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Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

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Presente de aniversário do Penta: Chico Lang na Copa

Por André Marmota | 30/06/2012, 17h23

Tive o privilégio de acompanhar a Copa do Mundo de 2002, cujo desfecho completa exatos dez anos neste sábado, como um dos editores da madrugada na Gazeta Esportiva.Net. Fomos além: ao lado de outros profissionais empenhados em realizar uma cobertura diferenciada, bolamos uma série de programas de áudio. Mais do que uma ideia pioneira, os boletins da Rádio GE.Net – publicados bem antes da palavra “podcast” ser popularizada por Adam Curry e Dave Winer – guardam registros memoráveis.

Algumas destas gravações, no entanto, permaneceram praticamente em segredo. Até agora.

Em uma decisão pautada por questões puramente econômicas, a Fundação Cásper Líbero decidiu mandar um único jornalista para enviar conteúdo desde o Japão e a Coréia do Sul. Alguém que pudesse produzir notícias tanto para o site quanto para a programação esportiva da TV Gazeta. Com do projeto dos boletins de áudio encaminhado, este mesmo profissional faria uma participação especial, uma voz exclusiva e direta dos palcos da competição.

O escolhido foi Francisco José Lang Fernandes de Oliveira, o Chico Lang, então chefe de reportagem da TV e colunista do site. Não seria sua primeira Copa do Mundo: em 1990, antes de chegar ao jornal A Gazeta Esportiva, cobriu o Mundial da Itália pela Folha da Tarde. Ainda na última década do século passado, formou com Roberto Avallone a dupla de apresentadores do Mesa Redonda, lembrada até hoje pelos… Mmmhhh… Ah, por suas peculiaridades, vai.

Chico Lang é bastante popular em São Paulo exatamente por exercer, muitas vezes exageradamente, o papel de comentarista-corintiano. Tanto a fiel quanto seus adversários o acompanham; os primeiros aplaudem, os demais não conseguem admitir as razões pelas quais dão voz a ele. O motivo, é claro, é exatamente esse: todos os fanáticos querem ouvi-lo.

Fora do alcance das câmeras, no entanto, é um sujeito pacato e de grande simpatia. Até por isso, sempre relutei em compartilhar mais detalhes quando contava aos amigos um dos resultados dos boletins do Chico Lang.

Diariamente, interrompia alguma atividade rotineira e atendia ao telefone. Para não perdermos tempo nessa maratona, acionava o botão REC praticamente sem interrompê-lo. Talvez pela mesma razão, Chico Lang preferia o improviso: pelo tom dos diálogos, era nítido que dificilmente fazia anotações das informações que usaria em sua fala.

Independente do método de trabalho, o resultado ficou dentro do que esperávamos: durante 40 dias, gravávamos diariamente, produzindo clipes em MP3 ininterruptamente. Por outro lado, seus tropeços entraram rapidamente no folclore da redação. Ao final do torneio, selecionei as mais divertidas e montei uma edição especial. Em pouco mais de sete minutos, é possível recordar alguns momentos da Copa mais bacana dos últimos tempos, bem como dar boas gargalhadas.

Curioso? Ouça aqui, baixe e guarde para você. Depois mostre para aquele amigo que estava ao seu lado quando aquele juiz italiano, o carequinha… Colona, né? Enfim, quando o Brasil levou seu quinto caneco.

Nunca soube se o Chico Lang teve acesso a este áudio, ainda que muitos colegas da Gazeta já tenham ouvido. Há alguns anos, quando tive a oportunidade de encontrar com o Mauro Beting, o assunto apareceu. “Nossa, já ouvi falar dessa gravação, sempre pensei que fosse alguma lenda urbana”, dizia. Passados dez anos, creio que já possa me desfazer do receio.

Provavelmente muitos vão dizer: “ué, por que não mostrou isso antes?”. Nunca é tarde para lembrar daquela Copa deliciosa e sorrir. Feliz aniversário, Penta!

#vamosjogarbola

Por André Marmota | 19/04/2012, 09h36

Então a agência África desenvolveu uma campanha para o banco Itaú, estimulando uma reflexão a partir de uma hashtag capaz de conectar uma bola de futebol ao desenrolar nacional rumo à Copa. Mais do que isso: nos próximos meses, a ação promoverá encontros nas doze cidades-sede, convocando a comunidade para arregaçar as mangas. A frase imperativa, cujo sentido vai além da interpretação literal, é simples.

“Vamos jogar bola! Jogar bola é ir em frente, é arregaçar as mangas. A grande festa do futebol vai ser na nossa casa. Vamos jogar bola, que vai dar certo. Jogar bola une as pessoas; jogar bola muda o amanhã”. É esse o texto do primeiro filme da campanha, que certamente você já viu na TV. “Com este convite otimista o banco aposta no poder transformador do futebol e convoca a todos que amam o esporte e o país a acreditar nas mudanças e trabalhar para realizá-las”, anuncia o texto de lançamento.

Apesar da proposição otimista, todos os envolvidos já devem pressupor que, em função da amplitude dos potenciais significados, o mesmo convite pode ser apropriado de múltiplas formas. Afinal, o que mais significa “jogar bola”?

Jogar bola é organizar a partida, convidar a patota para dividir a grana dos patrocinadores e arrumar umas notinhas fiscais para justificar a verba.

Jogar bola é arrumar um campinho pra botar as traves, ainda que seja um puxadinho. Melhor ainda é ter um terreno e obras subsidiadas.

Jogar bola é avisar quem gosta pra assistir. Agora, eles precisam ter condições para chegar, circular, ficar, aproveitar.

Jogar bola é ter a chance de escolher os melhores para jogar ao seu lado, mas só se tiver um golpe de sorte e ganhar no par ou ímpar.

Jogar bola é definir se vira cinco e acaba dez, ou se vai ter cronômetro. Enfim, deve haver algum prazo claro para o final.

Jogar bola é contar com um sujeito imparcial e que entenda as regras do jogo para apitar quando vê alguma coisa suspeita.

Jogar bola é improvisar com talento. Mas todo lampejo criativo só aparece quando se sabe (e executa) a tática “feijão com arroz”.

Jogar bola é se transformar, temporariamente, em alguém que não costumamos ser: pode xingar, gritar palavrão, cuspir, fazer uma ou outra falta.

Jogar bola é gritar “gol”. Simultaneamente, sempre que alguém marca, outro grita “chupa” pro torcedor adversário.

Jogar bola é competir, saber que é possível ganhar ou perder. Desde que vencer seja obrigação; do contrário, todos serão lembrados como fracassados.

Jogar bola é celebrar o esporte, mas lembrar que tem pouca diversão na hora de organizar. Muito menos quando vier a conta depois.

Jogar bola é amar o futebol. E quem ama melhor é, por definição, amador. Vamos jogar bola, que vai dar certo, né?

Os problemas de uma revista semanal…

Por André Marmota | 30/07/2010, 11h44

Vejam só que coisa: imagine se um alienígena ou qualquer outro que passou a semana no mundo da lua folheasse a Revista Época nesta sexta-feira – exatamente o que fiz com a que perambula pela casa desde terça – e começasse a ler a página a seguir:

Basicamente: “Muricy, tricampeão brasileiro, foi escolhido pela CBF e fará sua estréia em 10 de agosto”. Ah sim, tem um trecho que isenta os repórteres: “Só faltou combinar sua saída com o Fluminense”.

Em tempo: alguém pode confirmar se as outras revistas semanais caíram na mesma pegadinha no dia do fechamento?

Qual a diferença entre a Ferrari e a seleção?

Por André Marmota | 27/07/2010, 20h13

Então, durante uma rápida sapeada na televisão sexta-feira passada, ouço Tiago Leifert anunciar, com alegria: “Muricy Ramalho é o novo técnico da seleção brasileira!”. Passei o resto do dia alienado, mas raciocinando um texto pinçando, entre outras referências, na entrevista à revista Brasileiros concedida pelo treinador há um ano e meio. Ao mesmo tempo, fiquei imaginando a expressão do Doni e de outros torcedores do São Paulo, imaginando que Ricardo Teixeira corrigiu uma injustiça de, ao menos, quatro anos.

De repente, quando acordo na manhã seguinte, descubro que o treinador era Mano Menezes. Dias depois, celebrado por boa parte dos torcedores, tratou de atender ao pedido do chefe e iniciar sua renovação, chamando alguns dos atletas que poderiam ter sido chamados antes – ao menos até a equipe tropeçar e ser questionada, como de praxe.

Mas ué… Mas o Muricy não havia aceitado? Aconteceu alguma coisa?

Brasileiros apaixonados por esporte enxergam todo tipo de hipótese quando situações absurdas acontecem. E vou ser franco: um treinador negar o convite para ocupar o posto máximo de sua profissão é bastante esquisito. Concordo que, assim como Felipão, Muricy demonstrou respeito a seus contratos com os clubes – mas com uma diferença fundamental: ele foi convidado e chegou a dizer “pode ser, só preciso ver com o clube”, enquanto Scolari negou sempre.

Enfim, não fosse outra situação absurda no fim de semana, talvez os brasileiros não comentassem tanto a não-ida de Muricy. No fim, os holofotes se voltaram para o GP da Alemanha de Fórmula 1.

Como este blog não discute automobilismo, vamos apenas ao que interessa: engenheiros da Ferrari deram a entender que o brasileiro Felipe Massa deveria abrir caminho para o espanhol Fernando Alonso, em tese mais veloz. Ao invés da manobra ser decidida no braço (como deveria ser), foi uma “canetada” que determinou o resultado.

Indignações pipocaram mundo afora, e as discussões a respeito das “mutretas” associadas à Fórmula 1 voltaram com força total: afinal, como é possível vibrar diante de uma modalidade onde interesses de equipes e envolvimentos financeiros superam aquilo que realmente importa ao torcedor? Como fica a imagem de um piloto que, mesmo agindo corretamente diante da lógica comercial, agora ficou rotulado com a imagem de “alguém que não peitou o sistema e, por isso, não tem fibra pra ser campeão”?

E o que isso tem mesmo a ver com Muricy na seleção?

Vi a história a seguir pela primeira vez com o Vitor Birner. Sim, Muricy ganhou pontos com sua torcida ao dizer que respeitará seu contrato, mas por outro lado a decisão pode ter um componente altamente político. Roberto Horcades, cardiologista e presidente do Fluminense, era amigo de Ricardo Teixeira, o que lhe rendeu uma indicação na Comissão Médica da Fifa.

Pois Horcades votou em Fábio Koff nas últimas eleições do Clube dos 13 – o candidato da CBF era Kléber Leite. Em resposta, teve seu cargo na Fifa exonerado. A negativa ao convite a Muricy pode ter sido uma resposta ao presidente da CBF. A diferença entre os motivos de Massa e de Horcades é que todos ouviram sobre o primeiro no rádio da equipe…

Muitos amantes do esporte chegaram a declarar com força que não mais acordarão cedo para assistir a Fórmula 1, por conta de tanta palhaçada. Imaginem se a legião que acompanha o futebol explorasse episódios como o da indicação de Muricy, o veto ao Morumbi, entre outras histórias que fazem o jornalista inglês Andrew Jennings definir a Fifa como uma máfia (aqui e aqui duas entrevistas bombásticas, reproduzidas pelo Juca Kfouri)… O efeito seria exatamente o mesmo, não?

Enfim, ao menos nos próximos meses, Mano Menezes e os Meninos da Vila tratarão de anestesiar a sujeira – ao menos até a próxima “marmelada”.

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