Blog da Copa

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Corneta vuvuzela não!

Marmota

 

Não sei quanto a você, mas algo me incomodou nessa primeira semana de “ensaio para a Copa do Mundo”. Assistir a um jogo da seleção brasileira, seja pela TV ou num estádio na África do Sul, se torna desafiador graças a um incômodo zumbido ao fundo. Trata-se da corneta vuvuzela, um instrumento sonoro, de origem kudu, que representa a alma dos torcedores em campo.

Ou seria melhor dizer alma penada! Respeito as tradições sul-africanas e seu modo alegre e espontâneo de torcer – aliás, isso me chamou a atenção nos primeiros treinos do Brasil em Bloemfontein. Mas convenhamos: atrapalha, incomoda, enche o saco…

“Sem a vuvuzela, não sei se estamos aptos a apreciar o futebol. Ela traz uma atmosfera especial aos estádios”. A declaração, pinçada no site da Fifa, é de Sadaam Maake, inventor do instrumento e considerado “torcedor número um” do país (lembrei agora do Gaúcho da Copa). Enfim, eu nunca vi ninguém proibir uma manifestação cultural – menos ainda a Fifa, que já se posicionou, nas palavras de Sepp Blatter: “os treinadores e jogadores devem se adaptar”.

Os sul-africanos podiam celebrar com moderação, alternar o som tribal com batuques, gritos de guerra, entre outras manifestações. Cultuar suas tradições com o direito que merecem, respeitando o nosso de assistir a um jogo sem zoeira. Seriam respeitados e admirados mundialmente. Mas já posso vê-los estorvando com essas cornetas de plástico vagabundas, reverberando para os quatro cantos como se o apocalipse estivesse chegando.

Nesse caso, tanto eu (e certamente outros incomodados) amaldiçoaremos esses cururus até o fim da Copa: ou vocês maneram, ou posicionem vossas vuvuzelas naqueles orifícios impronunciáveis. E que seus beiços rachem, seus pulmões explodam e seus ouvidos zumbizem. E quem estiver de acordo (ou não) pode contribuir com suas ofensas.

Atualizado: o Ubiratan Leal (que não tem nada contra as Vuvuzelas do Apocalipse) dá o link para um blog que faz campanha contra: Ban the Vuvuzela. Pessoalmente, eu apoio essa campanha.