Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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15 anos do Tetra. E daí?

Por Marcos Donizetti | 17/07/2009, 15h26

Falcão na Copa da Espanha 1982

Falcão na Copa da Espanha, 1982

Não há melhor dia para minha estréia aqui no Blog da Copa do que o aniversário da conquista do Tetra, pela seleção de Parreira, nos EUA. Hoje são 15 anos do jogo final contra a Itália, e eu poderia até escrever uma homenagem aos heróis Dunga e Romário, mas é óbvio que não vou. Prefiro aproveitar o momento para dar minha opinião sobre o polêmico embate 1994 x 1982, já que é uma comparação feita desde aquela época, tanto pela imprensa quanto por muitos torcedores, sem falar no próprio time.

A melhor maneira de explicar minha posição a respeito é usar minha metáfora preferida: a que envolve mulheres e o jogo da conquista. Vamos supor que a Copa seja uma bela mulher chamada Julia. Sei que o exercício seria mais fácil se estivéssemos falando da Taça Jules Rimet, que Deus a tenha, mas imagine uma mulher de corpo esguio, sinuoso e insinuante, com aquele olhar indiferente de quem sabe que é desejada por todos. Agora, pense que os escretes canarinhos das Copas da Espanha e dos EUA são pretendentes batalhando por ela.

O primeiro, vamos chamar de Marcos, é um jovem impulsivo, intenso, daquele tipo de homem para o qual uma paixão pode tornar-se uma verdadeira obsessão. Ele sabe o que quer e parte para o ataque, sem medo e sem medir riscos ou conseqüências. Marcos ama Julia sinceramente, e a deseja mais ainda. Trata-se de um batalhador, de alguém que confia no que pode oferecer a esta mulher e que deixa de lado os conselhos amorosos do Jô Soares porque acredita na própria ginga, na força do que sente. Marcos é sedutor e faz de tudo para deixar Julia balançada. É imprevisível, surpreende a cada momento e permite a ela antever os indizíveis prazeres que ela terá se deixar-se seduzir por ele. Os encontros deste casal são inesquecíveis, ainda que possam durar pouco.

O outro pretendente é o Paulinho, o típico engomadinho classe média. Ele cursa Engenharia, Administração ou Direito (impossível saber com certeza) porque o pai dele quis. O penteado está sempre impecável, assim como suas camisas e sapatos bem lustrados, sem esquecer da blusa sobre os ombros. Sempre que pode ele vai passar uns dias em Orlando, e volta dizendo aos amigos que não há lugar como a Florida. Adepto do “você sabe com quem está falando?” porque tem um tio que é senador da república, o approach dele para cima da Julia é um tanto diferente: ele chega devagar, não vai com muita sede ao pote porque diz ter medo de assustar a moça, mas no fundo tem medo é de levar um fora, algo que seria um golpe fatal em seu narcisismo. Na verdade, ele tenta conquistá-la mais para provar aos outros que pode fazê-lo do que por qualquer sentimento sincero em relação a ela.

Marcos é o Brasil do futebol na areia aos domingos e da roda de samba, da paquera na praia. Paulinho é o Brasil que viaja todo ano para a Disney e que faz a festa no free shop. Infelizmente, é comum que os argumentos do segundo conquistem as Julias da vida. É possível que o rapaz que oferece segurança e estabilidade com seu currículo de bom partido e seu jeito “fofo” tenha realmente seus atrativos. Quando isso acontece, Paulinho abraça Julia triunfante, e lança sobre Marcos um olhar desafiador, sem esconder seu ressentimento e um tanto de raiva. Afinal, ninguém acreditava na sua capacidade de seduzir a gata, e mesmo assim ele venceu! “Agora vocês vão ter que me engulir”, ele pensa, orgulhoso de seu pragmatismo.

Gosto de pensar nos momentos em que Julia espera o Paulinho na cama, enquanto ele está dobrando cuidadosamente sua cueca e fazendo uma bolinha com suas meias. Suspirando, ela sempre imagina o que poderia ter sido a sua relação com Marcos. O frio na barriga e o aperto no peito fazem com que ela se sinta viva, mesmo que por alguns segundos.

Voltando ao futebol, talvez minha maneira de encarar o esporte (e os relacionamentos também) seja meio démodé. O estilo Paulinho-Parreira parece ornar bem com esse nosso mundinho pragmático, afinal. Mas fico pensando que, as vezes, a força da vida e a graça dessa coisa toda estão naquilo que poderia ter sido, e no quanto nós batalhamos, nos entregamos e sonhamos com a grande conquista. Dia 05 de julho foi aniversário da Tragédia de Sarriá, o fim do caso entre Marcos e Julia, e lembrar desta data me emociona muito mais, 27 anos depois, do que pensar no aniversário da conquista protocolar do Tetra.

Copa 82 – aquela!…

Por Luciana | 12/07/2009, 12h12

Minha mãe tem um baú de madeira lindo, lindo, onde guardou o enxoval de casamento dela. Esse baú está conosco até hoje e é repleto de recordações.

Semana passada o abrimos para dar uma geral e encontramos entre outras coisas, essa camisetinha:

Minha mãe pegou a camisetinha com cuidado e disse:

- Olha, a blusinha da tua primeira copa… A de 82… Aquela que aqueles filhos da p&#@ perderam!

- Hahahahahahahahah!

- Mas guarda… Foi tua primeira copa.

- Tá, mãe.

Lavamos a roupinha – própria pra um bebê de dois, três anos - e guardamos. Quem sabe lá pra 2014, 2018, alguém se habilita a usá-la outra vez…

Muito mais torcedores

Por Luciana | 27/06/2009, 10h40

“Voa, canarinho, voa.”

Eu não sei de você, da sua casa, mas aqui na minha, desde sempre, desde a primeira Copa em que eu estava viva (82, aquela!), temos o hábito de enfeitar tudo com bandeirinhas e faixas e flâmulas do Brasil.

Antes eram meus pais que faziam isso, na casa que morávamos em Manaus, enchendo toda a área da garagem e do quintal de verde e amarelo.

Depois, viemos morar no apartamento em que estamos até hoje, e meu irmão e eu enfeitamos a varandinha de casa, só pra não deixar morrer a tradição.

Muitas ruas, vilas, conjuntos organizam até concursos para escolher a casa mais enfeitada para a copa e aí vale tudo: muros e asfalto com desenhos alusivos à Copa e/ou à Seleção; balões; bandeirinhas; cartazes; faixas; etc.

Quando o Brasil ganhou em 1994 e em 2002, deixamos as bandeirinhas até quase chegar o Natal. Minha mãe dizia que nem ia ter pisca-pisca naqueles anos, só bandeirinhas!

Já em 1998 e 2006, assim que fomos derrotados, saímos muito loucos da vida arrancando as bandeirinhas, como se adiantasse alguma coisa – minha mãe fez o mesmo em 1982 e de lá pra cá não acredita mais em seleção nenhuma.

Paixão isso?

Vai ver que é porque somos muito mais torcedores do que analistas.

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