Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

Tag: crônicas

Amor à bandeira

Por Rodrigo | 25/06/2010, 09h00

Semana passada, aconteceu um fato muito peculiar.

Fui buscar um exame que tinha feito num laboratório perto da Paulista. Resolvi parar o carro na rua mesmo, ninguém merece pagar aqueles estacionamentos abusivos!

Achar a vaga tava difícil. Por sorte, um cara não tinha conseguido manobrar o carro pra parar numa vaga e lá fui eu. Fiz a manobra, estacionei o carro, quando estou saindo do carro veio um guardador:

_Pô, você conseguiu parar na vaga que o cara não conseguiu!

_É, legal!

_Pode ir tranqüilo que eu olho seu carro.

_Aqui precisa de zona azul, né? Você vende?

_Não, mas ali na banca de jornal vende.

Desci, fui até a banca comprar o bilhete de zona azul e começo a voltar pro carro. Vejo o cara inclinado no vidro, como se estivesse espiando o interior do carro. Achando aquilo muito estranho, cheguei um pouco mais perto pra tentar entender qual era a do cara.

Um parênteses: eu comprei aquela bandeirinha do Brasil de prender na janela do carro, sabe qual? Pois bem. Vejo o cara beijando a bandeira e conversando com ela, fazendo gestos e tudo o mais. Muito surreal!!

Andei em direção ao carro, o cara ficou do lado da bandeira e falou:

_Agora sim! Agora você pode ir tranqüilo! Não vai levar multa porque comprou o bilhete e nem vai ter o carro roubado porque eu to de olho!

Agradeci e fui rumo ao laboratório. Dei uma espiada e lá estava o cara, num caso de amor com a bandeira.

Na saída, ele estava lá, firme e forte ao lado da bandeira.

Like a virgin: minha primeira Copa como jornalista

Por Luninha | 23/06/2010, 10h03

Eu sempre gostei de futebol. Não lembro quando isso começou, mas sempre fui fã de esportes em geral. Cresci indo ao Maracanã, ouvindo do meu pai que eu não deveria chorar, que era só um jogo e essas coisas mais. Era uma das únicas meninas a gostar da aula de educação física e a ficar com raiva de não poder jogar porque as outras fingiam estar com cólica.

Decidi que queria ser jornalista com uns 15 anos. Sempre fui comunicativa, com personalidade forte, tinha muita coisa a dizer e queria ser ouvida. Todos sempre acharam que eu seria jornalista política, nacional ou internacional. Sempre gostei muito do assunto, lia tudo no jornal e adorava as aulas de história política.

Eis que, por obra do destino, meu primeiro estágio na área foi numa redação de esportes. Até então, nunca havia pensado em trabalhar com jornalismo esportivo, mas sempre gostei do tema e pensei “por que não?” Sabia que seria um desafio, um território novo, totalmente dominado por homens.

Esse mês, quase dois anos depois, minha primeira Copa do Mundo trabalhando. Sou nova sim e a primeira Copa que eu me lembro foi 94, mesmo assim, não muito. Sabia que essa Copa seria diferente, um marco. Confesso que estava bastante ansiosa, sempre gostei de estar no meio do furacão, vendo tudo acontecer. Os dias foram passando e o clima de Copa foi aumentando. A ficha foi caindo quando via o pessoal que foi trabalhar na África se despedindo. Não sabia muito bem o que ia fazer, mas estava animada.

Agora, quase duas semanas depois do início, penso que a Copa já pode acabar. Pouco se mostrou dentro de campo e muito fora dele. As brigas, xingamentos e mau comportamento de técnicos e jogadores estão brilhando mais que os dribles, as belas jogadas e os gols. Zebras acontecem. E acho ótimo que aconteçam, para nos relembrar de que o futebol é imprevisível. Mas, a impressão que tenho, é que os times mais fracos estão ganhando por falta de competência dos favoritos e não porque estão jogando brilhantemente. E a falta de competência está diretamente ligada a falta de comprometimento causada pelos problemas extracampos.

Os favoritos são tão favoritos, que muitos pareceram começar a Copa como se já estivessem classificados para as oitavas, como se a fase de grupo fosse apenas para cumprir tabela. Alguns treinadores e jogadores parecem querer ganhar a Copa apenas para esfregar na cara da imprensa que conseguiram.

A sensação que fica é que falta motivação. Falta vontade de jogar, de ganhar, de realizar o sonho de ser campeão do Mundo. Muitos ali parecem pensar que vencer é calar os críticos, é esfregar na cara da imprensa que conseguiram e nada mais. Errado. Vencer uma Copa do Mundo deveria ser muito maior do que tudo isso. Já perceberam como as chamadas zebras comemoram cada gol como se fosse um título? Talvez seja hora dos “grandes” aprenderem com os “pequenos”. Talvez falte uma palavra nessa Copa: humildade.

(Postado originalmente no Algo a Mais)

O Brasil em campo. E eu no busão.

Por Dragão Gordo | 09/06/2010, 16h34

Era a terceira vez que eu acordava e nada tinha mudado.

O cenário era o mesmo de 30 minutos antes. E o de uma hora antes.

Gente pra todo lado. Um congestionamento comparável… Não, superior a qualquer véspera de Natal.

Carros, ônibus, caminhões e até motos; mal se moviam nos poucos centímetros de asfalto que, ilusoriamente, apareciam e sumiam.

Dentro do ônibus, o anseio pré-Copa mal aparecia.

Ninguém aguentava mais aquela atmosfera de urucubaca e sovaco alheio. Tinham me liberado mais cedo do serviço.

“Uhuuu!”

O trouxa aqui esqueceu que mais alguns milhões de pessoas queriam o mesmo: Voltar pra casa e acompanhar a estréia do Brasil.

20 minutos no ponto e o ônibus passou.

“Beleza! – Tenho 2h e 40 minutos, fora o chorinho da TV…”

Háh!

Logo, o coletivo parou. Fila.

Mas uma fila que eu nunca presenciara antes.

O fim do mundo havia chegado e eu não sabia. Só podia.

Anda-pára-anda-pára e pára?

A euforia logo passou.

Foram duas horas e meia, num trajeto que levaria 30 minutos em dias normais.

Pra quem estava ansioso com a primeira Copa “que realmente valia” (1982 e 86 eu não entendia qual era a graça. E a de 90, bom, a gente prefere esquecer né…) , aquele começo não era lá grandes coisas.

Num cruzamento próximo, um cidadão vendia bandeirolas e cornetas verde-amarelas.

Assoprava aquele cone de plástico com um vigor incomum. E aumentava minha frustação que, àquela altura, já tendia ao ódio.

Tive um pensamento muito violento sobre o cidadão e a corneta. Mas isso, pode ficar para um tópico sobre John Stagliano.

Alguém, num clamor que traduzia nosso desespero, pediu:

“Ô motorista! Abre aqui pá nóis!”

Ok, era uma tradução porca e mal feita.

As portas do ônibus foram abertas.

Quase caí, na pressa de me livrar daquele ar quente.

Resignado, comecei a caminhar rapidamente, com outras centenas de doent… Torcedores.

Não fosse o raio da Copa, teria me lembrado de galhofar sobre as pessoas que ficaram presas no congestionamento enquanto eu avançava, no “passo do elefantinho”.

Algum tempo depois, avistei minha rua.

Entrei nela e reparei que não havia viva alma.

” Oh-oh…” – apertei o passo e mal cumprimentei o porteiro, quando entrei no prédio.

Não que isso fosse importante, porque a criatura estava grudada numa pequena televisão.

Desembestado, subi as escadas (claro, porque não tínhamos elevador). Meu coração palpitava. E o suor não pingava, cachoeirava.

Imaginei se teria algum treco no meio do caminho e engrossaria as estatísticas de pessoas que morrem por causa do esporte.

Toquei a campainha de casa como se estivesse com diarréia. Minha mãe abriu a porta, indignada.

“Precisa disso tudo?”

Desabei no sofá da sala.

Olhei para a TV e reconheci a camisa Canarinho. 0 a 0 no placar.

Um alivio, misturado à refrescância da brisa que batia em meu rosto molhado, foi suficiente para que eu me lembrasse que precisava tirar a àgua do joelho e lavar o rosto.

Afinal, já tinha perdido boa parte do primeiro tempo mesmo. O que seriam mais alguns segundos?

Lavava as mãos quando os berros ecoaram por todo o prédio. Toda a cidade.

“Ah não!”

Corri para a sala.

O Brasil tinha aberto o placar contra a Rússia.

E eu não vi o gol.

O ano era 1994.

Pode ter terminado com lágrimas de alegria.

Mas começou com gotas de suor bufante. ^_^

Ajustando o cós.

Por MarcosVP | 29/06/2009, 18h07

Bem amigos do Dialética, é com muita felicidade e com o espírito imbuído e coeso que eu adentro estas mal traçadas quatro linhas do gramado para escrever para vocês sobre a Copa do Mundo de 2010, esta copa que promete ser uma copa moleque, uma copa que solta pipa na lage. Claro que, como jornalista não diplomado que sou, eu não vou me meter a escrever sobre futebol aqui, claro que não. Vamos falar sobre coisas muito mais importantes: os uniformes e as cores do futebol. E vejam só vocês, caros amigos: não é porque eu tenho um grande gosto pela arte das sequências (aqueles conjuntos matemáticos onde diferenças e semelhanças se reunem) ou mesmo porque eu me emociono toda vez que uma seleção adentra a cancha e se perfila para executar seu hino que eu escrevo sobre uniformes.


"Ouvirundunspirangasmargensflácias..."

Eu escrevo sobre uniformes e cores porque este é um assunto fascinante e cheio de lances de perigo, uma verdadeira caixinha de surpresas. Por exemplo, Lacan, o filósofo e psicólogo, já dizia que um homem sem roupa não é ninguém. Imagine então vinte e dois peladões em campo, com suas naturezas balançando e uma bola de couro duro cruel e insidiosa indo de lado a outro em grandes velocidades. Viram só a importância dos uniformes para o esporte? Sem falar no auxílio que o conhecimento das cores dá aos narradores dos jogos. Irradiar a final da copa de 1930 deve ter sido complicado…


"Galvão, o Uruguai joga de azul celeste e calções marinho.
A Argentina, de azul claro e azul escuro, ok?"

As mídias transmissoras, é claro, sofriam. O futebol atravessou a era do rádio e da fotografia sem saber direito como distinguir os times, afinal, como todos sabem, as cores só foram inventadas lá pela década de 70. Antes disso, era tudo um preto-e-branco desgraçado. Tricolor naquela época só se fosse branco, preto e um cinzazinho desmaiado. Sem falar no machismo inerente ao vigoroso esporte bretão. Mesmo quando as cores passaram a fazer parte do cotidiano do jogo, poucos se arriscavam a usá-las com mais exuberância.


"Esplendor e Glória das Vedetes de Acapulco é a put$#%$@!"

A forma dos uniformes também é assunto digno de ganhar muitos pontos corridos em nossas crônicas. Afinal, pelo corte e desenho das vestimentas dos gladiadores da pelota, pode-se perfeitamente apreender a época histórica à qual se quer referenciar. No início do século podia-se assitir a uma missa dominical explanada em latim digna e decentemente composto e rumar para o campo de futebol imediatamente após, usando a mesma vestimenta – sem o chapéu, é claro. É claro que os uniformes mudaram, e mudaram muito.


"Ainda bem que me deram um calção GG dessa vez."

Na verdade, tudo nos uniformes mudou muito do início do século passado para cá: a forma, as cores, os padrões, o modo de usar, numerações e escudos e principalmente, os materiais usados na confecção. Hoje em dia são muito mais leves e mais resistentes.


"Eu falei que arrancar pela cabeça não dava!!! Huummmfff!"

Como vocês podem verificar, há muito, muito mesmo para falar do futebol sob as lentes dos costureiros, desenhistas e roupeiros. Da história do esporte, incluindo aí os clubes e as seleções nacionais, a forma como as equipes se vestem para enfrentar-se, o marketing de fabricantes, confederações e transmissoras em relação às vestimentas, a paixão pelas cores, as cores do passado, presente e futuro, os negócios, a psicologia de jogadores e torcidas, tudo que se pode pensar em relação ao futebol passa, uma hora ou outra, pela segunda pele dos atletas, pelos mantos sagrados, pelas camisas históricas e heróicas.


"Ai, eu amei esse novo tom de morangos frescos.
Combina com meu piercing, olha aqui."

E vamos nessa, que temos um ano de histórias para contar até a copa.

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