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Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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A última tourada em Johannesburgo.

Por MarcosVP | 11/07/2010, 23h37

Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar.
O mar é das gaivotas que nele sabem voar.
Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar.
Brigam Espanha e Holanda por que não sabem que o mar
É de quem o sabe amar
.

Esta profética canção, que tem o pitoresco título de “Um Cafuné na Cabeça, Malandro, Eu Quero Até de Macaco”, foi gravada por Milton Nascimento no início da década de 80, sobre um poema de Leila Diniz. Um lindo epitáfio para esta bela copa do mundo, intensa, colorida, barulhenta, surpreendente. Muito se escreveu sobre ela, sobre suas histórias – muita coisa legal você podem achar aqui, no coletivo Blog da Copa, do qual eu fiz parte.

Confesso que desde o início, acima mesmo de minha torcida (forçada) pelo Brasil, eu sonhava com uma final entre seleções que nunca haviam sido campeãs. O que eu não esperava era ter torcido tanto pelo redivivo futebol sulamericano. Argentina, Chile, Paraguai e principalmente o Uruguai me fizeram torcer muito, até as lágrimas. Além disso, várias coisas ficaram evidentes. Uma, é que a África ainda não encontrou seu caminho em campo. Apenas Gana se salvou, até o dia em que encontraram uma celeste mitológica pela proa. Depois, ficou claro que existem hoje três europas: uma nova, cheia de vida, de arte e de técnica – Alemanha, Holanda e Espanha – e outra velha, decadente, embolorada – França, Inglaterra, Itália, Portugal – e ainda uma absolutamente distante do que seja o futebol – Suíça, Eslovênia, Eslováquia, Sérvia. As seleções da América do Norte e da Ásia também pouco fizeram.

A final não foi um bom jogo. Não foi um jogo bonito. Espanha e Holanda tiveram mais defeitos que virtudes em sua última partida. O propalado toque de bola espanhol foi anulado por uma marcação implacável – e mesmo violenta – dos holandeses. Já a Holanda falhou onde era sua maior força: as finalizações mortais de Robben e Sneijder. Quando nada mais parecia funcionar, contudo, e a partida se encaminhava para a loteria dos pênaltis, a Espanha, que não desistiu de vencer um só minuto foi recompensada pelo gol salvador do irritante Iniesta. Era a estocada final, a morte do miúra laranja, o fim da tourada, o início da glória do matador. Assim se encerrava a copa de 2010, com uma seleção européia vencendo pela primeira vez fora do velho continente.

Eu, por minha vez, encerro também aqui minha função de palpiteiro, com a felicidade de ter pelo menos acertado o último jogo, inclusive contra notícia que dava conta de que os holandeses viriam com calções pretos. Então, para os que tiveram a paciencia de me aturar durante este longo mês, fica o meu primeiro presente da noite: o luxuoso PDF com todos os jogos da copa.

Agora, deixo aqui minhas últimas opiniões sobre o torneio, com aquilo que mais me chamou a atenção no que é o meu metier: a imagem, a visão, a cena. Como os 11 jogadores, onze imagens desta copa, onze imagens mexeram com minha emoção e que vão ficar na minha memória.


Com tantas câmeras ao redor, nada poderia mesmo passar impune. O primeiro vexame, o primeiro grade erro, capturado pelos olhos de todo um planeta, este coube ao infeliz Green, goleiro da Inglaterra, no jogo contra os EUA. Um frango homérico que lhe custou a posição.


Os vice campeões de 2006 esfarelaram-se na África como um macarrón velho. De um lado, o tresloucado Domenech, o técnico do zodíaco. De outro, alguns velhos remanescentes da geração zidânica. E uma maldição fermentada por meses nos fígados irlandeses.


Em um jogo violento, um lampejo de genialidade, de uma genialidade arte, moleque, insolente. No final, acabou não passando disso. Um lampejo.


Um craque das lentes, das câmeras, das propagandas. Em campo, um jogador pobre, de lances grotescos, de caras, bocas e ao final, arrogância e falta de educação. Triste epitáfio do belo narciso.


Um mito em campo, uma lenda fora dele. Um passa triste, de ombros caídos, sem coração e sangue. O outro lhe tenta acalmar. Não seria ainda a vez do mito em campo nem da lenda fora dele.


A tecnologia é pedida, é exigida. O juizão não viu o gol que Neuer, o goleiro alemão e milhões de pessoas pelo mundo, assistiram. E a Inglaterra pagou uma dívida histórica com o futebol.


A alegria albirroja de Larissa Riquelme, símbolo dos que torcem e acreditam, mesmo que sua camisa não tenha a história das outras, mesmo que seu país não tenha a glória dos outros. Porque amor é coisa que não cabe no peito, sequer na blusa.


A maior defesa de todos os tempos. Trapaça para muitos. Heroísmo para os que entendem verdadeiramente o que é este esporte, este pequeno mundo onde uma forma redonda encaixa perfeitamente entre linhas quadradas.


A cena final de um épico. O dia em que o louco não teve medo de mostrar, diante do mundo e da história, diante dos seus e dos outros, a sua própria genial e debochada loucura.


Brigam Espanha e Holanda, pelos designios do mar. O polvo, ao que parece, os conhecia melhor que todos.


O maestro da celeste é escolhido o melhor jogador da copa. E os olhos deste que vos escreve se encheram de água. Há muito um jogador não me emocionava. Obrigado por tudo, Diego.


E no grande e merecido final, a paradoxal alegria da Fúria.

E aqui me despeço com uma pequena coincidência. Hoje, dia 11 de julho, meu blog Escudinhos completa dois anos. Há exatos dois anos a primeira cartela foi publicada nele. Que venham mais anos. E eu, peço permissão para dizer adeus ao Blog da Copa. Obrigado pela oportunidade, adorei compartilhar este espaço com vocês. Tio Marmota, o Léo agradece mais uma vez pela Jabulani. Pela primeira vez ele resolveu bater bola dentro de casa e quebrar coisas e eu achei lindo.

Um grande abraço.

O último palpite de Paul, o Polvo Profeta!

Por Pedrox | 10/07/2010, 20h28

Eu pensei em torcer para a Holanda nesta final de Copa do Mundo, mas mudei de ideia. Nesta decisão minha torcida é fervorosa pela Espanha e o motivo é bem simples: é a última e mais importante previsão de Paul, o Polvo Profeta, que cravou seu palpite na Fúria.

O molusco, que é um dos coadjuvantes que roubaram a cena neste mundial da África do Sul, ganhou dois concorrentes (um periquito e uma polva holandesa) e já teve suas habilidades proféticas contestadas. Porém (ai, porém), ninguém pode negar o aproveitamento do animal que acertou todos os resultados da Alemanha em seus jogos na Copa da África do Sul.

Resumindo: A voz do POLVO é a voz de DEUS!

A nota triste disso tudo é que o animal dificilmente verá o ano de 2011 e não fará previsões na Copa de 2014, no Brasil. Segundo informações publicadas pelo jornal alemão Bild, o Polvo Profeta já tem dois anos e meio de idade e espécies como ele raramente ultrapassam os três anos.

O pior de tudo é que o oráculo nunca teve relações sexuais e por isso não se reproduziu. Não dá uma tristeza no coração só de imaginar seu fim virgem e solitário?

Por isso eu, assim como a Shakira, torcerei muito para que Paul não erre sua previsão. Diferente dela, minha torcida não é pela equipe de Del Bosque, Villa, Puyol e seus asseclas. Eu torço é pelo Polvo e para que sua lenda seja eternizada.

Cinco coadjuvantes que roubaram a cena na Copa de 2010

Por Pedrox | 07/07/2010, 23h31

5. Vuvuzelas

Foi o primeiro personagem a aparecer. No ano anterior ao mundial ela já deu o ar de sua graça na Copa das Confederações.

Vuvuzela nada mais é do que um cornetão que as pessoas usam para fazer barulho nos estádios. Segundo a wikipedia, é um instrumento inventado por tribos ancestrais sul-africanas de origem muito antiga que se popularizou no país de Nelson Mandela na década de 1990 quando foi industrializado em massa numa versão feita de plástico.

O costume de soprar vuvuzelas nas partidas de futebol dos times locais foi levado a uma escala internacional. O barulho da corneta africana se tornou parte integrante de todos os jogos da Copa do Mundo e foi tema de diversos posts neste blog.

Se você acha que vai se livrar do zoada insuportável do aerofone africano depois do duelo entre Holanda e Espanha, temo que esteja redondamente enganado.

Se a CBF não proibí-la nos estádios brasileiros, seu ouvido corre sério risco de sofrer com as vuvuzelas no Mangueirão, no Morumbi, no Beira-Rio, no Maracanã ou em qualquer estádio do país.

Vuvuzela é um dos maiores legados da África do Sul para a humanidade.

4. Jabulani

Antes de rolar ela já estava sendo ofendida: horrorosa, bola de supermercado, patricinha… sobrenatural.

A pobre Jabulani nada tem de extraterrena, sua peculiaridade aerodinâmica foi estudada por físicos australianos que constataram que a bola é de fato mais rápida, faz curvas de forma imprevisível e é sentida como sendo mais dura no impacto por causa de sua textura com pequenos sulcos e “aero ranhuras”.

Temida pelos goleiros e odiada pelos atacantes, a bola da Copa nunca teve seu nome tão mencionado – muitas vezes em vão – durante um certame.

Ela virou o álibi perfeito para as falhas dos arqueiros e chutes errados dos artilheiros e ganhou até vinhetas com a voz assustadora de Cid Moreira para ser colocadas durante as transmissões da Globo a cada lance onde a esfera roubou a cena.

Jabulani é uma palavra da língua Bantu isiZulu (um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul) que significa Celebrar. Seu grande legado foi dar novo status aos nomes de bola nos campeonatos de futebol.

P.S.: O Fantástico até fez uma enquete para escolher o nome da bola brasileira da Copa de 2014. Eu acho UMBABARAÚNA muito bom. Qual nome você daria?

3. Mick Jagger

Não convide Mick Jagger para assistir no estádio um jogo do seu time, porque se depender do aproveitamento do vocalista dos Rolling Stones o resultado pode ser contrário ao esperado.

Foi assim com o ex-presidente estadunidense Bill Clinton que convidou o roqueiro para prestigiar a seleção ianque, que perdeu para os ganeses na prorrogação. No dia seguinte foi a vez do cantor não ficar satisfeito com a goleada aplicada pela seleção alemã no english team.

O fracasso nos oitavas de final não intimidou Jagger, que seguiu deixando seu rastro de destruição pelos estádios em que passava na África do Sul. Nas quartas de final levou seu filho brasileiro Lucas para ver a seleção pentacampeã do mundo sucumbir diante da Sneijder e sua trupe alaranjada. Por fim, no dia seguinte, sua torcida para os hermanos argentinos só provocou um dos maiores sapeca ia-iás já sofrido pelos hermanos… 4 a 0 para fazer chorar Maradona e seus filhinhos.

Coincidência ou não, Mick Jagger viu a eliminação das 4 seleções que torceu. Um incrível aproveitamente negativo de 100%. Se tornou o maior pé-frio da copa e a uruca jegueriana foi tão marcante que a única coisa boa que ele ganhou foi uma vinheta exclusiva gravada por Cid Moreira (repare na pronúncia do sobrenome):

Como legado desta Copa, Mick Jagger levou a fama de azarento e um site chamado SupportingJagger.com onde você pode fazer o “rockstar sem sorte” apoiar uma campanha que obviamente você gostaria que desse errado.

2. Larissa Riquelme

Ela provou que não é apenas o porta-celular mais formoso do Paraguai como se mostrou a rainha do marketing pessoal. Pouco me importa se ela usou suas belíssimas Jabulanis para fazer propaganda de celular e de desodorante, o fato é que nunca torci tanto para uma seleção hermana quanto o fiz pelo Paraguai diante da, agora finalista, Espanha. A promessa era que se a seleção Guarany chegasse ao menos na semi-final da Copa do Mundo ela desfilaria nuinha, despida e totalmente pelada pelas ruas de Assunção.

Apesar do infortúnio, a “namoradinha da Copa” não decepcionou sua legião de fãs e fez um ensaio fotográfico no estádio do Cerro Porteño para a alegria de todos os discípulos de Onã do planeta! Integrada às mídias sociais, a musa reativou seu perfil no twitter e abriu um canal no You Tube para capitalizar seu sucesso.

Vasculhando os vídeos dá para ver que ela ganhou uma homenagem de dois brasileiros que compuseram uma música EMO e depois gravaram um vídeoclip para a paraguaia. A atitude – digna de vergonha alheia – foi recompensada com uma mensagem de Larissa para todos os seus admiradores brasileiros. Sintam-se beijados pela musa:

Estou ansioso para ver o legado de Larissa Riquelme nesta copa do mundo: seu ensaio fotográfico.

1. Polvo Profeta

Esqueçam as adivinhações da mãe Diná ou equivalentes e não se deixe envolver pelos complexos cálculos dos matemáticos, ninguém fez previsões tão acertadas nesta Copa do Mundo quanto o morador do aquário Sea Life, em Oberhausen, na Alemanha. Seu nome é Paul e ele é um Polvo. Ele simplesmente acertou TODOS OS RESULTADOS da campanha alemã no mundial (inclusive as derrotas para Sérvia e Espanha).

Dois recipientes contendo a mesma quantidade de alimento (no caso, mexilhão) são oferecidos ao animal dentro do aquário. Em cada pote é colocada a bandeira de uma seleção e o recipiente escolhido pelo polvo é o do ‘provável’ vencedor da partida em questão. Espia o desempenho do molusco espertalhão antes de seu último acerto:

A imprensa alemã recordou que Paul costuma acertar, mas não é infalível, pois na última Eurocopa apostou em uma vitória alemã sobre a Espanha, mas foi a Fúria que levantou o troféu.

“O Povo talvez esteja errado!”

Os alemães bem que tentaram secá-lo, mas o fato é que o animal foi certeiro novamente.

Dizem, no twitter, que os alemãos perderam porque, em consequência da previsão, estavam em polvorosa e que na verdade o octópode “preferiu” a Espanha para fugir de figurar em uma típica e espanhola Paella.

Falta apenas um jogo alemão para definir a invencibilidade do Polvo Profeta na Copa do Mundo de 2010. Será que ele acerta o vencedor da decisão do 3º lugar entre Uruguai e Alemanha? Acertando ou não, Paul já assegurou seu lugar dentre as grandes figuras deste mundial.

Coloque um “botão vuvuzela” em seu blog!

Por Marmota | 01/07/2010, 17h17

Esses dias o Pedrox nos apresentou este site, onde qualquer URL acaba “invadida” por um sul-africano ensurdecedor. Em pouco tempo, lógico, virou sucesso: hoje o torcedor maroto aparece ao lado de um banner mais matreiro ainda. Sinal que o som da vuvuzela, por mais irritante que pareça, virou meme na rede.

Outra demonstração de “vuvuzelada globalizada” foi dada pelo YouTube. Já repararam que boa parte de seus vídeos possui uma bolinha de futebol como opção? É a “tecla vuvuzela”: experimente assistir a qualquer vídeo tendo como áudio de fundo o zumbido irritante das cornetas. Muitos perguntaram “por quê diabos o pessoal do Google fez isso”. De repente estes dias de abstinência, sem partidas na TV, pode representar saudades não apenas da Jabulani, mas também da vuvuzela.

Pensando nestes órfãos, decidi bolar um “botão vuvuzela” bem simples e adaptável a qualquer site ou blog que desejar compartilhar aos seus visitantes o mesmo efeito de um estádio da Copa. Clique uma vez no ícone e aguçe sua audição. Clique novamente para interromper o som.

Optei por usar um ícone que, mesmo escondido num post antigo do blog, fez algum barulho no Twitter, usado como bandeira para quem não aguenta mais a buzina.

Quer reproduzir o “botão vuvuzela” no seu blog? É bem fácil. Clique com o botão direito aqui e salve o arquivo .swf em seu computador. Suba-o como se fosse uma imagem e, com tudo em ordem, cole o código a seguir no lugar onde você deseja exibi-lo:

<object width="400" height="400"><param name="movie" value="http://www.seusite.com/vuvu.swf"></param><embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.seusite.com/vuvu.swf" width="400" height="400"></embed></object>

Atenção para os detalhes do código em vermelho: ajuste a largura e a altura (como o ícone é quadrado, os valores são os mesmos), além do caminho exato do arquivo. Repare que é preciso ajustar duas vezes.

Se desejar, coloque o endereço do seu site “vuvuzelado” aqui nos comentários, pra gente ver como ficou!

***

Ainda sobre o tema, temos que tirar o chapéu para os espanhóis: se na bola a Fúria costuma pipocar, em matéria de infográficos eles são campeões mundiais. Reproduzo abaixo o divertidíssimo “manual da Vuvuzela” do Marca, além do gráfico explicativo elaborado pelo La Informacion – onde também dá para “provar” a vuvuzela.

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