vai aplicar sobretaxa de US$ 12,47 para cada par de calçado importado da China durante seis meses. As fabricantes Nike, Adidas, Puma, Asics e Alpargatas pediram a exclusão dos tênis de corrida dessa medida, mas não foram atendidas.
A Asics, que importa da Ásia até 60% dos calçados, disse em nota oficial que a medida beneficia a Vulcabrás/Azaléia, dona das marcas Reebok e Olympikus.
A medida, segundo o governo, visa a combater o dumping — venda de produtos abaixo do preço de custo com o intuito de conquistar mercado —, prática proibida no Brasil.
O resultado do imbróglio será o aumento dos preços de parte dos calçados no País, inclusive os tênis de corrida.
Fabricante dos tênis Reebok, a Vulcabras/Azaleia andou empolgada com o mercado de calçados esportivos. A empresa mirava, com água na boca, os tênis Olympikus renderem R$ 777 milhões anuais em vendas no Brasil, de acordo com a IstoÉ Dinheiro. Decidiu, então, apostar na produção de calçados para corredores.
O que não estava nos planos era a crise mundial, que motivou Adidas, Nike e Asics — todas com fábricas na China — a apostar no mercado brasileiro.
Resultado: com concorrência mais intensa, a receita da Vulcabras/Azaleia caiu 6% no primeiro trimestre de 2009. O lucro despencou 12% nesse período.
Não houve saída: a estratégia foi revista e a Vulcabras/Azaleia decidiu apostar em calçados femininos e infantis no País. Nada menos que 65% dos lançamentos apresentados na Feira Internacional do Calçado são focados nesses dois públicos, deixando um pouco de lado o público esportista.