Blog da Copa

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Espaço para os autores do Dialetica.org e seus convidados palpitarem sobre a maior festa do futebol mundial!

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Contagem regressiva para a Copa 2010!

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Ajustando o cós.

MarcosVP

 

Bem amigos do Dialética, é com muita felicidade e com o espírito imbuído e coeso que eu adentro estas mal traçadas quatro linhas do gramado para escrever para vocês sobre a Copa do Mundo de 2010, esta copa que promete ser uma copa moleque, uma copa que solta pipa na lage. Claro que, como jornalista não diplomado que sou, eu não vou me meter a escrever sobre futebol aqui, claro que não. Vamos falar sobre coisas muito mais importantes: os uniformes e as cores do futebol. E vejam só vocês, caros amigos: não é porque eu tenho um grande gosto pela arte das sequências (aqueles conjuntos matemáticos onde diferenças e semelhanças se reunem) ou mesmo porque eu me emociono toda vez que uma seleção adentra a cancha e se perfila para executar seu hino que eu escrevo sobre uniformes.


"Ouvirundunspirangasmargensflácias..."

Eu escrevo sobre uniformes e cores porque este é um assunto fascinante e cheio de lances de perigo, uma verdadeira caixinha de surpresas. Por exemplo, Lacan, o filósofo e psicólogo, já dizia que um homem sem roupa não é ninguém. Imagine então vinte e dois peladões em campo, com suas naturezas balançando e uma bola de couro duro cruel e insidiosa indo de lado a outro em grandes velocidades. Viram só a importância dos uniformes para o esporte? Sem falar no auxílio que o conhecimento das cores dá aos narradores dos jogos. Irradiar a final da copa de 1930 deve ter sido complicado…


"Galvão, o Uruguai joga de azul celeste e calções marinho.
A Argentina, de azul claro e azul escuro, ok?"

As mídias transmissoras, é claro, sofriam. O futebol atravessou a era do rádio e da fotografia sem saber direito como distinguir os times, afinal, como todos sabem, as cores só foram inventadas lá pela década de 70. Antes disso, era tudo um preto-e-branco desgraçado. Tricolor naquela época só se fosse branco, preto e um cinzazinho desmaiado.  Sem falar no machismo inerente ao vigoroso esporte bretão. Mesmo quando as cores passaram a fazer parte do cotidiano do jogo, poucos se arriscavam a usá-las com mais exuberância.


"Esplendor e Glória das Vedetes de Acapulco é a put$#%$@!"

A forma dos uniformes também é assunto digno de ganhar muitos pontos corridos em nossas crônicas. Afinal, pelo corte e desenho das vestimentas dos gladiadores da pelota, pode-se perfeitamente  apreender a época histórica à qual se quer referenciar. No início do século podia-se assitir a uma missa dominical explanada em latim digna e decentemente composto e rumar para o campo de futebol imediatamente após, usando a mesma vestimenta – sem o chapéu, é claro. É claro que os uniformes mudaram, e mudaram muito.


"Ainda bem que me deram um calção GG dessa vez."

Na verdade, tudo nos uniformes mudou muito do início do século passado para cá: a forma, as cores, os padrões, o modo de usar, numerações e escudos e principalmente, os materiais usados na confecção. Hoje em dia são muito mais leves e mais resistentes.


"Eu falei que arrancar pela cabeça não dava!!! Huummmfff!"

Como vocês podem verificar, há muito, muito mesmo para falar do futebol sob as lentes dos costureiros, desenhistas e roupeiros. Da história do esporte, incluindo aí os clubes e as seleções nacionais, a forma como as equipes se vestem para enfrentar-se, o marketing de fabricantes, confederações e transmissoras em relação às vestimentas, a paixão pelas cores, as cores do passado, presente e futuro, os negócios, a psicologia de jogadores e torcidas, tudo que se pode pensar em relação ao futebol passa, uma hora ou outra, pela segunda pele dos atletas, pelos mantos sagrados, pelas camisas históricas e heróicas.


"Ai, eu amei esse novo tom de morangos frescos.
Combina com meu piercing, olha aqui."

E vamos nessa, que temos um ano de histórias para contar até a copa.