Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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“O Brasil vai ser campeão, não tem como”

Por Marmota | 08/07/2010, 07h52

#NED 3 X 1 #URU (06/07) – Quem se programou para assistir a uma partida da semifinal na última terça-feira podia ter certeza de que o Brasil estaria lá. Ainda que a seleção tivesse mal das pernas, uma breve análise da concorrência facilitou prognósticos antes da eliminação: afinal, perderíamos para o Uruguai? Para a Espanha? Ou mesmo para a Holanda?

Claro que não faz nenhum sentido imaginar como seria se, ao invés dos laranjas, fosse o time de Dunga diante dos aguerridos uruguaios. Mas não consegui evitar quando, diante dos mesmos adversários que carimbaram nosso passaporte de volta, vimos um time que conseguiu equilibrar as ações – e melhor: empatou ainda no primeiro tempo com a mesma moeda do gol holandês, uma jabulanada incrível. Analisando friamente, se descontarmos o talento de Sneijder e o oportunismo de Robben, a Holanda tem qualidades, mas não é brilhante.

Enfim, quando um time sustenta 24 jogos de invencibilidade, é difícil mesmo chacoalhá-los: é como se a força tática e os lampejos criativos contassem com um fator intangível, tal aquelas “estrelinhas” a mais num jogo de videogame. Sem dúvidas a Holanda merece participar de sua terceira final de Copa na história, e os uruguaios devem comemorar como nunca a campanha extraordinária, marcada por uma vontade invejável.

Agora, não consigo deixar de me perguntar: não dava mesmo pra vencer a Holanda, o Uruguai, a Espanha? Como é que o Brasil conseguiu vacilar tanto, hein?

#GER 0 X 1 #ESP (07/07) – No início da semana, comecei a levantar uma pesquisa sobre o “Brasil x Argentina” europeu, Holanda x Alemanha. Os germânicos invadiram parte do território que compõe os Países Baixos durante a Segunda Guerra, mas o que realmente enfureceu os holandeses foi a derrota em 1974, exatamente na Alemanha, tirando a taça das mãos dos melhores. Mesmo com outros confrontos decisivos em Mundiais e Eurocopas posteriores, a virtual decisão de 2010 inverteria os papéis: ao contrário daquela decisão, o time leve e envolvente vestiria branco; o forte e aplicado, laranja.

O futebol é fantástico exatamente por isso: não aceita qualquer estatística ou provérbio. Em 80 anos de Copa do Mundo, pelo menos um entre Argentina, Itália, Alemanha e Brasil estiveram em todas as decisões. E a Espanha, que derrotou a mesma Alemanha na final da Euro, nunca teve sorte em Mundiais. Talvez o tamanho desta obviedade tenha feito o comedor de meleca Joachim Jim Carrey Loew optasse por um estilo de jogo absolutamente diferente, priorizando a defesa.

Para alegria do polvo Paul, tal postura fez com que só víssemos a Espanha com a bola. O gol seria questão de tempo, e ironicamente não saiu dos pés de seu talentoso ataque mas sim da cabeça de um zagueiro esforçado e indiscutível símbolo da Fúria, mas estabanado e longe de ser perfeito. Com ou sem Puyol, a Copa do Mundo em continente inédito terá final inédita e campeão inédito. E no sábado, os cinco títulos mundiais desta semifinal estarão apenas no duelo dos perdedores…

Palpites antes do fim

Por Ma | 08/07/2010, 00h17

Antes que a Copa acabe, quero fazer uma retrospectiva de meus palpites mentais em relação aos jogos.

Nos primeiros jogos algumas poucas seleções me chamaram a atenção: a Argentina com um futebol limpo e forte, a Inglaterra jogando bem, a Alemanha arrasando, Espanha mais ou menos e o Brasil fraquinho fraquinho… Até torci um pouco pra Grécia, na esperança que o futebol levasse um pouco de alegria ao país, que passava por um momento delicado frente ao resto da Europa, mas é claro que não adiantava a minha torcida se a seleção não acertava três passes seguidos.

No final da primeira rodada Argentina, Inglaterra, Alemanha e Brasil (quem diria) estavam classificados para as oitavas. A surpresa, pra mim,  ficou com a eliminação de França e Itália, seleções tidas como favoritas.

Não fiquei surpresa com as seleções que se classificaram para as quartas (com a exceção de Gana). Das minhas impressões iniciais, apenas a Inglaterra já tinha se desclassificado. Apostei então minhas fichas na Argentina, que, na minha opinião, contava com um ótimo futebol.

As surpresas reapareceram nas quartas: Brasil eliminado (embora não estivesse jogando bem, eu adoraria que  passasse pra semi, só pra não trabalhar terça-feira \o/) e Argentina eliminada. Quatro grandes seleções fora da semi-final: França, Itália, Brasil e Argentina! Pensava comigo: “Essa Copa está mesmo imprevisível”.

Após a saída da Argentina, apostei minhas fichas na Alemanha! E o que aconteceu? A Alemanha saiu (estou quase me sentindo um Mick Jagger).

Final mais inesperado impossível: Holanda e Espanha.

Acho que vai dar Holanda, mas tô torcendo pela Espanha_ afinal, somos todos hermanos.

Em tempo: o terceiro lugar ficará com a Alemanha. Será? Com a garra dos uruguaios… sei não.

De que são feitos os heróis

Por MarcosVP | 07/07/2010, 17h49

Com três coisas você faz um herói: história, humildade e sangue. E foi isso que mostraram alguns times dessa copa, principalmente um: o Uruguai. Quando os jogadores da seleção celeste aterrissarem em Montevidéo na semana que vem, serão recebidos como heróis. Com justiça, porque o são. O Uruguai não é, há muito tempo, a seleção que assombrou o mundo na década de 20, com títulos olímpicos e mundiais. É uma seleção menor, com nomes de pouca expressão, a última seleção sulamericana a se classificar nas copas, hoje em dia. A seleção das repescagens. Pois esta seleção mostrou nesta copa o que é ser heróico. A semi-final contra o Holanda não foi dramática como as quartas, disputadas contra Gana. Mas foi um senhor jogo de futebol. O Uruguai desfalcado de dois de seus melhores jogadores, Suárez e Lugano, lutou com bravura e raça até o último segundo. Teve contra si, um gol irregular. Teve contra si a exaustão de seu líder, Forlán, que deu tudo o que pode e não aguentou continuar de pé em campo. E por mais que percam de sete ou oito no dia da disputa pelo terceiro lugar, voltarão para casa glorificados como a primeira celeste a chegar a uma semi-final de copa depois daquela de 1970, que era grande mas que teve a má sorte de pegar pela proa o time que escreveu seu nome na história como o melhor de todos os tempos. Fica a lição para os brasileiros. Uruguaios, argentinos e paraguaios voltaram derrotados para casa, mas chegaram à luz do dia, pela porta da frente e foram recebidos com festa e com o carinho da torcida. Dunga foi aplaudido em Porto Alegre por conta de sua história. Lúcio, Gilberto Silva e Júlio César ainda serão reverenciados por sua humildade. O resto não deu o sangue, não teve humildade e nem tem história. Chegaram na madrugada, fugiram pela porta dos fundos, com o eco dos xingamentos ao longe.

Já o jogo Espanha e Alemanha, podia ter sido um dos melhores da copa e não foi. Os meninos de Joachim Löw, só resta dizer, tremeram. A fúria cresceu na copa, seu jogo ficou consistente, a Espanha jogou com uma frieza digna dos… holandeses, vai dizer? O que me leva a crer que a final vai ser um jogo de xadrez, decidida nos detalhes, talvez com placar magro. Aposto num Uruguai x Alemanha mais animado, confesso. Ao final das contas, toda a minha torcida para a Holanda, que me deu parte de meu sangue e que historicamente, merece mais o título. O vice para os espanhóis já será o que de más grande conseguiram numa copa.

E vamos, irmãos, aos últimos palpites desta totalmente excelente copa do mundo:

Bom, é óbvio que meu palpite para Uruguai e Alemanha jamais seria esse. Por mim, eu colocaria a Alemanha de camisa preta e calções e meias brancas. Mas, é assim que eu acho que vai acontecer, no final das contas. Já Holanda e Espanha é mais complicado. Apesar de já ter acontecido duas vezes em copas¹, eu acho que uma seleção com camisa laranja não vai enfrentar uma de camisa vermelha neste mundial. Seria um jogo absolutamente absurdo. Então, se a Holanda é a mandante, eu creio que ela virá toda de laranja – ainda mais pela superstição, pois foi toda de laranja que ela venceu a Eurocopa de 1988. E assim, a Espanha pode ser obrigada a usar a – bela – camisa azul marinho. Podia vir com calções e meias brancas. Mas acho que virá mesmo toda de azul.

E então a gente se encontra no domingo, para encerrar a copa, ok?

¹ Holanda x Bulgária (1974) e Espanha x Paraguai (2002)

Brasil x Argentina? Só se houvesse um “torneio da consolação”

Por Marmota | 06/07/2010, 03h34

Enquanto metade dos palpites para uma decisão previam a Espanha campeã, a outra aguardava com ansiedade o desenrolar da “Copa América” em plena África, prevendo um duelo entre brasileiros e argentinos. Pena que nenhum dos dois favoritos conseguiram demonstrar sua força e já voltaram para casa. Uma pequena inclusão no regulamento, no entanto, permitiria a realização desta partida ainda nesta última semana de Copa do Mundo.

O economista Thiago Barros Ribeiro, certamente baseado nos campeonatos mundiais de vôlei e basquete, pegou emprestado a realização do “torneio da consolação” e sugeriu sua disputa semelhante: confrontos entre seleções já eliminadas para determinar a posição final de cada país. Desde sempre, esta definição leva em conta os pontos obtidos até a eliminação. No caso desta Copa, temos:

PGJVEDGPGCSG

Argentina

1254011064

Brasil

105311945

Gana

85221541

Paraguai

65131321

Japão

74211422

10ºChile

6420235-2

11ºPortugal

54121716

12ºEstados Unidos

54121550

13ºInglaterra

5412135-2

14ºMéxico

4411245-1

15ºCoréia do Sul

4411268-2

16ºEslováquia

4411257-2

17ºCosta do Marfim

43111431

18ºEslovênia

43111330

19ºSuíça

43111110

20ºÁfrica do Sul

4311135-2

21ºAustrália

4311136-3

22ºNova Zelândia

33030220

23ºSérvia

3310223-1

24ºDinamarca

3310236-3

25ºGrécia

3310225-3

26ºItália

2302145-1

27ºNigéria

1301235-2

28ºArgélia

1301202-2

29ºFrança

1301214-3

30ºHonduras

1301203-3

31ºCamarões

0300325-3

32ºCoréia do Norte

03003112-11

Curiosamente, entre os quatro primeiros colocados, temos uma partidinha que envolve os perdedores das semifinais, o que denotaria um tremendo anti-climax. De qualquer forma, por que não confrontar seleções eliminadas para definir as posições finais? Não seria necessário um chaveamento complexo como ocorre no vôlei ou basquete: bastaria mais um jogo para cada país. Sem falar que seria uma saída perfeita para o vazio deixado por dias como o último domingo ou mesmo esta segunda.

O Thiago ainda faz uma proposta interessante, contrastando com o sistema de prorrogação e pênaltis na segunda fase da Copa:

Para não obrigar os jogadores a um esforço excessivo para alguém que já perdeu as chances de título, o TC contaria com regras especiais, inspiradas nos Torneos de Verano argentinos, devidamente adaptadas em nome da emoção. Cada jogo teria 45 minutos e, em caso de empate, iria direto para a disputa de pênaltis. Se um time abrisse uma vantagem de dois gols durante o tempo regulamentar, seria imediatamente considerado vencedor por nocaute.

Observe novamente a tabelinha acima, siga a sequência, ocupe os dias sem jogos e estádios ociosos: a decisão do quinto lugar seria exatamente um eletrizante Brasil x Argentina. Gana teria uma nova chance diante de um sul-americano, enfrentando o Paraguai de Larissa Riquelme. Japão x Chile reuniriam duas boas surpresas da primeira fase. Na sequência: Portugal x EUA, Inglaterra x México, Coréia do Sul x Eslováquia… Até chegarmos a França x Honduras e Camarões x Coréia do Norte e sentirmos saudade daqueles jogos modorrentos das primeiras semanas. Mas tem mais, como lembra o Thiago:

Austrália e Nova Zelândia faria parar toda a Oceania. Os habitantes das grandes ilhas encheriam dezenas de estádios de rugby para acompanhar a batalha. Itália e Grécia decidiriam em campo quem foi o melhor da Antiguidade. Nigéria e Argélia definiriam quem está à frente na disputa entre as Áfricas negra e branca.

A idéia é realmente perfeita para os torcedores apaixonados. Mas teria que contar com o ânimo dos derrotados…

Quantas vezes você viu o Brasil ser campeão?

Por Marmota | 04/07/2010, 23h42

#NED 2 X 1 #BRA (02/07) – Tudo já foi dito sobre o jogo da última sexta-feira. O entusiasmo do primeiro tempo, o nervosismo provocado pelos holandeses, o gol anulado, o lançamento preciso de Felipe Melo, o toque de primeira do Robinho pras redes, a concentração e a anulação do ataque adversário… Enfim, a bobeada do mesmo Felipe Melo ao fazer uma firula nos instantes iniciais de uma etapa complementar absurdamente descontrolada, a subida do camisa cinco à frente do até então melhor goleiro do mundo, a cabeçada do baixinho Sneijder, aquele cartão vermelho…

Muitos que sopraram vuvuzelas e vibraram com o desempenho da seleção após a vitória nas oitavas bandearam pro lado dos que diziam, antes do confronto decisivo, que este seria o jogo mais difícil, o primeiro adversário mais estruturado, invicto há 23 partidas. Nas longas horas que se separaram entre o apito final do árbitro e o desembarque de Dunga em Porto Alegre, seguido por um bilhete azul válido pra toda comissão técnica, meio mundo passou a procurar os culpados. O técnico foi o primeiro. Lembraram sua inexperiência e falta de opções no banco para decidir. Felipe Melo vem em seguida: toda a mediocridade de um time ficou personificada em um único jogador. Por fim, toda a expectativa sobre Kaká, que declaradamente jogou, no sacrifício, bem abaixo de seu potencial. Soma-se a isso a leitura labial, a análise dos especialistas, a opinião dos psicólogos e as lágrimas da criança.

O mais irônico deste placar é perceber que, em 2006, um treinador campeão, uma equipe recheada de estrelas, badaladas por um quadrado mágico e marcada por uma preparação carnavalesca em Weggis, jogou mais ou menos a Copa inteira e perdeu nas quartas-de-final. Desta vez, eram guerreiros concentrados como nunca, comprometidos com a filosofia e a religião de seus comandantes novatos, sem qualquer badalação. Jogou mais ou menos a Copa inteira e perdeu nas quartas-de-final! Duas receitas absolutamente distintas, com o mesmo resultado prático.

E querem saber mais? Só comecei a ter noção do que representa uma Copa do Mundo a partir de 1982. De lá para cá, foram dois títulos em oito oportunidades. Acreditamos que vamos ganhar sempre, mas devíamos estar acoostumados a perder. Enfim, rumual équissa em casa, daqui a quatro anos.

#URU 1 (4) X 1 (3) #GHA (02/07) – Os primeiros 119 minutos podem não ter sido lá essas coisas: os africanos tínham mais fôlego, mas os uruguaios tínham a raça ao seu lado. Os minutos finais resumem uma epopéia extraordinária: bate-rebate na pequena área, duas bolas salvas pela zaga celeste, sendo uma com a mão, por Suárez. Enquanto o atacante caminhava para o vestiário, Gyan sentiu a Jabulani pesar e, ao chutá-la, a viu bater no travessão. O previsível resultado dos pênaltis, reforçado com as duas cobrancinhas africanas, teve como cereja do bolo a “cavadinha” de Loco Abreu. Meu feeling de que a África teria seu primeiro semifinalista na história não se confirmou, mas diante do que vimos, foi melhor assim. E de uma vez por todas: por mais que Gana jogasse pela África, não é bem assim.

#ARG 0 X 4 #GER (03/07) – Independente do resultado, da humilhação e do fato dos “hermanos” terem caído exatamente na mesma pegadinha do Brasil (enfrentar uma seleção melhor estruturada pela primeira vez), duas coisas podem ser facilmente observadas após a partida épica entre estes dois gigantes. A primeira é que Maradona saiu deste Mundial com o título de maior personagem da competiçao. A segunda é que Klose pode até bater o recorde de Ronaldo, mas se isso acontecer, será a constatação de que esse recorde não representa absolutamente nada.

#ESP 1 X 0 #PAR (03/07) – Por que ficamos com a impressão de que o jogo do Brasil foi o menos emocionante desta fase? Este confronto latino foi outro que mexeu com muita gente. Larissa Riquelme e seu celular aconchegado tinham razões para acreditar que os paraguaios poderiam se classificar, graças ao começo de jogo surpreendente, ao gol (anulado) e ao quase gol (Cardoso também sentiu a Jabulani pesar no pé ao bater o pênalti). A Espanha também teve sua chance desperdiçada numa penalidade máxima, graças a falta de critério do árbitro. O resultado veio num lance de pinball e a celebração de David Villa. Enfim, ao menos uma certeza eu preciso garantir: os espanhóis não serão páreo para os alemães. E o outro finalista bem que poderia ser o Uruguai, apesar da tremenda improbabilidade.

E a alardeada “Mini Copa América” acabou antes de começar, né? Ah sim, ainda resta uma esperança de ver o Brasil na final, já que o Carlos Eugênio Simon ainda não foi dispensado.

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