Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

Tag: jornalismo

Os problemas de uma revista semanal…

Por Marmota | 30/07/2010, 11h44

Vejam só que coisa: imagine se um alienígena ou qualquer outro que passou a semana no mundo da lua folheasse a Revista Época nesta sexta-feira – exatamente o que fiz com a que perambula pela casa desde terça – e começasse a ler a página a seguir:

Basicamente: “Muricy, tricampeão brasileiro, foi escolhido pela CBF e fará sua estréia em 10 de agosto”. Ah sim, tem um trecho que isenta os repórteres: “Só faltou combinar sua saída com o Fluminense”.

Em tempo: alguém pode confirmar se as outras revistas semanais caíram na mesma pegadinha no dia do fechamento?

Cinco lições da mídia que ficam após a Copa

Por Marmota | 15/07/2010, 00h04

Além do Blog da Copa e de outras fontes confiáveis, onde mais você frequentou, entre rádio, TV e Internet, para obter informação sobre o Mundial? Pessoalmente, como refém da TV aberta, vi pouco dos canais a cabo especializados – como a ESPN, que costuma adotar uma linha essencialmente informativa, que me agrada bastante. Também sou fã das ondas curtas, e bastava entrar no carro para sintonizar a Rádio Bandeirantes, que não me decepcionou – como de praxe.

Mas enfim, enquanto especialistas em futebol discutem se houve alguma novidade tática ou quais intervenções soam positivas no esporte, os amantes da comunicação observam o que a mídia fez e, por que não, guarda algumas de suas inspirações para melhorá-las em aplicações futuras. Dentre os formatos jornalísticos que me chamaram a atenção durante o Mundial, estes cinco chamaram a minha atenção.

Dia-a-dia do UOL – Comecemos pela mais simples das sacadas – que, diga-se, foi usada algumas vezes pela Gazeta Esportiva Net em suas coberturas. Só vi isso no UOL, e é um negocinho simples, mas extremamente valioso em eventos curtos e marcantes como uma Copa do Mundo. Diariamente, algum editor do UOL Esporte fechava uma página, com os destaques do dia. Não há forma mais elegante de sintetizar a competição – e melhor ainda, deixá-la como arquivo para a posteridade.

O template da página contempla a manchete e alguns destaques batizados de “hall da fama”, para situações que chamaram a atenção. Um box com as mais lidas do dia, uma breve coletânea de frases e a análise dos blogueiros do portal. Enfim, sou suspeito para comentar: gosto muito do trabalho dessa turma, que alternam momentos de extrema descontração – como no blog da redação – a boa informação. Pelo conjunto da obra, estou com eles na batalha judicial com a Globo.

Infográficos espanhóis – Nada contra os excelentes trabalhos desenvolvidos no Brasil, como a própria Globo.com ou o Estadão.com. Mas em matéria de infografia, os colegas do Alberto Cairo já detinham a taça há tempos. O Marca foi responsável por duas das idéias mais bem resolvidas nesse campo: as fichas comparativas dos atletas que participaram da competição e o calendário de jogos.

Mais difícil, no entanto, é realizar infografias para o dia-a-dia. Nesse quesito, o La Informacion, já citado aqui algumas vezes, capricha no visual. Desde tabelas simples, como a comparação entre as seleções alemã e espanhola de 2008 e 2010, quanto o posicionamento dos atletas em todos os duelos envolvendo os favoritos.

Em tempo: o Tiago Dória fez um apanhado dos melhores infográficos desta Copa, incluindo…

Visualizações do Twitter – Sem sombra de dúvidas, este Mundial foi diferente para quem ficou o tempo todo conectado com o microblog. Impulsionado pela própria ferramenta, que estimulou os usuários a mandarem mensagens com as hashtags alusivas às bandeirinhas.

O grande tormento para acompanhar esse fluxo – que ultrapassou as 3,2 mil por segundo em algumas partidas – é a excessiva fragmentação. Alguns sites como o Twazzup ou Ellerdale podem ser úteis para quem deseja acompanhar essa movimentação. Sites como a CNN ou o The Guardian (como apresentou o Pedrox) aproveitaram bem esse buzz e fizeram aplicações bastante interessantes.

Um Mundo que Torce – Com tanta gente comentando e escrevendo sobre Copa do Mundo por aí, o que resta para os jornais impressos? Descobrir uma forma diferente e inédita de tratar o tema. Que tal passar cada dia do Mundial em um país participante da copa, identificando diferentes modos de torcer? Isso mesmo, uma verdadeira volta ao mundo em um mês. E o jornalista (e herói) Fábio Seixas conseguiu.

Foram nove meses de planejamento, 125.124 quilômetros percorridos, 43 vôos e 29 companhias aéreas – muitas delas péssimas, segundo seus relatos. Uma boa parte do que foi registrado nessa mega viagem pode ser visto aqui. No mais, prefiro pinçar alguns trechos de seu texto de encerramento, seguido de um gigante “parabéns pela audácia e coragem”.

…Ouvi muita gente dizer que era impossível, que algum problema iria acontecer, que era tecnicamente inviável ir para 31 países em 31 dias, que voos seriam perdidos ou cancelados, que minha saúde não aguentaria… Saí de Johanneburgo na noite da abertura, 11 de junho, e só fui tomar banho e dormir numa cama em Douala, Camarões, no dia 14. Entre uma coisa e outra, escalas malucas. Da África do Sul até a Nigéria, parada no Quênia. Da Nigéria para a Argélia, um voo até Paris. Da Argélia para Camarões, escalas no Líbano, na Etiópia (e como eu corri por aquele aeroporto para não perder a conexão…) e no Gabão. De Camarões para Costa do Marfim, pouso no Benim. Da Costa do Marfim para Gana, uau, um voo direto. Mas de Gana para a Coreia do Sul, bem, escalas na Nigéria (de novo) e nos Emirados Árabes Unidos. Ainda dormi uma noite em El Salvador (paradinha antes de Honduras), comprei camisetas e meias no Havaí (no caminho do Japão para o México), perdi e achei o computador na Colômbia (rota EUA-Chile) e, na Europa, passei por Áustria, Hungria e República Tcheca.

Não perdi nenhum voo. Em parte por um trato comigo mesmo de chegar sempre duas horas antes, não importa o que acontecesse nas matérias. Em parte porque as coisas funcionam aqui fora, mesmo em países que julgamos mais atrasados. Nenhum voo foi cancelado. Tudo funcionou ao redor do mundo, o que me leva a imaginar que há algo de muitíssimo preocupante na aviação brasileira.

É claro que passei por alguns perrengues…Havia, também, a questão do planejamento. Porque saí do Brasil com toda a primeira fase montada. Países que dificilmente avançariam para as oitavas seriam os visitados nas primeiras duas semanas. O acerto passou longe dos 100%, graças ao fiasco europeu. E daí começou a fase de torcer contra uns, a favor de outros. Se dois países já visitados fizessem a final, seria o fim do meu mundo. Se “queimei” um lado da tabela ao ir para a Holanda ver o jogo com o Brasil, do outro lado eu fui deixando Espanha e Alemanha mais para o fim. Deu certo.

Central da Copa na Globo – Respeito a opinião do Felipe Corazza, preocupado com a “tadeuschmidtzação” do jornalismo esportivo: “edições engraçadinhas, antes usadas em poucos e seletos momentos do jornalismo esportivo na TV, viraram rotina; aliás, rotina é pouco, viraram obrigação”, diz ele, citando a bizarra reportagem do SporTV ofensiva ao Paraguai. Excluindo o exagero, sou da opinião do Alec Duarte: às vezes, o esporte precisa do “fait divers” (o bom e velho “fedivér”) para deixar nossa vida mais leve. Nesse velho embate entre informação e entretenimento, a Central da Copa fez a festa.

Li esses dias uma entrevista com o Tiago Leifert, um dos responsáveis pela nova linguagem do Globo Esporte em São Paulo: depois das suas novas intervenções, o programa – exibido na hora do almoço – ampliou o leque de sua audiência: não apenas o marmanjo torcedor, mas também as mulheres, maioria do público neste horário. Faz sentido.

Para o Mundial, o mesmo cenário usado por Luis Ernesto Lacombe em alguns horários se transformava ao final da noite: platéia agitada, uma mocinha simpática torcendo para a Argentina, convidados musicais discutíveis, Caio Ribeiro (alvo de um meme do Twitter) e aquela descontração que deixa muitos de nariz torcido – afinal, é jornalismo ou um programa de humor? Sem querer fugir do debate, admito: interrompi diversos afazeres para desconectar do mundo e dar risadas com o programa.

E você, o que gostou mais na cobertura do Mundial?

Um pouco da ressaca laranja via web

Por Marmota | 14/07/2010, 02h50

Logo após o título da Espanha, fui atrás de alguns sites conhecidos da Espanha pra saber como andava a festa por lá. Lógico que fiz o mesmo com alguns sites holandeses, ainda que eu não entenda patavina.

Algumas coisas interessantes. Dessa pequena amostragem, só um deles chamou claramente pela vitória da Espanha, e não a derrota holandesa: exatamente o site de esportes. Pessoalmente, a melhor combinação foto/manchete foi a que diz “de novo não!” – tente dizer qual delas é.

Ah sim, o Eduardo Tessler, profundo conhecedor do processo de edição de jornais impressos, pinçou sua amostragem de capas de jornais espanhóis e holandeses.

Um pouco da festa espanhola via web

Por Marmota | 11/07/2010, 23h59

Como um país recém-campeão mundial foi dormir (ou não) esta noite? Que tal aproveitarmos a comemoração da Fúria e observarmos alguns dos mais populares sites de notícia da Espanha?

De uma forma geral, todos os sites espanhóis estão conectados a redes como Twitter e Facebook, permitindo uma “celebração coletiva” em vários espaços. Além da taça e das repercussões dos vestiários, destaque ainda para outras duas informações que devem render bons cliques: Jimmy Jump, o espanhol que tentou agarrar a taça antes do jogo, e Sara Carbonero, que ganhou um beijo de Casillas enquanto o entrevistava, ao vivo.

Assim como seria no Brasil (os espanhóis encaram o futebol com paixão semelhante a nossa), seria previsível uma abordagem diferenciada – ainda mais por se tratar do primeiro título. Mas dá pra perceber que a home do La Vanguardia (jornal da Catalunha) ou da TVE, apesar do destaque ao título, não fizeram nenhuma modificação em sua estrutura.

Versão da home do La Vanguardia em JPG (800 px)

Versão da home da TVE em JPG (800 px)

O El Mundo, site de notícias mais acessado da Espanha, fez o que boa parte dos sites costumam deixar preparados em dias de grandes eventos: uma foto “estourada”, ocupando toda a tela. Além disso, é possível visualizar um box com a narração de momento da festa nas ruas (como se fosse um “miniblog”), atualizado pelos repórteres com breves relatos e fotos do celular.

Versão da home do El Mundo em JPG (800 px)

A identidade do El País adotou as cores da bandeira espanhola, e além do placar pós-narração e do vídeo com o gol de Iniesta, o site convida seus leitores de todo o mundo para contar como anda a festa. No espaço da “fotona” temos uma galeria de fotos com grandes momentos da decisão. Outro detalhe: o fac-símile da capa do jornal impresso desta segunda-feira. Além de demonstrar agilidade, é como se estivesse convidando o leitor a comprar e guardar esta edição histórica.

Outro que também pegou emprestado o vermelho e o amarelo é o 20 Minutos, que sempre me chamou a atenção – não apenas pela ousadia na hierarquização dos conteúdos, como também a quantidade de comentários em todas as suas notas.

Versão da home do El País em JPG (800 px)

Versão da home do 20 Minutos em JPG (800 px)

Vamos aos dois sites esportivos mais conhecidos. Tanto o Marca quanto o As usaram a mesma palavra e muitas exclamações: ¡¡¡campeones!!!. No As encontramos a “fotona rotativa”, como no El País. O Marca – que, é bom lembrar, bolou o calendário mais bacana entre os sites – disponibiliza o perfil dos 23 campeões já em uma barra horizontal acima da “fotona”. Em uma de suas fotogalerias, a repercussão da imprensa mundial.

Versão da home do As em JPG (800 px)

Versão da home do Marca em JPG (800 px)

Deixei o mais legal para o fim. No La Informacion, um dos sites que cuidam melhor dos aspectos visuais, uma das imagens da “fotona rotativa” lembra bem uma capa de revista. E antes de exibir a home completa, o Público exibe um slideshow, uma manchete e uma chamada: “Un gol de Iniesta en la prórroga contra Holanda encumbra a España como la mejor selección de mundo. El fútbol hace justicia con la Roja”. Melhor destaque, impossível.

Versão da home do La Informacion em JPG (800 px)

Versão do slideshow do Público em JPG (800 px)

Versão da home do Público em JPG (800 px)

De lambuja, dois arquivos para a posteridade: o áudio da narração com o gol de Iniesta, pinçado da Rádio Marca; e um sensacional infográfico do La Informacion, mostrando como a Espanha e outras sete seleções favoritas atuaram em suas partidas neste Mundial.

Like a virgin: minha primeira Copa como jornalista

Por Luninha | 23/06/2010, 10h03

Eu sempre gostei de futebol. Não lembro quando isso começou, mas sempre fui fã de esportes em geral. Cresci indo ao Maracanã, ouvindo do meu pai que eu não deveria chorar, que era só um jogo e essas coisas mais. Era uma das únicas meninas a gostar da aula de educação física e a ficar com raiva de não poder jogar porque as outras fingiam estar com cólica.

Decidi que queria ser jornalista com uns 15 anos. Sempre fui comunicativa, com personalidade forte, tinha muita coisa a dizer e queria ser ouvida. Todos sempre acharam que eu seria jornalista política, nacional ou internacional. Sempre gostei muito do assunto, lia tudo no jornal e adorava as aulas de história política.

Eis que, por obra do destino, meu primeiro estágio na área foi numa redação de esportes. Até então, nunca havia pensado em trabalhar com jornalismo esportivo, mas sempre gostei do tema e pensei “por que não?” Sabia que seria um desafio, um território novo, totalmente dominado por homens.

Esse mês, quase dois anos depois, minha primeira Copa do Mundo trabalhando. Sou nova sim e a primeira Copa que eu me lembro foi 94, mesmo assim, não muito. Sabia que essa Copa seria diferente, um marco. Confesso que estava bastante ansiosa, sempre gostei de estar no meio do furacão, vendo tudo acontecer. Os dias foram passando e o clima de Copa foi aumentando. A ficha foi caindo quando via o pessoal que foi trabalhar na África se despedindo. Não sabia muito bem o que ia fazer, mas estava animada.

Agora, quase duas semanas depois do início, penso que a Copa já pode acabar. Pouco se mostrou dentro de campo e muito fora dele. As brigas, xingamentos e mau comportamento de técnicos e jogadores estão brilhando mais que os dribles, as belas jogadas e os gols. Zebras acontecem. E acho ótimo que aconteçam, para nos relembrar de que o futebol é imprevisível. Mas, a impressão que tenho, é que os times mais fracos estão ganhando por falta de competência dos favoritos e não porque estão jogando brilhantemente. E a falta de competência está diretamente ligada a falta de comprometimento causada pelos problemas extracampos.

Os favoritos são tão favoritos, que muitos pareceram começar a Copa como se já estivessem classificados para as oitavas, como se a fase de grupo fosse apenas para cumprir tabela. Alguns treinadores e jogadores parecem querer ganhar a Copa apenas para esfregar na cara da imprensa que conseguiram.

A sensação que fica é que falta motivação. Falta vontade de jogar, de ganhar, de realizar o sonho de ser campeão do Mundo. Muitos ali parecem pensar que vencer é calar os críticos, é esfregar na cara da imprensa que conseguiram e nada mais. Errado. Vencer uma Copa do Mundo deveria ser muito maior do que tudo isso. Já perceberam como as chamadas zebras comemoram cada gol como se fosse um título? Talvez seja hora dos “grandes” aprenderem com os “pequenos”. Talvez falte uma palavra nessa Copa: humildade.

(Postado originalmente no Algo a Mais)

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