Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Dunga em UM DIA DE FÚRIA 4 (episódio final)

Por Pedrox | 03/07/2010, 20h10

Depois de Dunga em UM DIA DE FÚRIA,

Dunga em UM DIA E FÚRIA 2 e

Dunga em UM DIA E FÚRIA 3,

Pablo Peixoto, que escreve no blog Pérolas Para Porcos, finalmente produziu o último episódio da saga de Michael Dunga como técnico da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 2010:

Cabalas estúpidas (ou: a Argentina será campeã em 2010)

Por Marmota | 03/07/2010, 07h23

O termo “cabala”, de origem judaica, pode ser interpretado, de maneira grosseira, como sendo um código, uma chave, uma lógica que revela mistérios do universo. Quem souber interpretá-la terá subsídios para predizer o que o futuro nos reserva.

Também é usado por pessoas (como meu amigo Narazaki) que valorizam coincidências para garantir coisas menos relevantes para o nosso povo, como por exemplo qual homem levantará a Taça Fifa ao final da Copa.

A Marília reproduziu aqui esses dias uma tabelinha que dá força para uma destas teorias cabalísticas: desde a primeira Copa do Mundo, em 1930, há um visível equilíbrio entre seleções européias e sul-americanas entre as campeãs: em 18 competições, foram nove para cada lado. Levando em conta apenas as últimas doze (por razões absolutamente convenientes), temos uma curiosa alternância entre brasileiros, europeus e argentinos.

Seguindo a sequência lógica, adivinhe quem seria campeão na África do Sul, meu caro Doni? Há um outro registro cabalístico que direciona o título para Buenos Aires: o número 24. Se levarmos em conta que, desde 1930, ao menos Brasil, Itália, Alemanha e Argentina estiveram presentes nas decisões, estas quatro nações poderão atingir o intervalo máximo de 24 anos entre uma conquista da atual taça Fifa. O Brasil quebrou um jejum desse tamanho em 1994. Os italianos, da mesma forma, em 2006. Assim, a Argentina vence este ano e, obviamente, os alemães proporcionariam o novo “maracanazzo” daqui a quatro anos – afinal, se os sul-americanos faturarem agora, a próxima deve ficar nas mãos de um europeu.

Foi graças a uma dessas cabalas estúpidas que os italianos realmente acreditaram no tetracampeonato na Alemanha, há quatro anos. Desde 1970, a Itália chegou a final da Copa do Mundo apenas a cada três copas, vencendo-as alternadamente. Ou seja: chegou e perdeu em 1970, venceu em 1982, caiu em 1994 e faturou 2006. A próxima, portanto, será em 2018 (provavelmente na Rússia), onde será derrotada. Certamente pela Argentina, para seguir a primeira cabala.

Se bem que, na última Copa, meio mundo ignorou a lógica italiana e acreditou em uma pirâmide vagabunda…

A primeira vez que a tal figura circulou pela web foi exatamente antes do Mundial de 2002. Muitos realmente acreditaram que o pentacampeonato estava devidamente agendado, graças a esta incrível sequência. E graças a esta cabala inabalável, 2006 seria o ano do hexa. E mais: as copas seguintes seguiriam a lógica de 1954 e 1950 – ou seja, Alemanha em 2010 e Uruguai em 2014! Enfim, pra pirâmide seguir algum crédito, os alemães podem lembrar que, em 1954, 1974 e 1990, a equipe enfrentou a Iugoslávia. Este ano também – quer dizer, a Sérvia.

Enfim, Argentina x Alemanha, o duelo mais aguardado destas quartas-de-final (pra muitos mais até que Brasil x Holanda) vai confrontar estas teorias. E querem mesmo saber? Esqueçam a pirâmide, a cabala, os economistas, os matemáticos ou qualquer lógica. Nenhuma delas alcança a imprevisibilidade do futebol – a exceção de algumas certezas inabaláveis, como o eterno naufrágio da Espanha.

Atualizado: como lembrou o Rafael Netto nos comentários, a pirâmide estúpida está sendo reencaminhada novamente, dando o título aos alemães. Talvez esta funcione, já que todas as outras não perguntaram pra nenhum germânico se deixariam realmente a Argentina passar por eles nas quartas-de-final…

O último fim de uma era.

Por MarcosVP | 02/07/2010, 18h42

A primeira vez que se falou em “era Dunga” foi em 1990, depois do fiasco da seleção de Lazaroni na copa da Itália. Desde então, derrotado ou vitorioso, Dunga simbolizou, nos anos que se seguiram, uma coisa que nem o brasileiro médio nem a mídia aceitavam com muita tranquilidade: o futebol feio, de marcação, de disciplina e aplicação tática, o que pode até ter trazido ao Brasil uma copa do mundo – a de 1994. Ora, de qualquer forma, convenhamos que, num país que já teve craques mágicos como Pelé, Garrincha, Leônidas, Zizinho, Didi, Zico, Romário e – vá lá… – os Ronaldos, ganhar uma copa com um meio campo que tinha Zinho e Mazinho foi até uma heresia. Mas enfim, vivemos a era dos resultados. Quem vence é herói, quem perde é um fracassado.

Só que isso não é nem nunca foi a cara e o jeito, nem do Brasil, nem do vitorioso futebol sulamericano. Essa história é coisa de americano, de WASP. Por mais que me irritasse ao extremo aquele oba-oba da copa de 2006, o monástério dos meninos de Cristo montado por Dunga e Jorginho acabou se provando falível no momento crucial. Lembrando, é claro, do implacável axioma que Renato Russo escreveu um dia: “Deus está do lado de quem vai vencer”.

Agora a última “era Dunga” – a primeira parecia terminada em 1998 – se encerra. As glórias destes quatro anos serão sepultadas pelo patético cartão vermelho recebido por Felipe Melo no jogo contra a Holanda. Confesso, foi impossível, por mais críticas que eu tivesse à seleção, não torcer e não sofrer. E confesso também que meu bode maior nunca foi com o técnico, embora ele seja sim, uma pessoa intratável, descontrolada e ignorante. E nem nessa briga com a Globo eu estava do lado de alguém, pois como diz o profeta Franciel Cruz, dou um pelo outro e não quero troco. Meu bode é principalmente com o caráter fraco e questionável de alguns jogadores, principalmente as duas maiores estrelas desse time: Kaká e Robinho. Foi sobre esses dois galãzinhos de comercial que foram depositadas as esperanças da torcida brasileira por essa seleção. Porque nós nos esquecemos de quem são esses dois rapazes e o que eles já aprontaram, ou por seu desprezo às pessoas – caso de Robinho – ou por seu desprezo à seleção, quando as partidas e jogos eram menos importantes, como a copa América – caso de Kaká.

O triste é que o Brasil se ressente de algo que não possui há tempos, na verdade, desde 1970: uma seleção que jogue como o Brasil e vença. Eu creio que jamais veremos uma geração como aquela em campo novamente, como sei que nunca mais se reunirá novamente um Clube da Esquina, uma ipanema da Bossa Nova, uma Jovem Guarda, os Beatles, o Flamengo de Zico e Adílio, o Vasco de Ademir de Menezes, o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos. Mas há de haver um time e um técnico por aí que resgatem nossa alegria, que nos remetam novamente ao futebol que só este país de pés-sujos e vira-latas sabe jogar. Que nunca nos tirem da cabeça e do coração que mais vale uma seleção como a “fracassada” equipe de 1982 que mil times de Felipe Bastos, Michel Alves, Daniel Melo e demais quejandos sem nome, passado ou futuro. Por mais que tenhamos torcido e nos vestidos de verde e amarelo, isso não era o Brasil. Que venha, então o próximo.

E claro, depois de todo esse #mimimi, e depois de ver com que RAÇA e SANGUE os uruguaios arrancaram do fundo de uma partida quase perdida a sua classificação – APRENDAM, dungaboyz! – vamos ao palpite – difícil – para a primeira das semifinais.

Como vocês perceberam, até um jogo fácil como Uruguai e Gana eu consegui errar. De qualquer modo, era uma aposta de 50%, já que qualquer dos dois uniformes de Gana dava certo contra a celeste. Gana deve ter vestido a superstição e a lembrança da vitória contra os EUA. Os ganenses lutaram muito, mas não deu. Agora, o Uruguai, depois de 40 anos, manda a primeira semifinal contra a Holanda. Não dá para vir completo porque a Holanda, a não ser que tenha uns pantalones brancos escondidos, só tem calções pretos ou azuis. Então, como ocorreu várias vezes na copa, o Uruguai vem alterado e a Holanda com o uniforme completo. Mas também pode ocorrer do Uruguai vir todo de branco. Quem garante o contrário?

Amanhã, a segunda partida das semis. E toda minha torcida para a Argentina. Paraguai x Espanha pouco me importa.

Mantenham o verde e o amarelo nas ruas

Por Marmota | 02/07/2010, 05h41

Eu sei que é um tremendo chavão o que escrevo aqui. Mas é comum, sempre após a eliminação do Brasil de uma Copa do Mundo. A gente enlouquece com o desempenho da equipe em campo, chuta a estante, soca a mesa, deixa o churrasco queimar… Depois que as horas passam e a TV desliga, somos golpeados pela realidade.

Então vem a pergunta: por que foi mesmo que perdemos horas de nossas vidas pintando a rua com o desenho daqueles mascotes de sempre? Estendendo linha na rua e amarrando fitas plásticas e bandeiras, suspendendo-as no poste? Gastando nosso pouco dinheiro em camisas oficiais, bandeiras para o carro, vuvuzelas descartáveis?

Até o último jogo da seleção, por mais que a desconfiança sempre acompanhasse o time desde aquela fatídica convocação, cada gol era acompanhado por gritos, pulos e aquela vibração estranha, como se fosse “um orgulho ter nascido nesse país plenamente adaptado para a prática do esporte mais popular do mundo”. Como se fosse delicioso, ao menos uma vez a cada quatro anos, gritar “é Brasil, porra!”.

E é incrível como essa euforia, que poderia perfeitamente reforçar uma pretensa vontade de nos equipararmos também em outras áreas, some completamente quando o juiz ergue o braço e nossas cabeças voltam a cair. As cores passam a representar um vergonhoso “tinha que ser brasileiro mesmo, todo castigo é pouco”. É óbvio que tal cenário é surreal ao lembrarmos que tudo não passa de um jogo, e que na prática, é ridículo falar em “nacionalismo” levando em conta apenas o ufanismo provocado pelas transmissões da TV. Mas será que todos pensam mesmo assim?

De verdade? Ainda gostaria de ver, um dia, os mesmos que se empenham para torcer por um time, transferir este mesmo clima pré-jogo quando ouve falar numa ex-namorada encontrada morta dias depois numa represa, num governador alegando que usa nosso próprio dinheiro para comprar panetones ou construir um estádio no meio do nada, no aumento do pedágio,numa sequência de disputas partidárias que nada ajudam a escolha do nosso futuro… Bem, talvez seja mais fácil imaginar que a gente consiga lembrar dessas coisas durante a disputa de um Mundial.

Esse clima de Copa do Mundo, que incrivelmente não se repete em Olimpíadas, seria perfeito em uma ou outra ocasião do calendário. E não é preciso um time de futebol erguendo uma taça para tal. Por que não torcer para que uma luz inspiradora caia sobre quem deve tomar atitudes – seja pra substituir o Josué ou punir os fora-da-lei? Experimente deixar as bandeiras penduradas, a vuvuzela acessível ou ao menos use mais vezes sua camisa verde e amarela. Isso não nos torna (e nunca nos tornará) patriotas, mas talvez nos ajude a caminhar pela trilha que, por erro ou descuido, Dunga e seus comandados não conseguiram trilhar na África.

Ou ao menos seja útil para não errarmos com o que chamamos de “nosso país”, naquilo que você considera importante para muita gente.

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Ooops, esse texto foi publicado antes do jogo entre Brasil x Holanda, eu sequer imagino o resultado da partida e já anuncio que o Brasil está fora da Copa! De modo que, puxa, acabo de cometer um erro! Como se trata de um blog com acessos poucos (mas qualificados), talvez aceitem minhas desculpas. Mais: por ser uma página web, eu poderia perfeitamente “despublicá-lo”, para evitar o constrangimento de ver a seleção classificada ou, pior, ser chamado de agourento.

Mas enfim, já que errei, ao menos que sirva como sinal de solidariedade ao responsável pelo posicionamento de anúncios na Folha de S. Paulo.

Sabem, textos como o que vocês leram lá em cima já estão prontos em inúmeras redações. Constatamos no episódio do hipermercado Extra que a publicidade também utiliza este artifício. A agilidade de uma redação, somado ao tempo curto, exige material preparado na véspera. É por isso que tanto a mídia impressa quanto a Internet já anunciou desde times campeões até gente morta com antecedência aos moldes da “eliminação” acima: erro ou descuido. Ninguém gosta de errar, evidentemente, apesar da sensação de que a web é mais “irresponsável” que o jornal, já que o papel não aceita correções.


O anúncio equivocado (acima) e o que deveria ter sido publicado: até Abílio Diniz ficou indignado com quem errou…

Errar faz parte da vida, bola pra frente. Convém lembrar, no entanto, de quando ouvi pela primeira vez que esse tipo de coisa acontece: “mas não é pra acontecer, Adilson!”.

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Falando nisso, só pra ficar no que houve após Brasil x Chile, alguém consegue identificar qual o erro bobo que ficou no ar na home do chileno La Tercera durante os 90 minutos e algo mais?

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Um último registro, para defender boas soluções num jornal, sempre o que exige mais criatividade em meio à instantaneidade das novas mídias. Em 21 de junho de 2002, Brasil e Inglaterra jogaram em Shizuoka durante a madrugada, horário ingrato para a mídia impressa. Imagine se o Extra tivesse que programar um anúncio do gênero para o dia seguinte, sendo que não haveria tempo hábil para imprimir e distribuir? A solução poderia ser algo tão genial quanto a capa do Correio Braziliense naquela manhã: bastava “girá-la” para ter a manchete certa.

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