Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Ojos Rojos

Por Marmota | 28/06/2010, 07h44

Ao que tudo indica, o Brasil deverá se classificar para as quartas-de-final nesta segunda-feira, apesar de todas as suas dificuldades, diante da simpática e esforçada seleção chilena. Apesar do retrospecto negativo dos comandados de Marcelo Bielsa diante dos brasileiros, somando ainda os desfalques no meio-campo e o desgaste físico, é lógico que nossos eternos fregueses podem ganhar. Atitude, como vimos na primeira fase, eles já mostraram. Num lampejo de raça e vibração, repetir os primeiros minutos de jogo contra a Espanha, acertar um gol e obrigar o Brasil a buscar um placar reverso – algo que ainda não aconteceu nesta Copa.

Independente do resultado, a forte identidade desta seleção do Chile já está devidamente registrada.

Juan Ignacio Sabatini, Juan Pablo Sallato e Ismael Larraín começaram a acompanhar a seleção durante as eliminatórias da Copa da Alemanha. Em dezoito jogos disputados entre 2003 e 2005, foram cinco vitórias, seis empates e sete derrotas, terminando em sétimo entre os dez países. É com mais esta frustração que começa o “Ojos Rojos”, documentário elaborado pelo trio.

Da tristeza por mais uma ausência num Mundial, veio o clamor por uma virada. E a partir da contratação de Marcelo Bielsa e a mudança de postura, os chilenos experimentaram outra vez o prazer de celebrar sua equipe durante as eliminatórias para a África do Sul. Acabaram classificados em segundo lugar, apenas um ponto atrás do Brasil. Os momentos épicos desta caminhada, permeados por muitos treinos, vestiários, gritos de incentivo e suor, recebem uma carga puramente emocional diante de torcedores e narradores emocionados, reforçando a paixão dos sul-americanos pelo esporte. Sem falar na esperada visão nacionalista, caracterizada pelo orgulho de usar vermelho, branco e azul.

Isso é tudo que posso identificar pelos trailers oficiais oferecidos pela produtora. O filme, que estreou no Chile em maio, foi um tremendo sucesso: em 20 dias, superou a marca de 100 mil espectadores. Isso sem contar os torcedores que encontraram cópias para download por aí, graças a distribuição pirata iniciada por algum cururu que furtou o material em alguma etapa da produção do DVD. Dos males, o menor: enquanto não é possível encomendar uma edição especial, com extras, gols, entrevistas e afins, as cópias proibidas representam a única solução para aficcionados distantes do Chile assistirem ao documentário.

Enfim, vejam que todo envolvimento de um país, pelo simples fato de sua seleção ter mostrado empenho para chegar à Copa do Mundo, virou filme. Mas já está bom, né? Ao menos desta vez, Dunga e seus comandados certamente não vão dar nenhuma brecha para uma continuação.

Todos os Corações do Mundo

Por Marmota | 16/07/2009, 21h55

Alguns meses após da Copa da Alemanha, encomendei uma cópia do filme “Deutschland: ein Sommermärchen” (Alemanha, um conto de verão), dirigido por Sönke Wortmann – o mesmo de “O Milagre de Berna”. O longa narra o desempenho da “Nationalmannschaft” em seu próprio país, numa visão nacionalista alegre e oposta ao seu passado nazista – ao final, mesmo com o terceiro lugar da equipe de Klinsmann, os alemães fizeram festa diante do Portão de Brandemburgo, exatamente onde passava o Muro de Berlim anos antes.

Lembrei dele por considerá-lo o melhor filme do Mundial de 2006, mesmo não sendo o “oficial da Fifa”. Nesse quesito, talvez tenhamos que esperar a Copa de 2014, quando algum diretor competente fará com que jamais nos esqueçamos de uma história contada em duas horas. A mesma sensação que tenho quando lembro de Todos os Corações do Mundo (“Two Billion Hearts”), produção da Sports Target Media dirigida pelo brasileiro Murilo Salles. Uma feliz lembrança neste baile de debutantes do Tetra – conquistado em 17 de julho de 1994, exatos quinze anos.

O filme começa contextualizando o palco da Copa: os Estados Unidos – aquele país que não tá nem aí pro “soccer”. Entrevistas bem humoradas com populares dão a entender que o país não está nem um pouco interessado na competição. Surge a música tema composta pelo maestro Lalo Schifrin apresenta a preparação para a festa de abertura, em câmera rápida.

Na sequência do longa metragem, histórias envolvendo torcedores e favoritas ao título, entre as 24 nações participantes, se alternam com momentos inesquecíveis dos jogos mais importantes. Dezoito câmeras de 35mm, quatro de 16mm, captação de som dolby surround: recursos técnicos que transportam o espectador para a arquibancada. Ao fundo, o texto adaptado por Armando Nogueira é narrado pelo ator Antônio Grassi.

Resumidamente: a Argentina, animada com o tango de Batistuta, se abala com o doping de Maradona e cai diante da Romênia de George Hagi – que, por sua vez, perde uma batalha épica para os suecos (do goleiro Ravelli) com direito a empate cedido na prorrogação antes dos pênaltis. Os animados holandeses e sua torcida laranja se entusiasma, até o gol milagroso de Branco nas quartas-de-final. Os alemães, firmes como um tanque de guerra, começam se complicando com o calor (também pudera, quem aguenta partidas ao meio-dia…) e tropeçam na simpática zebra búlgara. Espanhóis em Madrid comemoram a melhor equipe em anos, eliminadas como sempre em um confronto inesquecível (e injusto) com a Itália.

Ah sim, tem a Colômbia, o torcedor e seu conversível pintado (“Animo muchachos, que nada se ha perdido! Con un esfuerzo mas ganaremos el partido!”) e a célebre entrevista coletiva de Francisco Maturana (“Un equipo que llegó con el intuito de ser protagonista… y en busca de su protagonismo tomamos un gol, después otro…”). Hahaha!

Mas enfim. Antes da decisão no Rose Bowl, temos um rápido histórico de seus dois personagens principais. Em Caldogno, o primeiro técnico de Roberto Baggio conta que o moleque fez 50 gols num torneio da escola, e todos perguntavam se era brasileiro. Na Vila da Penha, no Rio de Janeiro, Seu Edevair lembra do filho Romário, louco por futivôlei e por gols. Finalmente, o nervosismo de ambos no túnel que leva ao gramado. Tensão que prossegue com a trilha clássica forte a partir do apito inicial. Chutes a gol, torcedores nervosos, relógio correndo… Cobranças de pênalti, chute de Baggio pra fora, festa, emoção, aquela coisa toda.

Incrível como este documentário delicioso, que termina com a conclusão “não se trata de jogo, mas sim de pessoas”, até hoje não foi lançado em DVD. O que se vê nos mercados livres da web são cópias do VHS, lançado pouco antes da Copa de 98 pela Europa Filmes. Uma pena: mesmo quem não é louco por futebol, mas adora um bom filme, adoraria rever. Bem que podiam bolar uma parceria entre Placar, Lance, Trivela ou qualquer publicação e distribuir cópias, a preços camaradas, para os aficcionados.

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