Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

Tag: maradona

O braço de Deus

Por Pedrox | 21/06/2010, 03h07

Mesmo que o Brasil não seja campeão do Mundo na África do Sul, um jogador tem seu nome registrado para sempre na história das Copas.

O nome dele é Luis Fabiano e ele conseguiu num único golaço reunir elementos de dois gols antológicos na história das copas do mundo. A matemática é simples:

3º gol do Pelé contra a Suécia na final da Copa de 1958:

+

2º gol de Maradona contra a Inglaterra na semi-final da Copa de 1986:

=

2º gol de Luis Fabiano contra a Costa do Marfim na fase de grupos da Copa de 2010

Moral da história: Se Maradona teve a mão de Deus, Luís Fabiano usou o braço inteiro.

Obs: Como era de se imaginar, a FIFA tirou do You Tube o vídeo com o gol do Luís Fabiano e narração do José Silvério. No seu lugar botei o link para o vídeo no site oficial da Copa do Mundo 2010.

Vuvuzeladas

Por Marmota | 18/06/2010, 23h39

Elas são chatas. Barulhentas. Aparecem em bando. Tornaram-se parte do vocabulário corrente. Fazem mal aos ouvidos. Complicam a comunicação dentro de campo. Deixam a transmissão zumbizante. São inúmeras as contra-indicações contra a vuvuzela. Durante a Copa das Confederações, cheguei a anunciar uma campanha contra a corneta. Sob a alegação de que se trata de uma tradição indispensável para a celebração sul-africana, o “fóóóómmm” já faz parte da rotina. Há quem tenha, inclusive, se acostumado.

Mas a primeira reação fisiológica séria registrada sobre a vuvuzela, acredite, não foi nos ouvidos – talvez pela popularização de protetores auriculares nos arredores dos estádios. Uma moça chamada Yvonne Mayer participava de uma competição (sim, de vuvuzelas) quando sentiu a garganta queimar. Descobriu uma lesão! Culpa dos sopros sucessivos, mesmo após o desgaste. Estúpida.

E não é que o UOL Esporte descobriu dois cidadãos que se auto-intitulam “inventor” do bagulho? Neil Van Schalkwyk registrou o nome, mas Saddam Maake a popularizou entre os torcedores. Imagine se pudessem cobrar “royalties”: estimativas mostram que, desde outubro, as vendas ultrapassaram 1 milhão dentro da África do Sul. Ao menos Maake arrumou uma forma de faturar: está cobrando pra dar entrevistas!

No país da Copa, as tradicionais custam aproximadamente R$ 12 (50 rands). Bem abaixo daquelas que fabricam na China, que surgem do nada em pontos comerciais como o Saara do Rio ou a 25 em São Paulo. Se na sua rua a coisa complicou durante o jogo do Brasil, imagine na Inglaterra (mesmo com aquele time ruim), onde um supermercado vendeu uma a cada dois segundos, ao preço de 2 libras (cerca de R$ 5,30). O prefeito londrino já avisou: nada de vuvuzela nos Jogos de 2012. Pra copa daqui, já tem vuvuzela. Só falta estádio, aeroporto…

Parem tudo:

Vuvuzela Hero!!! Nãããooo!!!

Em outros países, o verbete entrou na cultura. Mesmo em Portugal, onde o rigor com o idioma é grande, a campanha da Galp Energia tem como ponto alto o… Hino à vuvuzela! É vuvuzela para cá É vuvuzela pra lá É só tocar a vuvuzela Portugal, vamos lá! Blé.

Tinham que ser os babacas que inventaram o TCHA TCHA. A Hyundai inventou uma vuvuzela gigante, instalando-a em uma ponte da Cidade do Cabo. A maldita ainda toca a cada gol marcado no Mundial – felizmente, a média anda baixa.

Lógico que, mesmo na África do Sul, há locais onde as vuvuzelas são gentilmente proibidas. Mesmo nos estádios, antes dos hinos, o telão estampa um “quiet please” Mas há quem goste do barulhinho – não exatamente o que sai da própria, uns 140 decibéis, mais alto que um avião decolando. Na Europa, o ringtone campeão de downloads é o da vuvuzela. Pela web é possível encontrar vários sites que popularizam a brincadeira – este aqui é um dos links mais populares. Clique e espalhe ao mundo quanto tempo você consegue vuvuzelar.

Emissoras de TV em todo mundo receberam reclamações: “tirem este chiado ou mudo de canal!”. Pobres telespectadores. De qualquer forma, algumas emissoras de TV à cabo anunciaram a exibição de jogos sem o ruído da vuvuzela. Especialistas ensinam como fazer isso, usando filtros de som – é preciso cortar o som equivalente, que ressoa aproximadamente em 235Hz, além de suas harmônicas, 466 Hz, 932Hz e 1862Hz. O resultado fica melhor usando um computador para “filtrar” o áudio. Se a sua TV tiver equalizador, é só mexer na faixa dos 300Hz. O resultado, dizem, resolve.

Parem tudo, de novo:

FUNK DA VUVUZELA!!!

Em campo, o único sujeito que conseguiu calar as vuvuzelas das arquibancadas de um jeito impressionante foi Diego Forlán, no segundo gol marcado na vitória conta os donos da casa. Este trecho do programa Fanáticos por Futebol, da Rádio Bandeirantes, mostra o registro em áudio do “Vuvuzelazzo”, como definiu Mauro Beting.

A última vuvuzelada tinha que ser um desses memes sem autor conhecido, altamente circulantes em blogs e redes diversas: uma tremenda maldade com o ex-craque, ex-apresentador, ex-morto e atual técnico argentino.

E olha que esta foi só a primeira semana de Copa do Mundo na África. Haja vuvuzela até o dia 11.

Torcendo para a Argentina

Por Marcos Donizetti | 15/06/2010, 14h37

Bandeira da Argentina

A seleção brasileira entrará em campo hoje para a primeira partida pela Copa do Mundo 2010. Eu deveria estar nervoso, roendo as unhas de ansiedade, mas a verdade é que estou tranqüilo. Emoção mesmo, com direito a grito na hora do gol, eu senti quando a Argentina venceu a Nigéria, dias atrás. O fato deixou alguns amigos e conhecidos chocados, então resolvi explicar, não que isso fosse uma obrigação.

De início, preciso refutar o argumento simplório e inocente de quem diz que não torcer para a Seleção Brasileira é não torcer pelo Brasil e não merecer minha condição de brasileiro (como se ter ou não determinada nacionalidade fosse mesmo uma questão de merecimento). Ora, o ufanismo bobo da expressão “a seleção é a pátria” só serve ao discurso publicitário fácil ou ao “ame-o ou deixe-o” do período da ditadura.

O fato é que mais do que torcer pela seleção ou ser “brasileiro com muito orgulho e com muito amor”, o que me move é gostar de futebol. Não este futebol dos “guerreiros pré-fabricados” que precisam vencer a qualquer custo, mas o futebol do sonho e da utopia, o futebol que nada mais é que a representação maior e mais fiel das tragédias humanas. Daí, nada mais natural que torcer pela Argentina nesta Copa.

Dunga é bem intencionado e comprometido sim com o que ele acredita ser a Seleção Brasileira. O problema é que tanto ele quanto seus comandados estão comprometidos com a mais patética mediocridade. Pior, ele representa não só a mediocridade dentro de campo, mas a mediocridade endêmica e maniqueísta que contamina todos os setores da nossa sociedade. O discurso de quem diz “o que importa é vencer, contra tudo e contra todos” é o discurso dos idiotas leitores de auto-ajuda.

Michel Bastos, Daniel Alves, Thiago Silva e Felipe Melo são ofensas ao Brasil que teve Pelé, Garrincha, Zizinho e Didi. Nomes forçadamente compostos, pensados por empresários e assessores de imprensa para agregar valor a um produto que querem logo exportar. Este é o Brasil dos “publieditoriais”, dos carros “semi-novos” e de todos os outros eufemismos tapados e politicamente corretos. É o Brasil do choque de ordem, que tenta esquecer seu passado em nome da modernidade acéfala e da eficiência vazia. É o Brasil de quem vive no interior e tenta esconder o sotaque por ter vergonha de suas origens.

Bastos, Melo e Alves são aspones de uma repartição pública qualquer, e não jogadores de futebol dignos de jogar uma Copa do Mundo. Mais patética ainda é a tentativa de transformá-los em soldados (ou guerreiros de uma marca de cerveja ruim). Dunga adota um discurso militarizado, de ordem imposta, e todos que não estão ao seu lado estão automaticamente contra ele e contra a Seleção. Emílio Garrastazu Médici com certeza está sorrindo neste momento, em algum lugar do inferno.

Ao mesmo tempo, Maradona é o anti-Dunga. Maradona é trágico e instável como a vida deve ser, Maradona é a irreverência, a genialidade e a imprevisibilidade dos grandes. Maradona é um tango de Carlos Gardel e Dunga é uma dupla qualquer de sertanejo universitário. Maradona é Beatles e Dunga é Orlando Morais.

Enquanto Maradona libera os encontros para seus comandados durante a Copa, Dunga diz que nem todos gostam de sexo. Enquanto Dunga faz um jogador pedir desculpas por uma entrevista, Maradona promete sair pelado pelas ruas se a Argentina for campeã.

Maradona foi o principal protagonista da última grande Copa do Mundo da história, e hoje tem Lionel Messi. A Argentina lembra muito o fantástico Santos do primeiro semestre: o ataque é pura técnica e genialidade enquanto a defesa é frágil e capaz de dar arrepios. Mais divertido, impossível! Enquanto isso, Dunga preferiu deixar Ganso e Neymar no Brasil, porque deve achar que Single Ladies não é coisa de guerreiros. Azar dele, e nosso.

Eu abro mão do título em nome de uma Copa do Mundo inesquecível como todas as copas devem ser. Quero uma Copa de sonho como a de 1982 ou de 1986, uma Copa com todo o chato time da Inglaterra driblado antes do gol antológico, uma Copa com la mano de Dios! Que esta seja a Copa do Mundo de Maradona, de Verón e de Lionel Messi!

“A Argentina vai perder e vamos todos rir de você, perdedor”. É possível, e responderei que prefiro fracassar junto dos gênios do que vencer com os medíocres.

¡Ay caramba, que pesadelo!

Por Marmota | 13/09/2009, 23h28

Quando Don Diego vestiu a camisa da seleção brasileira, num comercial de guaraná às vésperas do vexame canarinho em 2006, o segundo melhor jogador de futebol de todos os tempos anunciava viver um “pesadelo”. É até risível pensar isso de um homem que, em 2004, atravessou problemas que começavam com excesso de peso e terminavam em dependência química, levando a imprensa cravar manchetes do gênero “Maradona à beira da morte”. Não à toa, muitos argentinos o enxergam como deus.

Mas enfim. Maradona já foi “pibe de oro”, craque de bola, capitão da seleção, amigo de Fidel e de Hugo Chavez, ex-viciado em cocaína, ex-ipertenso e quase morto, ex-apresentador de TV, dirigente vitalício do Boca Juniors e ídolo de uma religião. Nos últimos meses, assumiu um insólito desafio: treinar “La Selección” e conduzi-la ao tricampeonato mundial de futebol na África do Sul.

Mas ao contrário do treinador de seu maior rival (também um ex-jogador sem experiência anterior como técnico de uma grande seleção), Deus Diego está prestes a conduzir um milagre: deixar a Argentina fora de uma Copa do Mundo, algo que não acontece desde 1970. Depois da derrota para o Brasil em Rosário, as chances matemáticas de garantir uma das quatro vagas era de 60%, segundo Tristão Garcia. Veio a derrota pro Paraguai e as chances caíram para 26%.

Há quem ignore a calculadora e preveja um duelo faiscante no mais antigo e tradicional clássico sul-americano, entre argentinos e uruguaios, na última rodada das eliminatórias (imaginando que o time vença o lanterna Peru antes). E por mais que Don Diego não tenha lá muito traquejo como treinador, Carlos Bilardo, seu ex-treinador em 1986 e atual diretor de seleções da AFA, garantiu que ele fica. “Só vai sair se vierem Jesus Cristo ou a Virgem Maria”, diz (ou seja, alguém do mesmo patamar de Maradona, segundo os argentinos).

Para nós, já com o passaporte carimbado para o Mundial (e como diria Galvão, ganhar é bom; da Argentina é ainda melhor!) e com um time aguerrido e focado como há muito não se via, assistir ao pesadelo alviceleste certamente nos divide. Confesso que, num primeiro momento, imagino o quanto seria divertido vê-los disputando a repescagem contra algum time qualquer da Concacaf (hoje seria a Costa Rica, que não é aquela baba). Ou melhor: simplesmente acompanhar ao Mundial do sofá, diante da TV…

Mas pensando bem, preciso admitir que nossos vizinhos são muito mais apaixonados pela pelota do que nós. Passionais. Dramáticos. Loucos. Já teve a chance de visitar Buenos Aires? Pois quando isso acontecer, diga a eles que é brasileiro. Dificilmente haverá hostilidade: a primeira reação normalmente é a de respeito e alegria, como se quisessem celebrar o bom futebol – algo que, para eles, é uma característica comum entre as duas nações.

E aqui ignoro o argumento financeiro, envolvendo a Fifa, a imprensa esportiva ou empresas de qualquer ramo à espera da Copa, loucos para associarem suas marcas à paixão pelo futebol, facilmente resumido em um “Copa sem Argentina não dá dinheiro”. A bem da verdade, Copa sem Argentina é deixar do lado de fora gente entusiasmada que vê um jogador excepcional e, ao invés de vê-lo apenas como um promissor garoto-propaganda, o chama de deus.

E a ausência destes apaixonados, em detrimento ao negócio puro e simples, pode ser chamado de pesadelo, não?

(Este comercial da cerveja Quilmes, em alusão ao Mundial da Alemanha em 2006, consegue representar bem essa paixão argentina pelo futebol. Não te dá um pouquinho de inveja?)

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