Minha mãe tem um baú de madeira lindo, lindo, onde guardou o enxoval de casamento dela. Esse baú está conosco até hoje e é repleto de recordações.
Semana passada o abrimos para dar uma geral e encontramos entre outras coisas, essa camisetinha:
Minha mãe pegou a camisetinha com cuidado e disse:
- Olha, a blusinha da tua primeira copa… A de 82… Aquela que aqueles filhos da p&#@ perderam!
- Hahahahahahahahah!
- Mas guarda… Foi tua primeira copa.
- Tá, mãe.
Lavamos a roupinha – própria pra um bebê de dois, três anos - e guardamos. Quem sabe lá pra 2014, 2018, alguém se habilita a usá-la outra vez…
“Voa, canarinho, voa.”
Eu não sei de você, da sua casa, mas aqui na minha, desde sempre, desde a primeira Copa em que eu estava viva (82, aquela!), temos o hábito de enfeitar tudo com bandeirinhas e faixas e flâmulas do Brasil.
Antes eram meus pais que faziam isso, na casa que morávamos em Manaus, enchendo toda a área da garagem e do quintal de verde e amarelo.
Depois, viemos morar no apartamento em que estamos até hoje, e meu irmão e eu enfeitamos a varandinha de casa, só pra não deixar morrer a tradição.
Muitas ruas, vilas, conjuntos organizam até concursos para escolher a casa mais enfeitada para a copa e aí vale tudo: muros e asfalto com desenhos alusivos à Copa e/ou à Seleção; balões; bandeirinhas; cartazes; faixas; etc.
Quando o Brasil ganhou em 1994 e em 2002, deixamos as bandeirinhas até quase chegar o Natal. Minha mãe dizia que nem ia ter pisca-pisca naqueles anos, só bandeirinhas!
Já em 1998 e 2006, assim que fomos derrotados, saímos muito loucos da vida arrancando as bandeirinhas, como se adiantasse alguma coisa – minha mãe fez o mesmo em 1982 e de lá pra cá não acredita mais em seleção nenhuma.
Paixão isso?
Vai ver que é porque somos muito mais torcedores do que analistas.