Chegar lá

O blog da Corrida de Rua

Arquivos: setembro/2009

Economize passadas em um quilômetro buscando os pontos de tangência

Por Cassio Politi | 30/09/2009, 13h32

A maior parte dos corredores tem o mau hábito de cumprir o percurso de uma prova ignorando as tangências. Usando GPS, fiz o teste na Meia Maratona das Pontes (27/9).

Em alguns trechos, percorri uma linha reta partindo do ponto de tangência de uma curva até o ponto de tangência da outra. Resultado: o GPS aferiu exato 1 km entre uma placa de distância e outra.

Em outros trechos, fiz a curva aberta, ignorando essa prática, e a distância entre as placas aumentou de 20 a 40 metros por quilômetro.

Pelas normas da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT), a medição é feita em linha reta, entre os pontos de tangência, como sugerido aqui. Isso significa que, na hora de marcar as distâncias, a organização da prova escolhe o menor trajeto possível dentro do percurso da prova.

Na figura abaixo, o desenho da esquerda mostra a linha azul, que representa o percurso adequado. Ou seja, o mais curto.

O desenho da direita, com linha vermelha, mostra aquilo que é mais habitualmente praticado por nós, corredores. A comparação mostra que, por uma questão de geometria, damos mais passadas para percorrer os mesmos mil metros.

Corredeiros são o resultado da mistura de corrida de rua com Twitter

Por Cassio Politi | 28/09/2009, 20h34

Os corredeiros Edu, Cassio, Yara, Selma, Joel e Vagner em SP

Ninguém sabe ao certo como começou. Deve ter sido assim: sabendo da existência do Twitter, teve a ideia de se cadastrar para falar sobre sua paixão: corrida de rua. Afinal, já escreve um blog sobre esse mesmo tema.

Em linhas gerais, essa foi a recente história não de um, mas de um grupo de corredores-twitteiros (ou corredeiros), do qual faço parte. Alguns tiveram o primeiro contato pessoal no Desafio Dean Karnazes, norte-americano que neste mês correu durante 24h pelas ruas de São Paulo.

Depois, houve novos encontros na Meia do Rio, na Maratona de Revezamento Pão-de-Açúcar, no São Paulo Running Show. Está agora no ar a ideia de reunir a turma em Belo Horizonte para a Volta da Pampulha. A trupe, que está aberta a receber mais corredeiros, já ganhou até nome: “Equipe Twitters Run”.

Todos deixamos de ser pequenas fotos quadradas na tela para ganharmos forma de seres humanos reais.

Comilança
No sábado (26/9), véspera da Meia das Pontes, houve um jantar de massas numa cantina de São Paulo. O encontro foi regado a muita água mineral.

Hoje decidi lançar no Twitter a seguinte pergunta: “como foi sua alimentação após a Meia das Pontes?”.

Conclusão: se tivéssemos almoçado juntos, a mesa teria sanduíche pronto, amendoim, pão italiano, picanha na pedra, picanha com risoto, hard yakissoba, frango empanado e massa. Cerveja e coca-cola para rebater os isotônicos. Jujuba, pudim, Sonho de Valsa, sorvete e Danette na sobremesa. Ruffles no lanche da tarde. Estrogonofe e pizza no jantar.

Se fôssemos atletas profissionais, nossos nutricionistas rasgariam seus diplomas. Felizmente, somos amadores e nos demos pratos apetitosos como recompensa pela conclusão dos 21 km.

A pausa para a gula dominical é a prova cabal de que todos somos, de fato, seres humanos reais — e não pequenas fotos quadradas na tela.

O percurso da mente durante a Meia das Pontes

Por Cassio Politi | 27/09/2009, 14h55

A orientação do Paulo (à esq.) em uma das muitas conversas

Não lembro quando foi. O Paulo Oliveira, meu treinador, sentenciou: você consegue completar a Meia das Pontes em menos de 2 horas.

Ok, estamos combinados.

Manhã de 6 de setembro. Cruzo a linha de chegada da Meia do Rio em 2h11. Chego inteiro, mas ainda distante da meta.

Madrugada de 27 de setembro. O despertador toca às 4h55. Lembro-me de ter sonhado que bati minha meta na Meia das Pontes. Sinal de que estou focado.

Manhã de 27 de setembro. Faltam 15 minutos para a largada. Sem perceber, começo a pensar na linha de chegada. Recobro a concentração e penso no 1º quilômetro. Quando tiver vencido o 1º, pensarei no 2º. E assim sucessivamente até o 21º.

Contra o relógio
É dada a largada. São 7h15. Começo num bom ritmo. Cada segundo ganho será importante. Deixar para acelerar no fim é muito arriscado.

O primeiro túnel presenteia os atletas com uma descida. É hora de deixar a força da gravidade trabalhar. Mas o túnel logo cobra a dívida — a inclinação agora é para cima. Vem a segunda passagem pelo túnel. De novo, o presente e a dívida. Treinei para subidas. Não deveria me preocupar.

Dúvidas e certezas
Um terço da prova fica para trás. Estou 2 minutos mais rápido do que o planejado. Será que estou forçando muito? Faltará fôlego no fim? De novo: não é hora de pensar no futuro, mas no quilômetro atual. Consigo focar na velocidade.

Completo metade da prova em 57 minutos. Se conseguir manter o ritmo, bato a meta. Passamos pela raia olímpica da USP. Nas curvas da Av. Escola Politécnica, observo pelo GPS que, fazendo a tangente, evito um desperdício de 20, 30, 40 metros por quilômetro.

Corpo x mente
Voltamos à USP. Já são 16 km. A subida após a Praça do Cavalo castiga. O corpo suplica. Pede redução no ritmo. Nem pensar, não posso diminuir. O corpo reage. A frequência cardíaca sobe para 188 bpm. Que suba: sei que recupero na descida.

Cruzo a 18ª placa. Faltam só 3 km. É uma mísera volta no Ibirapuera. Isso não é nada! Mas o corpo discorda. As pernas estão cansadas. Repito mentalmente: garra, garra, garra! Consigo manter a passada.

Um termômetro marca 26ºC. O seguinte marca 29ºC. Decido ignorar os demais. Psicologicamente, não me ajuda saber que está quente. Prefiro pensar que está seco, o que é bom.

O relógio marca 1h41. Mesmo que eu diminua o ritmo para 10 km/h, conseguirei chegar e ainda me sobrará 1 minuto. Vai dar!

A meta
Falta apenas 1 km. Acelero: 5’20″ por km. Quero menos de 2h no tempo oficial da prova, não apenas no meu relógio. Vou mais rápido, agora a 5’10″ por km.

Cruzo a linha de chegada em 1h58’31″. Agora, que consegui, o que devo sentir? Não sinto nada. Apenas vontade de andar. Paro de pensar na prova. Já posso lembrar que a vida é mais do que postos de hidratação, quilômetros percorridos, frequência cardíaca.

Deleite
Qual a emoção pela meta alcançada? Por enquanto, nenhuma. Apenas tiro o chip do pé.

Pego a medalha e, então, um filme dos treinos roda. No Parque do Ibirapuera, nas brechas das viagens a trabalho, em Santos, na chuva, no calor, no frio. Mas homem não chora.

Penso no trio que testemunhou a minha dedicação: Paulo (o treinador), Alê (a “primeira-dama”) e Deus. Penso no e-mail encorajador que o Paulo mandara na sexta-feira. Lembro o que dissera a Alê na véspera: você vai conseguir, eu tenho certeza.

Não demora e, atrás da lente dos meus óculos, um sujeito fracassa na tentativa de reprimir a emoção. Só choram os homens que têm alguma razão especial para isso.

Antes de encontrar os amigos, enxugo o rosto e faço um pacto comigo mesmo. Quando corrida, trabalho ou qualquer atividade não puder mais me trazer prazer e emoção, estará na hora de parar.

Ok, estamos combinados.

Sob árvores, Garmin tem margem de erro

Por Cassio Politi | 26/09/2009, 18h35

Forerunner 310XT para triatletas chega ao Brasil

A Garmin, que anda fazendo a cabeça dos corredores com frequencímetros equipados com GPS, foi esclarecedora em pelo menos dois aspectos em seu estande no São Paulo Running Show, feira de corrida que termina dia 27 de setembro, em São Paulo.

Primeiro: a pronúncia correta é Gármin. Quase todo mundo fala Garmín. Segundo: sob árvores, o Forerunner 305 — um dos modelos da Garmin — fica mesmo perdidinho em bosques, como a pista de cooper do Parque do Ibirapuera, coberta por árvores. Quando muito “densas”, as folhas das árvores prejudicam o sinal do GPS.

O novo modelo Forerunner 310XT, próprio para triatletas, chega ao mercado brasileiro com uma melhoria no GPS que deve minimizar esse efeito. Pelo menos é a promessa da Garmin. O que continua assustando é o preço. Um Forerunner com GPS no Brasil custa entre R$ 1.600 e R$ 2.500. Nos Estados Unidos, sai por US$ 180 a US$ 400.

O custo e a carga tributária para importação são adversários implacáveis dos corredores.

Fila passou mais de 60 anos fabricando roupas íntimas

Por Cassio Politi | 23/09/2009, 21h54

Logotipo azul com detalhe vermelho foi criado em 1973

Preparando-se para organizar sua segunda prova de 10 km no ano, a Fila tem uma história interessante.

A empresa foi fundada em 1911 pelos irmãos cujo sobrenome era Fila.
Durante mais de 60 anos, só produziu roupas íntimas masculinas e femininas. Em 1973, decidiu entrar no mercado esportivo, primeiro com calçados rigorosamente brancos para tenistas. Aos poucos, foi passando para outras modalidade.

Em 1984, começou a produzir calçados esportivos, o que viria a ser o seu carro-chefe a partir dos anos 90.

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