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O blog da Corrida de Rua

Arquivos: maio/2009

A diferença entre objetivo e meta

Por Cassio Politi | 24/05/2009, 22h24

Livros e cursos de gestão e marketing explicam a diferença entre objetivo e meta. Ambos os conceitos são simples, mas quase sempre é preciso didaticamente citar exemplos do mundo corporativo. Ainda assim, as pessoas os confundem.

Corredores, por sua vez, têm certa facilidade para assimilar esse conhecimento.

O objetivo é a descrição daquilo que se pretende conseguir. A meta, por sua vez, quantifica o que se busca.

Estar apto a completar provas longas é o objetivo de muitos corredores. Completar uma meia maratona dentro de três meses seria uma meta. Portanto, a meta responde a duas perguntas: “quanto?” e “quando?”; no exemplo citado, são 21 km em até três meses.

Outro exemplo: o objetivo é correr mais rápido e a meta é conseguir correr no ritmo de 6 min/km a partir do mês que vem.

Definir apenas o objetivo não basta. Se a proposta for apenas “correr mais rápido”, pode-se deduzir que baixar em 10 segundos o tempo de uma maratona é suficiente. Por isso, é preciso quantificar.

Ter objetivo e meta claros é importante porque as empresas vivem de vencer seus desafios. É por isso que, para corredores, é fácil compreender. Afinal, o combustível de todo corredor é justamente superar desafios.

Enfim, a vida imita a corrida.

Os cinco tipos de tênis de corrida

Por Cassio Politi | 18/05/2009, 12h38

Com tantas opções no mercado, comprar um novo tênis de corrida depende de uma escolha muito mais técnica do que gosto pessoal. O site Copacabana Runners tem um guia enxuto e completo sobre o assunto.A revista Runner’s Brasil traz trimestralmente a versão brasileira do Guia do Tênis.

Resumidamente, os tênis são agrupados nas cinco categorias abaixo. Na hora de escolher, é importantíssimo levá-las em consideração:

  • Motion-control (controle de movimento): durável e mais rígido, ajuda a controlar a pronação, que é a pisada feita primeiro com a parte de fora do pé. É indicado para quem tem pé chato.
  • Stability (estabilidade): faz boa combinação entre amortecimento, suporte e durabilidade. É indicado para o corredor de peso médio sem problema de pronação.
  • Cushion (amortecimento): oferece maior amortecimento e menor suporte. É indicado para que não tenha grau excessivo de pronação.
  • Performance: é leve e utilizado para treinos ou provas em ritmo rápido. Uma dica é ter um tênis desse como segunda opção para os dias de treinos de velocidade acima do habitual.
  • Trail (trilha): específico para correr em terrenos acidentados ou enlameados, uma vez que oferece tração, estabilidade e durabilidade.

Para aqueles que conseguem gerenciar bem o próprio cotidiano, comprar um tênis quando o atual está em seus últimos dias é uma boa saída. Antes de estrear o novo tênis em treinos, usá-lo socialmente algumas vezes evita desconfortos durante a corrida. Dá certo.

Fila Night Run resistiu bem ao dilúvio na USP

Por Cassio Politi | 10/05/2009, 11h16

Organização da prova distribui água, maçãs e bananas antes da prova

A chuva foi tão pontual quanto a prova. Eram 20h em São Paulo quando os cerca de 10.200 participantes da Fila Night Run sentiram cair os primeiros pingos. Nos alto falantes, o locutor anunciava o início da prova, que teve pontos fortes e fracos.

Realizada na Centauro, loja enorme dentro do Shopping Eldorado, a retirada de kits foi rápida e simples. A escolha de um lugar como uma loja de artigos esportivos é para ser pensada por todos os organizadores de provas.

A camisa da Fila, preta e de mangas compridas, vai completar o guarda-roupas de muitos corredores, especialmente no inverno que se aproxima.

A comunicação pré-prova foi outro aspecto positivo. Reforçou os incentivos para que o público chegasse à USP com 2h de antecedência. Havia brindes e sorteios exclusivos para quem estivesse próximo da arena. Pelo visto, funcionou bem: às 18h30, a concentração já era grande. A promessa de uma arena animada, com música ao vivo, foi cumprida. Houve, ainda, água e frutas à vontade para os corredores.

Em parte, porém, a execução do pré-prova falhou. Estava prevista a entrada na USP pelos portões 2 e 3. Mas quem chegou ao portão 2 foi surpreendido com a explicação de que estava fechado porque a USP não liberou o acesso. Argumento difícil de engolir, uma vez que o percurso da prova de 10 km passava bem perto daquele portão, pelo lado de dentro.

Cronômetro ligado

Houve duas largadas diferentes para as provas de 5 e 10 km, o que é sempre bom. Entretanto, já nos primeiros metros, os participantes se encontravam para cumprir o mesmo percurso até o 4º quilômetro.

O resultado foi um aglomerado de pessoas em ritmos diferentes, embaralhadas, se atrapalhando. Ruim para quem corre mais devagar, ruim para quem vai num ritmo mais forte. Houve gente correndo pela calçada e pela grama molhada, o que gera risco de lesão.

Percursos diferentes para distâncias diferentes dão a impressão de funcionar melhor.

Por outro lado, a sinalização e a orientação foram perfeitas. O risco de um corredor de 10 km seguir o caminho da prova de 5 km — e vice-versa — tendeu a zero.

Dilúvio
Na largada, alguns pingos. Com 10 minutos de prova, chuva intensa. Com 20 minutos, chuva forte. Com meia hora, dilúvio. Com 40 minutos, alagamento.

O fato é que a prova resistiu à chuva. Postos de hidratação, ambulâncias, staffs, placas, guarda-volumes — tudo permaneceu no seu devido lugar, imune ao aguaceiro.

Corrida ajudou Nike a ficar entre as marcas mais valiosas do mundo

Por Cassio Politi | 05/05/2009, 18h16

Nome “Nike” foi inspirado em Niké, a deusa grega da vitória

Nike e Adidas disputam a melhor posição no ranking das marcas mais valiosas do mundo. Em 2008, a Nike ocupou o 29º lugar frente à 69ª colocação alcançada pela concorrente alemã. Especializada no assunto, a respeitada consultoria Interbrand divulga anualmente as 100 marcas mais fortes em âmbito global.

No último relatório, publicado em setembro de 2008, a Interbrand atribui a boa colocação da Nike ao lançamento de acessórios inovadores para corredores, como calçados, MP3 Player e produtos femininos. Essa proximidade com os clientes deu vazão a um boca-a-boca favorável à imagem da empresa. A penetração em mercados emergentes, evidenciada no patrocínio à China nas Olimpíadas de 2008, também fortaleceu consideravelmente a marca Nike.

O estudo atribui o bom resultado da Adidas a decisões empresariais acertadas, como a compra da Reebok e o patrocínio a atletas e equipes de alta performance em modalidades variadas.

O placar dessa disputa aponta que o valor da marca Nike é de US$ 12,7 bilhões. É mais do que o dobro do valor da Adidas, estimado em US$ 5,1 bi.

A título de curiosidade, a marca mais valiosa do mundo continua sendo a Coca-Cola (US$ 66,7 bi), seguida de IBM, Microsoft, GE, Nokia, Toyota, Intel, McDonald’s, Disney e Google.

Uma forma prática de entender o legado de Senna

Por Cassio Politi | 01/05/2009, 19h31

Há 15 anos o mundo ficou órfão de Ayrton Senna. Das justas homenagens que são feitas ao maior ídolo do esporte brasileiro desde os anos 80, fica a impressão de que as lições deixadas por ele poderiam ser muito mais aproveitadas nas corridas, na atividade profissional, na vida.

Senna não foi apenas um piloto talentoso. Foi um atleta que usava, entre outros artifícios, a corrida para melhorar sua performance nas pistas. Algumas de suas idéias são contagiantes:

Corpo x Mente
“Você treina seu corpo para fazer o que você quer, e não o que o seu corpo quer. Então, você põe o seu corpo no limite muitas vezes. E você treina sua mente para a mesma coisa: para fazer o que você deve fazer como atleta, como profissional, como esportista. E não o que a sua mente quer fazer.”

Corridas em Angra
“Corro 12, 15, 20 quilômetros por dia porque isso é importante não apenas para a minha profissão, mas também para a minha saúde. Tenho a responsabilidade de, mesmo em férias, me manter em forma. Isso faz uma grande diferença quando volto para as pistas de Fórmula 1. Estando em forma, piloto melhor e obtenho melhor desempenho.”

Aprendizado
“Faço exercícios que envolvem os dois lados: corpo e mente. Basicamente, trata-se de aprender mais sobre si mesmo, sobre suas limitações, suas forças, suas qualidades, e tentar fazer disso um todo. É possível tirar muita energia disso. Mesmo quando se tem dor, é possível lidar com a dor, desde que você esteja preparado e focado.”

Superar a dor
“Já senti muita dor enquanto estava pilotando. Uma vez, quando corria de kart, tive um acidente feio. Fisicamente eu não estava machucado, mas por dentro eu estava, sim, muito machucado. Achei que não conseguiria correr no dia seguinte, quando seria a prova. Mas logo notei que, pilotando devagar, eu sentia todo tipo de dor e não conseguia mesmo pilotar. Indo um pouco mais rápido, porém, a dor ia para algum outro lugar, não estava mais em mim. Tive mais dois acidentes durante a prova. Eu estava tão focado que não senti nenhuma dor. Então, algumas experiências ensinam o quanto a mente pode ser forte e quanta influência pode ter sobre o corpo.”

Vitória em Interlagos (1991)
“Eu vinha tentando ganhar o GP do Brasil havia muitos anos e tinha ali uma boa oportunidade. Por causa de um problema na caixa de câmbio, o carro ficou apenas com a 6ª marcha nas últimas voltas. Isso exigia muito mais esforço nos meus braços. Por causa dessas dificuldades, não pude liberar muita emoção. Precisei ser frio e calculista apesar de tantas coisas acontecendo na minha mente e no meu corpo. Senti muita dor nas voltas finais, mas o desejo de vencer era tão grande que eu fui em frente.”

Sem meio termo
“Você se compromete em tal nível que não há meio termo: você dá tudo de si, absolutamente tudo. E algumas vezes você dá ainda mais de si se quiser estar à frente, se quiser vencer.”

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