Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

Tag: conspiração

Cabalas estúpidas (ou: a Argentina será campeã em 2010)

Por Marmota | 03/07/2010, 07h23

O termo “cabala”, de origem judaica, pode ser interpretado, de maneira grosseira, como sendo um código, uma chave, uma lógica que revela mistérios do universo. Quem souber interpretá-la terá subsídios para predizer o que o futuro nos reserva.

Também é usado por pessoas (como meu amigo Narazaki) que valorizam coincidências para garantir coisas menos relevantes para o nosso povo, como por exemplo qual homem levantará a Taça Fifa ao final da Copa.

A Marília reproduziu aqui esses dias uma tabelinha que dá força para uma destas teorias cabalísticas: desde a primeira Copa do Mundo, em 1930, há um visível equilíbrio entre seleções européias e sul-americanas entre as campeãs: em 18 competições, foram nove para cada lado. Levando em conta apenas as últimas doze (por razões absolutamente convenientes), temos uma curiosa alternância entre brasileiros, europeus e argentinos.

Seguindo a sequência lógica, adivinhe quem seria campeão na África do Sul, meu caro Doni? Há um outro registro cabalístico que direciona o título para Buenos Aires: o número 24. Se levarmos em conta que, desde 1930, ao menos Brasil, Itália, Alemanha e Argentina estiveram presentes nas decisões, estas quatro nações poderão atingir o intervalo máximo de 24 anos entre uma conquista da atual taça Fifa. O Brasil quebrou um jejum desse tamanho em 1994. Os italianos, da mesma forma, em 2006. Assim, a Argentina vence este ano e, obviamente, os alemães proporcionariam o novo “maracanazzo” daqui a quatro anos – afinal, se os sul-americanos faturarem agora, a próxima deve ficar nas mãos de um europeu.

Foi graças a uma dessas cabalas estúpidas que os italianos realmente acreditaram no tetracampeonato na Alemanha, há quatro anos. Desde 1970, a Itália chegou a final da Copa do Mundo apenas a cada três copas, vencendo-as alternadamente. Ou seja: chegou e perdeu em 1970, venceu em 1982, caiu em 1994 e faturou 2006. A próxima, portanto, será em 2018 (provavelmente na Rússia), onde será derrotada. Certamente pela Argentina, para seguir a primeira cabala.

Se bem que, na última Copa, meio mundo ignorou a lógica italiana e acreditou em uma pirâmide vagabunda…

A primeira vez que a tal figura circulou pela web foi exatamente antes do Mundial de 2002. Muitos realmente acreditaram que o pentacampeonato estava devidamente agendado, graças a esta incrível sequência. E graças a esta cabala inabalável, 2006 seria o ano do hexa. E mais: as copas seguintes seguiriam a lógica de 1954 e 1950 – ou seja, Alemanha em 2010 e Uruguai em 2014! Enfim, pra pirâmide seguir algum crédito, os alemães podem lembrar que, em 1954, 1974 e 1990, a equipe enfrentou a Iugoslávia. Este ano também – quer dizer, a Sérvia.

Enfim, Argentina x Alemanha, o duelo mais aguardado destas quartas-de-final (pra muitos mais até que Brasil x Holanda) vai confrontar estas teorias. E querem mesmo saber? Esqueçam a pirâmide, a cabala, os economistas, os matemáticos ou qualquer lógica. Nenhuma delas alcança a imprevisibilidade do futebol – a exceção de algumas certezas inabaláveis, como o eterno naufrágio da Espanha.

Atualizado: como lembrou o Rafael Netto nos comentários, a pirâmide estúpida está sendo reencaminhada novamente, dando o título aos alemães. Talvez esta funcione, já que todas as outras não perguntaram pra nenhum germânico se deixariam realmente a Argentina passar por eles nas quartas-de-final…

Teoria da Conspiração

Por Ma | 24/06/2010, 10h44

Em época de copa sempre circulam uns boatos, né?

Recentemente, estava circulando na net que cada copa tem seus ganhadores escolhidos a dedo, pra que nenhum continente ou país se distancie muito dos demais.

Coincidência ou não, fato é que tanto o continente americano quanto o europeu levaram 9 vezes a taça pra casa. Acompanhe abaixo a tabela tirada do blog Caixa Pretta:

Outro boato é que esse ano o Brasil não vai ser campeão, pra poder consagrar-se campeão na Copa de 2014, quando jogará em casa. Dia desses peguei um táxi e o motorista veio com esse papo.

Marido outro dia completou a lista de teorias: cada copa acontece uma zica do nada com alguma seleção phodástica, o que claramente indicaria uma fraude, segundo ele. Teve o erro do penalt do Baggio, pela Itália; teve o Ronaldo passando mal, pelo Brasil; a França de fora das oitavas-de-final esse ano e por aí vai.

Eu prefiro continuar ingênua e pensar que é tudo lindo e limpo. E você?

Ronaldo teve piripaque e a CBF vendeu a Copa de 98 para a França!

Por Marmota | 12/07/2009, 01h38

No último encontro entre Brasil e França em uma Copa do Mundo, em 2006, todos sabem perfeitamente o que houve. Aquele time do Parreira entrou em campo como se fosse um divertido encontro de compadres, sem nenhum compromisso. Como se estivessem treinando em Weggis, na Suíça. Teve ainda a meia do Roberto Carlos e – como se isso fosse irrelevante – uma atuação convincente dos franceses.

A questão é que, diante de uma eliminação num Mundial, a coisa mais difícil para o brasileiro é eliminar dúvidas. Como pode um time ostentar o melhor futebol do mundo e perder? Ora, lógico que um time perde como em qualquer jogo. Explicar uma derrota pode ser simples, como em 2006. Mas e em 1998, naqueles 3 a 0 do Stade de France, em 12 de julho?

Resumidamente, até os 27 do primeiro tempo, o jogo parecia equilibrado. Então Roberto Carlos (aquele da meia) teve a chance de jogar a bola pra lateral. Preferiu a linha de escanteio. Bola no alto, cabeça de Zidane, gol. No último minuto antes do intervalo, novo escanteio para os donos da casa. O que houve? Bola no alto, cabeça de Zidane, gol.

Praticamente ninguém viu o segundo tempo. Quem ouviu alguma narração acompanhou relatos de um time apático, de cabeça baixa. Atacou boa parte do tempo, mas a reação não deu em nada. Os poucos crentes se resignaram à medida em que o tempo passava. Finalmente, Petit selou a festa em Paris, aos 47 da etapa final.

Enfim, isso foi o que todos viram. Quer dizer, vimos ainda a mídia fazer exatamente aquilo que deveria antes da final: lembrar que o Brasil vinha crescendo na competição, demonstrando competência desde a vitória contra a Dinamarca e sorte na semifinal diante da Holanda. Se dependesse apenas do discurso televisivo, não tinha como não ganhar da França!

Agora, vamos ao que até hoje, onze anos depois, permanece sem explicação.

Horas antes da partida, as emissoras de TV se surpreenderam com a escalação de Edmundo ao lado de Bebeto. Ronaldo, duas vezes o melhor do mundo, estava no banco. Até uma nova lista vir com o nome do Fenômeno tempos depois, os disparates já estavam lançados. O primeiro deles na boca de Galvão Bueno: “foi uma brincadeira de mau gosto!”. Até Suzana Verner, imagem recorrente das arquibancadas, foi acusada de “dopar” o então marido!

Jogo perdido, time abatido… Em pouco tempo, o enredo de novela estava preparado. Antes do jogo, Ronaldo (ainda Ronaldinho) teve uma crise nervosa, convulsão, piripaque, dor de barriga… Roberto Carlos, seu colega de quarto, se apavorou. Todos ficaram apavorados. Mencionaram ataque epilético! Diziam que estava espumando! Temiam por sua vida!

Essa é só a primeira parte da lenda. A segunda, mais crível, diz respeito ao vestiário. Os jornalistas já tinham a escalação com o Animal quando Ronaldinho chegou da clínica, ao lado do lendário Doutor Lídio Toledo, entre outros. Com exames completíssimos e sem nada anormal, disse estar apto a jogar. Até Ricardo Teixeira, apreensivo com o burburinho provocado por Edmundo na lista, participou daquela preleção muito louca. No Stade de France, uma nota oficial dizia que Ronaldo ainda sentia o tornozelo atingido por um dos De Boer no jogo anterior…

Zico – aquele que havia cortado Romário antes da Copa – era contra a presença de Ronaldo. O jogador, respaldado pelos médicos, disse que “ninguém o tirava do jogo”. Coube a Zagallo a palavra final: arriscou e botou o Fenômeno em campo. Ao que tudo indica, o time todo jogou preocupado. Imaginava-se que o camisa 9 pudesse cair duro no gramado. Quando se chocou com Barthez ainda no primeiro tempo, as pernas de todos tremeram mais.

Enfim, outras versões circularam por aí. A mais divertida até hoje: a CBF vendeu aquela Copa para a Fifa, com anuência da Nike – procurem por Ronald Rhovald por aí e verão que ainda tem gente certa de que este fictício representante da patrocinadora trocaria, por um bom dinheiro, o título de 98 por caminho facilitado em 2002…

Teorias da conspiração que certamente se encaixariam como alguma indicando nova mutreta entre cartolas: se o Brasil garantisse o título de algum europeu em 2006, seria contemplado como sede da Copa em 2014. A farra em Weggis, aquele clima de “já ganhou”… Zidane carrasco outra vez, o melhor em campo, cobrando falta em direção ao Henry. Tudo politicagem.

Deve ter sido consequência do trauma pré-tetra, sei lá. Desde então, “somos o país do futebol”, “os imbatíveis”… Seria mais simples admitir que perdemos, que a França foi melhor. Ah, mas não teria graça sem a perturbação das lacunas da derrota. Viva o mistério.

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