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	<title>Blog da Copa &#187; copa 06</title>
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	<description>Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!</description>
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		<title>O Profeta Vanucci</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 11:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedrox</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não foi Canavarro erguendo a Taça FIFA, tampouco Zidane cabeçeando violentamente o peito de Materazzi. A maior lembrança que se tem no Brasil da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, aconteceu logo após a decisão, quando Fernando Vanucci apresentou grogue o programa esportivo &#8220;Bola na Rede&#8221;, da Rede TV! Veja o vídeo com legendas: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left">Não foi Canavarro erguendo a Taça FIFA, tampouco Zidane cabeçeando violentamente o peito de Materazzi. A maior lembrança que se tem no Brasil da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, aconteceu logo após a decisão, quando <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u62370.shtml" target="_blank"><strong>Fernando Vanucci</strong> apresentou grogue o programa esportivo &#8220;Bola na Rede&#8221;</a>, da Rede TV! Veja o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7fY99b2zO_c" target="_blank">vídeo com legendas</a>:</p>
<p style="text-align: center"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7fY99b2zO_c&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/7fY99b2zO_c&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p style="text-align: left">O vídeo virou piada e ninguém se tocou que o apresentador terminou seu discurso com uma profecia. Observe com atenção este trecho:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center">&#8220;É hora da gente mudaaar&#8230;<br />
Ou&#8230;<br />
(&#8230;)<br />
Mudar de Vez!<br />
Bamos colocar o castelo de areia abaixo!<br />
Abaixo! E iniciar uma construção sólida para 2010<br />
Copa 2010<br />
África do Sul também não é assim tão longe!<br />
É logo ali!<br />
<strong>Caso contrário nós seremos comida&#8230; De Leões&#8230;</strong>&#8220;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: left">Um observador menos atento pode acreditar que Vanucci apenas fez um jogo de palavras envolvendo o país-sede do mundial com um dos aspectos característicos de sua fauna, todavia ninguém percebeu o oráculo prevendo que a seleção que eliminaria a nossa seria representada pelo felino que reina sobre todos os animais.</p>
<p style="text-align: left">Na savana desta Copa do Mundo, o Brasil enfrentou tigres norte-coreanos, elefantes marfineses, galos portugueses e cervos chilenos, mas <a href="http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2010/07/brasil-perde-para-holanda-e-e-eliminado-de-novo-nas-quartas.html" target="_blank">fomos parados novamente nas quartas de final pela Holanda</a>, seleção que possui no próprio escudo a representação de seu animal-simbolo: um leão. Veja o logo da <strong>Real Netherlands Football Association</strong>:</p>
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter size-full wp-image-969" title="200px-Royal_Netherlands_Football_Association_Logo" src="http://dialetica.org/copa/files/2010/07/200px-Royal_Netherlands_Football_Association_Logo.jpg" alt="" width="200" height="274" /></p>
<p style="text-align: left">Fernando Vanucci, você tinha razão: viramos mesmo comida de leões.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Meus cinco jogos de abertura da Copa</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 13:32:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lembrar das finais das Copas, especialmente aquelas que marcaram nossas vidas, é moleza. Tirar da memória aquele lance espetacular que definiu a classificação de uma equipe também é uma baba. Mas ninguém dá a menor pelota pro primeiro jogo da Copa. Por uma razão simples: começo de Mundial não quer dizer muita coisa. Fica aquele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembrar das finais das Copas, especialmente aquelas que marcaram nossas vidas, é moleza. Tirar da memória aquele lance espetacular que definiu a classificação de uma equipe também é uma baba. Mas ninguém dá a menor pelota pro primeiro jogo da Copa. Por uma razão simples: começo de Mundial não quer dizer muita coisa. Fica aquele climinha de &#8220;começou&#8221;, mas não se sabe bem aonde a coisa vai parar. E independente de quem vença, tudo pode mudar nos jogos seguintes.</p>
<p>Ainda assim, tenho comigo as minhas memórias dos cinco últimos primeiros jogos (últimos primeiros?). Não posso falar sobre 78 (eu tinha um ano de idade), nem 82 e 86 (onde só lembro dos jogos da seleção brasileira). Tudo que sei é que a partir da Copa de 1974, a primeira com a Taça Fifa, o campeão do torneio anterior, classificado automaticamente, era o debutante. O Brasil inaugurou a regra diante da Iugoslávia. Depois tivemos Alemanha x Polônia, Argentina x Bélgica e Itália x Bulgária. Em 2006, como o então campeão (nóis) não estava garantido, voltamos aos tempos de Jules Rimet, com o anfitrião abrindo a festa.</p>
<p>Aliás, prepare-se: vai ser assim em 2014, com Brasil e alguém. Seja no Morumbi ou onde a Fifa quiser.</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/abertura_copa.jpg" /></div>
<p><b>1990: Como escreve Oman-Biyik?</b> – Naquela sexta-feira, 8 de junho, deixei a sala de aula da minha sétima serie voando. Estava entusiasmado com aquela Copa como nunca. Tinha comprado a edição especial do Pelezinho e um manual Disney com a palavra GOL em letras garrafais. Preparei até uma fita VAT de 90 minutos para gravar trechos da cerimônia de abertura pela Rádio Globo (se duvidar, essa encrenca está perdida em algum canto da casa).</p>
<p>A expectativa foi plenamente atingida. Achei muito lindo aquele monte de bandeiras, flores e bexigas coloridas dentro de um estádio muito bacana, com aquela armação vermelha sustentando a cobertura. Logo depois da fanfarra, a Argentina de Maradona, Burruchaga (adoro esse nome!), Pumpido (que se quebrou no jogo seguinte, consagrando Goycoechea) e Caniggia entrou em campo. O adversário no San Siro, em Milão, era a desconhecida (ao menos para um moleque de 13 anos) seleção de Camarões.</p>
<p>Eu realmente torci contra a Argentina, como sempre. Mas não imaginava que os camarões pudessem fazer algum estrago. E fizeram!  Oman Biyik (ou Oman tem hífen?). Não importa. O cara fez de cabeça o gol que empacotou os hermanos, colocando os simpáticos leões indomáveis no mapa da bola. Pena que eles perderam pra Inglaterra nas quartas. A derrota também não serviu pra segurar a Argentina, que terminou vice-campeã daquele torneio estúpido.</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/abertura_copa.jpg" /></div>
<p><b>1994: El Veloz Diablo</b> – Outra vez era sexta-feira (17 de junho), outra vez em casa. Desiludido com o Mundial anterior, desta vez me contentei com o guia mequetrefe da Veja, que veio com um adesivo holográfico da taça muito batuta. Lembro do editorial daquele numero: se todos os prognósticos estiverem corretos, Brasil e Alemanha farão a final. Creio que já disse antes, mas enfim, nunca acreditei muito em prognósticos.</p>
<p>De qualquer forma, a geração campeã do mundo em 90 estava de volta, e devo confessar que torcia por eles naquele ano (ok, até conhecer a Bulgária). Tudo bem, aquele uniforme branco com detalhes psicodélicos em preto, amarelo e vermelho, que ia do peito até a gola sob a forma de um lenço multicor, era muito feio. Mas preferia uma vitória deles em vez dos antipáticos bolivianos.</p>
<p>E dessa vez os campeões venceram. Driblaram o calor da tarde em Chicago (mais uma razão pra desilusão: desde quando Chicago é lugar de se jogar bola?) e fizeram 1 a 0, gol do Klinsmann. E a Bolívia, do eterno goleiro Trucco (seis, ladrão!) e do impagável meia Sandy, viu seu grande astro, Marco &#8220;El Diablo&#8221; Etcheverry, ser expulso cinco minutos depois de entrar em campo, no segundo tempo. Hahahahahahaha!</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/abertura_copa.jpg" /></div>
<p><b>1998: Gol do César Sampaio?</b> – Não, não era uma sexta-feira! Mas sim uma quarta, dia 10 de junho! E o primeiro jogo da Copa era do Brasil, contra a Escócia, ao meio-dia e meia, em pleno expediente do IPT! Naquela época eu já dividia o posto de técnico do laboratório de metrologia elétrica com o estágio de jornalismo na Paulista 900. Naquele dia, ficaria mais tempo sem  trabalhar cedo, e chegaria atrasado à tarde&#8230;</p>
<p>Um dos engenheiros conseguiu uma televisão meia-boca e colocou numa das bancadas de uma das salas do prédio, que serviu como auditório para todos os funcionários da divisão de eletricidade. Muita gente perdeu o primeiro gol daquela Copa no Saint Denis: foi logo aos cinco minutos, com César Sampaio.</p>
<p>Ninguém perdeu muita coisa. Aquele time do Zagallo não estava convencendo, especialmente depois do corte do Romário semanas antes (se bem que o mistério mesmo de 98 atende pelo nome de &#8220;convulsão&#8221;). Mesmo aos tropeços, e apesar do empate escocês ainda no primeiro tempo, a seleção conseguiu a vitória num gol contra – que eternizou a cambalhota de Cafu. Mas sem muitas emoções: a desconfiança era maior.</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/abertura_copa.jpg" /></div>
<p><b>2002: Sené, sené, sené&#8230;</b> – Novamente uma sexta-feira, e essa tinha começado na quinta à noite, 30 de maio.  Estava na turma da madrugada da Gazeta, que entrava dez da noite e saía depois do amanhecer. Foi assim durante praticamente todo o Mundial – para a nossa alegria, os jogos das semifinais já aconteceram num horário mais humano, pela manhã. Tempos tão bacanas que até o Guga jogava (e bem) em Roland Garros &#8211; e nem faz tanto tempo assim.</p>
<p>Mas enfim. Eu era responsável pelo tempo real (descrição lance a lance), enquanto outro redator fazia a matéria do primeiro jogo da Copa. Que começou assim. &#8220;Favoritismo, tradição e peso da camisa. A seleção de Senegal não levou em conta nada isso e bateu a França, campeã do mundo, por 1 a 0. A equipe africana mostrou um futebol solidário, voluntarioso e, em alguns momentos, altamente técnico. A equipe conseguiu impor sua velocidade diante de uma França desfigurada, sentindo a ausência de seu maior craque, o meia Zinedine Zidane&#8221;. Com um estiramento, o meia só acompanhou sua equipe no estádio de Seul.</p>
<p>Segue o texto. &#8220;Para armar o seu time, o técnico Roger Lemerre escalou três atacantes e apenas um meia, Djorkaeff. Já os africanos armaram uma retranca e deixavam apenas um atacante, o rápido El Hadji Diouf. E foi numa jogada dele pela esquerda que saiu o único gol da partida, aos 30 minutos do primeiro tempo. Ele arrancou e invadiu a área sem marcação. Cruzou para trás e o volante Petit tentou salvar, mas jogou contra o patrimônio. A bola bateu no goleiro Barthez e sobrou para Pape Bouba Diop, sozinho e caído no chão, empurrar para as redes, marcando o primeiro gol do Mundial.</p>
<p>A partir daí, a França melhorou, mas ficou longe da grande exibições da Copa de 98 e da Eurocopa 2000. Tentou, meio que desordenada, chegar ao empate. Mandou bola na trave e exigiu do goleiro Tony Sylva. Mas parecia que não era seu dia. Senegal fez o que muitos diziam ser impossível e já iniciou na frente dentro do grupo A, que tem ainda Dinamarca e Uruguai. E já deu uma amostra que, nesta Copa, só se ganha dentro de campo. Com futebol e raça&#8221;.</p>
<p>Fui para casa ouvindo as rádios AM, que resgataram o &#8220;deve ser legal ser negão no Senegal&#8221; de Chico César e &#8220;Sené, sené, sené, sené senégaaaal&#8221; da banda Reflexus.</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/abertura_copa.jpg" /></div>
<p><b>2006: Wanchope e dois pastel</b> – Eu realmente imaginava que a Copa da Alemanha seria muito boa. Mas era suspeito: um ano antes, tive a oportunidade de conhecer boa parte do país-sede, uma viagem que tratou de misturar com uma porcentagem de genes alemães que trago da minha avó materna. Isso fez com que eu, inconscientemente, criasse uma empatia pelo nationalfussballmannschaft, comandado pelo ex-artilheiro Jürgen Klinsmann. Mais do que aquela simpatia que tive em 94. </p>
<p>E o simples fato de já ter visitado o sensacional Allianz Arena me aproximava ainda mais daquela partida em 9 de junho, adivinhem, sexta-feira. O horário era o menos movimentado na redação: uma da tarde. Era quando a turma do plantão matutino deixava as atividades, enquanto a galera da tarde começava a chegar. Ao contrário do que pede os manuais de boa conduta em periódicos esportivos, tratei de aparecer com minha camisa vermelha, uniforme dois dos donos da casa &#8211; Klinsmann havia abolido o verde por acreditar na garra embutida naquela cor.</p>
<p>Os caribenhos da Costa Rica seriam os primeiros adversários, e alguns bolões até admitiam a classificação deles diante dos claudicantes poloneses e equatorianos &#8211; que viriam a surpreender naquele mesmo dia, ao vencer os poloneses. Mas enfim. O brasileiro Alexandre Guimarães contava com a base do Deportivo Saprissa, como era o caso do atacante Gómez Beiçudo e o goleiro que todo locutor adorava lembrar diante de qualquer defesa: Porras. Também esperava-se muito de Wanchope, o craque daquela geração. Que, inclusive, fez os dois gols de seu time, entre eles o de empate por 1 a 1, ainda no primeiro tempo &#8211; Philip Lahm abriu a contagem do Mundial, num belo chute.</p>
<p>No fim das contas, a simpática equipe da América Central perdeu todas as partidas. Inclusive aquela, por 4 a 2. Miroslav Klose, em sua segunda Copa, tratou de correr atrás da artilharia ao marcar por duas vezes. Frings, outra das armas alemãs, fechou o placar e abriu caminho para a classificação. Minha camisa vermelha deu sorte &#8211; é uma pena que não tenha usado-a contra a Itália, semanas depois.</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/abertura_copa.jpg" /></div>
<p>Agora, com licença: vou registrar minhas boas lembranças de África do Sul x México e já venho.</p>
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		<title>Ronaldo teve piripaque e a CBF vendeu a Copa de 98 para a França!</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 04:38:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No último encontro entre Brasil e França em uma Copa do Mundo, em 2006, todos sabem perfeitamente o que houve. Aquele time do Parreira entrou em campo como se fosse um divertido encontro de compadres, sem nenhum compromisso. Como se estivessem treinando em Weggis, na Suíça. Teve ainda a meia do Roberto Carlos e &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No último encontro entre Brasil e França em uma Copa do Mundo, em 2006, todos sabem perfeitamente o que houve. Aquele time do Parreira entrou em campo como se fosse um divertido encontro de compadres, sem nenhum compromisso. Como se estivessem treinando em Weggis, na Suíça. Teve ainda a meia do Roberto Carlos e &#8211; como se isso fosse irrelevante &#8211; uma atuação convincente dos franceses.</p>
<p>A questão é que, diante de uma eliminação num Mundial, a coisa mais difícil para o brasileiro é eliminar dúvidas. Como pode um time ostentar o melhor futebol do mundo e perder? Ora, lógico que um time perde como em qualquer jogo. Explicar uma derrota pode ser simples, como em 2006. Mas e em 1998, naqueles 3 a 0 do Stade de France, em 12 de julho?</p>
<p>Resumidamente, até os 27 do primeiro tempo, o jogo parecia equilibrado. Então Roberto Carlos (aquele da meia) teve a chance de jogar a bola pra lateral. Preferiu a linha de escanteio. Bola no alto, cabeça de Zidane, gol. No último minuto antes do intervalo, novo escanteio para os donos da casa. O que houve? Bola no alto, cabeça de Zidane, gol.</p>
<p>Praticamente ninguém viu o segundo tempo. Quem ouviu alguma narração acompanhou relatos de um time apático, de cabeça baixa. Atacou boa parte do tempo, mas a reação não deu em nada. Os poucos crentes se resignaram à medida em que o tempo passava. Finalmente, Petit selou a festa em Paris, aos 47 da etapa final.</p>
<p>Enfim, isso foi o que todos viram. Quer dizer, vimos ainda a mídia fazer exatamente aquilo que deveria antes da final: lembrar que o Brasil vinha crescendo na competição, demonstrando competência desde a vitória contra a Dinamarca e sorte na semifinal diante da Holanda. Se dependesse apenas do discurso televisivo, não tinha como não ganhar da França!</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2009/07/brasilxfranca98.jpg"></div>
<p>Agora, vamos ao que até hoje, onze anos depois, permanece sem explicação.</p>
<p>Horas antes da partida, as emissoras de TV se surpreenderam com a escalação de Edmundo ao lado de Bebeto. Ronaldo, duas vezes o melhor do mundo, estava no banco. Até uma nova lista vir com o nome do Fenômeno tempos depois, os disparates já estavam lançados. O primeiro deles na boca de Galvão Bueno: &#8220;foi uma brincadeira de mau gosto!&#8221;. Até Suzana Verner, imagem recorrente das arquibancadas, foi acusada de &#8220;dopar&#8221; o então marido!</p>
<p>Jogo perdido, time abatido&#8230; Em pouco tempo, o enredo de novela estava preparado. Antes do jogo, Ronaldo (ainda Ronaldinho) teve uma crise nervosa, convulsão, piripaque, dor de barriga&#8230; Roberto Carlos, seu colega de quarto, se apavorou. Todos ficaram apavorados. Mencionaram ataque epilético! Diziam que estava espumando! Temiam por sua vida!  </p>
<p>Essa é só a primeira parte da lenda. A segunda, mais crível, diz respeito ao vestiário. Os jornalistas já tinham a escalação com o Animal quando Ronaldinho chegou da clínica, ao lado do lendário Doutor Lídio Toledo, entre outros. Com exames completíssimos e sem nada anormal, disse estar apto a jogar. Até Ricardo Teixeira, apreensivo com o burburinho provocado por Edmundo na lista, participou daquela preleção muito louca. No Stade de France, uma nota oficial dizia que Ronaldo ainda sentia o tornozelo atingido por um dos De Boer no jogo anterior&#8230;</p>
<p>Zico &#8211; aquele que havia cortado Romário antes da Copa &#8211; era contra a presença de Ronaldo. O jogador, respaldado pelos médicos, disse que &#8220;ninguém o tirava do jogo&#8221;. Coube a Zagallo a palavra final: arriscou e botou o Fenômeno em campo. Ao que tudo indica, o time todo jogou preocupado. Imaginava-se que o camisa 9 pudesse cair duro no gramado. Quando se chocou com Barthez ainda no primeiro tempo, as pernas de todos tremeram mais.</p>
<p>Enfim, outras versões circularam por aí. A mais divertida até hoje: a CBF vendeu aquela Copa para a Fifa, com anuência da Nike &#8211; procurem por <a href="http://www.google.com.br/search?q=Ronald+Rhovald" target="_blank"><b>Ronald Rhovald</b></a> por aí e verão que ainda tem gente certa de que este fictício representante da patrocinadora trocaria, por um bom dinheiro, o título de 98 por caminho facilitado em 2002&#8230;</p>
<p>Teorias da conspiração que certamente se encaixariam como alguma indicando nova mutreta entre cartolas: se o Brasil garantisse o título de algum europeu em 2006, seria contemplado como sede da Copa em 2014. A farra em Weggis, aquele clima de &#8220;já ganhou&#8221;&#8230; Zidane carrasco outra vez, o melhor em campo, cobrando falta em direção ao Henry. Tudo politicagem.</p>
<p>Deve ter sido consequência do trauma pré-tetra, sei lá. Desde então, &#8220;somos o país do futebol&#8221;, &#8220;os imbatíveis&#8221;&#8230; Seria mais simples admitir que perdemos, que a França foi melhor. Ah, mas não teria graça sem a perturbação das lacunas da derrota. Viva o mistério.</p>
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		<title>Afoitos ou apaixonados demais pela Seleção?</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 17:15:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No dia do jogo Brasil x França da Copa de 2006, tínhamos um aniversário para ir. Era de um bebê &#8211; neto de uma amiga da minha mãe &#8211; que fazia um ano naquela data. Fiquei totalmente pra baixo com a derrota do Brasil e não tinha ânimo algum para ir pra tal festa, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia do jogo Brasil x França da Copa de 2006, tínhamos um aniversário para ir. Era de um bebê &#8211; neto de uma amiga da minha mãe &#8211; que fazia um ano naquela data.</p>
<p>Fiquei totalmente pra baixo com a derrota do Brasil e não tinha ânimo algum para ir pra tal festa, mas minha mãe insistiu muito, disse que seria uma desfeita com a amiga dela, que a criança não tinha culpa da Seleção ter perna de pau e que seria um modo da gente se distrair e esquecer a desclassificação do Brasil.</p>
<p>Enfim.</p>
<p>Chegamos lá, a surpresa: os pais de primeira viagem, ingênuos como duas portas, fizeram o aniversário com o tema&#8230; BRASIL E COPA DO MUNDO!</p>
<p>Tudo no aniversário era verde e amarelo: balões, bolo, pratinhos, copinhos, garfinhos, gardanapos, toalhas de mesa&#8230; Até a roupa do palhaço!</p>
<p>Nas paredes, imagens dos jogadores desenhadas e coloridas em pedaços de isopor.</p>
<p>O horror!</p>
<p>Era como se o aniversário inteiro fosse uma grande alegoria da derrota. A expressão nos rostos dos pais era de constrangimento puro&#8230; De &#8220;ah, se arrependimento matasse&#8221;.</p>
<p>Acho que a única pessoa relax ali era o aniversariante que não estava entendendo absolutamente nada do alto do seu um ano de idade &#8211; talvez as crianças que ainda não ligavam muito pra futebol também e, com certeza, minha mãe também não dava a mínima, afinal, desistiu da Seleção desde 82&#8230;</p>
<p>O fato é que todo ano, mais ou menos nessa época de junho/julho, eu me lembro daquele aniversário. Um dia o menino vai ver as fotos, vai saber do tal &#8220;tema&#8221; e vai perguntar sobre o placar daquele dia. E a cara no chão dos pais afoitos vai vir à tona outra vez.</p>
<p>Afoitos ou apaixonados demais pela Seleção?</p>
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		<title>Muito mais torcedores</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 13:40:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Voa, canarinho, voa.&#8221; Eu não sei de você, da sua casa, mas aqui na minha, desde sempre, desde a primeira Copa em que eu estava viva (82, aquela!), temos o hábito de enfeitar tudo com bandeirinhas e faixas e flâmulas do Brasil. Antes eram meus pais que faziam isso, na casa que morávamos em Manaus, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Voa, canarinho, voa.&#8221;</em></p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-medium wp-image-43" src="http://dialetica.org/copa/files/2009/06/p6100065-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></div>
<p>Eu não sei de você, da sua casa, mas aqui na minha, desde sempre, desde a primeira Copa em que eu estava viva (82, aquela!), temos o hábito de enfeitar tudo com bandeirinhas e faixas e flâmulas do Brasil.</p>
<p>Antes eram meus pais que faziam isso, na casa que morávamos em Manaus, enchendo toda a área da garagem e do quintal de verde e amarelo.</p>
<p>Depois, viemos morar no apartamento em que estamos até hoje, e meu irmão e eu enfeitamos a varandinha de casa, só pra não deixar morrer a tradição.</p>
<p>Muitas ruas, vilas, conjuntos organizam até concursos para escolher a casa mais enfeitada para a copa e aí vale tudo: muros e asfalto com desenhos alusivos à Copa e/ou à Seleção; balões; bandeirinhas; cartazes; faixas; etc.</p>
<p>Quando o Brasil ganhou em 1994 e em 2002, deixamos as bandeirinhas até quase chegar o Natal. Minha mãe dizia que nem ia ter pisca-pisca naqueles anos, só bandeirinhas!</p>
<p>Já em 1998 e 2006, assim que fomos derrotados, saímos muito loucos da vida arrancando as bandeirinhas, como se adiantasse alguma coisa &#8211; minha mãe fez o mesmo em 1982 e de lá pra cá não acredita mais em seleção nenhuma.</p>
<p>Paixão isso?</p>
<p>Vai ver que é porque somos muito mais torcedores do que analistas.</p>
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