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	<title>Blog da Copa &#187; áfrica</title>
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	<description>Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!</description>
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		<title>Considerações aleatórias sobre Zimbábue, Tanzânia e outras africanices</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 18:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura e tradições]]></category>
		<category><![CDATA[Seleção brasileira]]></category>
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		<description><![CDATA[Então a seleção do Dunga terminou, nesta segunda, sua preparação pré-Copa. Aos moldes dos Mundiais anteriores, as &#8220;andorras&#8221;, &#8220;malásias&#8221; e &#8220;lucernas&#8221; da vez foram Zimbábue e Tanzânia. Duas vitórias pra animar o grupo e dar ritmo de jogo: respectivamente, 3 a 0 e 5 a 1 &#8211; esse último um, como diria Galvão Bueno, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então a seleção do Dunga terminou, nesta segunda, sua preparação pré-Copa. Aos moldes dos Mundiais anteriores, as &#8220;andorras&#8221;, &#8220;malásias&#8221; e &#8220;lucernas&#8221; da vez foram Zimbábue e Tanzânia. Duas vitórias pra animar o grupo e dar ritmo de jogo: respectivamente, 3 a 0 e 5 a 1 &#8211; esse último um, como diria Galvão Bueno, é daqueles feitos que o autor, Azziz, vai contar aos bisnetos. E que, obviamente, Gomes fará de tudo para as gerações seguintes esquecer.</p>
<p>Numa observação totalmente superficial, tudo o que poderíamos dizer sobre os dois países é: &#8220;duas babas que talvez não precisássemos enfrentar e que, pelo visto, ficam na África mesmo&#8221;. O que não quer dizer muita coisa diante de observações pertinentes que ouvi, como &#8220;não é ali que vive o Demônio da Tanzânia, de onde saiu aquele personagem do desenho?&#8221;. Alguns mais iniciados talvez citem A Cor do Som ao lembrar que a ilha de Zanzibar pertence à Tanzânia. &#8220;A luz de Jezebel no céu de Zanzibar, feliz meu coração zumbiu no corpo dela alicolôtalá&#8221;. Não? </p>
<p>Enfim, bem vindo ao clube dos brasileiros que, diante desse início de cobertura massificante, enxergam estereótipos que definem a África como &#8220;uma coisa só&#8221;. Mais ou menos como muitos estrangeiros encaram o Brasil, não? Parece besteira, mas é só observar os símbolos do Mundial, como a bolinha que apresenta os boletins informativos da Globo. A Copa é na África? Por que não usar o desenho do continentem todo?</p>
<div align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2010/06/africa_continente.jpg" /><br /><i>A bolinha da Globo, sobrepondo um mapinha em francês.</i></div>
<p>Lógico que é pedir demais, mas o Mundial é uma tremenda oportunidade para &#8220;destrinchar&#8221; ao menos em parte algumas questões que nos ajudariam a entender o continente. Especialmente a colonização européia, algo que em parte é bastante semelhante ao que vimos nas Américas. Com duas diferenças fundamentais. A primeira: quando belgas, franceses, alemães, britânicos, italianos, portugueses e espanhóis &#8220;partilharam&#8221; a África, ignoraram solenemente a estrutura tribal que já existia. As centenas de etnias foram praticamente &#8220;rearranjadas&#8221;, de modo que alguns aliados se separaram &#8211; e inimigos foram obrigados a conviver na mesma demarcação.</p>
<p>A segunda: tal processo de colonização, numa escala histórica, se desenrolou ao menos cem anos depois do que houve do outro lado do Atlântico. Salvo exceções como Egito ou a própria África do Sul, cujo processo de independência e contexto histórico possuem características bem peculiares, as outras nações levaram mais tempo para se &#8220;desprender&#8221; da colônia &#8211; em alguns casos, envolvendo conflitos. Alguns países que declararam sua independência há algumas décadas estão engatinhando em praticamente todos os campos do desenvolvimento. Essas duas situações explicam muita coisa.</p>
<p>Isso vale para aqueles que falam o nosso idioma &#8211; e isso é algo que ainda me deixa encafifado. Os angolanos, certamente os ex-colonizados mais lembrados por aqui, consomem muita coisa oriunda do Brasil. Desde canais de TV, tornando conhecidos nomes como Luciano Huck e Banda Calypso, até a literatura &#8211; o próprio domínio português fez com que Jorge Amado fosse melhor recebido que Eça de Queirós.</p>
<p>E é incrível como o inverso não acontece: são raras as notícias vindas dos nossos &#8220;primos semânticos&#8221;. Pessoalmente, ficaria feliz se um dia tivesse a chance de conhcer Luanda, Maputo ou, melhor ainda, Cidade de Praia, em Cabo Verde. Nesse aspecto, seria muito bacana ver a Seleção atuando em Moçambique &#8211; tão próximo quanto a Tanzânia geograficamente, mas bem mais encostado levando em conta o idioma.</p>
<p>Enfim, acabamos no Zimbábue, país mais pobre do continente. Nesse sentido, a presença do time de Dunga poderia remeter ao amistoso no Haiti, em 2004. Acabou passando outra impressão, bem estranha: como os milhões de dólares do cachê foram desembolsados por Robert Mugabe, ditador sanguinário no poder desde 1980, ficou claro que a partida teve caráter essencialmente populista. Posição da CBF? &#8220;Não temos nada com isso. Fomos jogar futebol&#8221;. Pagando bem, que mal tem, não é? Ah, em tempo: o que foi aquele hino executado pela fanfarra do colégio?</p>
<p>Já a Tanzânia, do monte Kilimanjaro e do azul de Jezebel na luz de Calcutá, surpreendeu em outro aspecto: graças a histórica parceria comercial dos africanos com a China, a cidade de Dar es Salaam possui, em sua periferia, um estádio padrão Fifa no meio do nada &#8211; como os arredores do Mangueirão, em Belém. Tanto ali quanto em Harare, na última quarta, os ingressos nada tinham a ver com os padrões da população local. Fica a lição para 2014, hein?</p>
<p>Bom, devo ter dito algumas besteiras nas últimas linhas. Fiquem à vontade para compartilhar seus conhecimentos, além de boas fontes de informação&#8230; Vamos precisar delas nos próximos dias.</p>
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		<title>Corneta vuvuzela não!</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Jun 2009 21:03:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marmota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquibancada e arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Voz do torcedor]]></category>
		<category><![CDATA[áfrica]]></category>
		<category><![CDATA[corneta]]></category>
		<category><![CDATA[torcida]]></category>
		<category><![CDATA[vuvuzela]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei quanto a você, mas algo me incomodou nessa primeira semana de &#8220;ensaio para a Copa do Mundo&#8221;. Assistir a um jogo da seleção brasileira, seja pela TV ou num estádio na África do Sul, se torna desafiador graças a um incômodo zumbido ao fundo. Trata-se da corneta vuvuzela, um instrumento sonoro, de origem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://dialetica.org/copa/files/2009/06/novuvuzela.jpg" alt="" /></p>
<p>Não sei quanto a você, mas algo me incomodou nessa primeira semana de &#8220;ensaio para a Copa do Mundo&#8221;. Assistir a um jogo da seleção brasileira, seja pela TV ou num estádio na África do Sul, se torna desafiador graças a um incômodo zumbido ao fundo. Trata-se da corneta vuvuzela, um instrumento sonoro, de origem kudu, que representa a alma dos torcedores em campo.</p>
<p>Ou seria melhor dizer alma penada! Respeito as tradições sul-africanas e seu modo alegre e espontâneo de torcer &#8211; aliás, isso me chamou a atenção nos primeiros treinos do Brasil em Bloemfontein. Mas convenhamos: atrapalha, incomoda, enche o saco&#8230;</p>
<p>&#8220;Sem a vuvuzela, não sei se estamos aptos a apreciar o futebol. Ela traz uma atmosfera especial aos estádios&#8221;. A declaração, pinçada no <a href="http://www.fifa.com/confederationscup/news/newsid=1073689.html" target="_blank"><strong>site da Fifa</strong></a>, é de <a href="http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/copa-das-confederacoes/ultimas-noticias/2009/06/25/ult7540u178.jhtm" target="_blank"><b>Sadaam Maake</b></a>, inventor do instrumento e considerado &#8220;torcedor número um&#8221; do país (lembrei agora do <a href="http://videolog.uol.com.br/video.php?id=85051" target="_blank"><strong>Gaúcho da Copa</strong></a>). Enfim, eu nunca vi ninguém proibir uma manifestação cultural &#8211; menos ainda a Fifa, que <a href="http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/copa-das-confederacoes/ultimas-noticias/2009/06/19/ult7540u97.jhtm"><strong>já se posicionou</strong></a>, nas palavras de Sepp Blatter: &#8220;os treinadores e jogadores devem se adaptar&#8221;.</p>
<p>Os sul-africanos podiam celebrar com moderação, alternar o som tribal com batuques, gritos de guerra, entre outras manifestações. Cultuar suas tradições com o direito que merecem, respeitando o nosso de assistir a um jogo sem zoeira. Seriam respeitados e admirados mundialmente. Mas já posso vê-los estorvando com essas cornetas de plástico vagabundas, reverberando para os quatro cantos como se o apocalipse estivesse chegando.</p>
<p>Nesse caso, tanto eu (e certamente outros incomodados) amaldiçoaremos esses cururus até o fim da Copa: ou vocês maneram, ou posicionem vossas vuvuzelas naqueles orifícios impronunciáveis. E que seus beiços rachem, seus pulmões explodam e seus ouvidos zumbizem. E quem estiver de acordo (ou não) pode contribuir com suas ofensas.</p>
<p><strong>Atualizado</strong>: o Ubiratan Leal (que não tem nada contra as <a href="http://www.balipodo.com.br/index.php?p=4134" target="_blank"><strong>Vuvuzelas do Apocalipse</strong></a>) dá o link para um blog que faz campanha contra: <a href="http://banthevuvuzela.blogspot.com" target="_blank"><strong>Ban the Vuvuzela</strong></a>. Pessoalmente, eu apoio essa campanha.</p>
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