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O blog da Corrida de Rua

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Duelo entre corpo e mente

Por Cassio Politi | 10/04/2009, 21h14

A planilha previa dois treinos — 14 e 10 km — durante o feriado de Carnaval, em Santos (SP).

Começa o primeiro treino. Um sujeito que caminha no sentido contrário me faz lembrar um colega de faculdade de quem nunca mais tive notícias. Agora mesmo eu estava revivendo uma cena no bar da faculdade, mas percebo que mudei de assunto e me pego avaliando as novas regras da Fórmula 1.

Recobro a lucidez, olho o frequencímetro, olho o cronômetro. Estou devagar demais. Vou acelerar. Vou me concentrar na respiração. Passam-se alguns minutos e me lembro de um vídeo divertido no YouTube, que por sua vez me faz pensar num projeto pessoal. Borboleteando de ideia em ideia, penso agora na viagem que vou fazer depois do Carnaval. No instante seguinte me divirto com as peripécias do meu sobrinho.

Volto ao mundo real mais uma vez. Meu ritmo cardíaco está alto e a velocidade, baixa. Respiro errado. Melhoro a respiração, o coração desacelera um pouco. Fico mais confortável. Não adianta: logo volto a vaguear por pensamentos não-lineares. O corpo de novo paga a conta.

Sintetizando: passei todo o treino perdido em histórias passadas e futuras, reais e irreais, enquanto o corpo seguia desgovernado pelo calçadão de Santos.

É claro que me frustrou, mas não me surpreendeu, o fato de eu não ter finalizado o treino. Eu deveria percorrer 14 km, mas parei quando completei 10 km. Sem motivo, eu estava estressado. É doloroso não terminar um treino.

Fui à forra dois dias depois. Dessa vez, nenhuma lembrança interferiu. Corri focado. Terminei os 14 km vitorioso, como quem acaba de colocar um rival na lona.

O aprendizado não foi ter nas mãos o controle remoto da mente. Foi, sim, a performance. Corri num ritmo bom. Nos momentos de maior velocidade, a frequência cardíaca não subiu tanto. Por estar mais antenado, talvez eu tenha me aquecido melhor no início; talvez eu tenha sido mais regular na velocidade e mais cuidadoso na hora de acelerar.

Não faltam relatos de esportistas sobre a impressionante influência que a mente é capaz de exercer sobre o corpo.

Por que praticar um esporte? Por que um Blog?

Por Cassio Politi | 03/04/2009, 22h27

O que passa na sua cabeça enquanto corre? Outro dia um amigo me fez essa pergunta.

Instintivamente, eu já ia respondendo que me sentia livre, porque penso na vida, ou algo assim. Só que preferi dizer a verdade a esse amigo.

Quer saber mesmo? Sinto de tudo: dor na panturrilha quando não alongo direito, falta de ar se corro mais rápido do que deveria, dor nas costas se vou devagar demais, estresse se não me concentro num treino longo e outras sensações ainda piores. Sem dúvida, acredite, correr me traz um bem-estar enorme.

“Você fala isso para os outros?”, rebateu meu amigo, educadamente, me chamando de louco.

Não, não falo. Mas deveria falar. Porque é justamente nessas variáveis que está a graça desse esporte. Sem obstáculos, não perceberíamos evolução. Não haveria a divina sensação de conquista, não haveria a sábia sensação de derrota.

Continuando a conversa com meu amigo, ex-esportista e sedentário convicto, perguntei se ele queria dicas para começar a correr. Sim, ele queria.

Embora eu não esteja credenciado para dar dicas, pois corro há menos de 3 anos e tenho performance de fazer inveja talvez a um jabuti, decidi aconselhar. Primeiro: inscreva-se numa prova!

Neste post de estreia do Blog, cabe a correção: vá antes a um médico e faça um check-up. Mas assim que deixar o consultório, inscreva-se numa prova!

Porque a prova obriga a ter foco e a treinar com determinação, ainda que seja necessário fazer malabarismos dentro da agenda de compromissos.

Bem, acho que não convenci meu amigo com esse punhado de argumentos. Ele é um profissional ocupado por obrigação e sedentário por preguiça. Então, passei a ele o link deste Blog, já que chegar até aqui não cansa.

Chegando aqui, ele vai ler que a vida imita a corrida, e é justamente disso que vou tratar nos posts que virão por aí.

Pronto, estreei.

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