Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

Arquivos: Seleção brasileira

Os problemas de uma revista semanal…

Por Marmota | 30/07/2010, 11h44

Vejam só que coisa: imagine se um alienígena ou qualquer outro que passou a semana no mundo da lua folheasse a Revista Época nesta sexta-feira – exatamente o que fiz com a que perambula pela casa desde terça – e começasse a ler a página a seguir:

Basicamente: “Muricy, tricampeão brasileiro, foi escolhido pela CBF e fará sua estréia em 10 de agosto”. Ah sim, tem um trecho que isenta os repórteres: “Só faltou combinar sua saída com o Fluminense”.

Em tempo: alguém pode confirmar se as outras revistas semanais caíram na mesma pegadinha no dia do fechamento?

Qual a diferença entre a Ferrari e a seleção?

Por Marmota | 27/07/2010, 20h13

Então, durante uma rápida sapeada na televisão sexta-feira passada, ouço Tiago Leifert anunciar, com alegria: “Muricy Ramalho é o novo técnico da seleção brasileira!”. Passei o resto do dia alienado, mas raciocinando um texto pinçando, entre outras referências, na entrevista à revista Brasileiros concedida pelo treinador há um ano e meio. Ao mesmo tempo, fiquei imaginando a expressão do Doni e de outros torcedores do São Paulo, imaginando que Ricardo Teixeira corrigiu uma injustiça de, ao menos, quatro anos.

De repente, quando acordo na manhã seguinte, descubro que o treinador era Mano Menezes. Dias depois, celebrado por boa parte dos torcedores, tratou de atender ao pedido do chefe e iniciar sua renovação, chamando alguns dos atletas que poderiam ter sido chamados antes – ao menos até a equipe tropeçar e ser questionada, como de praxe.

Mas ué… Mas o Muricy não havia aceitado? Aconteceu alguma coisa?

Brasileiros apaixonados por esporte enxergam todo tipo de hipótese quando situações absurdas acontecem. E vou ser franco: um treinador negar o convite para ocupar o posto máximo de sua profissão é bastante esquisito. Concordo que, assim como Felipão, Muricy demonstrou respeito a seus contratos com os clubes – mas com uma diferença fundamental: ele foi convidado e chegou a dizer “pode ser, só preciso ver com o clube”, enquanto Scolari negou sempre.

Enfim, não fosse outra situação absurda no fim de semana, talvez os brasileiros não comentassem tanto a não-ida de Muricy. No fim, os holofotes se voltaram para o GP da Alemanha de Fórmula 1.

Como este blog não discute automobilismo, vamos apenas ao que interessa: engenheiros da Ferrari deram a entender que o brasileiro Felipe Massa deveria abrir caminho para o espanhol Fernando Alonso, em tese mais veloz. Ao invés da manobra ser decidida no braço (como deveria ser), foi uma “canetada” que determinou o resultado.

Indignações pipocaram mundo afora, e as discussões a respeito das “mutretas” associadas à Fórmula 1 voltaram com força total: afinal, como é possível vibrar diante de uma modalidade onde interesses de equipes e envolvimentos financeiros superam aquilo que realmente importa ao torcedor? Como fica a imagem de um piloto que, mesmo agindo corretamente diante da lógica comercial, agora ficou rotulado com a imagem de “alguém que não peitou o sistema e, por isso, não tem fibra pra ser campeão”?

E o que isso tem mesmo a ver com Muricy na seleção?

Vi a história a seguir pela primeira vez com o Vitor Birner. Sim, Muricy ganhou pontos com sua torcida ao dizer que respeitará seu contrato, mas por outro lado a decisão pode ter um componente altamente político. Roberto Horcades, cardiologista e presidente do Fluminense, era amigo de Ricardo Teixeira, o que lhe rendeu uma indicação na Comissão Médica da Fifa.

Pois Horcades votou em Fábio Koff nas últimas eleições do Clube dos 13 – o candidato da CBF era Kléber Leite. Em resposta, teve seu cargo na Fifa exonerado. A negativa ao convite a Muricy pode ter sido uma resposta ao presidente da CBF. A diferença entre os motivos de Massa e de Horcades é que todos ouviram sobre o primeiro no rádio da equipe…

Muitos amantes do esporte chegaram a declarar com força que não mais acordarão cedo para assistir a Fórmula 1, por conta de tanta palhaçada. Imaginem se a legião que acompanha o futebol explorasse episódios como o da indicação de Muricy, o veto ao Morumbi, entre outras histórias que fazem o jornalista inglês Andrew Jennings definir a Fifa como uma máfia (aqui e aqui duas entrevistas bombásticas, reproduzidas pelo Juca Kfouri)… O efeito seria exatamente o mesmo, não?

Enfim, ao menos nos próximos meses, Mano Menezes e os Meninos da Vila tratarão de anestesiar a sujeira – ao menos até a próxima “marmelada”.

Fim do mundial das surpresas

Por Marmota | 13/07/2010, 14h38

#NED 0 X 1 #ESP (11/07) – Para arrematar os resuminhos da disputa na África do Sul e seguir com este espaço rumo à 2014, reproduzo aqui a capa do jornal Esto, publicado no dia do confronto entre mexicanos e argentinos.

“Revancha”, isto é, revanche, representada múltiplas vezes, como se quisessem dizer ainda rivalidade, vingança, raiva. Como se uma vitória ou um potencial título não fosse suficiente, muitas vezes é este sentimento que move torcedores. Não é à toa que uma final Brasil x Argentina vinha sendo desejada; ou, já com as semifinais configuradas, um Alemanha x Holanda. Para um apaixonado por futebol, é como se fosse um Palmeiras x São Paulo, um Gre-Nal. Pode ser que a taça não venha, mas vencê-los ganha importância maior, ainda que momentaneamente.

Pois os mexicanos não conseguiram a revanche. Nem os norte-americanos, que perderam para Gana pelo mesmo placar de 2006. Mas os alemães, contra a Inglaterra, revidaram com a mesma moeda de 66: um gol irregular. Também não deram chance a uma vingança argentina, ao aplicar humilhantes quatro gols nos hermanos, mas fracassaram ao tentar devolver a derrota aos espanhóis na semifinal. Os holandeses, ao eliminarem o Brasil, repetiram 74 e soltaram um “finalmente”, uníssonos, após dois reveses nos anos 90.

Mas a maior das revanches não foi diante de um rival uniformizado, com onze em campo e uma bola. Os espanhóis, favoritos como nunca e, até domingo, derrotados como sempre, venceram não apenas a Holanda, mas a história. Uma nação acostumada a vencedores como Fernando Alonso e Rafael Nadal viu gerações fracassarem desde 1950, última presença espanhola em uma semifinal. Na decisão em Joanesburgo, sonolenta e truncada como nunca se viu, puseram fim a um histórico de “amareladas” com o gol de Iniesta.

Foi, sem dúvidas, uma Copa repleta de surpresas. A começar pela organização sul-africana, que se não foi impecável consegiu dizer ao Brasil algo como “faz melhor que eu quero ver”. Teve uma musa em escala mundial que, pasmem, não era holandesa nem brasileira, mas paraguaia. E entre os catedráticos e especialistas, o mais importante e respeitado foi um singelo octópode. Mesmo a velha máxima de que a camisa pesa em uma final foi para o vinagre, afinal de contas era a Holanda que cumpria esse papel, após duas decisões. Os azarões, agora, passaram a ser eles.

#URU 2 X 3 #GER (10/07) – Se fôssemos seguir a lógica do “peso histórico”, esta poderia ser uma decisão tranquilamente. Aliás, só não foi em 1970 porque Brasil e Itália fizeram o mesmo trajeto de holandeses e espanhóis desta vez. O resultado final também foi o mesmo: Alemanha em terceiro, Uruguai em quarto. Os alemães, recordistas em semifinais, puderam se contentar ao menos com um tetra: a quarta vez que chegaram em terceiro, como em 1934, 1970 e 2006.

E ao contrário da decisão, foi um belo jogo. A Alemanha, apesar de ter reencontrado o poder ofensivo que havia sumido contra a Espanha, levou a melhor apesar do Uruguai ter jogado muito mais. Os nossos vizinhos terminaram a competição de cabeça erguida e com o melhor jogador do torneio: Diego Forlán, que quase mudou a história dessa partida com aquela bola na trave. Já os alemães, além do melhor ataque e das maiores revelações – Ozil e Thomas Muller – deixaram um recado aos brasileiros: em 2014, estaremos melhores. Cabe a organização do Mundial colocá-los pra jogar em Manaus ou Cuiabá…

Breve resuminho da Copa: Tanzânia, Zimbábue, treino fechado, Túlio Tanaka Facts, shosholoza, Shakira, Waka Waka, Tshabalala, Jabulani, cala boca Galvão, terno do Maradona, Green e seu frango, Camarões caídos, o choro de Tae-Se, Suíça apronta pra Espanha, Senderos muito louco, defesa de Valladares, defesa de Enyeama, primeira vitória grega, Uruguai apronta Vuvuzelazzo, chupa Bafana Bafana, gol dos EUA anulado, Eslovênia quase classificada, caquinha do Joachim Low, cavalos da Costa do Marfim, tchau Elano, até mais Kaká “bad boy”, a “mãozinha” do Fabuloso, dunguices na coletiva e a resposta do Tadeu Schmidt, o celular da Larissa Riquelme, o microfone da Sara Carbonero, as minissaias das torcedoras holandesas, Domenech muito louco, Evra mais ainda, chupa França, quase gol da Nigéria, cadê o Messi, cadê o Cristiano Ronaldo, cadê o Rooney gol dos EUA anulado de novo, chupa Sérvia, chupa Itália, Nova Zelândia invicta, Eslováquia classificada, Japão classificado, Pepe x Felipe Melo, fracassou o dia sem Globo, cabeçada de Heinze na câmera, Argentina passa com gol irregular, Alemanha passa com gol irregular, queremos tecnologia na arbitragem, Mick Jagger elimina Inglaterra, Mick Jagger elimina os EUA, chupa Chile, anúncio errado na Folha, David Maravilla, chupa Portugal, chupa Komano, Mick Jagger elimina o Brasil, chupa Felipe Melo, chupa Dunga, Sneijder Bátema e Arjen Robben, chupa Maradona, chupa Argentina, Klose quase recordista, mãozinha de Suárez, chute de Gyan na trave e o melhor minuto da copa, cavadinha de Loco Abreu, Gana perde pênaltis, Cardoso perde pênalti, Xabi Alonso perde pênalti, Larissa Riquelme perde aposta mas sai pelada, jabulanada de van Bronckhorst, jabulanada de Forlán, chute de Cáceres na cara do holandês, cabeçada de Puyol, cadê a Alemahha, Uruguai até o fim, bola na trave de Forlán, duas viradas e terceiro lugar, botinadas holandesas, defesa de Casillas, doze cartões amarelos, um vermelho, gol de Iniesta, Dani Jarque sempre conosco, finalmente a taça, festa espanhola, beijo na Sara Carbonero, viva o Twitter, viva Madiba e viva o polvo Paul.

Rápido, não? Pois a Folha.com conseguiu sintetizar ainda mais o Mundial:

Cinco nomes “fora da curva” para assumir a bucha

Por Marmota | 07/07/2010, 03h49

“Quem será o próximo técnico da seleção brasileira?”. A pergunta, que sempre toma conta das mesas de boteco após as fracas participações brasileiras em mundiais, costumam ser respondidas pela CBF praticamente da mesma forma: “é hora de reformular os procedimetos” ou “vamos trabalhar em conjunto com as categorias de base”. Foi assim há quatro anos, quando Ricardo Teixeira quis abandonar a filosofia anterior e convocou Dunga para o posto.

Novamente, o discurso é de mudança. E ao que tudo indica, Luiz Felipe Scolari será o homem que levará o Brasil ao hexa em meio a pressão das terras tupiniquins. É o meu favorito. Caso ele cumpra seu compromisso com o Palmeiras (o que é bem provável), algum outro começará o trabalho ao final do mês – provavelmente Leonardo, que poderá ficar por uns dois anos. Mano Menezes, que é uma espécie de “Felipão da nova geração”, é o terceiro da lista, catapultado por seus resultados em mata-matas e, por que não, por algum lobby do chefe da delegação brasileira na África, o presidente corintiano Andrés Sanchez.

Os outros nomes ventilados por aí são mais difíceis. Wanderley Luxemburgo é sempre lembrado, para o bem ou para o mal: ele já teve sua chance após o fracasso brasileiro na França, quando era considerado o melhor do Brasil. Muricy Ramalho é muito competente, mas seu temperamento faz lembrar alguns momentos dunguistas. E Ricardo Gomes sequer deveria ser citado após a vergonhosa campanha comandada por ele no Pré-Olímpico para os Jogos de Atenas. E é engraçado como Paulo Autuori, uma das apostas pós-Parreira em 2006 graças ao Mundial conquistado pelo São Paulo, mal aparece nas rodinhas.

Agora, já que o cargo está vago e a discussão tomou conta, por que não imaginar alguns palpites ainda mais difíceis, só para fazer espuma? Imagine como seria se, daqui uns dias, resolvessem anunciar algum dos cinco nomes abaixo para o comando técnico da seleção?

Joel Santana – De todos os nomes brazucas, talvez o de Joel seja o menos comentado – talvez perca para Zico, que pode contar com rejeição menor, mas que já anunciou jamais voltar a trabalhar com a atual cúpula da CBF. Mas ao declarar que “sonha em comandar a seleção em 2014″ para a mídia, Joel começou a fazer barulho. De fato, é realmente curioso o fato de um treinador carioca, com 30 anos de história e passagens por clubes do mundo todo no currículo, jamais tenha sido chamado.

Experiente ele é. Agora, suas virtudes poderiam ser questionadas pelo torcedor mais corneteiro. A bem da verdade é que o estilo “paizão” do Natalino poderia combinar com um time jovem e alegre. E nem seria necessário falar inglês, como na passagem frustrada pela África do Sul – apesar dele ter levado os Bafana Bafana a uma semifinal, hein?

Paulo Roberto Falcão – Aqui um representante da linha “se é tão fácil enxergar o que pode ser feito segurando um microfone, por que não põe a mão na massa?”. Colocar um narrador ou comentarista para treinar a seleção, evidentemente, não é uma coisa que funcionaria tão bem como nas vésperas da Copa de 70, na passagem de João Saldanha. Daria pra imaginar um Galvão Bueno treinando a seleção? Nesse aspecto, o nome mais interessante é o do eterno ídolo colorado e “Rei de Roma”.

Nos bastidores, dizem que Falcão sequer viajou à África pois está mais preocupado com seus planos em voltar a exercer o cargo de técnico. “Ah, mas ele já teve sua passagem pela seleção em 90″, vão lembrar alguns. Pois é, graças a ele a tal “reformulação” realmente aconteceu, parando na Copa América… E o que houve com o Brasil na Copa seguinte? Venceu comandado por um treinador experiente, dando continuidade ao trabalho dele. Por que não tentar de novo?

José Mourinho – Sinto muito, acabaram os bons nomes brasileiros. As três sugestões restantes implicam em algo que fere profundamente o orgulho nacional: nunca um técnico estrangeiro seria chamado para assumir o cargo. Menos ainda tendo como planejamento o Mundial realizado em nosso próprio país. Agora, seria uma experiência interessante se algum dos treinadores que já declararam “sonhar com um trabalho no Brasil” como Sven-Goran Eriksson ou Bora Milutinovic, passassem pelo país por um ano ou dois. E se é pra pensar num estrangeiro, comecemos por uma unanimidade, que poderia até mesmo ficar até 2014: o “Luxemburgo da Europa”, que já tem inúmeras biografias publicadas de tão bom que é.

Uma vantagem seria vista com bons olhos: o atual campeão europeu não teria qualquer problema com o idioma. José Antônio Lima, do excelente Esporte Fino, é um dos que gostariam de vê-lo por aqui. “A amarelinha serviria perfeitamente para o ego do português e ele certamente provocaria uma revolução muito necessária no futebol brasileiro. Faria os jogadores, na seleção, desempenharem funções táticas diferentes das tradicionais, mostrando um caminho que os técnicos brasileiros simplesmente desconhecem”.

Marcelo Bielsa – Ainda na linha “experimentos impossíveis”, um nome que se encaixa perfeitamente ao discurso de ofensividade e retorno ao “futebol arte”, característica desprezada pelo futebol brasileiro nos últimos anos, seria o de um entusiasta do ataque. O trabalho de “El Loco” Bielsa no Chile fez com que os deputados do país chegasse a oferecer “nacionalidade chilena” por ter resgatado a auto-estima dos “rojos”.

Tenho certeza de que o Brasil de Bielsa encheria os olhos do torcedor, desde que não se importassem com um pormenor aparentemente irrelevante: Bielsa é argentino. Como se não bastassem, poderiam dizer ainda que, quando teve a chance de comandar um time de ponta (a Argentina de 2002), ficou na primeira fase do Mundial. Enfim, diga com franqueza: algum técnico no Brasil possui perfil parecido?

Guus Hiddink – Lembro quando o Inagaki, entusiasmado com o título do Barcelona na Champions League de 2006, cogitou o nome de Frank Rijkaard como treinador da seleção. Na época, o holandês entusiasmava ao comandar um time com três homens no ataque – Giuly, Eto`o e Ronaldinho Gaúcho. “Sem falar que ele conseguiu fazer o Belletti jogar! O Belletti!!!“, comentava na época.

O ex-parceiro de Gullit e Van Basten no time campeão europeu de 1988 está na Turquia, longe dos holofotes. Mas a idéia de tomar emprestado o método holandês de comando poderia ganhar nova força, especialmente em função da presença laranja na decisão da Copa. E entre os treinadores, não há melhor opção do que Guus Hiddink – que, convenhamos, fez muita falta na África do Sul. Se ele ou qualquer um dos três anteriores fizessem um bom trabalho, com certeza o brasileiro nem se importaria com detalhes como nacionalidade.

De volta à realidade, seja bem-vindo, Leonardo. E até daqui um tempo, Felipão.

Em tempo: não deixe de ver as sugestões de Felipe Lessa, no De Primeira. Bem melhores que as cinco acima.

Quantas vezes você viu o Brasil ser campeão?

Por Marmota | 04/07/2010, 23h42

#NED 2 X 1 #BRA (02/07) – Tudo já foi dito sobre o jogo da última sexta-feira. O entusiasmo do primeiro tempo, o nervosismo provocado pelos holandeses, o gol anulado, o lançamento preciso de Felipe Melo, o toque de primeira do Robinho pras redes, a concentração e a anulação do ataque adversário… Enfim, a bobeada do mesmo Felipe Melo ao fazer uma firula nos instantes iniciais de uma etapa complementar absurdamente descontrolada, a subida do camisa cinco à frente do até então melhor goleiro do mundo, a cabeçada do baixinho Sneijder, aquele cartão vermelho…

Muitos que sopraram vuvuzelas e vibraram com o desempenho da seleção após a vitória nas oitavas bandearam pro lado dos que diziam, antes do confronto decisivo, que este seria o jogo mais difícil, o primeiro adversário mais estruturado, invicto há 23 partidas. Nas longas horas que se separaram entre o apito final do árbitro e o desembarque de Dunga em Porto Alegre, seguido por um bilhete azul válido pra toda comissão técnica, meio mundo passou a procurar os culpados. O técnico foi o primeiro. Lembraram sua inexperiência e falta de opções no banco para decidir. Felipe Melo vem em seguida: toda a mediocridade de um time ficou personificada em um único jogador. Por fim, toda a expectativa sobre Kaká, que declaradamente jogou, no sacrifício, bem abaixo de seu potencial. Soma-se a isso a leitura labial, a análise dos especialistas, a opinião dos psicólogos e as lágrimas da criança.

O mais irônico deste placar é perceber que, em 2006, um treinador campeão, uma equipe recheada de estrelas, badaladas por um quadrado mágico e marcada por uma preparação carnavalesca em Weggis, jogou mais ou menos a Copa inteira e perdeu nas quartas-de-final. Desta vez, eram guerreiros concentrados como nunca, comprometidos com a filosofia e a religião de seus comandantes novatos, sem qualquer badalação. Jogou mais ou menos a Copa inteira e perdeu nas quartas-de-final! Duas receitas absolutamente distintas, com o mesmo resultado prático.

E querem saber mais? Só comecei a ter noção do que representa uma Copa do Mundo a partir de 1982. De lá para cá, foram dois títulos em oito oportunidades. Acreditamos que vamos ganhar sempre, mas devíamos estar acoostumados a perder. Enfim, rumual équissa em casa, daqui a quatro anos.

#URU 1 (4) X 1 (3) #GHA (02/07) – Os primeiros 119 minutos podem não ter sido lá essas coisas: os africanos tínham mais fôlego, mas os uruguaios tínham a raça ao seu lado. Os minutos finais resumem uma epopéia extraordinária: bate-rebate na pequena área, duas bolas salvas pela zaga celeste, sendo uma com a mão, por Suárez. Enquanto o atacante caminhava para o vestiário, Gyan sentiu a Jabulani pesar e, ao chutá-la, a viu bater no travessão. O previsível resultado dos pênaltis, reforçado com as duas cobrancinhas africanas, teve como cereja do bolo a “cavadinha” de Loco Abreu. Meu feeling de que a África teria seu primeiro semifinalista na história não se confirmou, mas diante do que vimos, foi melhor assim. E de uma vez por todas: por mais que Gana jogasse pela África, não é bem assim.

#ARG 0 X 4 #GER (03/07) – Independente do resultado, da humilhação e do fato dos “hermanos” terem caído exatamente na mesma pegadinha do Brasil (enfrentar uma seleção melhor estruturada pela primeira vez), duas coisas podem ser facilmente observadas após a partida épica entre estes dois gigantes. A primeira é que Maradona saiu deste Mundial com o título de maior personagem da competiçao. A segunda é que Klose pode até bater o recorde de Ronaldo, mas se isso acontecer, será a constatação de que esse recorde não representa absolutamente nada.

#ESP 1 X 0 #PAR (03/07) – Por que ficamos com a impressão de que o jogo do Brasil foi o menos emocionante desta fase? Este confronto latino foi outro que mexeu com muita gente. Larissa Riquelme e seu celular aconchegado tinham razões para acreditar que os paraguaios poderiam se classificar, graças ao começo de jogo surpreendente, ao gol (anulado) e ao quase gol (Cardoso também sentiu a Jabulani pesar no pé ao bater o pênalti). A Espanha também teve sua chance desperdiçada numa penalidade máxima, graças a falta de critério do árbitro. O resultado veio num lance de pinball e a celebração de David Villa. Enfim, ao menos uma certeza eu preciso garantir: os espanhóis não serão páreo para os alemães. E o outro finalista bem que poderia ser o Uruguai, apesar da tremenda improbabilidade.

E a alardeada “Mini Copa América” acabou antes de começar, né? Ah sim, ainda resta uma esperança de ver o Brasil na final, já que o Carlos Eugênio Simon ainda não foi dispensado.

Mais no Dialetica.org:
Creative Commons 2008 - 2012 Alguns direitos reservados • Dialetica.org utiliza WordPress 3.3.1 WordPress