Afoitos ou apaixonados demais pela Seleção?
Luciana
No dia do jogo Brasil x França da Copa de 2006, tínhamos um aniversário para ir. Era de um bebê – neto de uma amiga da minha mãe – que fazia um ano naquela data.
Fiquei totalmente pra baixo com a derrota do Brasil e não tinha ânimo algum para ir pra tal festa, mas minha mãe insistiu muito, disse que seria uma desfeita com a amiga dela, que a criança não tinha culpa da Seleção ter perna de pau e que seria um modo da gente se distrair e esquecer a desclassificação do Brasil.
Enfim.
Chegamos lá, a surpresa: os pais de primeira viagem, ingênuos como duas portas, fizeram o aniversário com o tema… BRASIL E COPA DO MUNDO!
Tudo no aniversário era verde e amarelo: balões, bolo, pratinhos, copinhos, garfinhos, gardanapos, toalhas de mesa… Até a roupa do palhaço!
Nas paredes, imagens dos jogadores desenhadas e coloridas em pedaços de isopor.
O horror!
Era como se o aniversário inteiro fosse uma grande alegoria da derrota. A expressão nos rostos dos pais era de constrangimento puro… De “ah, se arrependimento matasse”.
Acho que a única pessoa relax ali era o aniversariante que não estava entendendo absolutamente nada do alto do seu um ano de idade – talvez as crianças que ainda não ligavam muito pra futebol também e, com certeza, minha mãe também não dava a mínima, afinal, desistiu da Seleção desde 82…
O fato é que todo ano, mais ou menos nessa época de junho/julho, eu me lembro daquele aniversário. Um dia o menino vai ver as fotos, vai saber do tal “tema” e vai perguntar sobre o placar daquele dia. E a cara no chão dos pais afoitos vai vir à tona outra vez.
Afoitos ou apaixonados demais pela Seleção?

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