Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Fim do mundial das surpresas

Por Marmota | 13/07/2010, 14h38

#NED 0 X 1 #ESP (11/07) – Para arrematar os resuminhos da disputa na África do Sul e seguir com este espaço rumo à 2014, reproduzo aqui a capa do jornal Esto, publicado no dia do confronto entre mexicanos e argentinos.

“Revancha”, isto é, revanche, representada múltiplas vezes, como se quisessem dizer ainda rivalidade, vingança, raiva. Como se uma vitória ou um potencial título não fosse suficiente, muitas vezes é este sentimento que move torcedores. Não é à toa que uma final Brasil x Argentina vinha sendo desejada; ou, já com as semifinais configuradas, um Alemanha x Holanda. Para um apaixonado por futebol, é como se fosse um Palmeiras x São Paulo, um Gre-Nal. Pode ser que a taça não venha, mas vencê-los ganha importância maior, ainda que momentaneamente.

Pois os mexicanos não conseguiram a revanche. Nem os norte-americanos, que perderam para Gana pelo mesmo placar de 2006. Mas os alemães, contra a Inglaterra, revidaram com a mesma moeda de 66: um gol irregular. Também não deram chance a uma vingança argentina, ao aplicar humilhantes quatro gols nos hermanos, mas fracassaram ao tentar devolver a derrota aos espanhóis na semifinal. Os holandeses, ao eliminarem o Brasil, repetiram 74 e soltaram um “finalmente”, uníssonos, após dois reveses nos anos 90.

Mas a maior das revanches não foi diante de um rival uniformizado, com onze em campo e uma bola. Os espanhóis, favoritos como nunca e, até domingo, derrotados como sempre, venceram não apenas a Holanda, mas a história. Uma nação acostumada a vencedores como Fernando Alonso e Rafael Nadal viu gerações fracassarem desde 1950, última presença espanhola em uma semifinal. Na decisão em Joanesburgo, sonolenta e truncada como nunca se viu, puseram fim a um histórico de “amareladas” com o gol de Iniesta.

Foi, sem dúvidas, uma Copa repleta de surpresas. A começar pela organização sul-africana, que se não foi impecável consegiu dizer ao Brasil algo como “faz melhor que eu quero ver”. Teve uma musa em escala mundial que, pasmem, não era holandesa nem brasileira, mas paraguaia. E entre os catedráticos e especialistas, o mais importante e respeitado foi um singelo octópode. Mesmo a velha máxima de que a camisa pesa em uma final foi para o vinagre, afinal de contas era a Holanda que cumpria esse papel, após duas decisões. Os azarões, agora, passaram a ser eles.

#URU 2 X 3 #GER (10/07) – Se fôssemos seguir a lógica do “peso histórico”, esta poderia ser uma decisão tranquilamente. Aliás, só não foi em 1970 porque Brasil e Itália fizeram o mesmo trajeto de holandeses e espanhóis desta vez. O resultado final também foi o mesmo: Alemanha em terceiro, Uruguai em quarto. Os alemães, recordistas em semifinais, puderam se contentar ao menos com um tetra: a quarta vez que chegaram em terceiro, como em 1934, 1970 e 2006.

E ao contrário da decisão, foi um belo jogo. A Alemanha, apesar de ter reencontrado o poder ofensivo que havia sumido contra a Espanha, levou a melhor apesar do Uruguai ter jogado muito mais. Os nossos vizinhos terminaram a competição de cabeça erguida e com o melhor jogador do torneio: Diego Forlán, que quase mudou a história dessa partida com aquela bola na trave. Já os alemães, além do melhor ataque e das maiores revelações – Ozil e Thomas Muller – deixaram um recado aos brasileiros: em 2014, estaremos melhores. Cabe a organização do Mundial colocá-los pra jogar em Manaus ou Cuiabá…

Breve resuminho da Copa: Tanzânia, Zimbábue, treino fechado, Túlio Tanaka Facts, shosholoza, Shakira, Waka Waka, Tshabalala, Jabulani, cala boca Galvão, terno do Maradona, Green e seu frango, Camarões caídos, o choro de Tae-Se, Suíça apronta pra Espanha, Senderos muito louco, defesa de Valladares, defesa de Enyeama, primeira vitória grega, Uruguai apronta Vuvuzelazzo, chupa Bafana Bafana, gol dos EUA anulado, Eslovênia quase classificada, caquinha do Joachim Low, cavalos da Costa do Marfim, tchau Elano, até mais Kaká “bad boy”, a “mãozinha” do Fabuloso, dunguices na coletiva e a resposta do Tadeu Schmidt, o celular da Larissa Riquelme, o microfone da Sara Carbonero, as minissaias das torcedoras holandesas, Domenech muito louco, Evra mais ainda, chupa França, quase gol da Nigéria, cadê o Messi, cadê o Cristiano Ronaldo, cadê o Rooney gol dos EUA anulado de novo, chupa Sérvia, chupa Itália, Nova Zelândia invicta, Eslováquia classificada, Japão classificado, Pepe x Felipe Melo, fracassou o dia sem Globo, cabeçada de Heinze na câmera, Argentina passa com gol irregular, Alemanha passa com gol irregular, queremos tecnologia na arbitragem, Mick Jagger elimina Inglaterra, Mick Jagger elimina os EUA, chupa Chile, anúncio errado na Folha, David Maravilla, chupa Portugal, chupa Komano, Mick Jagger elimina o Brasil, chupa Felipe Melo, chupa Dunga, Sneijder Bátema e Arjen Robben, chupa Maradona, chupa Argentina, Klose quase recordista, mãozinha de Suárez, chute de Gyan na trave e o melhor minuto da copa, cavadinha de Loco Abreu, Gana perde pênaltis, Cardoso perde pênalti, Xabi Alonso perde pênalti, Larissa Riquelme perde aposta mas sai pelada, jabulanada de van Bronckhorst, jabulanada de Forlán, chute de Cáceres na cara do holandês, cabeçada de Puyol, cadê a Alemahha, Uruguai até o fim, bola na trave de Forlán, duas viradas e terceiro lugar, botinadas holandesas, defesa de Casillas, doze cartões amarelos, um vermelho, gol de Iniesta, Dani Jarque sempre conosco, finalmente a taça, festa espanhola, beijo na Sara Carbonero, viva o Twitter, viva Madiba e viva o polvo Paul.

Rápido, não? Pois a Folha.com conseguiu sintetizar ainda mais o Mundial:

“O Brasil vai ser campeão, não tem como”

Por Marmota | 08/07/2010, 07h52

#NED 3 X 1 #URU (06/07) – Quem se programou para assistir a uma partida da semifinal na última terça-feira podia ter certeza de que o Brasil estaria lá. Ainda que a seleção tivesse mal das pernas, uma breve análise da concorrência facilitou prognósticos antes da eliminação: afinal, perderíamos para o Uruguai? Para a Espanha? Ou mesmo para a Holanda?

Claro que não faz nenhum sentido imaginar como seria se, ao invés dos laranjas, fosse o time de Dunga diante dos aguerridos uruguaios. Mas não consegui evitar quando, diante dos mesmos adversários que carimbaram nosso passaporte de volta, vimos um time que conseguiu equilibrar as ações – e melhor: empatou ainda no primeiro tempo com a mesma moeda do gol holandês, uma jabulanada incrível. Analisando friamente, se descontarmos o talento de Sneijder e o oportunismo de Robben, a Holanda tem qualidades, mas não é brilhante.

Enfim, quando um time sustenta 24 jogos de invencibilidade, é difícil mesmo chacoalhá-los: é como se a força tática e os lampejos criativos contassem com um fator intangível, tal aquelas “estrelinhas” a mais num jogo de videogame. Sem dúvidas a Holanda merece participar de sua terceira final de Copa na história, e os uruguaios devem comemorar como nunca a campanha extraordinária, marcada por uma vontade invejável.

Agora, não consigo deixar de me perguntar: não dava mesmo pra vencer a Holanda, o Uruguai, a Espanha? Como é que o Brasil conseguiu vacilar tanto, hein?

#GER 0 X 1 #ESP (07/07) – No início da semana, comecei a levantar uma pesquisa sobre o “Brasil x Argentina” europeu, Holanda x Alemanha. Os germânicos invadiram parte do território que compõe os Países Baixos durante a Segunda Guerra, mas o que realmente enfureceu os holandeses foi a derrota em 1974, exatamente na Alemanha, tirando a taça das mãos dos melhores. Mesmo com outros confrontos decisivos em Mundiais e Eurocopas posteriores, a virtual decisão de 2010 inverteria os papéis: ao contrário daquela decisão, o time leve e envolvente vestiria branco; o forte e aplicado, laranja.

O futebol é fantástico exatamente por isso: não aceita qualquer estatística ou provérbio. Em 80 anos de Copa do Mundo, pelo menos um entre Argentina, Itália, Alemanha e Brasil estiveram em todas as decisões. E a Espanha, que derrotou a mesma Alemanha na final da Euro, nunca teve sorte em Mundiais. Talvez o tamanho desta obviedade tenha feito o comedor de meleca Joachim Jim Carrey Loew optasse por um estilo de jogo absolutamente diferente, priorizando a defesa.

Para alegria do polvo Paul, tal postura fez com que só víssemos a Espanha com a bola. O gol seria questão de tempo, e ironicamente não saiu dos pés de seu talentoso ataque mas sim da cabeça de um zagueiro esforçado e indiscutível símbolo da Fúria, mas estabanado e longe de ser perfeito. Com ou sem Puyol, a Copa do Mundo em continente inédito terá final inédita e campeão inédito. E no sábado, os cinco títulos mundiais desta semifinal estarão apenas no duelo dos perdedores…

Brasil x Argentina? Só se houvesse um “torneio da consolação”

Por Marmota | 06/07/2010, 03h34

Enquanto metade dos palpites para uma decisão previam a Espanha campeã, a outra aguardava com ansiedade o desenrolar da “Copa América” em plena África, prevendo um duelo entre brasileiros e argentinos. Pena que nenhum dos dois favoritos conseguiram demonstrar sua força e já voltaram para casa. Uma pequena inclusão no regulamento, no entanto, permitiria a realização desta partida ainda nesta última semana de Copa do Mundo.

O economista Thiago Barros Ribeiro, certamente baseado nos campeonatos mundiais de vôlei e basquete, pegou emprestado a realização do “torneio da consolação” e sugeriu sua disputa semelhante: confrontos entre seleções já eliminadas para determinar a posição final de cada país. Desde sempre, esta definição leva em conta os pontos obtidos até a eliminação. No caso desta Copa, temos:

PGJVEDGPGCSG

Argentina

1254011064

Brasil

105311945

Gana

85221541

Paraguai

65131321

Japão

74211422

10ºChile

6420235-2

11ºPortugal

54121716

12ºEstados Unidos

54121550

13ºInglaterra

5412135-2

14ºMéxico

4411245-1

15ºCoréia do Sul

4411268-2

16ºEslováquia

4411257-2

17ºCosta do Marfim

43111431

18ºEslovênia

43111330

19ºSuíça

43111110

20ºÁfrica do Sul

4311135-2

21ºAustrália

4311136-3

22ºNova Zelândia

33030220

23ºSérvia

3310223-1

24ºDinamarca

3310236-3

25ºGrécia

3310225-3

26ºItália

2302145-1

27ºNigéria

1301235-2

28ºArgélia

1301202-2

29ºFrança

1301214-3

30ºHonduras

1301203-3

31ºCamarões

0300325-3

32ºCoréia do Norte

03003112-11

Curiosamente, entre os quatro primeiros colocados, temos uma partidinha que envolve os perdedores das semifinais, o que denotaria um tremendo anti-climax. De qualquer forma, por que não confrontar seleções eliminadas para definir as posições finais? Não seria necessário um chaveamento complexo como ocorre no vôlei ou basquete: bastaria mais um jogo para cada país. Sem falar que seria uma saída perfeita para o vazio deixado por dias como o último domingo ou mesmo esta segunda.

O Thiago ainda faz uma proposta interessante, contrastando com o sistema de prorrogação e pênaltis na segunda fase da Copa:

Para não obrigar os jogadores a um esforço excessivo para alguém que já perdeu as chances de título, o TC contaria com regras especiais, inspiradas nos Torneos de Verano argentinos, devidamente adaptadas em nome da emoção. Cada jogo teria 45 minutos e, em caso de empate, iria direto para a disputa de pênaltis. Se um time abrisse uma vantagem de dois gols durante o tempo regulamentar, seria imediatamente considerado vencedor por nocaute.

Observe novamente a tabelinha acima, siga a sequência, ocupe os dias sem jogos e estádios ociosos: a decisão do quinto lugar seria exatamente um eletrizante Brasil x Argentina. Gana teria uma nova chance diante de um sul-americano, enfrentando o Paraguai de Larissa Riquelme. Japão x Chile reuniriam duas boas surpresas da primeira fase. Na sequência: Portugal x EUA, Inglaterra x México, Coréia do Sul x Eslováquia… Até chegarmos a França x Honduras e Camarões x Coréia do Norte e sentirmos saudade daqueles jogos modorrentos das primeiras semanas. Mas tem mais, como lembra o Thiago:

Austrália e Nova Zelândia faria parar toda a Oceania. Os habitantes das grandes ilhas encheriam dezenas de estádios de rugby para acompanhar a batalha. Itália e Grécia decidiriam em campo quem foi o melhor da Antiguidade. Nigéria e Argélia definiriam quem está à frente na disputa entre as Áfricas negra e branca.

A idéia é realmente perfeita para os torcedores apaixonados. Mas teria que contar com o ânimo dos derrotados…

Quantas vezes você viu o Brasil ser campeão?

Por Marmota | 04/07/2010, 23h42

#NED 2 X 1 #BRA (02/07) – Tudo já foi dito sobre o jogo da última sexta-feira. O entusiasmo do primeiro tempo, o nervosismo provocado pelos holandeses, o gol anulado, o lançamento preciso de Felipe Melo, o toque de primeira do Robinho pras redes, a concentração e a anulação do ataque adversário… Enfim, a bobeada do mesmo Felipe Melo ao fazer uma firula nos instantes iniciais de uma etapa complementar absurdamente descontrolada, a subida do camisa cinco à frente do até então melhor goleiro do mundo, a cabeçada do baixinho Sneijder, aquele cartão vermelho…

Muitos que sopraram vuvuzelas e vibraram com o desempenho da seleção após a vitória nas oitavas bandearam pro lado dos que diziam, antes do confronto decisivo, que este seria o jogo mais difícil, o primeiro adversário mais estruturado, invicto há 23 partidas. Nas longas horas que se separaram entre o apito final do árbitro e o desembarque de Dunga em Porto Alegre, seguido por um bilhete azul válido pra toda comissão técnica, meio mundo passou a procurar os culpados. O técnico foi o primeiro. Lembraram sua inexperiência e falta de opções no banco para decidir. Felipe Melo vem em seguida: toda a mediocridade de um time ficou personificada em um único jogador. Por fim, toda a expectativa sobre Kaká, que declaradamente jogou, no sacrifício, bem abaixo de seu potencial. Soma-se a isso a leitura labial, a análise dos especialistas, a opinião dos psicólogos e as lágrimas da criança.

O mais irônico deste placar é perceber que, em 2006, um treinador campeão, uma equipe recheada de estrelas, badaladas por um quadrado mágico e marcada por uma preparação carnavalesca em Weggis, jogou mais ou menos a Copa inteira e perdeu nas quartas-de-final. Desta vez, eram guerreiros concentrados como nunca, comprometidos com a filosofia e a religião de seus comandantes novatos, sem qualquer badalação. Jogou mais ou menos a Copa inteira e perdeu nas quartas-de-final! Duas receitas absolutamente distintas, com o mesmo resultado prático.

E querem saber mais? Só comecei a ter noção do que representa uma Copa do Mundo a partir de 1982. De lá para cá, foram dois títulos em oito oportunidades. Acreditamos que vamos ganhar sempre, mas devíamos estar acoostumados a perder. Enfim, rumual équissa em casa, daqui a quatro anos.

#URU 1 (4) X 1 (3) #GHA (02/07) – Os primeiros 119 minutos podem não ter sido lá essas coisas: os africanos tínham mais fôlego, mas os uruguaios tínham a raça ao seu lado. Os minutos finais resumem uma epopéia extraordinária: bate-rebate na pequena área, duas bolas salvas pela zaga celeste, sendo uma com a mão, por Suárez. Enquanto o atacante caminhava para o vestiário, Gyan sentiu a Jabulani pesar e, ao chutá-la, a viu bater no travessão. O previsível resultado dos pênaltis, reforçado com as duas cobrancinhas africanas, teve como cereja do bolo a “cavadinha” de Loco Abreu. Meu feeling de que a África teria seu primeiro semifinalista na história não se confirmou, mas diante do que vimos, foi melhor assim. E de uma vez por todas: por mais que Gana jogasse pela África, não é bem assim.

#ARG 0 X 4 #GER (03/07) – Independente do resultado, da humilhação e do fato dos “hermanos” terem caído exatamente na mesma pegadinha do Brasil (enfrentar uma seleção melhor estruturada pela primeira vez), duas coisas podem ser facilmente observadas após a partida épica entre estes dois gigantes. A primeira é que Maradona saiu deste Mundial com o título de maior personagem da competiçao. A segunda é que Klose pode até bater o recorde de Ronaldo, mas se isso acontecer, será a constatação de que esse recorde não representa absolutamente nada.

#ESP 1 X 0 #PAR (03/07) – Por que ficamos com a impressão de que o jogo do Brasil foi o menos emocionante desta fase? Este confronto latino foi outro que mexeu com muita gente. Larissa Riquelme e seu celular aconchegado tinham razões para acreditar que os paraguaios poderiam se classificar, graças ao começo de jogo surpreendente, ao gol (anulado) e ao quase gol (Cardoso também sentiu a Jabulani pesar no pé ao bater o pênalti). A Espanha também teve sua chance desperdiçada numa penalidade máxima, graças a falta de critério do árbitro. O resultado veio num lance de pinball e a celebração de David Villa. Enfim, ao menos uma certeza eu preciso garantir: os espanhóis não serão páreo para os alemães. E o outro finalista bem que poderia ser o Uruguai, apesar da tremenda improbabilidade.

E a alardeada “Mini Copa América” acabou antes de começar, né? Ah sim, ainda resta uma esperança de ver o Brasil na final, já que o Carlos Eugênio Simon ainda não foi dispensado.

Parece tão fácil… Não dá pra desconfiar?

Por Marmota | 30/06/2010, 04h49

#BRA 3 X 0 #CHI (28/06) – Recupere seus palpites antes do Mundial e tente visualizar as oito seleções que restaram na competição. Acertou tudo? Mais da metade? Seja absolutamente sincero: dava para imaginar que o caminho brasileiro na segunda fase, excluindo a Holanda – certamente o chute mais certeiro na maioria dos bolões por aí – seria tão fácil?

Por um instante, após a primeira rodada, previa-se um confronto Brasil x Espanha logo nas oitavas. Antes, porém, via-se França e Inglaterra como virtuais primeiros colocados em seus grupos. Caso isso ocorresse, teríamos estes dois, e não Uruguai ou Gana, em nosso trajeto rumo à decisão. Mesmo sem a Fúria, que acabou em primeiro no grupo, poderíamos pegar uma Suíça e seu ferrolho intransponível.

Acabou vindo o freguês Chile. Enfim, até gosto do Marcelo Bielsa. Admiro mesmo sua inteligência, coragem e visão de jogo. Mas convenhamos: ele era o melhor em campo. Em nenhum momento senti que a seleção perderia. Três a zero, e como insistiu Galvão durante a transmissão, “cabia mais”.

Sobre nosso próximo adversário, vai ser um jogão. Não falta respeito a Kuyt, Van Persie, Robben e Sneijder – da mesma forma que fizemos diante de Bergkamp, os irmãos De Boer, Kluivert, Overmars e Seedorf nos anos 90 – não conto Cruyff, Neeskens e Rensenbrink, da derrota em 1974. Prefiro dizer que, em copas, nunca vi o Brasil perder para a Holanda. E é esse clima que me incomoda: quem passar desse confronto está, virtualmente, na decisão. Parece fácil demais… Tão fácil que até desconfio.

Pitacos das oitavas

#URU 2 X 1 #KOR (26/06) – Num relance, se não identificássemos direito o adversário da Celeste, poderíamos dizer, diante da chuvinha em Porto Elizabeth e da expressão tensa dos uruguaios, que o jogo era das eliminatórias sul-americanas. O lance que Diego Lugano enfia a cabeça na bola rente ao chão, quase perdendo-a graças ao chute de um coreano, representa tudo que os bicampeões possuem nesse verdadeiro renascimento para o futebol: muita raça. E em uma competição marcada por times fracos, algumas constatações ficam claras: eu bem que gostaria de ver o Luís Suarez como atacante do Inter.

#USA 1 X 2 #GHA (26/06) – Durou pouco a empolgação norte-americana – ao menos nesta Copa: insisto que não vai demorar para alguma seleção ianque chegar ainda mais longe num Mundial de futebol. Talvez se não tivessem tomado um gol logo nos primeiros minutos a história fosse outra. Enfim, os africanos, que não haviam mostrado nada de extraordinário na primeira fase, repetiram o placar do confronto entre as mesmas seleções na primeira fase de 2006. Com isso, um dos semifinalistas será uma representação histórica do passado… Ou do futuro, como já se tornou clichê definir os africanos.

#GER 4 X 1 #ENG (27/06) – Antes de qualquer comentário, devemos dizer que este foi, até agora, o jogo da Copa. Os ingleses tem total razão ao reclamar de um gol legal não dado pelo uruguaio Jorge Larrionda – que serviu para o mundo lembrar daquela bola que não entrou mas valeu, contra os mesmos alemães, na decisão de 1966. Podem até dizer que fatores extra-campo, envolvendo Capello, Terry, amante e afins, possam ter interferido no clima. Não importa: ainda assim, o english team não seria páreo para a consistência dos alemães.

#ARG 3 X 1 #MEX (27/06) – Outro resultado previsível, apesar da minha torcida por uma revanche mexicana. Eu sou mesmo um idiota: torcer para o México em uma Copa é como torcer pra Portugal, pra Espanha, pro Paraguai ou qualquer outra dessas seleções que “jogam como nunca, mas perdem como sempre”. Ah sim, teve o gol que o Tevez marcou impedido – este, somado ao da Inglaterra e a outras barbeiragens, serviu pra reacender um debate sobre uso da tecnologia no esporte, e só. Maradona já tirou o paletó, a camisa e a cinta: para deixar calça, meias e cueca no vestiário, vai ter que comer a grama pra passar pela Alemanha.

#NED 2 X 1 #SVK (28/06) – Na boa? Estavam todos trabalhando, adiantando o expediente para que todos pudessem passar o resto da tarde curtindo a vitória brasileira com churrasco e cerveja. Até porque, todos (inclusive os eslovacos) sabiam qual seleção se classificaria neste jogo. Pessoalmente, só imaginava que os holandeses poderiam ser mais incisivos no ataque: fizeram dois gols e administraram a vantagem, dando de lambuja o quarto gol para o artilheiro Vittek. Mais algo a acrescentar?

#JAP 0 (3) X 0 (5) #PAR (29/06) – O clássico entre o original e o pirata foi outro que preferi simplesmente ignorar. Parece que fiz bem: ambos tiveram medo de se classificar, de se arriscar. Foram tão cautelosos que a classificação acabou se definindo graças a um erro de Komano. Enfim, restam duas observações: tal configuração permite uma hipotética semifinal de Copa América; e o Honda, mesmo eliminado, formaria uma boa dupla de ataque com o Suarez no Inter.

#POR 0 X 1 #ESP Também respeito o histórico de Carlos Queiroz, mas fiquei surpreso negativamente com o que ele conseguiu fazer com a seleção portuguesa nesta Copa: sete gols na Coréia do Norte e um favor a nós, tirando Felipe Melo do time. Fora isso, deve ter realmente acreditado em Cristiano Ronaldo, a maior nulidade entre os candidatos a craque deste Mundial. A Espanha, quem diria, está salvando os bolões de muita gente. E provavelmente consiga passar pelo Paraguai, mas tenho certeza de que “La Roja” não vai me decepcionar, mesmo.

Sábado à noite a gente confirma se Brasil x Gana e Alemanha x Espanha farão mesmo as semifinais do Mundial da África do Sul. E o seu palpite, qual é?

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