Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Mantenham o verde e o amarelo nas ruas

Por Marmota | 02/07/2010, 05h41

Eu sei que é um tremendo chavão o que escrevo aqui. Mas é comum, sempre após a eliminação do Brasil de uma Copa do Mundo. A gente enlouquece com o desempenho da equipe em campo, chuta a estante, soca a mesa, deixa o churrasco queimar… Depois que as horas passam e a TV desliga, somos golpeados pela realidade.

Então vem a pergunta: por que foi mesmo que perdemos horas de nossas vidas pintando a rua com o desenho daqueles mascotes de sempre? Estendendo linha na rua e amarrando fitas plásticas e bandeiras, suspendendo-as no poste? Gastando nosso pouco dinheiro em camisas oficiais, bandeiras para o carro, vuvuzelas descartáveis?

Até o último jogo da seleção, por mais que a desconfiança sempre acompanhasse o time desde aquela fatídica convocação, cada gol era acompanhado por gritos, pulos e aquela vibração estranha, como se fosse “um orgulho ter nascido nesse país plenamente adaptado para a prática do esporte mais popular do mundo”. Como se fosse delicioso, ao menos uma vez a cada quatro anos, gritar “é Brasil, porra!”.

E é incrível como essa euforia, que poderia perfeitamente reforçar uma pretensa vontade de nos equipararmos também em outras áreas, some completamente quando o juiz ergue o braço e nossas cabeças voltam a cair. As cores passam a representar um vergonhoso “tinha que ser brasileiro mesmo, todo castigo é pouco”. É óbvio que tal cenário é surreal ao lembrarmos que tudo não passa de um jogo, e que na prática, é ridículo falar em “nacionalismo” levando em conta apenas o ufanismo provocado pelas transmissões da TV. Mas será que todos pensam mesmo assim?

De verdade? Ainda gostaria de ver, um dia, os mesmos que se empenham para torcer por um time, transferir este mesmo clima pré-jogo quando ouve falar numa ex-namorada encontrada morta dias depois numa represa, num governador alegando que usa nosso próprio dinheiro para comprar panetones ou construir um estádio no meio do nada, no aumento do pedágio,numa sequência de disputas partidárias que nada ajudam a escolha do nosso futuro… Bem, talvez seja mais fácil imaginar que a gente consiga lembrar dessas coisas durante a disputa de um Mundial.

Esse clima de Copa do Mundo, que incrivelmente não se repete em Olimpíadas, seria perfeito em uma ou outra ocasião do calendário. E não é preciso um time de futebol erguendo uma taça para tal. Por que não torcer para que uma luz inspiradora caia sobre quem deve tomar atitudes – seja pra substituir o Josué ou punir os fora-da-lei? Experimente deixar as bandeiras penduradas, a vuvuzela acessível ou ao menos use mais vezes sua camisa verde e amarela. Isso não nos torna (e nunca nos tornará) patriotas, mas talvez nos ajude a caminhar pela trilha que, por erro ou descuido, Dunga e seus comandados não conseguiram trilhar na África.

Ou ao menos seja útil para não errarmos com o que chamamos de “nosso país”, naquilo que você considera importante para muita gente.

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Ooops, esse texto foi publicado antes do jogo entre Brasil x Holanda, eu sequer imagino o resultado da partida e já anuncio que o Brasil está fora da Copa! De modo que, puxa, acabo de cometer um erro! Como se trata de um blog com acessos poucos (mas qualificados), talvez aceitem minhas desculpas. Mais: por ser uma página web, eu poderia perfeitamente “despublicá-lo”, para evitar o constrangimento de ver a seleção classificada ou, pior, ser chamado de agourento.

Mas enfim, já que errei, ao menos que sirva como sinal de solidariedade ao responsável pelo posicionamento de anúncios na Folha de S. Paulo.

Sabem, textos como o que vocês leram lá em cima já estão prontos em inúmeras redações. Constatamos no episódio do hipermercado Extra que a publicidade também utiliza este artifício. A agilidade de uma redação, somado ao tempo curto, exige material preparado na véspera. É por isso que tanto a mídia impressa quanto a Internet já anunciou desde times campeões até gente morta com antecedência aos moldes da “eliminação” acima: erro ou descuido. Ninguém gosta de errar, evidentemente, apesar da sensação de que a web é mais “irresponsável” que o jornal, já que o papel não aceita correções.


O anúncio equivocado (acima) e o que deveria ter sido publicado: até Abílio Diniz ficou indignado com quem errou…

Errar faz parte da vida, bola pra frente. Convém lembrar, no entanto, de quando ouvi pela primeira vez que esse tipo de coisa acontece: “mas não é pra acontecer, Adilson!”.

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Falando nisso, só pra ficar no que houve após Brasil x Chile, alguém consegue identificar qual o erro bobo que ficou no ar na home do chileno La Tercera durante os 90 minutos e algo mais?

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Um último registro, para defender boas soluções num jornal, sempre o que exige mais criatividade em meio à instantaneidade das novas mídias. Em 21 de junho de 2002, Brasil e Inglaterra jogaram em Shizuoka durante a madrugada, horário ingrato para a mídia impressa. Imagine se o Extra tivesse que programar um anúncio do gênero para o dia seguinte, sendo que não haveria tempo hábil para imprimir e distribuir? A solução poderia ser algo tão genial quanto a capa do Correio Braziliense naquela manhã: bastava “girá-la” para ter a manchete certa.

Dunga em UM DIA DE FÚRIA 3

Por Pedrox | 29/06/2010, 22h02

Tudo era apenas uma brincadeira, foi crescendo, crescendo e agora todo mundo já aguarda ansioso após cada jogo do Brasil para a continuação da saga de Dunga no comando da Seleção Brasileira.

Após Dunga em UM DIA DE FÚRIA! e Dunga em UM DIA E FÚRIA 2, o publicitário Pablo Peixoto, que escreve no blog Pérolas Para Porcos, produziu mais um hilariante episódio da mini-série mais marrenta deste mundial sul-africano.

Saiba o que realmente aconteceu no jogo Brasil x Chile, pelas oitavas de final da Copa do Mundo:

Ojos Rojos

Por Marmota | 28/06/2010, 07h44

Ao que tudo indica, o Brasil deverá se classificar para as quartas-de-final nesta segunda-feira, apesar de todas as suas dificuldades, diante da simpática e esforçada seleção chilena. Apesar do retrospecto negativo dos comandados de Marcelo Bielsa diante dos brasileiros, somando ainda os desfalques no meio-campo e o desgaste físico, é lógico que nossos eternos fregueses podem ganhar. Atitude, como vimos na primeira fase, eles já mostraram. Num lampejo de raça e vibração, repetir os primeiros minutos de jogo contra a Espanha, acertar um gol e obrigar o Brasil a buscar um placar reverso – algo que ainda não aconteceu nesta Copa.

Independente do resultado, a forte identidade desta seleção do Chile já está devidamente registrada.

Juan Ignacio Sabatini, Juan Pablo Sallato e Ismael Larraín começaram a acompanhar a seleção durante as eliminatórias da Copa da Alemanha. Em dezoito jogos disputados entre 2003 e 2005, foram cinco vitórias, seis empates e sete derrotas, terminando em sétimo entre os dez países. É com mais esta frustração que começa o “Ojos Rojos”, documentário elaborado pelo trio.

Da tristeza por mais uma ausência num Mundial, veio o clamor por uma virada. E a partir da contratação de Marcelo Bielsa e a mudança de postura, os chilenos experimentaram outra vez o prazer de celebrar sua equipe durante as eliminatórias para a África do Sul. Acabaram classificados em segundo lugar, apenas um ponto atrás do Brasil. Os momentos épicos desta caminhada, permeados por muitos treinos, vestiários, gritos de incentivo e suor, recebem uma carga puramente emocional diante de torcedores e narradores emocionados, reforçando a paixão dos sul-americanos pelo esporte. Sem falar na esperada visão nacionalista, caracterizada pelo orgulho de usar vermelho, branco e azul.

Isso é tudo que posso identificar pelos trailers oficiais oferecidos pela produtora. O filme, que estreou no Chile em maio, foi um tremendo sucesso: em 20 dias, superou a marca de 100 mil espectadores. Isso sem contar os torcedores que encontraram cópias para download por aí, graças a distribuição pirata iniciada por algum cururu que furtou o material em alguma etapa da produção do DVD. Dos males, o menor: enquanto não é possível encomendar uma edição especial, com extras, gols, entrevistas e afins, as cópias proibidas representam a única solução para aficcionados distantes do Chile assistirem ao documentário.

Enfim, vejam que todo envolvimento de um país, pelo simples fato de sua seleção ter mostrado empenho para chegar à Copa do Mundo, virou filme. Mas já está bom, né? Ao menos desta vez, Dunga e seus comandados certamente não vão dar nenhuma brecha para uma continuação.

Murais da Copa

Por Pedrox | 20/06/2010, 10h00

As tradicionais pinturas espalhadas por muros e fachadas do continente africano inspiraram os 33 posters da ESPN alusivos à Copa do Mundo.

Criaram o bonito poster principal (acima) e um diferente e criativo para cada seleção participante do mundial da África do Sul com suas respectivas simbologias e jogadores destaques. Vale a pena conferir.

Clique nas imagens para vê-las ampliadas:

Brasil e Itália:

África do Sul e Costa do Marfim

Camarões e Eslováquia:

Dinamarca e Eslovênia:

Espanha e Argélia:

França e Chile:

Gana e Inglaterra:

Grécia e Coréia do Norte:

Holanda e Japão:

Honduras e Nova Zelândia:

Coréia do Sul e Suíça:

Nigéria e Austrália:

Paraguai e Alemanha:

Portugal e Uruguai:

Sérvia e Argentina:

Estados Unidos e México:

Fonte: Brainstorm 9

Manifesto a favor das visitas a estádios pelo mundo

Por Marmota | 17/06/2010, 10h15

O museu La Chascona, casa que Pablo Neruda construiu para viver com sua amante e futura esposa Matilde em Santiago, era o segundo lugar mais bacana que tinha vontade de conhecer em Santiago. O primeiro, disparado, era o Estádio Nacional do Chile, palco da decisão entre Brasil e Tchecoslováquia, em 17 de junho de 1962. A seleção de Garrincha, Amarildo e companhia venceu por 3 a 1, dando a chance do zagueiro Mauro levantar a Taça Jules Rimet. Era o segundo título brasileiro.

Seria mais uma visita aos palcos das finais de copas em minha lista. Dos que consegui entrar, guardo boas recordações do Monumental de Nuñes, em Buenos Aires; do Santiago Bernabéu; do Stade de France; e do Estádio Olímpico de Berlim. Em Estocolmo, uma delícia: entrei no mítico Rasunda após um golpe de sorte; no mesmo dia, passeamos pelo estádio dos Jogos Olímpicos de 1912, uma relíquia aberta ao público.

Enfim, visitar um estádio vazio, aberto para visitação – ainda que por uma pequena taxa, como em Madri, Saint-Denis ou mesmo o Allianz Arena de Munique ou Amsterdam Arena (que, diga-se, só consegui entrar depois de três vezes) é bom. A experiência fica melhor ainda nas arquibancadas, no meio da torcida.

É assim a cada ida ao Beira-Rio (que mantém um portão sempre aberto para o visitante conhecer o estádio). Foi assim quando vi Atlético e Cruzeiro, comendo o tropeiro do Mineirão. Ou ao lado dos barra-bravas, quando quase fui alvejado com uma bomba de gás, após uma vitória do Boca sobre o Vélez em La Bombonera. Ou na inesquecível vitória da seleção portuguesa por 7 a 1 contra a Rússia, pelas Eliminatórias da última Copa, no José Alvalade, em Lisboa.

Mas quase sempre a visita é frustrada. Ainda segundo minha lista “finais de Mundiais”, os portões do Olympiastadion de Munique, palco da final de 74, estavam fechados. Também já estive em Montevidéu, diante do Estádio Centenário, mas por um azar danado, perdi a chance de assistir a Nacional e Central, pela Copa Sul-americana. Foi exatamente no dia que fui embora – e eu sequer conheci o Museu. Tive azar ao encontrar portões fechados em outras arenas, como o Estádio Olímpico de Atenas ou o Strahov.

Ah, o Strahov. O maior estádio do mundo é o Colosso de Praga, um verdadeiro elefante branco que representa exatamente a grandeza do leste europeu comunista. Cabem nove campos de futebol dentro dele. Para chegar de metrô, só caminhando muito após subir o funicular de Petrín. Mas para quê, se aquela armação decadente vive fechada para visitantes? Aliás, no mesmo dia, até o estádio do Sparta estava fechado.

Enfim, toda essa manifestação esnobe para dizer que, assim como qualquer paulistano que sonha em melhores condições para ir a um estádio, estou acostumado a caminhar longas horas a partir de uma estação de metrô (como a Nuble, em Santiago), caminhar por avenidas desertas (como as avenidas Carlos Dittborn, onde nitidamente fica a “Cohab” da cidade, Marathon e, finalmente, Grécia) e dar de cara com uma grande decepção.

Tudo que encontrei foram portões fechados, algumas famílias passeando ou utilizando parte da estrutura do Parque Olímpico, além de dois turistas fotografando justamente no único portão onde dava para ver um pedacinho do gramado. O único funcionário na entrada alertara quando cheguei: “para fotografar, é preciso autorização”.

Não consigo admitir que eu seja o único potencial turista que visita qualquer grande cidade que tenha um bom estádio ou arena, e esteja disposto a pagar para conhecer detalhes imperceptíveis a quem passa pelo lado de fora. Assim como Salvador, que viu a Fonte Nova acabar após a morte de inocentes torcedores, Santiago também está perdendo a grande oportunidade de conquistar os turistas fanáticos.

***

Escrevi este texto em 05/02/2008, ainda instalado no Hotel Paris Londres, em Santiago. Na época, eram duas as minhas maiores frustrações: além daquela visita malfeita, havia o fato de não conhecer o Maracanã – graças a Luninha. Enfim, num momento em que o país discute a construção ou reforma de suas arenas para o Mundial de 2014, convém lembrar que os palcos de grandes decisões mundiais ainda aproveitam desta vocação turística para faturar uma graninha.

Agora, antes que me perguntem, não sei o que é mais absurdo: São Paulo construir um novo elefante branco ou a CBF limar o Morumbi por questões políticas. Deviam transferir o Mundial de 2014 pra Colômbia.

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