Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Torcendo para a Argentina

Por Marcos Donizetti | 15/06/2010, 14h37

Bandeira da Argentina

A seleção brasileira entrará em campo hoje para a primeira partida pela Copa do Mundo 2010. Eu deveria estar nervoso, roendo as unhas de ansiedade, mas a verdade é que estou tranqüilo. Emoção mesmo, com direito a grito na hora do gol, eu senti quando a Argentina venceu a Nigéria, dias atrás. O fato deixou alguns amigos e conhecidos chocados, então resolvi explicar, não que isso fosse uma obrigação.

De início, preciso refutar o argumento simplório e inocente de quem diz que não torcer para a Seleção Brasileira é não torcer pelo Brasil e não merecer minha condição de brasileiro (como se ter ou não determinada nacionalidade fosse mesmo uma questão de merecimento). Ora, o ufanismo bobo da expressão “a seleção é a pátria” só serve ao discurso publicitário fácil ou ao “ame-o ou deixe-o” do período da ditadura.

O fato é que mais do que torcer pela seleção ou ser “brasileiro com muito orgulho e com muito amor”, o que me move é gostar de futebol. Não este futebol dos “guerreiros pré-fabricados” que precisam vencer a qualquer custo, mas o futebol do sonho e da utopia, o futebol que nada mais é que a representação maior e mais fiel das tragédias humanas. Daí, nada mais natural que torcer pela Argentina nesta Copa.

Dunga é bem intencionado e comprometido sim com o que ele acredita ser a Seleção Brasileira. O problema é que tanto ele quanto seus comandados estão comprometidos com a mais patética mediocridade. Pior, ele representa não só a mediocridade dentro de campo, mas a mediocridade endêmica e maniqueísta que contamina todos os setores da nossa sociedade. O discurso de quem diz “o que importa é vencer, contra tudo e contra todos” é o discurso dos idiotas leitores de auto-ajuda.

Michel Bastos, Daniel Alves, Thiago Silva e Felipe Melo são ofensas ao Brasil que teve Pelé, Garrincha, Zizinho e Didi. Nomes forçadamente compostos, pensados por empresários e assessores de imprensa para agregar valor a um produto que querem logo exportar. Este é o Brasil dos “publieditoriais”, dos carros “semi-novos” e de todos os outros eufemismos tapados e politicamente corretos. É o Brasil do choque de ordem, que tenta esquecer seu passado em nome da modernidade acéfala e da eficiência vazia. É o Brasil de quem vive no interior e tenta esconder o sotaque por ter vergonha de suas origens.

Bastos, Melo e Alves são aspones de uma repartição pública qualquer, e não jogadores de futebol dignos de jogar uma Copa do Mundo. Mais patética ainda é a tentativa de transformá-los em soldados (ou guerreiros de uma marca de cerveja ruim). Dunga adota um discurso militarizado, de ordem imposta, e todos que não estão ao seu lado estão automaticamente contra ele e contra a Seleção. Emílio Garrastazu Médici com certeza está sorrindo neste momento, em algum lugar do inferno.

Ao mesmo tempo, Maradona é o anti-Dunga. Maradona é trágico e instável como a vida deve ser, Maradona é a irreverência, a genialidade e a imprevisibilidade dos grandes. Maradona é um tango de Carlos Gardel e Dunga é uma dupla qualquer de sertanejo universitário. Maradona é Beatles e Dunga é Orlando Morais.

Enquanto Maradona libera os encontros para seus comandados durante a Copa, Dunga diz que nem todos gostam de sexo. Enquanto Dunga faz um jogador pedir desculpas por uma entrevista, Maradona promete sair pelado pelas ruas se a Argentina for campeã.

Maradona foi o principal protagonista da última grande Copa do Mundo da história, e hoje tem Lionel Messi. A Argentina lembra muito o fantástico Santos do primeiro semestre: o ataque é pura técnica e genialidade enquanto a defesa é frágil e capaz de dar arrepios. Mais divertido, impossível! Enquanto isso, Dunga preferiu deixar Ganso e Neymar no Brasil, porque deve achar que Single Ladies não é coisa de guerreiros. Azar dele, e nosso.

Eu abro mão do título em nome de uma Copa do Mundo inesquecível como todas as copas devem ser. Quero uma Copa de sonho como a de 1982 ou de 1986, uma Copa com todo o chato time da Inglaterra driblado antes do gol antológico, uma Copa com la mano de Dios! Que esta seja a Copa do Mundo de Maradona, de Verón e de Lionel Messi!

“A Argentina vai perder e vamos todos rir de você, perdedor”. É possível, e responderei que prefiro fracassar junto dos gênios do que vencer com os medíocres.

No clima da Jabulani de Cristal

Por Marmota | 10/06/2010, 20h17

Agora que o prazo para o envio de bolões por aí praticamente esgotou, posso adiantar duas coisas. A primeira: em praticamente todos os placares, apliquei a boa e velha tática do “um gol” (tasquei 1 a 0 ou 1 a 1 em todos os placares possíveis). A segunda: refiz meu palpitão usando o simulador simplão do blog e constatei algumas modificações em relação ao meu chute original.

Basicamente derrubei França e Dinamarca, promovi Sérvia e Camarões, botei a África do Sul como campeã do grupo, rebaixei o Paraguai a segundo lugar, mantive a Costa do Marfim… Sim, essa foi a consequência natural: só mexi nos classificados, mas deixei os últimos dois jogos intactos: Inglaterra x Costa do Marfim decidem o terceiro lugar, enquanto Brasil x Argentina decidem qual dos dois treinadores novatos entram para o clube de campeões treinando e jogando, como Zagallo e Beckembauer.

Uma das poucas graças que ainda atraem nossa atenção pra competição é o fato de termos, nos próximos dias, um torneio extremamente curto, cujos placares sofrem diante de variáveis totalmente sem controle. Um timaço pode perfeitamente ser eliminado num relance. Assim, se eu, você ou qualquer um soubesse realmente o destino da taça, poderíamos tentar a Mega Sena ou algo que dê mais dinheiro.

Curiosamente, são os economistas os mais entusiasmados em tentar prever o que acontecerá no planeta em 30 dias – tanto com nossas finanças quanto com o título mundial.

Os holandeses do ABN Amro foram os primeiros que tive notícia. O estudo “Soccernomics” analisa o cenário econômico atual e, comparando as nações que disputam a Copa, indicam qual país, ao sair vencedor, representaria uma euforia em sua população e, consequentemente, impulso maior à economia mundial. Para o banco, o país campeão cresce, em média 0,7, ponto porcentual a mais que no ano anterior. O primeiro estudo saiu em 2006, e acredite: em abril daquele ano, eles diziam que o melhor panorama global seria possível em caso de vitória… Da Itália!

Curioso pra saber o que o Soccernomics 2010 indica? Por incrível que pareça, não seria uma vitória da Grécia, mas sim da Alemanha. Convém ressaltar que, para a Euro 2008, um estudo similar desenvolvido pelo ABN Amro sugeriu a vitória de França, Itália ou Holanda. E, no fim das contas, deu Espanha.

Particularmente, estou convicto de que a Fúria não vai me decepcionar e, como de praxe, vai tropeçar no mata-mata, sem qualquer possibilidade de realizar a final. Não é, no entanto, o que indica o site de apostas britânico Sportingbet.com, que apontam os espanhóis como favoritos. Voltando aos palpites econômicos, o banco suíço UBS indica como favoritos, em ordem de preferência, Brasil (22% de chances de título), Alemanha (18%) e Itália (13%). O UBS, no entanto, afirma que não usa variáveis econômicas em sua análise: considera basicamente o desempenho histórico e a força dos jogadores nos últimos três meses.

Agora, se variáveis matemáticas realmente representassem algo próximo das possibilidades reais, o matemático suíço Roger Kaufmann venceria facilmente qualquer bolão. Ele criou um algoritmo denominado Análise Dinâmica Esportiva (em alemão, DSA), utilizando-o tanto em alguns campeonatos europeus quanto no Mundial da África do Sul. Além do ranking da Fifa, o cálculo leva em conta a média de gols marcados, desempenho como visitantes e donos da casa e possibilidades de confrontos.

Para o software do suíço, segundo cálculos de 26 de maio, Brasil e Espanha são as favoritas para uma decisão, e cada uma tem algo como 15% de chances de conquistar o título. Enfim, os mesmos números também colocam Inglaterra e Argélia com chances equivalentes de conquistarem o Grupo C, além de Nigéria superar a Argentina no Grupo B – será que a matemática faz mesmo sentido?

Enfim, apenas para efeito de comparação, os cálculos de Kaufmann em em 2006 davam como favoritos Brasil, Holanda, República Tcheca… Considerando apenas o então Grupo F, Japão e Croácia tinham mais chances de classificação do que a Austrália.

Pois é. Hein Schotsman, responsável pelo Soccernomics do ABM Amro é quem parece ter razão: “uma previsão de sucesso, muitas vezes, depende tanto da sorte quanto da habilidade; esta é uma lição que é frequentemente é esquecida quando tratamos de quantificar o futuro”.

Ano novo, velhos palpites

Por Marmota | 07/01/2010, 15h29

Está pronto para vivenciar o ano da Copa do Mundo? Enquanto o Carnaval não passa e 2010 finalmente começa, ainda há tempo de chutar uma bola Jabulani pra estratosfera. Aproveitei o nosso gerador de palpites (bem mais simples do que aqueles onde você precisa cravar os placares, não?) para criar a minha trilha entre a partida com a Coréia do Norte e a taça do hexa erguida em 11 de julho.

É lógico que essa brincadeira não tem qualquer pretensão. Até porque, até o início do Mundial, todas as seleções poderão passar por altos e baixos. De qualquer forma, você pode discordar como desejar – inclusive elaborando o seu próprio palpite. Vamos lá.

Primeira fase: Carlos Alberto Parreira e seu time que me desculpem, mas pela primeira vez na história de um Mundial, os anfitriões serão eliminados na primeira fase. A não ser que o time supere não apenas suas limitações, mas principalmente a desconfiança alheia, mexicanos e franceses conquistarão as vagas do Grupo A. O máximo de “ousadia” que vou me permitir será a ordem: México em primeiro. Logicamente, se depender da minha torcida, os sul-africanos podem se tornar o “Senegal” da vez e deixar Les Bleus na primeira fase. O que, convenhamos, seria justíssimo.

Os argentinos não terão dificuldade alguma em abiscoitar a liderança do Grupo B. A segunda vaga, no entanto, não me parece tão certa assim. Pode parecer estranho dizer, mas nos últimos Mundiais, a Coréia do Sul vem acumulando experiência para, ao menos, não ficar na lanterna. A Grécia, que conquistou uma Eurocopa quando ninguém acreditava, também pode surpreender. E a Nigéria, que nem de longe remete ao time forte dos anos 90, pode aproveitar a “força do continente” e seguir em frente. Minha bola de cristal coloca a Grécia um passinho à frente deles.

O Grupo C é uma tremenda barbada. Os coadjuvantes Argélia e Eslovênia assistirão ingleses e norte-americanos garantirem uma vaga nas oitavas-de-final. O Grupo D é meio “pegadinha”, mas o palpite seco é Alemanha e Gana. Especialmente porque a Sérvia já quebrou as pernas de quem achava o seu grupo de 2006 o “da morte” e a Austrália não é a do Guus Hiddink – e aqui faço meu lamento, adoraria ver a Rússia diante da Itália nas oitavas, pra Azzurra tremer diante do experiente treinador holandês outra vez…

Mas enfim. Para isso ter acontecido, os russos (que ficaram na repescagem) teriam que entrar no Grupo E, da favorita Holanda. Aqui, um cenário bem parecido com a chave da Argentina: qualquer dos três, Dinamarca, Japão e Camarões podem se classificar. Como já “derrubei” dois africanos antes, vou arriscar a classificação deles aqui, com os camaroneses – apesar da tentação de escolher os nórdicos. No Grupo F, outra barbada: os italianos vão nadar de braçadas diante das inexpressivas Nova Zelândia e Eslováquia. Já os paraguaios estarão na África com uma das melhores gerações de sua história, terão tudo para seguir em frente – quem sabe até chegando às quartas-de-final, por que não?

Finalmente, o Grupo G. O “da morte”. O do Brasil. Já ouvi numa dessas reportagens ufanistas: “é o grupo da morte para os outros”. Quando revelei à Luciana os adversários da seleção na primeira fase, tive como resposta um desdenhoso “queeee Costa do Marfiiiim o queee…”. Lógico que o time do Dunga é favoritaço, e deve seguir à risca o bom e velho chavão: para ser campeão, não se deve escolher adversários. Sendo assim, passando em primeiro numa chave carne-de-pescoço dessas, partiremos rumo ao hexa. Agora, os portugueses que tanto estimo que me desculpem, mas minha aposta nesse Mundial é exatamente a Costa do Marfim. Entre os africanos que disputam o Mundial, são os que tem maiores condições de atingir as semifinais – e há uma expectativa gigantesca para que uma nação do continente esteja entre os quatro.

Por fim, o Grupo H. Também é “da morte”. De assistir. A Globo pode colocar desenho animado que certamente dará mais audiência do que Suíça e Honduras. Francamente. Enfim, antes de ser eliminada durante o mata-mata, a Espanha seguirá encantando, goleando, etc. Ao seu lado, confio no aprendizado que Marcelo Bielsa teve em 2002: acredito que ele não repetirá o que lhe deixou fora da Copa na primeira fase. Vamos, Chile!

Mata-mata: Aqui é o momento de separar os homens dos meninos. E, obviamente, ainda que as configurações que elenquei na primeira fase possam fazer sentido, o histórico dos confrontos eliminatórios reservam surpresas que beiram à injustiça. Mas enfim, é a regra do jogo. E de acordo com minha ousada escolha, México e Grécia farão a partida “não deixe de perder” desta fase. Inglaterra e Gana farão um duelo difícil, mas os ingleses irão mais longe. Alemanha e Estados Unidos reeditarão o confronto das quartas em 2002 – que, diga-se, foi uma pedreira para os futuros vice-campeões. Já imaginaram se o time do Ashton Kutscher resolve jogar como fez na Copa das Confederações? Ah, melhor não arriscar…

Mmmhhh… Quem mandou inverter o Grupo A? Argentina e França! Não me importaria se um atentado alienígena abduzisse os dois de uma vez, mas ultimamente ando com mais raiva da França. Para não cair em contradição, uma zebrinha passeando no duelo entre Holanda e Paraguai… Itália e Camarões é outro destes confrontos imprevisíveis, mas vamos na aposta segura. Opa! É aqui que a Espanha vai dançar: diante de Costa do Marfim! Finalmente, um confronto sul-americano semelhante ao da Copa de 98: Brasil e Chile. O placar poderia ser o mesmo, não? 4 a 1 pra nós.

Minha maluquice paraguaia gerou o confronto mais inusitado das quartas-de-final: ao invés de um previsível e emocionante Brasil e Holanda, teríamos… Brasil e Paraguai! Rá! Em outro duelo distante do óbvio, a Inglaterra enfrentaria o México, e não a França, a caminho das semifinais. Itália e Costa do Marfim reforçariam minha teoria “tem africano entre os quatro”. O quarto jogo seria a revanche de 2006, entre argentinos e alemães. Querem saber? Depois dos percalços nas Eliminatórias, nuestros hermanos vão renascer das próprias cinzas e partirem para a decisão.

Agora é palpite puro: Argentina x Costa do Marfim, Brasil x Inglaterra nas semifinais. No fundo, sinto que minhas escolhas seriam estas mesmo, independente de classificações e confrontos anteriores… Mas seria legal se fosse assim, não? Melhor ainda seria a conquista do hexa sobre nossos maiores rivais, numa decisão perfeita para torcedores e investidores. Que tal?

¡Ay caramba, que pesadelo!

Por Marmota | 13/09/2009, 23h28

Quando Don Diego vestiu a camisa da seleção brasileira, num comercial de guaraná às vésperas do vexame canarinho em 2006, o segundo melhor jogador de futebol de todos os tempos anunciava viver um “pesadelo”. É até risível pensar isso de um homem que, em 2004, atravessou problemas que começavam com excesso de peso e terminavam em dependência química, levando a imprensa cravar manchetes do gênero “Maradona à beira da morte”. Não à toa, muitos argentinos o enxergam como deus.

Mas enfim. Maradona já foi “pibe de oro”, craque de bola, capitão da seleção, amigo de Fidel e de Hugo Chavez, ex-viciado em cocaína, ex-ipertenso e quase morto, ex-apresentador de TV, dirigente vitalício do Boca Juniors e ídolo de uma religião. Nos últimos meses, assumiu um insólito desafio: treinar “La Selección” e conduzi-la ao tricampeonato mundial de futebol na África do Sul.

Mas ao contrário do treinador de seu maior rival (também um ex-jogador sem experiência anterior como técnico de uma grande seleção), Deus Diego está prestes a conduzir um milagre: deixar a Argentina fora de uma Copa do Mundo, algo que não acontece desde 1970. Depois da derrota para o Brasil em Rosário, as chances matemáticas de garantir uma das quatro vagas era de 60%, segundo Tristão Garcia. Veio a derrota pro Paraguai e as chances caíram para 26%.

Há quem ignore a calculadora e preveja um duelo faiscante no mais antigo e tradicional clássico sul-americano, entre argentinos e uruguaios, na última rodada das eliminatórias (imaginando que o time vença o lanterna Peru antes). E por mais que Don Diego não tenha lá muito traquejo como treinador, Carlos Bilardo, seu ex-treinador em 1986 e atual diretor de seleções da AFA, garantiu que ele fica. “Só vai sair se vierem Jesus Cristo ou a Virgem Maria”, diz (ou seja, alguém do mesmo patamar de Maradona, segundo os argentinos).

Para nós, já com o passaporte carimbado para o Mundial (e como diria Galvão, ganhar é bom; da Argentina é ainda melhor!) e com um time aguerrido e focado como há muito não se via, assistir ao pesadelo alviceleste certamente nos divide. Confesso que, num primeiro momento, imagino o quanto seria divertido vê-los disputando a repescagem contra algum time qualquer da Concacaf (hoje seria a Costa Rica, que não é aquela baba). Ou melhor: simplesmente acompanhar ao Mundial do sofá, diante da TV…

Mas pensando bem, preciso admitir que nossos vizinhos são muito mais apaixonados pela pelota do que nós. Passionais. Dramáticos. Loucos. Já teve a chance de visitar Buenos Aires? Pois quando isso acontecer, diga a eles que é brasileiro. Dificilmente haverá hostilidade: a primeira reação normalmente é a de respeito e alegria, como se quisessem celebrar o bom futebol – algo que, para eles, é uma característica comum entre as duas nações.

E aqui ignoro o argumento financeiro, envolvendo a Fifa, a imprensa esportiva ou empresas de qualquer ramo à espera da Copa, loucos para associarem suas marcas à paixão pelo futebol, facilmente resumido em um “Copa sem Argentina não dá dinheiro”. A bem da verdade, Copa sem Argentina é deixar do lado de fora gente entusiasmada que vê um jogador excepcional e, ao invés de vê-lo apenas como um promissor garoto-propaganda, o chama de deus.

E a ausência destes apaixonados, em detrimento ao negócio puro e simples, pode ser chamado de pesadelo, não?

(Este comercial da cerveja Quilmes, em alusão ao Mundial da Alemanha em 2006, consegue representar bem essa paixão argentina pelo futebol. Não te dá um pouquinho de inveja?)

Holanda campeã mundial (não oficialmente)

Por Marmota | 29/08/2009, 02h49

Há quem lamente muito o fato daquele esquadrão comandado por Rinus Michels, a popular “Laranja Mecânica”, de não ter conquistado nenhum título mundial quando teve a chance, tanto em 1974 quanto em 1978 – sem o treinador e o líder Cruijff, que moldaram seu futebol total, mas ainda com talento que parou nas armações que encaminharam a Argentina para seu primeiro título. Ainda assim, é uma seleção simpática: só não torci por eles em Copas nos dois confrontos com o Brasil (1994 e 1998) e naquela partida épica diante dos portugueses em 2006.

Agora, pelo menos uma entidade considera os holandeses campeões mundiais – e não estamos falando daqueles brincalhões do IFFHS.

Foi a partir do Ubiratan Leal que conheci o “Unofficial Football World Championship”. Basicamente, é como em uma disputa de título aos moldes dos cinturões de boxe: quem vencer a partida, é o campeão. As estatísticas remontam às duas seleções mais antigas do planeta. Inglaterra e Escócia alternaram a posse da taça a partir de 1872, 58 anos antes de Jules Rimet criar a Copa do Mundo.

A brincadeira foi criada pelo jornalista britânico Paul Brown e inspirada em fãs escoceses, que celebram o fato de seu país ser a maior seleção de futebol de todos os tempos. Isso segundo a UFWC, lógico. Afinal, contando o primeiro confronto internacional de seleções, praticamente apenas ingleses e escoceses se enfrentavam entre 1872 e 1930 – nesse período, País de Gales conquistou seus “títulos mundiais” também.

Esse divertido sistema, que conta qualquer partida oficial da Fifa como potencial decisão, gerou campeões mundiais não-oficiais bastante inusitados. Venezuela, Israel, Coréia do Sul, Antilhas Holandesas, Austrália e Zimbábue, por exemplo, já conquistaram o título. Mais: no período entre 1939 e 1950, quando a Copa foi interrompida pela II Guerra Mundial, o tíitulo continuou em disputa – inclusive com alemães e italianos vencedores.

A seleção brasileira, a “melhor do mundo” segundo a Fifa, é apenas a quinta melhor na UFWC, por ter conquistado o “cinturão” por apenas 29 partidas – foram sete períodos. Uma destas oportunidades coincidiu com uma final de Copa do Mundo: Brasil 5 x 2 Suécia, em 1958. A última conquista brasileira também coincidiu com um Mundial: em 1998, quando derrotamos a Holanda nas semifinais, tomamos o título que acabara de ser tirado dos argentinos, nas quartas-de-final. A faixa durou apenas uma partida, já que os franceses fizeram questão de “unificar” os títulos…

Mas enfim. Os brasileiros estão atrás de escoceses, ingleses, argentinos, russos e holandeses – que, diga-se, são os atuais detentores do título. Além daquela semifinal de 1998, o Brasil teve outro duelo não-oficial pelo título: também numa semifinal, exatamente diante da “Laranja Mecânica” em 1974. Aquele jogo onde, dizem, Zagallo desdenhou da capacidade holandesa, então campeões não-oficiais, e levou 2 a 0. Outra coincidência: houve unificação dos títulos tanto a final de 1974, diante da Alemanha (a “Argentina” deles) quanto a de 1978 contra a nossa rival, já que em ambas a Holanda entrou campeã e saiu frustrada…

É óbvio que, nesse sistema, a única chance do Brasil reconquistar o título é num eventual encontro casual com o campeão não-oficial, seja em amistosos ou em competições oficiais. Por outro lado, prestem atenção no próximo sábado. Além de Brasil e Argentina, teremos outra partida importantíssima: Holanda e Japão, valendo o título da UFWC.

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