Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Revirando o baú de Brasil e Holanda

Por Pedrox | 01/07/2010, 11h00

Brasil e Holanda já se enfrentaram 3 vezes em Copas do Mundo, uma vitória para cada lado e um empate decidido nos pênaltis em que a Seleção Brasileira levou a melhor. Holanda fez 6 gols contra 5 do Brasil, no entanto os alaranjados só nos venceram no primeiro confronto, há 36 anos.

Revirando o baú de imagens da internet – mais conhecido como You Tube – trouxe alguns vídeos que mostram os melhores momentos dos três jogaços que marcaram os encontros entre brasileiros e holandeses nas Copas. Espia:

Alemanha 1974 – Semi-Finais: Brasil 0 x 2 Holanda

EUA 1994 – Quartas de Final: Brasil 3 x 2 Holanda

França 1998 – Semi-Finais: Brasil 1 x 1 Holanda (Pen: 4 x 2)

Se a Holanda receberá da Seleção Brasileira a carteirinha de freguês em Copas do Mundo ou finalmente conseguirá a tão sonhada revanche pelas eliminações na década de 90 só saberemos amanhã. Baseado no histórico de confrontos só temos uma certeza: seja qual for o resultado, será muito sofrido.

Que Nossa Senhora da Jabulani nos abençoe e nos leve novamente às Semi-Finais!

Meus cinco jogos de abertura da Copa

Por Marmota | 11/06/2010, 10h32

Lembrar das finais das Copas, especialmente aquelas que marcaram nossas vidas, é moleza. Tirar da memória aquele lance espetacular que definiu a classificação de uma equipe também é uma baba. Mas ninguém dá a menor pelota pro primeiro jogo da Copa. Por uma razão simples: começo de Mundial não quer dizer muita coisa. Fica aquele climinha de “começou”, mas não se sabe bem aonde a coisa vai parar. E independente de quem vença, tudo pode mudar nos jogos seguintes.

Ainda assim, tenho comigo as minhas memórias dos cinco últimos primeiros jogos (últimos primeiros?). Não posso falar sobre 78 (eu tinha um ano de idade), nem 82 e 86 (onde só lembro dos jogos da seleção brasileira). Tudo que sei é que a partir da Copa de 1974, a primeira com a Taça Fifa, o campeão do torneio anterior, classificado automaticamente, era o debutante. O Brasil inaugurou a regra diante da Iugoslávia. Depois tivemos Alemanha x Polônia, Argentina x Bélgica e Itália x Bulgária. Em 2006, como o então campeão (nóis) não estava garantido, voltamos aos tempos de Jules Rimet, com o anfitrião abrindo a festa.

Aliás, prepare-se: vai ser assim em 2014, com Brasil e alguém. Seja no Morumbi ou onde a Fifa quiser.

1990: Como escreve Oman-Biyik? – Naquela sexta-feira, 8 de junho, deixei a sala de aula da minha sétima serie voando. Estava entusiasmado com aquela Copa como nunca. Tinha comprado a edição especial do Pelezinho e um manual Disney com a palavra GOL em letras garrafais. Preparei até uma fita VAT de 90 minutos para gravar trechos da cerimônia de abertura pela Rádio Globo (se duvidar, essa encrenca está perdida em algum canto da casa).

A expectativa foi plenamente atingida. Achei muito lindo aquele monte de bandeiras, flores e bexigas coloridas dentro de um estádio muito bacana, com aquela armação vermelha sustentando a cobertura. Logo depois da fanfarra, a Argentina de Maradona, Burruchaga (adoro esse nome!), Pumpido (que se quebrou no jogo seguinte, consagrando Goycoechea) e Caniggia entrou em campo. O adversário no San Siro, em Milão, era a desconhecida (ao menos para um moleque de 13 anos) seleção de Camarões.

Eu realmente torci contra a Argentina, como sempre. Mas não imaginava que os camarões pudessem fazer algum estrago. E fizeram! Oman Biyik (ou Oman tem hífen?). Não importa. O cara fez de cabeça o gol que empacotou os hermanos, colocando os simpáticos leões indomáveis no mapa da bola. Pena que eles perderam pra Inglaterra nas quartas. A derrota também não serviu pra segurar a Argentina, que terminou vice-campeã daquele torneio estúpido.

1994: El Veloz Diablo – Outra vez era sexta-feira (17 de junho), outra vez em casa. Desiludido com o Mundial anterior, desta vez me contentei com o guia mequetrefe da Veja, que veio com um adesivo holográfico da taça muito batuta. Lembro do editorial daquele numero: se todos os prognósticos estiverem corretos, Brasil e Alemanha farão a final. Creio que já disse antes, mas enfim, nunca acreditei muito em prognósticos.

De qualquer forma, a geração campeã do mundo em 90 estava de volta, e devo confessar que torcia por eles naquele ano (ok, até conhecer a Bulgária). Tudo bem, aquele uniforme branco com detalhes psicodélicos em preto, amarelo e vermelho, que ia do peito até a gola sob a forma de um lenço multicor, era muito feio. Mas preferia uma vitória deles em vez dos antipáticos bolivianos.

E dessa vez os campeões venceram. Driblaram o calor da tarde em Chicago (mais uma razão pra desilusão: desde quando Chicago é lugar de se jogar bola?) e fizeram 1 a 0, gol do Klinsmann. E a Bolívia, do eterno goleiro Trucco (seis, ladrão!) e do impagável meia Sandy, viu seu grande astro, Marco “El Diablo” Etcheverry, ser expulso cinco minutos depois de entrar em campo, no segundo tempo. Hahahahahahaha!

1998: Gol do César Sampaio? – Não, não era uma sexta-feira! Mas sim uma quarta, dia 10 de junho! E o primeiro jogo da Copa era do Brasil, contra a Escócia, ao meio-dia e meia, em pleno expediente do IPT! Naquela época eu já dividia o posto de técnico do laboratório de metrologia elétrica com o estágio de jornalismo na Paulista 900. Naquele dia, ficaria mais tempo sem trabalhar cedo, e chegaria atrasado à tarde…

Um dos engenheiros conseguiu uma televisão meia-boca e colocou numa das bancadas de uma das salas do prédio, que serviu como auditório para todos os funcionários da divisão de eletricidade. Muita gente perdeu o primeiro gol daquela Copa no Saint Denis: foi logo aos cinco minutos, com César Sampaio.

Ninguém perdeu muita coisa. Aquele time do Zagallo não estava convencendo, especialmente depois do corte do Romário semanas antes (se bem que o mistério mesmo de 98 atende pelo nome de “convulsão”). Mesmo aos tropeços, e apesar do empate escocês ainda no primeiro tempo, a seleção conseguiu a vitória num gol contra – que eternizou a cambalhota de Cafu. Mas sem muitas emoções: a desconfiança era maior.

2002: Sené, sené, sené… – Novamente uma sexta-feira, e essa tinha começado na quinta à noite, 30 de maio. Estava na turma da madrugada da Gazeta, que entrava dez da noite e saía depois do amanhecer. Foi assim durante praticamente todo o Mundial – para a nossa alegria, os jogos das semifinais já aconteceram num horário mais humano, pela manhã. Tempos tão bacanas que até o Guga jogava (e bem) em Roland Garros – e nem faz tanto tempo assim.

Mas enfim. Eu era responsável pelo tempo real (descrição lance a lance), enquanto outro redator fazia a matéria do primeiro jogo da Copa. Que começou assim. “Favoritismo, tradição e peso da camisa. A seleção de Senegal não levou em conta nada isso e bateu a França, campeã do mundo, por 1 a 0. A equipe africana mostrou um futebol solidário, voluntarioso e, em alguns momentos, altamente técnico. A equipe conseguiu impor sua velocidade diante de uma França desfigurada, sentindo a ausência de seu maior craque, o meia Zinedine Zidane”. Com um estiramento, o meia só acompanhou sua equipe no estádio de Seul.

Segue o texto. “Para armar o seu time, o técnico Roger Lemerre escalou três atacantes e apenas um meia, Djorkaeff. Já os africanos armaram uma retranca e deixavam apenas um atacante, o rápido El Hadji Diouf. E foi numa jogada dele pela esquerda que saiu o único gol da partida, aos 30 minutos do primeiro tempo. Ele arrancou e invadiu a área sem marcação. Cruzou para trás e o volante Petit tentou salvar, mas jogou contra o patrimônio. A bola bateu no goleiro Barthez e sobrou para Pape Bouba Diop, sozinho e caído no chão, empurrar para as redes, marcando o primeiro gol do Mundial.

A partir daí, a França melhorou, mas ficou longe da grande exibições da Copa de 98 e da Eurocopa 2000. Tentou, meio que desordenada, chegar ao empate. Mandou bola na trave e exigiu do goleiro Tony Sylva. Mas parecia que não era seu dia. Senegal fez o que muitos diziam ser impossível e já iniciou na frente dentro do grupo A, que tem ainda Dinamarca e Uruguai. E já deu uma amostra que, nesta Copa, só se ganha dentro de campo. Com futebol e raça”.

Fui para casa ouvindo as rádios AM, que resgataram o “deve ser legal ser negão no Senegal” de Chico César e “Sené, sené, sené, sené senégaaaal” da banda Reflexus.

2006: Wanchope e dois pastel – Eu realmente imaginava que a Copa da Alemanha seria muito boa. Mas era suspeito: um ano antes, tive a oportunidade de conhecer boa parte do país-sede, uma viagem que tratou de misturar com uma porcentagem de genes alemães que trago da minha avó materna. Isso fez com que eu, inconscientemente, criasse uma empatia pelo nationalfussballmannschaft, comandado pelo ex-artilheiro Jürgen Klinsmann. Mais do que aquela simpatia que tive em 94.

E o simples fato de já ter visitado o sensacional Allianz Arena me aproximava ainda mais daquela partida em 9 de junho, adivinhem, sexta-feira. O horário era o menos movimentado na redação: uma da tarde. Era quando a turma do plantão matutino deixava as atividades, enquanto a galera da tarde começava a chegar. Ao contrário do que pede os manuais de boa conduta em periódicos esportivos, tratei de aparecer com minha camisa vermelha, uniforme dois dos donos da casa – Klinsmann havia abolido o verde por acreditar na garra embutida naquela cor.

Os caribenhos da Costa Rica seriam os primeiros adversários, e alguns bolões até admitiam a classificação deles diante dos claudicantes poloneses e equatorianos – que viriam a surpreender naquele mesmo dia, ao vencer os poloneses. Mas enfim. O brasileiro Alexandre Guimarães contava com a base do Deportivo Saprissa, como era o caso do atacante Gómez Beiçudo e o goleiro que todo locutor adorava lembrar diante de qualquer defesa: Porras. Também esperava-se muito de Wanchope, o craque daquela geração. Que, inclusive, fez os dois gols de seu time, entre eles o de empate por 1 a 1, ainda no primeiro tempo – Philip Lahm abriu a contagem do Mundial, num belo chute.

No fim das contas, a simpática equipe da América Central perdeu todas as partidas. Inclusive aquela, por 4 a 2. Miroslav Klose, em sua segunda Copa, tratou de correr atrás da artilharia ao marcar por duas vezes. Frings, outra das armas alemãs, fechou o placar e abriu caminho para a classificação. Minha camisa vermelha deu sorte – é uma pena que não tenha usado-a contra a Itália, semanas depois.

Agora, com licença: vou registrar minhas boas lembranças de África do Sul x México e já venho.

O Brasil em campo. E eu no busão.

Por Dragão Gordo | 09/06/2010, 16h34

Era a terceira vez que eu acordava e nada tinha mudado.

O cenário era o mesmo de 30 minutos antes. E o de uma hora antes.

Gente pra todo lado. Um congestionamento comparável… Não, superior a qualquer véspera de Natal.

Carros, ônibus, caminhões e até motos; mal se moviam nos poucos centímetros de asfalto que, ilusoriamente, apareciam e sumiam.

Dentro do ônibus, o anseio pré-Copa mal aparecia.

Ninguém aguentava mais aquela atmosfera de urucubaca e sovaco alheio. Tinham me liberado mais cedo do serviço.

“Uhuuu!”

O trouxa aqui esqueceu que mais alguns milhões de pessoas queriam o mesmo: Voltar pra casa e acompanhar a estréia do Brasil.

20 minutos no ponto e o ônibus passou.

“Beleza! – Tenho 2h e 40 minutos, fora o chorinho da TV…”

Háh!

Logo, o coletivo parou. Fila.

Mas uma fila que eu nunca presenciara antes.

O fim do mundo havia chegado e eu não sabia. Só podia.

Anda-pára-anda-pára e pára?

A euforia logo passou.

Foram duas horas e meia, num trajeto que levaria 30 minutos em dias normais.

Pra quem estava ansioso com a primeira Copa “que realmente valia” (1982 e 86 eu não entendia qual era a graça. E a de 90, bom, a gente prefere esquecer né…) , aquele começo não era lá grandes coisas.

Num cruzamento próximo, um cidadão vendia bandeirolas e cornetas verde-amarelas.

Assoprava aquele cone de plástico com um vigor incomum. E aumentava minha frustação que, àquela altura, já tendia ao ódio.

Tive um pensamento muito violento sobre o cidadão e a corneta. Mas isso, pode ficar para um tópico sobre John Stagliano.

Alguém, num clamor que traduzia nosso desespero, pediu:

“Ô motorista! Abre aqui pá nóis!”

Ok, era uma tradução porca e mal feita.

As portas do ônibus foram abertas.

Quase caí, na pressa de me livrar daquele ar quente.

Resignado, comecei a caminhar rapidamente, com outras centenas de doent… Torcedores.

Não fosse o raio da Copa, teria me lembrado de galhofar sobre as pessoas que ficaram presas no congestionamento enquanto eu avançava, no “passo do elefantinho”.

Algum tempo depois, avistei minha rua.

Entrei nela e reparei que não havia viva alma.

” Oh-oh…” – apertei o passo e mal cumprimentei o porteiro, quando entrei no prédio.

Não que isso fosse importante, porque a criatura estava grudada numa pequena televisão.

Desembestado, subi as escadas (claro, porque não tínhamos elevador). Meu coração palpitava. E o suor não pingava, cachoeirava.

Imaginei se teria algum treco no meio do caminho e engrossaria as estatísticas de pessoas que morrem por causa do esporte.

Toquei a campainha de casa como se estivesse com diarréia. Minha mãe abriu a porta, indignada.

“Precisa disso tudo?”

Desabei no sofá da sala.

Olhei para a TV e reconheci a camisa Canarinho. 0 a 0 no placar.

Um alivio, misturado à refrescância da brisa que batia em meu rosto molhado, foi suficiente para que eu me lembrasse que precisava tirar a àgua do joelho e lavar o rosto.

Afinal, já tinha perdido boa parte do primeiro tempo mesmo. O que seriam mais alguns segundos?

Lavava as mãos quando os berros ecoaram por todo o prédio. Toda a cidade.

“Ah não!”

Corri para a sala.

O Brasil tinha aberto o placar contra a Rússia.

E eu não vi o gol.

O ano era 1994.

Pode ter terminado com lágrimas de alegria.

Mas começou com gotas de suor bufante. ^_^

15 anos do Tetra. E daí?

Por Marcos Donizetti | 17/07/2009, 15h26

Falcão na Copa da Espanha 1982

Falcão na Copa da Espanha, 1982

Não há melhor dia para minha estréia aqui no Blog da Copa do que o aniversário da conquista do Tetra, pela seleção de Parreira, nos EUA. Hoje são 15 anos do jogo final contra a Itália, e eu poderia até escrever uma homenagem aos heróis Dunga e Romário, mas é óbvio que não vou. Prefiro aproveitar o momento para dar minha opinião sobre o polêmico embate 1994 x 1982, já que é uma comparação feita desde aquela época, tanto pela imprensa quanto por muitos torcedores, sem falar no próprio time.

A melhor maneira de explicar minha posição a respeito é usar minha metáfora preferida: a que envolve mulheres e o jogo da conquista. Vamos supor que a Copa seja uma bela mulher chamada Julia. Sei que o exercício seria mais fácil se estivéssemos falando da Taça Jules Rimet, que Deus a tenha, mas imagine uma mulher de corpo esguio, sinuoso e insinuante, com aquele olhar indiferente de quem sabe que é desejada por todos. Agora, pense que os escretes canarinhos das Copas da Espanha e dos EUA são pretendentes batalhando por ela.

O primeiro, vamos chamar de Marcos, é um jovem impulsivo, intenso, daquele tipo de homem para o qual uma paixão pode tornar-se uma verdadeira obsessão. Ele sabe o que quer e parte para o ataque, sem medo e sem medir riscos ou conseqüências. Marcos ama Julia sinceramente, e a deseja mais ainda. Trata-se de um batalhador, de alguém que confia no que pode oferecer a esta mulher e que deixa de lado os conselhos amorosos do Jô Soares porque acredita na própria ginga, na força do que sente. Marcos é sedutor e faz de tudo para deixar Julia balançada. É imprevisível, surpreende a cada momento e permite a ela antever os indizíveis prazeres que ela terá se deixar-se seduzir por ele. Os encontros deste casal são inesquecíveis, ainda que possam durar pouco.

O outro pretendente é o Paulinho, o típico engomadinho classe média. Ele cursa Engenharia, Administração ou Direito (impossível saber com certeza) porque o pai dele quis. O penteado está sempre impecável, assim como suas camisas e sapatos bem lustrados, sem esquecer da blusa sobre os ombros. Sempre que pode ele vai passar uns dias em Orlando, e volta dizendo aos amigos que não há lugar como a Florida. Adepto do “você sabe com quem está falando?” porque tem um tio que é senador da república, o approach dele para cima da Julia é um tanto diferente: ele chega devagar, não vai com muita sede ao pote porque diz ter medo de assustar a moça, mas no fundo tem medo é de levar um fora, algo que seria um golpe fatal em seu narcisismo. Na verdade, ele tenta conquistá-la mais para provar aos outros que pode fazê-lo do que por qualquer sentimento sincero em relação a ela.

Marcos é o Brasil do futebol na areia aos domingos e da roda de samba, da paquera na praia. Paulinho é o Brasil que viaja todo ano para a Disney e que faz a festa no free shop. Infelizmente, é comum que os argumentos do segundo conquistem as Julias da vida. É possível que o rapaz que oferece segurança e estabilidade com seu currículo de bom partido e seu jeito “fofo” tenha realmente seus atrativos. Quando isso acontece, Paulinho abraça Julia triunfante, e lança sobre Marcos um olhar desafiador, sem esconder seu ressentimento e um tanto de raiva. Afinal, ninguém acreditava na sua capacidade de seduzir a gata, e mesmo assim ele venceu! “Agora vocês vão ter que me engulir”, ele pensa, orgulhoso de seu pragmatismo.

Gosto de pensar nos momentos em que Julia espera o Paulinho na cama, enquanto ele está dobrando cuidadosamente sua cueca e fazendo uma bolinha com suas meias. Suspirando, ela sempre imagina o que poderia ter sido a sua relação com Marcos. O frio na barriga e o aperto no peito fazem com que ela se sinta viva, mesmo que por alguns segundos.

Voltando ao futebol, talvez minha maneira de encarar o esporte (e os relacionamentos também) seja meio démodé. O estilo Paulinho-Parreira parece ornar bem com esse nosso mundinho pragmático, afinal. Mas fico pensando que, as vezes, a força da vida e a graça dessa coisa toda estão naquilo que poderia ter sido, e no quanto nós batalhamos, nos entregamos e sonhamos com a grande conquista. Dia 05 de julho foi aniversário da Tragédia de Sarriá, o fim do caso entre Marcos e Julia, e lembrar desta data me emociona muito mais, 27 anos depois, do que pensar no aniversário da conquista protocolar do Tetra.

Todos os Corações do Mundo

Por Marmota | 16/07/2009, 21h55

Alguns meses após da Copa da Alemanha, encomendei uma cópia do filme “Deutschland: ein Sommermärchen” (Alemanha, um conto de verão), dirigido por Sönke Wortmann – o mesmo de “O Milagre de Berna”. O longa narra o desempenho da “Nationalmannschaft” em seu próprio país, numa visão nacionalista alegre e oposta ao seu passado nazista – ao final, mesmo com o terceiro lugar da equipe de Klinsmann, os alemães fizeram festa diante do Portão de Brandemburgo, exatamente onde passava o Muro de Berlim anos antes.

Lembrei dele por considerá-lo o melhor filme do Mundial de 2006, mesmo não sendo o “oficial da Fifa”. Nesse quesito, talvez tenhamos que esperar a Copa de 2014, quando algum diretor competente fará com que jamais nos esqueçamos de uma história contada em duas horas. A mesma sensação que tenho quando lembro de Todos os Corações do Mundo (“Two Billion Hearts”), produção da Sports Target Media dirigida pelo brasileiro Murilo Salles. Uma feliz lembrança neste baile de debutantes do Tetra – conquistado em 17 de julho de 1994, exatos quinze anos.

O filme começa contextualizando o palco da Copa: os Estados Unidos – aquele país que não tá nem aí pro “soccer”. Entrevistas bem humoradas com populares dão a entender que o país não está nem um pouco interessado na competição. Surge a música tema composta pelo maestro Lalo Schifrin apresenta a preparação para a festa de abertura, em câmera rápida.

Na sequência do longa metragem, histórias envolvendo torcedores e favoritas ao título, entre as 24 nações participantes, se alternam com momentos inesquecíveis dos jogos mais importantes. Dezoito câmeras de 35mm, quatro de 16mm, captação de som dolby surround: recursos técnicos que transportam o espectador para a arquibancada. Ao fundo, o texto adaptado por Armando Nogueira é narrado pelo ator Antônio Grassi.

Resumidamente: a Argentina, animada com o tango de Batistuta, se abala com o doping de Maradona e cai diante da Romênia de George Hagi – que, por sua vez, perde uma batalha épica para os suecos (do goleiro Ravelli) com direito a empate cedido na prorrogação antes dos pênaltis. Os animados holandeses e sua torcida laranja se entusiasma, até o gol milagroso de Branco nas quartas-de-final. Os alemães, firmes como um tanque de guerra, começam se complicando com o calor (também pudera, quem aguenta partidas ao meio-dia…) e tropeçam na simpática zebra búlgara. Espanhóis em Madrid comemoram a melhor equipe em anos, eliminadas como sempre em um confronto inesquecível (e injusto) com a Itália.

Ah sim, tem a Colômbia, o torcedor e seu conversível pintado (“Animo muchachos, que nada se ha perdido! Con un esfuerzo mas ganaremos el partido!”) e a célebre entrevista coletiva de Francisco Maturana (“Un equipo que llegó con el intuito de ser protagonista… y en busca de su protagonismo tomamos un gol, después otro…”). Hahaha!

Mas enfim. Antes da decisão no Rose Bowl, temos um rápido histórico de seus dois personagens principais. Em Caldogno, o primeiro técnico de Roberto Baggio conta que o moleque fez 50 gols num torneio da escola, e todos perguntavam se era brasileiro. Na Vila da Penha, no Rio de Janeiro, Seu Edevair lembra do filho Romário, louco por futivôlei e por gols. Finalmente, o nervosismo de ambos no túnel que leva ao gramado. Tensão que prossegue com a trilha clássica forte a partir do apito inicial. Chutes a gol, torcedores nervosos, relógio correndo… Cobranças de pênalti, chute de Baggio pra fora, festa, emoção, aquela coisa toda.

Incrível como este documentário delicioso, que termina com a conclusão “não se trata de jogo, mas sim de pessoas”, até hoje não foi lançado em DVD. O que se vê nos mercados livres da web são cópias do VHS, lançado pouco antes da Copa de 98 pela Europa Filmes. Uma pena: mesmo quem não é louco por futebol, mas adora um bom filme, adoraria rever. Bem que podiam bolar uma parceria entre Placar, Lance, Trivela ou qualquer publicação e distribuir cópias, a preços camaradas, para os aficcionados.

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