Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Cinco coadjuvantes que roubaram a cena na Copa de 2010

Por Pedrox | 07/07/2010, 23h31

5. Vuvuzelas

Foi o primeiro personagem a aparecer. No ano anterior ao mundial ela já deu o ar de sua graça na Copa das Confederações.

Vuvuzela nada mais é do que um cornetão que as pessoas usam para fazer barulho nos estádios. Segundo a wikipedia, é um instrumento inventado por tribos ancestrais sul-africanas de origem muito antiga que se popularizou no país de Nelson Mandela na década de 1990 quando foi industrializado em massa numa versão feita de plástico.

O costume de soprar vuvuzelas nas partidas de futebol dos times locais foi levado a uma escala internacional. O barulho da corneta africana se tornou parte integrante de todos os jogos da Copa do Mundo e foi tema de diversos posts neste blog.

Se você acha que vai se livrar do zoada insuportável do aerofone africano depois do duelo entre Holanda e Espanha, temo que esteja redondamente enganado.

Se a CBF não proibí-la nos estádios brasileiros, seu ouvido corre sério risco de sofrer com as vuvuzelas no Mangueirão, no Morumbi, no Beira-Rio, no Maracanã ou em qualquer estádio do país.

Vuvuzela é um dos maiores legados da África do Sul para a humanidade.

4. Jabulani

Antes de rolar ela já estava sendo ofendida: horrorosa, bola de supermercado, patricinha… sobrenatural.

A pobre Jabulani nada tem de extraterrena, sua peculiaridade aerodinâmica foi estudada por físicos australianos que constataram que a bola é de fato mais rápida, faz curvas de forma imprevisível e é sentida como sendo mais dura no impacto por causa de sua textura com pequenos sulcos e “aero ranhuras”.

Temida pelos goleiros e odiada pelos atacantes, a bola da Copa nunca teve seu nome tão mencionado – muitas vezes em vão – durante um certame.

Ela virou o álibi perfeito para as falhas dos arqueiros e chutes errados dos artilheiros e ganhou até vinhetas com a voz assustadora de Cid Moreira para ser colocadas durante as transmissões da Globo a cada lance onde a esfera roubou a cena.

Jabulani é uma palavra da língua Bantu isiZulu (um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul) que significa Celebrar. Seu grande legado foi dar novo status aos nomes de bola nos campeonatos de futebol.

P.S.: O Fantástico até fez uma enquete para escolher o nome da bola brasileira da Copa de 2014. Eu acho UMBABARAÚNA muito bom. Qual nome você daria?

3. Mick Jagger

Não convide Mick Jagger para assistir no estádio um jogo do seu time, porque se depender do aproveitamento do vocalista dos Rolling Stones o resultado pode ser contrário ao esperado.

Foi assim com o ex-presidente estadunidense Bill Clinton que convidou o roqueiro para prestigiar a seleção ianque, que perdeu para os ganeses na prorrogação. No dia seguinte foi a vez do cantor não ficar satisfeito com a goleada aplicada pela seleção alemã no english team.

O fracasso nos oitavas de final não intimidou Jagger, que seguiu deixando seu rastro de destruição pelos estádios em que passava na África do Sul. Nas quartas de final levou seu filho brasileiro Lucas para ver a seleção pentacampeã do mundo sucumbir diante da Sneijder e sua trupe alaranjada. Por fim, no dia seguinte, sua torcida para os hermanos argentinos só provocou um dos maiores sapeca ia-iás já sofrido pelos hermanos… 4 a 0 para fazer chorar Maradona e seus filhinhos.

Coincidência ou não, Mick Jagger viu a eliminação das 4 seleções que torceu. Um incrível aproveitamente negativo de 100%. Se tornou o maior pé-frio da copa e a uruca jegueriana foi tão marcante que a única coisa boa que ele ganhou foi uma vinheta exclusiva gravada por Cid Moreira (repare na pronúncia do sobrenome):

Como legado desta Copa, Mick Jagger levou a fama de azarento e um site chamado SupportingJagger.com onde você pode fazer o “rockstar sem sorte” apoiar uma campanha que obviamente você gostaria que desse errado.

2. Larissa Riquelme

Ela provou que não é apenas o porta-celular mais formoso do Paraguai como se mostrou a rainha do marketing pessoal. Pouco me importa se ela usou suas belíssimas Jabulanis para fazer propaganda de celular e de desodorante, o fato é que nunca torci tanto para uma seleção hermana quanto o fiz pelo Paraguai diante da, agora finalista, Espanha. A promessa era que se a seleção Guarany chegasse ao menos na semi-final da Copa do Mundo ela desfilaria nuinha, despida e totalmente pelada pelas ruas de Assunção.

Apesar do infortúnio, a “namoradinha da Copa” não decepcionou sua legião de fãs e fez um ensaio fotográfico no estádio do Cerro Porteño para a alegria de todos os discípulos de Onã do planeta! Integrada às mídias sociais, a musa reativou seu perfil no twitter e abriu um canal no You Tube para capitalizar seu sucesso.

Vasculhando os vídeos dá para ver que ela ganhou uma homenagem de dois brasileiros que compuseram uma música EMO e depois gravaram um vídeoclip para a paraguaia. A atitude – digna de vergonha alheia – foi recompensada com uma mensagem de Larissa para todos os seus admiradores brasileiros. Sintam-se beijados pela musa:

Estou ansioso para ver o legado de Larissa Riquelme nesta copa do mundo: seu ensaio fotográfico.

1. Polvo Profeta

Esqueçam as adivinhações da mãe Diná ou equivalentes e não se deixe envolver pelos complexos cálculos dos matemáticos, ninguém fez previsões tão acertadas nesta Copa do Mundo quanto o morador do aquário Sea Life, em Oberhausen, na Alemanha. Seu nome é Paul e ele é um Polvo. Ele simplesmente acertou TODOS OS RESULTADOS da campanha alemã no mundial (inclusive as derrotas para Sérvia e Espanha).

Dois recipientes contendo a mesma quantidade de alimento (no caso, mexilhão) são oferecidos ao animal dentro do aquário. Em cada pote é colocada a bandeira de uma seleção e o recipiente escolhido pelo polvo é o do ‘provável’ vencedor da partida em questão. Espia o desempenho do molusco espertalhão antes de seu último acerto:

A imprensa alemã recordou que Paul costuma acertar, mas não é infalível, pois na última Eurocopa apostou em uma vitória alemã sobre a Espanha, mas foi a Fúria que levantou o troféu.

“O Povo talvez esteja errado!”

Os alemães bem que tentaram secá-lo, mas o fato é que o animal foi certeiro novamente.

Dizem, no twitter, que os alemãos perderam porque, em consequência da previsão, estavam em polvorosa e que na verdade o octópode “preferiu” a Espanha para fugir de figurar em uma típica e espanhola Paella.

Falta apenas um jogo alemão para definir a invencibilidade do Polvo Profeta na Copa do Mundo de 2010. Será que ele acerta o vencedor da decisão do 3º lugar entre Uruguai e Alemanha? Acertando ou não, Paul já assegurou seu lugar dentre as grandes figuras deste mundial.

Da Tiento à Jabulani: a evolução da bola nas copas do mundo

Por Pedrox | 04/07/2010, 17h14

O jornal americano The New York Times elaborou, antes do início do mundial da África do Sul, um belíssimo infográfico contando a história das bolas usadas em todas as Copas do Mundo desde a primeira, a Tiento de 1930, até a famigerada Jabulani de 2010.

É um trabalho primoroso, clique na imagem para ver.

Cabalas estúpidas (ou: a Argentina será campeã em 2010)

Por Marmota | 03/07/2010, 07h23

O termo “cabala”, de origem judaica, pode ser interpretado, de maneira grosseira, como sendo um código, uma chave, uma lógica que revela mistérios do universo. Quem souber interpretá-la terá subsídios para predizer o que o futuro nos reserva.

Também é usado por pessoas (como meu amigo Narazaki) que valorizam coincidências para garantir coisas menos relevantes para o nosso povo, como por exemplo qual homem levantará a Taça Fifa ao final da Copa.

A Marília reproduziu aqui esses dias uma tabelinha que dá força para uma destas teorias cabalísticas: desde a primeira Copa do Mundo, em 1930, há um visível equilíbrio entre seleções européias e sul-americanas entre as campeãs: em 18 competições, foram nove para cada lado. Levando em conta apenas as últimas doze (por razões absolutamente convenientes), temos uma curiosa alternância entre brasileiros, europeus e argentinos.

Seguindo a sequência lógica, adivinhe quem seria campeão na África do Sul, meu caro Doni? Há um outro registro cabalístico que direciona o título para Buenos Aires: o número 24. Se levarmos em conta que, desde 1930, ao menos Brasil, Itália, Alemanha e Argentina estiveram presentes nas decisões, estas quatro nações poderão atingir o intervalo máximo de 24 anos entre uma conquista da atual taça Fifa. O Brasil quebrou um jejum desse tamanho em 1994. Os italianos, da mesma forma, em 2006. Assim, a Argentina vence este ano e, obviamente, os alemães proporcionariam o novo “maracanazzo” daqui a quatro anos – afinal, se os sul-americanos faturarem agora, a próxima deve ficar nas mãos de um europeu.

Foi graças a uma dessas cabalas estúpidas que os italianos realmente acreditaram no tetracampeonato na Alemanha, há quatro anos. Desde 1970, a Itália chegou a final da Copa do Mundo apenas a cada três copas, vencendo-as alternadamente. Ou seja: chegou e perdeu em 1970, venceu em 1982, caiu em 1994 e faturou 2006. A próxima, portanto, será em 2018 (provavelmente na Rússia), onde será derrotada. Certamente pela Argentina, para seguir a primeira cabala.

Se bem que, na última Copa, meio mundo ignorou a lógica italiana e acreditou em uma pirâmide vagabunda…

A primeira vez que a tal figura circulou pela web foi exatamente antes do Mundial de 2002. Muitos realmente acreditaram que o pentacampeonato estava devidamente agendado, graças a esta incrível sequência. E graças a esta cabala inabalável, 2006 seria o ano do hexa. E mais: as copas seguintes seguiriam a lógica de 1954 e 1950 – ou seja, Alemanha em 2010 e Uruguai em 2014! Enfim, pra pirâmide seguir algum crédito, os alemães podem lembrar que, em 1954, 1974 e 1990, a equipe enfrentou a Iugoslávia. Este ano também – quer dizer, a Sérvia.

Enfim, Argentina x Alemanha, o duelo mais aguardado destas quartas-de-final (pra muitos mais até que Brasil x Holanda) vai confrontar estas teorias. E querem mesmo saber? Esqueçam a pirâmide, a cabala, os economistas, os matemáticos ou qualquer lógica. Nenhuma delas alcança a imprevisibilidade do futebol – a exceção de algumas certezas inabaláveis, como o eterno naufrágio da Espanha.

Atualizado: como lembrou o Rafael Netto nos comentários, a pirâmide estúpida está sendo reencaminhada novamente, dando o título aos alemães. Talvez esta funcione, já que todas as outras não perguntaram pra nenhum germânico se deixariam realmente a Argentina passar por eles nas quartas-de-final…

Mantenham o verde e o amarelo nas ruas

Por Marmota | 02/07/2010, 05h41

Eu sei que é um tremendo chavão o que escrevo aqui. Mas é comum, sempre após a eliminação do Brasil de uma Copa do Mundo. A gente enlouquece com o desempenho da equipe em campo, chuta a estante, soca a mesa, deixa o churrasco queimar… Depois que as horas passam e a TV desliga, somos golpeados pela realidade.

Então vem a pergunta: por que foi mesmo que perdemos horas de nossas vidas pintando a rua com o desenho daqueles mascotes de sempre? Estendendo linha na rua e amarrando fitas plásticas e bandeiras, suspendendo-as no poste? Gastando nosso pouco dinheiro em camisas oficiais, bandeiras para o carro, vuvuzelas descartáveis?

Até o último jogo da seleção, por mais que a desconfiança sempre acompanhasse o time desde aquela fatídica convocação, cada gol era acompanhado por gritos, pulos e aquela vibração estranha, como se fosse “um orgulho ter nascido nesse país plenamente adaptado para a prática do esporte mais popular do mundo”. Como se fosse delicioso, ao menos uma vez a cada quatro anos, gritar “é Brasil, porra!”.

E é incrível como essa euforia, que poderia perfeitamente reforçar uma pretensa vontade de nos equipararmos também em outras áreas, some completamente quando o juiz ergue o braço e nossas cabeças voltam a cair. As cores passam a representar um vergonhoso “tinha que ser brasileiro mesmo, todo castigo é pouco”. É óbvio que tal cenário é surreal ao lembrarmos que tudo não passa de um jogo, e que na prática, é ridículo falar em “nacionalismo” levando em conta apenas o ufanismo provocado pelas transmissões da TV. Mas será que todos pensam mesmo assim?

De verdade? Ainda gostaria de ver, um dia, os mesmos que se empenham para torcer por um time, transferir este mesmo clima pré-jogo quando ouve falar numa ex-namorada encontrada morta dias depois numa represa, num governador alegando que usa nosso próprio dinheiro para comprar panetones ou construir um estádio no meio do nada, no aumento do pedágio,numa sequência de disputas partidárias que nada ajudam a escolha do nosso futuro… Bem, talvez seja mais fácil imaginar que a gente consiga lembrar dessas coisas durante a disputa de um Mundial.

Esse clima de Copa do Mundo, que incrivelmente não se repete em Olimpíadas, seria perfeito em uma ou outra ocasião do calendário. E não é preciso um time de futebol erguendo uma taça para tal. Por que não torcer para que uma luz inspiradora caia sobre quem deve tomar atitudes – seja pra substituir o Josué ou punir os fora-da-lei? Experimente deixar as bandeiras penduradas, a vuvuzela acessível ou ao menos use mais vezes sua camisa verde e amarela. Isso não nos torna (e nunca nos tornará) patriotas, mas talvez nos ajude a caminhar pela trilha que, por erro ou descuido, Dunga e seus comandados não conseguiram trilhar na África.

Ou ao menos seja útil para não errarmos com o que chamamos de “nosso país”, naquilo que você considera importante para muita gente.

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Ooops, esse texto foi publicado antes do jogo entre Brasil x Holanda, eu sequer imagino o resultado da partida e já anuncio que o Brasil está fora da Copa! De modo que, puxa, acabo de cometer um erro! Como se trata de um blog com acessos poucos (mas qualificados), talvez aceitem minhas desculpas. Mais: por ser uma página web, eu poderia perfeitamente “despublicá-lo”, para evitar o constrangimento de ver a seleção classificada ou, pior, ser chamado de agourento.

Mas enfim, já que errei, ao menos que sirva como sinal de solidariedade ao responsável pelo posicionamento de anúncios na Folha de S. Paulo.

Sabem, textos como o que vocês leram lá em cima já estão prontos em inúmeras redações. Constatamos no episódio do hipermercado Extra que a publicidade também utiliza este artifício. A agilidade de uma redação, somado ao tempo curto, exige material preparado na véspera. É por isso que tanto a mídia impressa quanto a Internet já anunciou desde times campeões até gente morta com antecedência aos moldes da “eliminação” acima: erro ou descuido. Ninguém gosta de errar, evidentemente, apesar da sensação de que a web é mais “irresponsável” que o jornal, já que o papel não aceita correções.


O anúncio equivocado (acima) e o que deveria ter sido publicado: até Abílio Diniz ficou indignado com quem errou…

Errar faz parte da vida, bola pra frente. Convém lembrar, no entanto, de quando ouvi pela primeira vez que esse tipo de coisa acontece: “mas não é pra acontecer, Adilson!”.

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Falando nisso, só pra ficar no que houve após Brasil x Chile, alguém consegue identificar qual o erro bobo que ficou no ar na home do chileno La Tercera durante os 90 minutos e algo mais?

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Um último registro, para defender boas soluções num jornal, sempre o que exige mais criatividade em meio à instantaneidade das novas mídias. Em 21 de junho de 2002, Brasil e Inglaterra jogaram em Shizuoka durante a madrugada, horário ingrato para a mídia impressa. Imagine se o Extra tivesse que programar um anúncio do gênero para o dia seguinte, sendo que não haveria tempo hábil para imprimir e distribuir? A solução poderia ser algo tão genial quanto a capa do Correio Braziliense naquela manhã: bastava “girá-la” para ter a manchete certa.

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