Blog da Copa

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Espaço para os autores do Dialetica.org e seus convidados palpitarem sobre a maior festa do futebol mundial!

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Contagem regressiva para a Copa 2014!

Modo Vuvuzela

Clique no ícone e sinta-se num estádio sul-africano!

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Vuvuzeladas

Marmota

 

Elas são chatas. Barulhentas. Aparecem em bando. Tornaram-se parte do vocabulário corrente. Fazem mal aos ouvidos. Complicam a comunicação dentro de campo. Deixam a transmissão zumbizante. São inúmeras as contra-indicações contra a vuvuzela. Durante a Copa das Confederações, cheguei a anunciar uma campanha contra a corneta. Sob a alegação de que se trata de uma tradição indispensável para a celebração sul-africana, o “fóóóómmm” já faz parte da rotina. Há quem tenha, inclusive, se acostumado.

Mas a primeira reação fisiológica séria registrada sobre a vuvuzela, acredite, não foi nos ouvidos – talvez pela popularização de protetores auriculares nos arredores dos estádios. Uma moça chamada Yvonne Mayer participava de uma competição (sim, de vuvuzelas) quando sentiu a garganta queimar. Descobriu uma lesão! Culpa dos sopros sucessivos, mesmo após o desgaste. Estúpida.

E não é que o UOL Esporte descobriu dois cidadãos que se auto-intitulam “inventor” do bagulho? Neil Van Schalkwyk registrou o nome, mas Saddam Maake a popularizou entre os torcedores. Imagine se pudessem cobrar “royalties”: estimativas mostram que, desde outubro, as vendas ultrapassaram 1 milhão dentro da África do Sul. Ao menos Maake arrumou uma forma de faturar: está cobrando pra dar entrevistas!

No país da Copa, as tradicionais custam aproximadamente R$ 12 (50 rands). Bem abaixo daquelas que fabricam na China, que surgem do nada em pontos comerciais como o Saara do Rio ou a 25 em São Paulo. Se na sua rua a coisa complicou durante o jogo do Brasil, imagine na Inglaterra (mesmo com aquele time ruim), onde um supermercado vendeu uma a cada dois segundos, ao preço de 2 libras (cerca de R$ 5,30). O prefeito londrino já avisou: nada de vuvuzela nos Jogos de 2012. Pra copa daqui, já tem vuvuzela. Só falta estádio, aeroporto…

Parem tudo:

Vuvuzela Hero!!! Nãããooo!!!

Em outros países, o verbete entrou na cultura. Mesmo em Portugal, onde o rigor com o idioma é grande, a campanha da Galp Energia tem como ponto alto o… Hino à vuvuzela! É vuvuzela para cá É vuvuzela pra lá É só tocar a vuvuzela Portugal, vamos lá! Blé.

Tinham que ser os babacas que inventaram o TCHA TCHA. A Hyundai inventou uma vuvuzela gigante, instalando-a em uma ponte da Cidade do Cabo. A maldita ainda toca a cada gol marcado no Mundial – felizmente, a média anda baixa.

Lógico que, mesmo na África do Sul, há locais onde as vuvuzelas são gentilmente proibidas. Mesmo nos estádios, antes dos hinos, o telão estampa um “quiet please” Mas há quem goste do barulhinho – não exatamente o que sai da própria, uns 140 decibéis, mais alto que um avião decolando. Na Europa, o ringtone campeão de downloads é o da vuvuzela. Pela web é possível encontrar vários sites que popularizam a brincadeira – este aqui é um dos links mais populares. Clique e espalhe ao mundo quanto tempo você consegue vuvuzelar.

Emissoras de TV em todo mundo receberam reclamações: “tirem este chiado ou mudo de canal!”. Pobres telespectadores. De qualquer forma, algumas emissoras de TV à cabo anunciaram a exibição de jogos sem o ruído da vuvuzela. Especialistas ensinam como fazer isso, usando filtros de som – é preciso cortar o som equivalente, que ressoa aproximadamente em 235Hz, além de suas harmônicas, 466 Hz, 932Hz e 1862Hz. O resultado fica melhor usando um computador para “filtrar” o áudio. Se a sua TV tiver equalizador, é só mexer na faixa dos 300Hz. O resultado, dizem, resolve.

Parem tudo, de novo:

FUNK DA VUVUZELA!!!

Em campo, o único sujeito que conseguiu calar as vuvuzelas das arquibancadas de um jeito impressionante foi Diego Forlán, no segundo gol marcado na vitória conta os donos da casa. Este trecho do programa Fanáticos por Futebol, da Rádio Bandeirantes, mostra o registro em áudio do “Vuvuzelazzo”, como definiu Mauro Beting.

A última vuvuzelada tinha que ser um desses memes sem autor conhecido, altamente circulantes em blogs e redes diversas: uma tremenda maldade com o ex-craque, ex-apresentador, ex-morto e atual técnico argentino.

E olha que esta foi só a primeira semana de Copa do Mundo na África. Haja vuvuzela até o dia 11.

Corneta vuvuzela não!

Marmota

 

Não sei quanto a você, mas algo me incomodou nessa primeira semana de “ensaio para a Copa do Mundo”. Assistir a um jogo da seleção brasileira, seja pela TV ou num estádio na África do Sul, se torna desafiador graças a um incômodo zumbido ao fundo. Trata-se da corneta vuvuzela, um instrumento sonoro, de origem kudu, que representa a alma dos torcedores em campo.

Ou seria melhor dizer alma penada! Respeito as tradições sul-africanas e seu modo alegre e espontâneo de torcer – aliás, isso me chamou a atenção nos primeiros treinos do Brasil em Bloemfontein. Mas convenhamos: atrapalha, incomoda, enche o saco…

“Sem a vuvuzela, não sei se estamos aptos a apreciar o futebol. Ela traz uma atmosfera especial aos estádios”. A declaração, pinçada no site da Fifa, é de Sadaam Maake, inventor do instrumento e considerado “torcedor número um” do país (lembrei agora do Gaúcho da Copa). Enfim, eu nunca vi ninguém proibir uma manifestação cultural – menos ainda a Fifa, que já se posicionou, nas palavras de Sepp Blatter: “os treinadores e jogadores devem se adaptar”.

Os sul-africanos podiam celebrar com moderação, alternar o som tribal com batuques, gritos de guerra, entre outras manifestações. Cultuar suas tradições com o direito que merecem, respeitando o nosso de assistir a um jogo sem zoeira. Seriam respeitados e admirados mundialmente. Mas já posso vê-los estorvando com essas cornetas de plástico vagabundas, reverberando para os quatro cantos como se o apocalipse estivesse chegando.

Nesse caso, tanto eu (e certamente outros incomodados) amaldiçoaremos esses cururus até o fim da Copa: ou vocês maneram, ou posicionem vossas vuvuzelas naqueles orifícios impronunciáveis. E que seus beiços rachem, seus pulmões explodam e seus ouvidos zumbizem. E quem estiver de acordo (ou não) pode contribuir com suas ofensas.

Atualizado: o Ubiratan Leal (que não tem nada contra as Vuvuzelas do Apocalipse) dá o link para um blog que faz campanha contra: Ban the Vuvuzela. Pessoalmente, eu apoio essa campanha.