Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Cinco lições da mídia que ficam após a Copa

Por Marmota | 15/07/2010, 00h04

Além do Blog da Copa e de outras fontes confiáveis, onde mais você frequentou, entre rádio, TV e Internet, para obter informação sobre o Mundial? Pessoalmente, como refém da TV aberta, vi pouco dos canais a cabo especializados – como a ESPN, que costuma adotar uma linha essencialmente informativa, que me agrada bastante. Também sou fã das ondas curtas, e bastava entrar no carro para sintonizar a Rádio Bandeirantes, que não me decepcionou – como de praxe.

Mas enfim, enquanto especialistas em futebol discutem se houve alguma novidade tática ou quais intervenções soam positivas no esporte, os amantes da comunicação observam o que a mídia fez e, por que não, guarda algumas de suas inspirações para melhorá-las em aplicações futuras. Dentre os formatos jornalísticos que me chamaram a atenção durante o Mundial, estes cinco chamaram a minha atenção.

Dia-a-dia do UOL – Comecemos pela mais simples das sacadas – que, diga-se, foi usada algumas vezes pela Gazeta Esportiva Net em suas coberturas. Só vi isso no UOL, e é um negocinho simples, mas extremamente valioso em eventos curtos e marcantes como uma Copa do Mundo. Diariamente, algum editor do UOL Esporte fechava uma página, com os destaques do dia. Não há forma mais elegante de sintetizar a competição – e melhor ainda, deixá-la como arquivo para a posteridade.

O template da página contempla a manchete e alguns destaques batizados de “hall da fama”, para situações que chamaram a atenção. Um box com as mais lidas do dia, uma breve coletânea de frases e a análise dos blogueiros do portal. Enfim, sou suspeito para comentar: gosto muito do trabalho dessa turma, que alternam momentos de extrema descontração – como no blog da redação – a boa informação. Pelo conjunto da obra, estou com eles na batalha judicial com a Globo.

Infográficos espanhóis – Nada contra os excelentes trabalhos desenvolvidos no Brasil, como a própria Globo.com ou o Estadão.com. Mas em matéria de infografia, os colegas do Alberto Cairo já detinham a taça há tempos. O Marca foi responsável por duas das idéias mais bem resolvidas nesse campo: as fichas comparativas dos atletas que participaram da competição e o calendário de jogos.

Mais difícil, no entanto, é realizar infografias para o dia-a-dia. Nesse quesito, o La Informacion, já citado aqui algumas vezes, capricha no visual. Desde tabelas simples, como a comparação entre as seleções alemã e espanhola de 2008 e 2010, quanto o posicionamento dos atletas em todos os duelos envolvendo os favoritos.

Em tempo: o Tiago Dória fez um apanhado dos melhores infográficos desta Copa, incluindo…

Visualizações do Twitter – Sem sombra de dúvidas, este Mundial foi diferente para quem ficou o tempo todo conectado com o microblog. Impulsionado pela própria ferramenta, que estimulou os usuários a mandarem mensagens com as hashtags alusivas às bandeirinhas.

O grande tormento para acompanhar esse fluxo – que ultrapassou as 3,2 mil por segundo em algumas partidas – é a excessiva fragmentação. Alguns sites como o Twazzup ou Ellerdale podem ser úteis para quem deseja acompanhar essa movimentação. Sites como a CNN ou o The Guardian (como apresentou o Pedrox) aproveitaram bem esse buzz e fizeram aplicações bastante interessantes.

Um Mundo que Torce – Com tanta gente comentando e escrevendo sobre Copa do Mundo por aí, o que resta para os jornais impressos? Descobrir uma forma diferente e inédita de tratar o tema. Que tal passar cada dia do Mundial em um país participante da copa, identificando diferentes modos de torcer? Isso mesmo, uma verdadeira volta ao mundo em um mês. E o jornalista (e herói) Fábio Seixas conseguiu.

Foram nove meses de planejamento, 125.124 quilômetros percorridos, 43 vôos e 29 companhias aéreas – muitas delas péssimas, segundo seus relatos. Uma boa parte do que foi registrado nessa mega viagem pode ser visto aqui. No mais, prefiro pinçar alguns trechos de seu texto de encerramento, seguido de um gigante “parabéns pela audácia e coragem”.

…Ouvi muita gente dizer que era impossível, que algum problema iria acontecer, que era tecnicamente inviável ir para 31 países em 31 dias, que voos seriam perdidos ou cancelados, que minha saúde não aguentaria… Saí de Johanneburgo na noite da abertura, 11 de junho, e só fui tomar banho e dormir numa cama em Douala, Camarões, no dia 14. Entre uma coisa e outra, escalas malucas. Da África do Sul até a Nigéria, parada no Quênia. Da Nigéria para a Argélia, um voo até Paris. Da Argélia para Camarões, escalas no Líbano, na Etiópia (e como eu corri por aquele aeroporto para não perder a conexão…) e no Gabão. De Camarões para Costa do Marfim, pouso no Benim. Da Costa do Marfim para Gana, uau, um voo direto. Mas de Gana para a Coreia do Sul, bem, escalas na Nigéria (de novo) e nos Emirados Árabes Unidos. Ainda dormi uma noite em El Salvador (paradinha antes de Honduras), comprei camisetas e meias no Havaí (no caminho do Japão para o México), perdi e achei o computador na Colômbia (rota EUA-Chile) e, na Europa, passei por Áustria, Hungria e República Tcheca.

Não perdi nenhum voo. Em parte por um trato comigo mesmo de chegar sempre duas horas antes, não importa o que acontecesse nas matérias. Em parte porque as coisas funcionam aqui fora, mesmo em países que julgamos mais atrasados. Nenhum voo foi cancelado. Tudo funcionou ao redor do mundo, o que me leva a imaginar que há algo de muitíssimo preocupante na aviação brasileira.

É claro que passei por alguns perrengues…Havia, também, a questão do planejamento. Porque saí do Brasil com toda a primeira fase montada. Países que dificilmente avançariam para as oitavas seriam os visitados nas primeiras duas semanas. O acerto passou longe dos 100%, graças ao fiasco europeu. E daí começou a fase de torcer contra uns, a favor de outros. Se dois países já visitados fizessem a final, seria o fim do meu mundo. Se “queimei” um lado da tabela ao ir para a Holanda ver o jogo com o Brasil, do outro lado eu fui deixando Espanha e Alemanha mais para o fim. Deu certo.

Central da Copa na Globo – Respeito a opinião do Felipe Corazza, preocupado com a “tadeuschmidtzação” do jornalismo esportivo: “edições engraçadinhas, antes usadas em poucos e seletos momentos do jornalismo esportivo na TV, viraram rotina; aliás, rotina é pouco, viraram obrigação”, diz ele, citando a bizarra reportagem do SporTV ofensiva ao Paraguai. Excluindo o exagero, sou da opinião do Alec Duarte: às vezes, o esporte precisa do “fait divers” (o bom e velho “fedivér”) para deixar nossa vida mais leve. Nesse velho embate entre informação e entretenimento, a Central da Copa fez a festa.

Li esses dias uma entrevista com o Tiago Leifert, um dos responsáveis pela nova linguagem do Globo Esporte em São Paulo: depois das suas novas intervenções, o programa – exibido na hora do almoço – ampliou o leque de sua audiência: não apenas o marmanjo torcedor, mas também as mulheres, maioria do público neste horário. Faz sentido.

Para o Mundial, o mesmo cenário usado por Luis Ernesto Lacombe em alguns horários se transformava ao final da noite: platéia agitada, uma mocinha simpática torcendo para a Argentina, convidados musicais discutíveis, Caio Ribeiro (alvo de um meme do Twitter) e aquela descontração que deixa muitos de nariz torcido – afinal, é jornalismo ou um programa de humor? Sem querer fugir do debate, admito: interrompi diversos afazeres para desconectar do mundo e dar risadas com o programa.

E você, o que gostou mais na cobertura do Mundial?

Cinco coadjuvantes que roubaram a cena na Copa de 2010

Por Pedrox | 07/07/2010, 23h31

5. Vuvuzelas

Foi o primeiro personagem a aparecer. No ano anterior ao mundial ela já deu o ar de sua graça na Copa das Confederações.

Vuvuzela nada mais é do que um cornetão que as pessoas usam para fazer barulho nos estádios. Segundo a wikipedia, é um instrumento inventado por tribos ancestrais sul-africanas de origem muito antiga que se popularizou no país de Nelson Mandela na década de 1990 quando foi industrializado em massa numa versão feita de plástico.

O costume de soprar vuvuzelas nas partidas de futebol dos times locais foi levado a uma escala internacional. O barulho da corneta africana se tornou parte integrante de todos os jogos da Copa do Mundo e foi tema de diversos posts neste blog.

Se você acha que vai se livrar do zoada insuportável do aerofone africano depois do duelo entre Holanda e Espanha, temo que esteja redondamente enganado.

Se a CBF não proibí-la nos estádios brasileiros, seu ouvido corre sério risco de sofrer com as vuvuzelas no Mangueirão, no Morumbi, no Beira-Rio, no Maracanã ou em qualquer estádio do país.

Vuvuzela é um dos maiores legados da África do Sul para a humanidade.

4. Jabulani

Antes de rolar ela já estava sendo ofendida: horrorosa, bola de supermercado, patricinha… sobrenatural.

A pobre Jabulani nada tem de extraterrena, sua peculiaridade aerodinâmica foi estudada por físicos australianos que constataram que a bola é de fato mais rápida, faz curvas de forma imprevisível e é sentida como sendo mais dura no impacto por causa de sua textura com pequenos sulcos e “aero ranhuras”.

Temida pelos goleiros e odiada pelos atacantes, a bola da Copa nunca teve seu nome tão mencionado – muitas vezes em vão – durante um certame.

Ela virou o álibi perfeito para as falhas dos arqueiros e chutes errados dos artilheiros e ganhou até vinhetas com a voz assustadora de Cid Moreira para ser colocadas durante as transmissões da Globo a cada lance onde a esfera roubou a cena.

Jabulani é uma palavra da língua Bantu isiZulu (um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul) que significa Celebrar. Seu grande legado foi dar novo status aos nomes de bola nos campeonatos de futebol.

P.S.: O Fantástico até fez uma enquete para escolher o nome da bola brasileira da Copa de 2014. Eu acho UMBABARAÚNA muito bom. Qual nome você daria?

3. Mick Jagger

Não convide Mick Jagger para assistir no estádio um jogo do seu time, porque se depender do aproveitamento do vocalista dos Rolling Stones o resultado pode ser contrário ao esperado.

Foi assim com o ex-presidente estadunidense Bill Clinton que convidou o roqueiro para prestigiar a seleção ianque, que perdeu para os ganeses na prorrogação. No dia seguinte foi a vez do cantor não ficar satisfeito com a goleada aplicada pela seleção alemã no english team.

O fracasso nos oitavas de final não intimidou Jagger, que seguiu deixando seu rastro de destruição pelos estádios em que passava na África do Sul. Nas quartas de final levou seu filho brasileiro Lucas para ver a seleção pentacampeã do mundo sucumbir diante da Sneijder e sua trupe alaranjada. Por fim, no dia seguinte, sua torcida para os hermanos argentinos só provocou um dos maiores sapeca ia-iás já sofrido pelos hermanos… 4 a 0 para fazer chorar Maradona e seus filhinhos.

Coincidência ou não, Mick Jagger viu a eliminação das 4 seleções que torceu. Um incrível aproveitamente negativo de 100%. Se tornou o maior pé-frio da copa e a uruca jegueriana foi tão marcante que a única coisa boa que ele ganhou foi uma vinheta exclusiva gravada por Cid Moreira (repare na pronúncia do sobrenome):

Como legado desta Copa, Mick Jagger levou a fama de azarento e um site chamado SupportingJagger.com onde você pode fazer o “rockstar sem sorte” apoiar uma campanha que obviamente você gostaria que desse errado.

2. Larissa Riquelme

Ela provou que não é apenas o porta-celular mais formoso do Paraguai como se mostrou a rainha do marketing pessoal. Pouco me importa se ela usou suas belíssimas Jabulanis para fazer propaganda de celular e de desodorante, o fato é que nunca torci tanto para uma seleção hermana quanto o fiz pelo Paraguai diante da, agora finalista, Espanha. A promessa era que se a seleção Guarany chegasse ao menos na semi-final da Copa do Mundo ela desfilaria nuinha, despida e totalmente pelada pelas ruas de Assunção.

Apesar do infortúnio, a “namoradinha da Copa” não decepcionou sua legião de fãs e fez um ensaio fotográfico no estádio do Cerro Porteño para a alegria de todos os discípulos de Onã do planeta! Integrada às mídias sociais, a musa reativou seu perfil no twitter e abriu um canal no You Tube para capitalizar seu sucesso.

Vasculhando os vídeos dá para ver que ela ganhou uma homenagem de dois brasileiros que compuseram uma música EMO e depois gravaram um vídeoclip para a paraguaia. A atitude – digna de vergonha alheia – foi recompensada com uma mensagem de Larissa para todos os seus admiradores brasileiros. Sintam-se beijados pela musa:

Estou ansioso para ver o legado de Larissa Riquelme nesta copa do mundo: seu ensaio fotográfico.

1. Polvo Profeta

Esqueçam as adivinhações da mãe Diná ou equivalentes e não se deixe envolver pelos complexos cálculos dos matemáticos, ninguém fez previsões tão acertadas nesta Copa do Mundo quanto o morador do aquário Sea Life, em Oberhausen, na Alemanha. Seu nome é Paul e ele é um Polvo. Ele simplesmente acertou TODOS OS RESULTADOS da campanha alemã no mundial (inclusive as derrotas para Sérvia e Espanha).

Dois recipientes contendo a mesma quantidade de alimento (no caso, mexilhão) são oferecidos ao animal dentro do aquário. Em cada pote é colocada a bandeira de uma seleção e o recipiente escolhido pelo polvo é o do ‘provável’ vencedor da partida em questão. Espia o desempenho do molusco espertalhão antes de seu último acerto:

A imprensa alemã recordou que Paul costuma acertar, mas não é infalível, pois na última Eurocopa apostou em uma vitória alemã sobre a Espanha, mas foi a Fúria que levantou o troféu.

“O Povo talvez esteja errado!”

Os alemães bem que tentaram secá-lo, mas o fato é que o animal foi certeiro novamente.

Dizem, no twitter, que os alemãos perderam porque, em consequência da previsão, estavam em polvorosa e que na verdade o octópode “preferiu” a Espanha para fugir de figurar em uma típica e espanhola Paella.

Falta apenas um jogo alemão para definir a invencibilidade do Polvo Profeta na Copa do Mundo de 2010. Será que ele acerta o vencedor da decisão do 3º lugar entre Uruguai e Alemanha? Acertando ou não, Paul já assegurou seu lugar dentre as grandes figuras deste mundial.

Cinco nomes “fora da curva” para assumir a bucha

Por Marmota | 07/07/2010, 03h49

“Quem será o próximo técnico da seleção brasileira?”. A pergunta, que sempre toma conta das mesas de boteco após as fracas participações brasileiras em mundiais, costumam ser respondidas pela CBF praticamente da mesma forma: “é hora de reformular os procedimetos” ou “vamos trabalhar em conjunto com as categorias de base”. Foi assim há quatro anos, quando Ricardo Teixeira quis abandonar a filosofia anterior e convocou Dunga para o posto.

Novamente, o discurso é de mudança. E ao que tudo indica, Luiz Felipe Scolari será o homem que levará o Brasil ao hexa em meio a pressão das terras tupiniquins. É o meu favorito. Caso ele cumpra seu compromisso com o Palmeiras (o que é bem provável), algum outro começará o trabalho ao final do mês – provavelmente Leonardo, que poderá ficar por uns dois anos. Mano Menezes, que é uma espécie de “Felipão da nova geração”, é o terceiro da lista, catapultado por seus resultados em mata-matas e, por que não, por algum lobby do chefe da delegação brasileira na África, o presidente corintiano Andrés Sanchez.

Os outros nomes ventilados por aí são mais difíceis. Wanderley Luxemburgo é sempre lembrado, para o bem ou para o mal: ele já teve sua chance após o fracasso brasileiro na França, quando era considerado o melhor do Brasil. Muricy Ramalho é muito competente, mas seu temperamento faz lembrar alguns momentos dunguistas. E Ricardo Gomes sequer deveria ser citado após a vergonhosa campanha comandada por ele no Pré-Olímpico para os Jogos de Atenas. E é engraçado como Paulo Autuori, uma das apostas pós-Parreira em 2006 graças ao Mundial conquistado pelo São Paulo, mal aparece nas rodinhas.

Agora, já que o cargo está vago e a discussão tomou conta, por que não imaginar alguns palpites ainda mais difíceis, só para fazer espuma? Imagine como seria se, daqui uns dias, resolvessem anunciar algum dos cinco nomes abaixo para o comando técnico da seleção?

Joel Santana – De todos os nomes brazucas, talvez o de Joel seja o menos comentado – talvez perca para Zico, que pode contar com rejeição menor, mas que já anunciou jamais voltar a trabalhar com a atual cúpula da CBF. Mas ao declarar que “sonha em comandar a seleção em 2014″ para a mídia, Joel começou a fazer barulho. De fato, é realmente curioso o fato de um treinador carioca, com 30 anos de história e passagens por clubes do mundo todo no currículo, jamais tenha sido chamado.

Experiente ele é. Agora, suas virtudes poderiam ser questionadas pelo torcedor mais corneteiro. A bem da verdade é que o estilo “paizão” do Natalino poderia combinar com um time jovem e alegre. E nem seria necessário falar inglês, como na passagem frustrada pela África do Sul – apesar dele ter levado os Bafana Bafana a uma semifinal, hein?

Paulo Roberto Falcão – Aqui um representante da linha “se é tão fácil enxergar o que pode ser feito segurando um microfone, por que não põe a mão na massa?”. Colocar um narrador ou comentarista para treinar a seleção, evidentemente, não é uma coisa que funcionaria tão bem como nas vésperas da Copa de 70, na passagem de João Saldanha. Daria pra imaginar um Galvão Bueno treinando a seleção? Nesse aspecto, o nome mais interessante é o do eterno ídolo colorado e “Rei de Roma”.

Nos bastidores, dizem que Falcão sequer viajou à África pois está mais preocupado com seus planos em voltar a exercer o cargo de técnico. “Ah, mas ele já teve sua passagem pela seleção em 90″, vão lembrar alguns. Pois é, graças a ele a tal “reformulação” realmente aconteceu, parando na Copa América… E o que houve com o Brasil na Copa seguinte? Venceu comandado por um treinador experiente, dando continuidade ao trabalho dele. Por que não tentar de novo?

José Mourinho – Sinto muito, acabaram os bons nomes brasileiros. As três sugestões restantes implicam em algo que fere profundamente o orgulho nacional: nunca um técnico estrangeiro seria chamado para assumir o cargo. Menos ainda tendo como planejamento o Mundial realizado em nosso próprio país. Agora, seria uma experiência interessante se algum dos treinadores que já declararam “sonhar com um trabalho no Brasil” como Sven-Goran Eriksson ou Bora Milutinovic, passassem pelo país por um ano ou dois. E se é pra pensar num estrangeiro, comecemos por uma unanimidade, que poderia até mesmo ficar até 2014: o “Luxemburgo da Europa”, que já tem inúmeras biografias publicadas de tão bom que é.

Uma vantagem seria vista com bons olhos: o atual campeão europeu não teria qualquer problema com o idioma. José Antônio Lima, do excelente Esporte Fino, é um dos que gostariam de vê-lo por aqui. “A amarelinha serviria perfeitamente para o ego do português e ele certamente provocaria uma revolução muito necessária no futebol brasileiro. Faria os jogadores, na seleção, desempenharem funções táticas diferentes das tradicionais, mostrando um caminho que os técnicos brasileiros simplesmente desconhecem”.

Marcelo Bielsa – Ainda na linha “experimentos impossíveis”, um nome que se encaixa perfeitamente ao discurso de ofensividade e retorno ao “futebol arte”, característica desprezada pelo futebol brasileiro nos últimos anos, seria o de um entusiasta do ataque. O trabalho de “El Loco” Bielsa no Chile fez com que os deputados do país chegasse a oferecer “nacionalidade chilena” por ter resgatado a auto-estima dos “rojos”.

Tenho certeza de que o Brasil de Bielsa encheria os olhos do torcedor, desde que não se importassem com um pormenor aparentemente irrelevante: Bielsa é argentino. Como se não bastassem, poderiam dizer ainda que, quando teve a chance de comandar um time de ponta (a Argentina de 2002), ficou na primeira fase do Mundial. Enfim, diga com franqueza: algum técnico no Brasil possui perfil parecido?

Guus Hiddink – Lembro quando o Inagaki, entusiasmado com o título do Barcelona na Champions League de 2006, cogitou o nome de Frank Rijkaard como treinador da seleção. Na época, o holandês entusiasmava ao comandar um time com três homens no ataque – Giuly, Eto`o e Ronaldinho Gaúcho. “Sem falar que ele conseguiu fazer o Belletti jogar! O Belletti!!!“, comentava na época.

O ex-parceiro de Gullit e Van Basten no time campeão europeu de 1988 está na Turquia, longe dos holofotes. Mas a idéia de tomar emprestado o método holandês de comando poderia ganhar nova força, especialmente em função da presença laranja na decisão da Copa. E entre os treinadores, não há melhor opção do que Guus Hiddink – que, convenhamos, fez muita falta na África do Sul. Se ele ou qualquer um dos três anteriores fizessem um bom trabalho, com certeza o brasileiro nem se importaria com detalhes como nacionalidade.

De volta à realidade, seja bem-vindo, Leonardo. E até daqui um tempo, Felipão.

Em tempo: não deixe de ver as sugestões de Felipe Lessa, no De Primeira. Bem melhores que as cinco acima.

Meus cinco jogos de abertura da Copa

Por Marmota | 11/06/2010, 10h32

Lembrar das finais das Copas, especialmente aquelas que marcaram nossas vidas, é moleza. Tirar da memória aquele lance espetacular que definiu a classificação de uma equipe também é uma baba. Mas ninguém dá a menor pelota pro primeiro jogo da Copa. Por uma razão simples: começo de Mundial não quer dizer muita coisa. Fica aquele climinha de “começou”, mas não se sabe bem aonde a coisa vai parar. E independente de quem vença, tudo pode mudar nos jogos seguintes.

Ainda assim, tenho comigo as minhas memórias dos cinco últimos primeiros jogos (últimos primeiros?). Não posso falar sobre 78 (eu tinha um ano de idade), nem 82 e 86 (onde só lembro dos jogos da seleção brasileira). Tudo que sei é que a partir da Copa de 1974, a primeira com a Taça Fifa, o campeão do torneio anterior, classificado automaticamente, era o debutante. O Brasil inaugurou a regra diante da Iugoslávia. Depois tivemos Alemanha x Polônia, Argentina x Bélgica e Itália x Bulgária. Em 2006, como o então campeão (nóis) não estava garantido, voltamos aos tempos de Jules Rimet, com o anfitrião abrindo a festa.

Aliás, prepare-se: vai ser assim em 2014, com Brasil e alguém. Seja no Morumbi ou onde a Fifa quiser.

1990: Como escreve Oman-Biyik? – Naquela sexta-feira, 8 de junho, deixei a sala de aula da minha sétima serie voando. Estava entusiasmado com aquela Copa como nunca. Tinha comprado a edição especial do Pelezinho e um manual Disney com a palavra GOL em letras garrafais. Preparei até uma fita VAT de 90 minutos para gravar trechos da cerimônia de abertura pela Rádio Globo (se duvidar, essa encrenca está perdida em algum canto da casa).

A expectativa foi plenamente atingida. Achei muito lindo aquele monte de bandeiras, flores e bexigas coloridas dentro de um estádio muito bacana, com aquela armação vermelha sustentando a cobertura. Logo depois da fanfarra, a Argentina de Maradona, Burruchaga (adoro esse nome!), Pumpido (que se quebrou no jogo seguinte, consagrando Goycoechea) e Caniggia entrou em campo. O adversário no San Siro, em Milão, era a desconhecida (ao menos para um moleque de 13 anos) seleção de Camarões.

Eu realmente torci contra a Argentina, como sempre. Mas não imaginava que os camarões pudessem fazer algum estrago. E fizeram! Oman Biyik (ou Oman tem hífen?). Não importa. O cara fez de cabeça o gol que empacotou os hermanos, colocando os simpáticos leões indomáveis no mapa da bola. Pena que eles perderam pra Inglaterra nas quartas. A derrota também não serviu pra segurar a Argentina, que terminou vice-campeã daquele torneio estúpido.

1994: El Veloz Diablo – Outra vez era sexta-feira (17 de junho), outra vez em casa. Desiludido com o Mundial anterior, desta vez me contentei com o guia mequetrefe da Veja, que veio com um adesivo holográfico da taça muito batuta. Lembro do editorial daquele numero: se todos os prognósticos estiverem corretos, Brasil e Alemanha farão a final. Creio que já disse antes, mas enfim, nunca acreditei muito em prognósticos.

De qualquer forma, a geração campeã do mundo em 90 estava de volta, e devo confessar que torcia por eles naquele ano (ok, até conhecer a Bulgária). Tudo bem, aquele uniforme branco com detalhes psicodélicos em preto, amarelo e vermelho, que ia do peito até a gola sob a forma de um lenço multicor, era muito feio. Mas preferia uma vitória deles em vez dos antipáticos bolivianos.

E dessa vez os campeões venceram. Driblaram o calor da tarde em Chicago (mais uma razão pra desilusão: desde quando Chicago é lugar de se jogar bola?) e fizeram 1 a 0, gol do Klinsmann. E a Bolívia, do eterno goleiro Trucco (seis, ladrão!) e do impagável meia Sandy, viu seu grande astro, Marco “El Diablo” Etcheverry, ser expulso cinco minutos depois de entrar em campo, no segundo tempo. Hahahahahahaha!

1998: Gol do César Sampaio? – Não, não era uma sexta-feira! Mas sim uma quarta, dia 10 de junho! E o primeiro jogo da Copa era do Brasil, contra a Escócia, ao meio-dia e meia, em pleno expediente do IPT! Naquela época eu já dividia o posto de técnico do laboratório de metrologia elétrica com o estágio de jornalismo na Paulista 900. Naquele dia, ficaria mais tempo sem trabalhar cedo, e chegaria atrasado à tarde…

Um dos engenheiros conseguiu uma televisão meia-boca e colocou numa das bancadas de uma das salas do prédio, que serviu como auditório para todos os funcionários da divisão de eletricidade. Muita gente perdeu o primeiro gol daquela Copa no Saint Denis: foi logo aos cinco minutos, com César Sampaio.

Ninguém perdeu muita coisa. Aquele time do Zagallo não estava convencendo, especialmente depois do corte do Romário semanas antes (se bem que o mistério mesmo de 98 atende pelo nome de “convulsão”). Mesmo aos tropeços, e apesar do empate escocês ainda no primeiro tempo, a seleção conseguiu a vitória num gol contra – que eternizou a cambalhota de Cafu. Mas sem muitas emoções: a desconfiança era maior.

2002: Sené, sené, sené… – Novamente uma sexta-feira, e essa tinha começado na quinta à noite, 30 de maio. Estava na turma da madrugada da Gazeta, que entrava dez da noite e saía depois do amanhecer. Foi assim durante praticamente todo o Mundial – para a nossa alegria, os jogos das semifinais já aconteceram num horário mais humano, pela manhã. Tempos tão bacanas que até o Guga jogava (e bem) em Roland Garros – e nem faz tanto tempo assim.

Mas enfim. Eu era responsável pelo tempo real (descrição lance a lance), enquanto outro redator fazia a matéria do primeiro jogo da Copa. Que começou assim. “Favoritismo, tradição e peso da camisa. A seleção de Senegal não levou em conta nada isso e bateu a França, campeã do mundo, por 1 a 0. A equipe africana mostrou um futebol solidário, voluntarioso e, em alguns momentos, altamente técnico. A equipe conseguiu impor sua velocidade diante de uma França desfigurada, sentindo a ausência de seu maior craque, o meia Zinedine Zidane”. Com um estiramento, o meia só acompanhou sua equipe no estádio de Seul.

Segue o texto. “Para armar o seu time, o técnico Roger Lemerre escalou três atacantes e apenas um meia, Djorkaeff. Já os africanos armaram uma retranca e deixavam apenas um atacante, o rápido El Hadji Diouf. E foi numa jogada dele pela esquerda que saiu o único gol da partida, aos 30 minutos do primeiro tempo. Ele arrancou e invadiu a área sem marcação. Cruzou para trás e o volante Petit tentou salvar, mas jogou contra o patrimônio. A bola bateu no goleiro Barthez e sobrou para Pape Bouba Diop, sozinho e caído no chão, empurrar para as redes, marcando o primeiro gol do Mundial.

A partir daí, a França melhorou, mas ficou longe da grande exibições da Copa de 98 e da Eurocopa 2000. Tentou, meio que desordenada, chegar ao empate. Mandou bola na trave e exigiu do goleiro Tony Sylva. Mas parecia que não era seu dia. Senegal fez o que muitos diziam ser impossível e já iniciou na frente dentro do grupo A, que tem ainda Dinamarca e Uruguai. E já deu uma amostra que, nesta Copa, só se ganha dentro de campo. Com futebol e raça”.

Fui para casa ouvindo as rádios AM, que resgataram o “deve ser legal ser negão no Senegal” de Chico César e “Sené, sené, sené, sené senégaaaal” da banda Reflexus.

2006: Wanchope e dois pastel – Eu realmente imaginava que a Copa da Alemanha seria muito boa. Mas era suspeito: um ano antes, tive a oportunidade de conhecer boa parte do país-sede, uma viagem que tratou de misturar com uma porcentagem de genes alemães que trago da minha avó materna. Isso fez com que eu, inconscientemente, criasse uma empatia pelo nationalfussballmannschaft, comandado pelo ex-artilheiro Jürgen Klinsmann. Mais do que aquela simpatia que tive em 94.

E o simples fato de já ter visitado o sensacional Allianz Arena me aproximava ainda mais daquela partida em 9 de junho, adivinhem, sexta-feira. O horário era o menos movimentado na redação: uma da tarde. Era quando a turma do plantão matutino deixava as atividades, enquanto a galera da tarde começava a chegar. Ao contrário do que pede os manuais de boa conduta em periódicos esportivos, tratei de aparecer com minha camisa vermelha, uniforme dois dos donos da casa – Klinsmann havia abolido o verde por acreditar na garra embutida naquela cor.

Os caribenhos da Costa Rica seriam os primeiros adversários, e alguns bolões até admitiam a classificação deles diante dos claudicantes poloneses e equatorianos – que viriam a surpreender naquele mesmo dia, ao vencer os poloneses. Mas enfim. O brasileiro Alexandre Guimarães contava com a base do Deportivo Saprissa, como era o caso do atacante Gómez Beiçudo e o goleiro que todo locutor adorava lembrar diante de qualquer defesa: Porras. Também esperava-se muito de Wanchope, o craque daquela geração. Que, inclusive, fez os dois gols de seu time, entre eles o de empate por 1 a 1, ainda no primeiro tempo – Philip Lahm abriu a contagem do Mundial, num belo chute.

No fim das contas, a simpática equipe da América Central perdeu todas as partidas. Inclusive aquela, por 4 a 2. Miroslav Klose, em sua segunda Copa, tratou de correr atrás da artilharia ao marcar por duas vezes. Frings, outra das armas alemãs, fechou o placar e abriu caminho para a classificação. Minha camisa vermelha deu sorte – é uma pena que não tenha usado-a contra a Itália, semanas depois.

Agora, com licença: vou registrar minhas boas lembranças de África do Sul x México e já venho.

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