Blog da Copa

Jump to content.

Espaço para os autores do Dialetica.org e seus convidados palpitarem sobre a maior festa do futebol mundial!

1378 dias...

Contagem regressiva para a Copa 2014!

Modo Vuvuzela

Clique no ícone e sinta-se num estádio sul-africano!

Pesquisar

Seleções

    Grupo A
    África do Sul
    México
    Uruguai
    França

    Grupo B
    Argentina
    Nigéria
    Coréia do Sul
    Grécia

    Grupo C
    Inglaterra
    Estados Unidos
    Argélia
    Eslovênia

    Grupo D
    Alemanha
    Austrália
    Sérvia
    Gana

    Grupo E
    Holanda
    Dinamarca
    Japão
    Camarões

    Grupo F
    Itália
    Paraguai
    Nova Zelândia
    Eslováquia

    Grupo G
    Brasil
    Coréia do Norte
    Costa do Marfim
    Portugal

    Grupo H
    Espanha
    Suíça
    Chile
    Honduras

Feeds

Os problemas de uma revista semanal…

Marmota

 

Vejam só que coisa: imagine se um alienígena ou qualquer outro que passou a semana no mundo da lua folheasse a Revista Época nesta sexta-feira – exatamente o que fiz com a que perambula pela casa desde terça – e começasse a ler a página a seguir:

Basicamente: “Muricy, tricampeão brasileiro, foi escolhido pela CBF e fará sua estréia em 10 de agosto”. Ah sim, tem um trecho que isenta os repórteres: “Só faltou combinar sua saída com o Fluminense”.

Em tempo: alguém pode confirmar se as outras revistas semanais caíram na mesma pegadinha no dia do fechamento?

Qual a diferença entre a Ferrari e a seleção?

Marmota

 

Então, durante uma rápida sapeada na televisão sexta-feira passada, ouço Tiago Leifert anunciar, com alegria: “Muricy Ramalho é o novo técnico da seleção brasileira!”. Passei o resto do dia alienado, mas raciocinando um texto pinçando, entre outras referências, na entrevista à revista Brasileiros concedida pelo treinador há um ano e meio. Ao mesmo tempo, fiquei imaginando a expressão do Doni e de outros torcedores do São Paulo, imaginando que Ricardo Teixeira corrigiu uma injustiça de, ao menos, quatro anos.

De repente, quando acordo na manhã seguinte, descubro que o treinador era Mano Menezes. Dias depois, celebrado por boa parte dos torcedores, tratou de atender ao pedido do chefe e iniciar sua renovação, chamando alguns dos atletas que poderiam ter sido chamados antes – ao menos até a equipe tropeçar e ser questionada, como de praxe.

Mas ué… Mas o Muricy não havia aceitado? Aconteceu alguma coisa?

Brasileiros apaixonados por esporte enxergam todo tipo de hipótese quando situações absurdas acontecem. E vou ser franco: um treinador negar o convite para ocupar o posto máximo de sua profissão é bastante esquisito. Concordo que, assim como Felipão, Muricy demonstrou respeito a seus contratos com os clubes – mas com uma diferença fundamental: ele foi convidado e chegou a dizer “pode ser, só preciso ver com o clube”, enquanto Scolari negou sempre.

Enfim, não fosse outra situação absurda no fim de semana, talvez os brasileiros não comentassem tanto a não-ida de Muricy. No fim, os holofotes se voltaram para o GP da Alemanha de Fórmula 1.

Como este blog não discute automobilismo, vamos apenas ao que interessa: engenheiros da Ferrari deram a entender que o brasileiro Felipe Massa deveria abrir caminho para o espanhol Fernando Alonso, em tese mais veloz. Ao invés da manobra ser decidida no braço (como deveria ser), foi uma “canetada” que determinou o resultado.

Indignações pipocaram mundo afora, e as discussões a respeito das “mutretas” associadas à Fórmula 1 voltaram com força total: afinal, como é possível vibrar diante de uma modalidade onde interesses de equipes e envolvimentos financeiros superam aquilo que realmente importa ao torcedor? Como fica a imagem de um piloto que, mesmo agindo corretamente diante da lógica comercial, agora ficou rotulado com a imagem de “alguém que não peitou o sistema e, por isso, não tem fibra pra ser campeão”?

E o que isso tem mesmo a ver com Muricy na seleção?

Vi a história a seguir pela primeira vez com o Vitor Birner. Sim, Muricy ganhou pontos com sua torcida ao dizer que respeitará seu contrato, mas por outro lado a decisão pode ter um componente altamente político. Roberto Horcades, cardiologista e presidente do Fluminense, era amigo de Ricardo Teixeira, o que lhe rendeu uma indicação na Comissão Médica da Fifa.

Pois Horcades votou em Fábio Koff nas últimas eleições do Clube dos 13 – o candidato da CBF era Kléber Leite. Em resposta, teve seu cargo na Fifa exonerado. A negativa ao convite a Muricy pode ter sido uma resposta ao presidente da CBF. A diferença entre os motivos de Massa e de Horcades é que todos ouviram sobre o primeiro no rádio da equipe…

Muitos amantes do esporte chegaram a declarar com força que não mais acordarão cedo para assistir a Fórmula 1, por conta de tanta palhaçada. Imaginem se a legião que acompanha o futebol explorasse episódios como o da indicação de Muricy, o veto ao Morumbi, entre outras histórias que fazem o jornalista inglês Andrew Jennings definir a Fifa como uma máfia (aqui e aqui duas entrevistas bombásticas, reproduzidas pelo Juca Kfouri)… O efeito seria exatamente o mesmo, não?

Enfim, ao menos nos próximos meses, Mano Menezes e os Meninos da Vila tratarão de anestesiar a sujeira – ao menos até a próxima “marmelada”.

Macumba, a bola oficial da Copa 2014

Marmota

 

Nunca uma bola fez tanto sucesso em um Mundial quanto a Jabulani. Talvez por isso meio mundo tenha especulado por sugestões, loucos para batizar a redonda que deverá ser usada em nossos gramados. Que nome você daria para a bola da Copa? Já sugeriram Samba, Canarinho, Brazuca, Jabiraca…

Pois a melhor entre as sugestões que vi por aí é… Macumba!

Taí um desses nomes tipicamente brasileiros que nenhum gringo se importaria com a tradução – ou alguém sabe realmente que Jabulani quer dizer “celebração”? E você sabe o que quer dizer “Teamgeist”, nome da bola da Copa de 2006? Imagine os locutores elaborando toda sorte de trocadilhos: “rola a Macumba no Maraca”; “olha lá a Macumba no canto, é escanteio”; ou a trivial “chuta que é Macumba!”. E caso a Adidas permaneça com a tecnologia polêmica, complicando a vida de goleiros e artilheiros, nada mais óbvio do que uma palavra que, via senso comum, pode ser interpretada como algum tipo de “maldição”…

Por isso, começa aqui nossa campanha: dêem o nome de Macumba para a Bola do Mundial de 2014.

***

Parece uma brincadeira? Mas não duvidaria de uma escolha criativa como essa, haja vista o que vimos com a eppoéia do logo. Fontes oficiais revelam a escolha por “notáveis”, apesar da história estar um pouco mal contada. Independente do processo, será que ninguém percebeu a conotação de “metendo a mão”, representada pelas charges do Diogo Salles e do Dalcio Machado?

Cinco lições da mídia que ficam após a Copa

Marmota

 

Além do Blog da Copa e de outras fontes confiáveis, onde mais você frequentou, entre rádio, TV e Internet, para obter informação sobre o Mundial? Pessoalmente, como refém da TV aberta, vi pouco dos canais a cabo especializados – como a ESPN, que costuma adotar uma linha essencialmente informativa, que me agrada bastante. Também sou fã das ondas curtas, e bastava entrar no carro para sintonizar a Rádio Bandeirantes, que não me decepcionou – como de praxe.

Mas enfim, enquanto especialistas em futebol discutem se houve alguma novidade tática ou quais intervenções soam positivas no esporte, os amantes da comunicação observam o que a mídia fez e, por que não, guarda algumas de suas inspirações para melhorá-las em aplicações futuras. Dentre os formatos jornalísticos que me chamaram a atenção durante o Mundial, estes cinco chamaram a minha atenção.

Dia-a-dia do UOL – Comecemos pela mais simples das sacadas – que, diga-se, foi usada algumas vezes pela Gazeta Esportiva Net em suas coberturas. Só vi isso no UOL, e é um negocinho simples, mas extremamente valioso em eventos curtos e marcantes como uma Copa do Mundo. Diariamente, algum editor do UOL Esporte fechava uma página, com os destaques do dia. Não há forma mais elegante de sintetizar a competição – e melhor ainda, deixá-la como arquivo para a posteridade.

O template da página contempla a manchete e alguns destaques batizados de “hall da fama”, para situações que chamaram a atenção. Um box com as mais lidas do dia, uma breve coletânea de frases e a análise dos blogueiros do portal. Enfim, sou suspeito para comentar: gosto muito do trabalho dessa turma, que alternam momentos de extrema descontração – como no blog da redação – a boa informação. Pelo conjunto da obra, estou com eles na batalha judicial com a Globo.

Infográficos espanhóis – Nada contra os excelentes trabalhos desenvolvidos no Brasil, como a própria Globo.com ou o Estadão.com. Mas em matéria de infografia, os colegas do Alberto Cairo já detinham a taça há tempos. O Marca foi responsável por duas das idéias mais bem resolvidas nesse campo: as fichas comparativas dos atletas que participaram da competição e o calendário de jogos.

Mais difícil, no entanto, é realizar infografias para o dia-a-dia. Nesse quesito, o La Informacion, já citado aqui algumas vezes, capricha no visual. Desde tabelas simples, como a comparação entre as seleções alemã e espanhola de 2008 e 2010, quanto o posicionamento dos atletas em todos os duelos envolvendo os favoritos.

Em tempo: o Tiago Dória fez um apanhado dos melhores infográficos desta Copa, incluindo…

Visualizações do Twitter – Sem sombra de dúvidas, este Mundial foi diferente para quem ficou o tempo todo conectado com o microblog. Impulsionado pela própria ferramenta, que estimulou os usuários a mandarem mensagens com as hashtags alusivas às bandeirinhas.

O grande tormento para acompanhar esse fluxo – que ultrapassou as 3,2 mil por segundo em algumas partidas – é a excessiva fragmentação. Alguns sites como o Twazzup ou Ellerdale podem ser úteis para quem deseja acompanhar essa movimentação. Sites como a CNN ou o The Guardian (como apresentou o Pedrox) aproveitaram bem esse buzz e fizeram aplicações bastante interessantes.

Um Mundo que Torce – Com tanta gente comentando e escrevendo sobre Copa do Mundo por aí, o que resta para os jornais impressos? Descobrir uma forma diferente e inédita de tratar o tema. Que tal passar cada dia do Mundial em um país participante da copa, identificando diferentes modos de torcer? Isso mesmo, uma verdadeira volta ao mundo em um mês. E o jornalista (e herói) Fábio Seixas conseguiu.

Foram nove meses de planejamento, 125.124 quilômetros percorridos, 43 vôos e 29 companhias aéreas – muitas delas péssimas, segundo seus relatos. Uma boa parte do que foi registrado nessa mega viagem pode ser visto aqui. No mais, prefiro pinçar alguns trechos de seu texto de encerramento, seguido de um gigante “parabéns pela audácia e coragem”.

…Ouvi muita gente dizer que era impossível, que algum problema iria acontecer, que era tecnicamente inviável ir para 31 países em 31 dias, que voos seriam perdidos ou cancelados, que minha saúde não aguentaria… Saí de Johanneburgo na noite da abertura, 11 de junho, e só fui tomar banho e dormir numa cama em Douala, Camarões, no dia 14. Entre uma coisa e outra, escalas malucas. Da África do Sul até a Nigéria, parada no Quênia. Da Nigéria para a Argélia, um voo até Paris. Da Argélia para Camarões, escalas no Líbano, na Etiópia (e como eu corri por aquele aeroporto para não perder a conexão…) e no Gabão. De Camarões para Costa do Marfim, pouso no Benim. Da Costa do Marfim para Gana, uau, um voo direto. Mas de Gana para a Coreia do Sul, bem, escalas na Nigéria (de novo) e nos Emirados Árabes Unidos. Ainda dormi uma noite em El Salvador (paradinha antes de Honduras), comprei camisetas e meias no Havaí (no caminho do Japão para o México), perdi e achei o computador na Colômbia (rota EUA-Chile) e, na Europa, passei por Áustria, Hungria e República Tcheca.

Não perdi nenhum voo. Em parte por um trato comigo mesmo de chegar sempre duas horas antes, não importa o que acontecesse nas matérias. Em parte porque as coisas funcionam aqui fora, mesmo em países que julgamos mais atrasados. Nenhum voo foi cancelado. Tudo funcionou ao redor do mundo, o que me leva a imaginar que há algo de muitíssimo preocupante na aviação brasileira.

É claro que passei por alguns perrengues…Havia, também, a questão do planejamento. Porque saí do Brasil com toda a primeira fase montada. Países que dificilmente avançariam para as oitavas seriam os visitados nas primeiras duas semanas. O acerto passou longe dos 100%, graças ao fiasco europeu. E daí começou a fase de torcer contra uns, a favor de outros. Se dois países já visitados fizessem a final, seria o fim do meu mundo. Se “queimei” um lado da tabela ao ir para a Holanda ver o jogo com o Brasil, do outro lado eu fui deixando Espanha e Alemanha mais para o fim. Deu certo.

Central da Copa na Globo – Respeito a opinião do Felipe Corazza, preocupado com a “tadeuschmidtzação” do jornalismo esportivo: “edições engraçadinhas, antes usadas em poucos e seletos momentos do jornalismo esportivo na TV, viraram rotina; aliás, rotina é pouco, viraram obrigação”, diz ele, citando a bizarra reportagem do SporTV ofensiva ao Paraguai. Excluindo o exagero, sou da opinião do Alec Duarte: às vezes, o esporte precisa do “fait divers” (o bom e velho “fedivér”) para deixar nossa vida mais leve. Nesse velho embate entre informação e entretenimento, a Central da Copa fez a festa.

Li esses dias uma entrevista com o Tiago Leifert, um dos responsáveis pela nova linguagem do Globo Esporte em São Paulo: depois das suas novas intervenções, o programa – exibido na hora do almoço – ampliou o leque de sua audiência: não apenas o marmanjo torcedor, mas também as mulheres, maioria do público neste horário. Faz sentido.

Para o Mundial, o mesmo cenário usado por Luis Ernesto Lacombe em alguns horários se transformava ao final da noite: platéia agitada, uma mocinha simpática torcendo para a Argentina, convidados musicais discutíveis, Caio Ribeiro (alvo de um meme do Twitter) e aquela descontração que deixa muitos de nariz torcido – afinal, é jornalismo ou um programa de humor? Sem querer fugir do debate, admito: interrompi diversos afazeres para desconectar do mundo e dar risadas com o programa.

E você, o que gostou mais na cobertura do Mundial?

Um pouco da ressaca laranja via web

Marmota

 

Logo após o título da Espanha, fui atrás de alguns sites conhecidos da Espanha pra saber como andava a festa por lá. Lógico que fiz o mesmo com alguns sites holandeses, ainda que eu não entenda patavina.

Algumas coisas interessantes. Dessa pequena amostragem, só um deles chamou claramente pela vitória da Espanha, e não a derrota holandesa: exatamente o site de esportes. Pessoalmente, a melhor combinação foto/manchete foi a que diz “de novo não!” – tente dizer qual delas é.

Ah sim, o Eduardo Tessler, profundo conhecedor do processo de edição de jornais impressos, pinçou sua amostragem de capas de jornais espanhóis e holandeses.

Fim do mundial das surpresas

Marmota

 

#NED 0 X 1 #ESP (11/07) – Para arrematar os resuminhos da disputa na África do Sul e seguir com este espaço rumo à 2014, reproduzo aqui a capa do jornal Esto, publicado no dia do confronto entre mexicanos e argentinos.

“Revancha”, isto é, revanche, representada múltiplas vezes, como se quisessem dizer ainda rivalidade, vingança, raiva. Como se uma vitória ou um potencial título não fosse suficiente, muitas vezes é este sentimento que move torcedores. Não é à toa que uma final Brasil x Argentina vinha sendo desejada; ou, já com as semifinais configuradas, um Alemanha x Holanda. Para um apaixonado por futebol, é como se fosse um Palmeiras x São Paulo, um Gre-Nal. Pode ser que a taça não venha, mas vencê-los ganha importância maior, ainda que momentaneamente.

Pois os mexicanos não conseguiram a revanche. Nem os norte-americanos, que perderam para Gana pelo mesmo placar de 2006. Mas os alemães, contra a Inglaterra, revidaram com a mesma moeda de 66: um gol irregular. Também não deram chance a uma vingança argentina, ao aplicar humilhantes quatro gols nos hermanos, mas fracassaram ao tentar devolver a derrota aos espanhóis na semifinal. Os holandeses, ao eliminarem o Brasil, repetiram 74 e soltaram um “finalmente”, uníssonos, após dois reveses nos anos 90.

Mas a maior das revanches não foi diante de um rival uniformizado, com onze em campo e uma bola. Os espanhóis, favoritos como nunca e, até domingo, derrotados como sempre, venceram não apenas a Holanda, mas a história. Uma nação acostumada a vencedores como Fernando Alonso e Rafael Nadal viu gerações fracassarem desde 1950, última presença espanhola em uma semifinal. Na decisão em Joanesburgo, sonolenta e truncada como nunca se viu, puseram fim a um histórico de “amareladas” com o gol de Iniesta.

Foi, sem dúvidas, uma Copa repleta de surpresas. A começar pela organização sul-africana, que se não foi impecável consegiu dizer ao Brasil algo como “faz melhor que eu quero ver”. Teve uma musa em escala mundial que, pasmem, não era holandesa nem brasileira, mas paraguaia. E entre os catedráticos e especialistas, o mais importante e respeitado foi um singelo octópode. Mesmo a velha máxima de que a camisa pesa em uma final foi para o vinagre, afinal de contas era a Holanda que cumpria esse papel, após duas decisões. Os azarões, agora, passaram a ser eles.

#URU 2 X 3 #GER (10/07) – Se fôssemos seguir a lógica do “peso histórico”, esta poderia ser uma decisão tranquilamente. Aliás, só não foi em 1970 porque Brasil e Itália fizeram o mesmo trajeto de holandeses e espanhóis desta vez. O resultado final também foi o mesmo: Alemanha em terceiro, Uruguai em quarto. Os alemães, recordistas em semifinais, puderam se contentar ao menos com um tetra: a quarta vez que chegaram em terceiro, como em 1934, 1970 e 2006.

E ao contrário da decisão, foi um belo jogo. A Alemanha, apesar de ter reencontrado o poder ofensivo que havia sumido contra a Espanha, levou a melhor apesar do Uruguai ter jogado muito mais. Os nossos vizinhos terminaram a competição de cabeça erguida e com o melhor jogador do torneio: Diego Forlán, que quase mudou a história dessa partida com aquela bola na trave. Já os alemães, além do melhor ataque e das maiores revelações – Ozil e Thomas Muller – deixaram um recado aos brasileiros: em 2014, estaremos melhores. Cabe a organização do Mundial colocá-los pra jogar em Manaus ou Cuiabá…

Breve resuminho da Copa: Tanzânia, Zimbábue, treino fechado, Túlio Tanaka Facts, shosholoza, Shakira, Waka Waka, Tshabalala, Jabulani, cala boca Galvão, terno do Maradona, Green e seu frango, Camarões caídos, o choro de Tae-Se, Suíça apronta pra Espanha, Senderos muito louco, defesa de Valladares, defesa de Enyeama, primeira vitória grega, Uruguai apronta Vuvuzelazzo, chupa Bafana Bafana, gol dos EUA anulado, Eslovênia quase classificada, caquinha do Joachim Low, cavalos da Costa do Marfim, tchau Elano, até mais Kaká “bad boy”, a “mãozinha” do Fabuloso, dunguices na coletiva e a resposta do Tadeu Schmidt, o celular da Larissa Riquelme, o microfone da Sara Carbonero, as minissaias das torcedoras holandesas, Domenech muito louco, Evra mais ainda, chupa França, quase gol da Nigéria, cadê o Messi, cadê o Cristiano Ronaldo, cadê o Rooney gol dos EUA anulado de novo, chupa Sérvia, chupa Itália, Nova Zelândia invicta, Eslováquia classificada, Japão classificado, Pepe x Felipe Melo, fracassou o dia sem Globo, cabeçada de Heinze na câmera, Argentina passa com gol irregular, Alemanha passa com gol irregular, queremos tecnologia na arbitragem, Mick Jagger elimina Inglaterra, Mick Jagger elimina os EUA, chupa Chile, anúncio errado na Folha, David Maravilla, chupa Portugal, chupa Komano, Mick Jagger elimina o Brasil, chupa Felipe Melo, chupa Dunga, Sneijder Bátema e Arjen Robben, chupa Maradona, chupa Argentina, Klose quase recordista, mãozinha de Suárez, chute de Gyan na trave e o melhor minuto da copa, cavadinha de Loco Abreu, Gana perde pênaltis, Cardoso perde pênalti, Xabi Alonso perde pênalti, Larissa Riquelme perde aposta mas sai pelada, jabulanada de van Bronckhorst, jabulanada de Forlán, chute de Cáceres na cara do holandês, cabeçada de Puyol, cadê a Alemahha, Uruguai até o fim, bola na trave de Forlán, duas viradas e terceiro lugar, botinadas holandesas, defesa de Casillas, doze cartões amarelos, um vermelho, gol de Iniesta, Dani Jarque sempre conosco, finalmente a taça, festa espanhola, beijo na Sara Carbonero, viva o Twitter, viva Madiba e viva o polvo Paul.

Rápido, não? Pois a Folha.com conseguiu sintetizar ainda mais o Mundial:

E agora, o que fazer com a sua vuvuzela?

Marmota

 

A Copa do Mundo terminou neste domingo. Mas mesmo antes, com a eliminação do Brasil, tanto quem vendia quanto os compradores das vuvuzelas perceberam que a euforia acabou e agora ficaram com o mico na mão. Antes de descartar completamente sua corneta plástica, considere algumas das sugestões elaboradas pelos gatinhos do blog GeekCats:

Se bem que… A melhor das sugestões é a do Tom Dickson, daquele liquidificador alienígena BlendTec:

Vai ficar com saudades da vuvuzela? Você ainda pode deixá-la em seu site como recordação deste Mundial…

Um pouco da festa espanhola via web

Marmota

 

Como um país recém-campeão mundial foi dormir (ou não) esta noite? Que tal aproveitarmos a comemoração da Fúria e observarmos alguns dos mais populares sites de notícia da Espanha?

De uma forma geral, todos os sites espanhóis estão conectados a redes como Twitter e Facebook, permitindo uma “celebração coletiva” em vários espaços. Além da taça e das repercussões dos vestiários, destaque ainda para outras duas informações que devem render bons cliques: Jimmy Jump, o espanhol que tentou agarrar a taça antes do jogo, e Sara Carbonero, que ganhou um beijo de Casillas enquanto o entrevistava, ao vivo.

Assim como seria no Brasil (os espanhóis encaram o futebol com paixão semelhante a nossa), seria previsível uma abordagem diferenciada – ainda mais por se tratar do primeiro título. Mas dá pra perceber que a home do La Vanguardia (jornal da Catalunha) ou da TVE, apesar do destaque ao título, não fizeram nenhuma modificação em sua estrutura.

Versão da home do La Vanguardia em JPG (800 px)

Versão da home da TVE em JPG (800 px)

O El Mundo, site de notícias mais acessado da Espanha, fez o que boa parte dos sites costumam deixar preparados em dias de grandes eventos: uma foto “estourada”, ocupando toda a tela. Além disso, é possível visualizar um box com a narração de momento da festa nas ruas (como se fosse um “miniblog”), atualizado pelos repórteres com breves relatos e fotos do celular.

Versão da home do El Mundo em JPG (800 px)

A identidade do El País adotou as cores da bandeira espanhola, e além do placar pós-narração e do vídeo com o gol de Iniesta, o site convida seus leitores de todo o mundo para contar como anda a festa. No espaço da “fotona” temos uma galeria de fotos com grandes momentos da decisão. Outro detalhe: o fac-símile da capa do jornal impresso desta segunda-feira. Além de demonstrar agilidade, é como se estivesse convidando o leitor a comprar e guardar esta edição histórica.

Outro que também pegou emprestado o vermelho e o amarelo é o 20 Minutos, que sempre me chamou a atenção – não apenas pela ousadia na hierarquização dos conteúdos, como também a quantidade de comentários em todas as suas notas.

Versão da home do El País em JPG (800 px)

Versão da home do 20 Minutos em JPG (800 px)

Vamos aos dois sites esportivos mais conhecidos. Tanto o Marca quanto o As usaram a mesma palavra e muitas exclamações: ¡¡¡campeones!!!. No As encontramos a “fotona rotativa”, como no El País. O Marca – que, é bom lembrar, bolou o calendário mais bacana entre os sites – disponibiliza o perfil dos 23 campeões já em uma barra horizontal acima da “fotona”. Em uma de suas fotogalerias, a repercussão da imprensa mundial.

Versão da home do As em JPG (800 px)

Versão da home do Marca em JPG (800 px)

Deixei o mais legal para o fim. No La Informacion, um dos sites que cuidam melhor dos aspectos visuais, uma das imagens da “fotona rotativa” lembra bem uma capa de revista. E antes de exibir a home completa, o Público exibe um slideshow, uma manchete e uma chamada: “Un gol de Iniesta en la prórroga contra Holanda encumbra a España como la mejor selección de mundo. El fútbol hace justicia con la Roja”. Melhor destaque, impossível.

Versão da home do La Informacion em JPG (800 px)

Versão do slideshow do Público em JPG (800 px)

Versão da home do Público em JPG (800 px)

De lambuja, dois arquivos para a posteridade: o áudio da narração com o gol de Iniesta, pinçado da Rádio Marca; e um sensacional infográfico do La Informacion, mostrando como a Espanha e outras sete seleções favoritas atuaram em suas partidas neste Mundial.

Quando Catito encontrou Marcos VP

Marmota

 

Se estiver passeando neste domingo por Belo Horizonte, considere a possibilidade de visitar a tradicionalíssima feira “hippie” da Afonso Pena, uma das maiores e mais completas do país. No meio a todo tipo de presentes, roupas, couros e guloseimas, provavelmente você ficará longos minutos diante de um sujeito sorridente e uma mesa discreta, mas repleta de pequenos objetos redondos alusivos a diversos personagens de quadrinhos e clubes de futebol. Não demora para o artesão Catito Rodrigues explicar o que está diante de seus olhos.

“Estes aí são imãs de geladeira, feitos com tampinhas de garrafa pintadas e envernizadas”, revela, apontando para uma caixa de papeão. São inúmeras tampinhas, com símbolos e muitos escudos populares – o do Inter saltou aos meus olhos, direto para minha mão. Em outras caixas, bolinhas em EVA em diferentes tamanhos, também com imãs e reunidas em kits de doze peças. “Estes são para jogar aqui”, conta, enquanto pega um tabuleiro feito de chapa de aço e adesivos coloridos. “O jogo de damas fica muito mais emocionante quando você tem um clube enfrentando outro”.

Sensacional! E nem é preciso adivinhar qual foi o kit que eu comprei…

Na época em que o conheci, semanas antes do Mundial, fiz uma pergunta inevitável: “então, vai fazer destas pecinhas usando escudos da Copa?”. Já vislumbrei um tabuleiro destes com Brasil x Argentina, por exemplo! “Ih, provavelmente não… A Copa dura só um mês, e depois ninguém mais compra”, observa. Realmente, eu esqueço que o público da feira não é, necessariamente, aficcionado por futebol.

Fiquei imaginando, num exercício de ficção, se Catito Rodrigues tivesse visto não a mim, mas o MarcosVP, que compartilha seu trabalho no Escudinhos (e aqui também). Apesar dos objetivos bem diferentes (não dá para comparar fuetbol de botão com jogo de damas), por que não pegar emprestado a dinâmica que vale para clubes e colocar, num tabuleiro, as escalações do Mundial? Onze titulares e um treinador de cada lado, por que não?

Claro que, dependendo da seleção, não valeria a pena investir em peças alusivas. Quem teria pique, a essa altura do campeonato, em desafiar um adversário usando o escrete do Dunga? E mais: sem contar espanhóis e holandeses (ou talvez os raçudos uruguaios), com qual kit você iria? Bem, talvez a coisa comece a ficar interessante se imaginarmos times clássicos – a Laranja Mecânica dos anos 70, o Uruguai do Maranazzo, o Brasil de 94 ou qualquer tricampeonato da Alemanha – consegue reconhecer os duelos pinçados abaixo?

Acordei neste domingo longe da Afonso Pena, mas visualizando o tal encontro. Os dois, após uma troca de e-mails, trocariam informações e passariam tardes elaborando um híbrido de damas com escudos de botões. Essas duas criações artísticas se tornariam um brinquedinho convidativo para que eu pudesse convidar algum amigo para se divertir nesse longo período de “depressão” pós-Copa que se vislumbra…

Minha visita ao Fifa Fan Fest no Rio

Marmota

 

Cabem dois agradecimentos aos responsáveis pelo meu embarque à Cidade Maravilhosa no último dia dois. O primeiro foi circular por São Paulo exatamente durante o segundo tempo de Brasil x Holanda, evitando dores de cabeça com congestionamentos e com o time do Dunga. O segundo foi o de ter desembarcado a tempo de caminhar pela Avenida Atlântica e passar um tempinho na instalação que concentrou, aqui no Brasil, parte das intenções da Fifa com um Mundial de futebol: a Fan Fest nas areias de Copacabana.

A primeira vez que uma praça com telão foi armada oficialmente pela Fifa foi em 2002. A idéia era atender aos turistas que perambulavam sem ingressos para os estádios. O esboço no Japão e na Coréia serviu de modelo para a Alemanha, em 2006: estima-se que 18 milhões de pessoas frequentaram as Fan Fests nas doze cidades-sede. Para 2010, talvez os números na África do Sul não sejam tão estimulantes, graças ao inverno rigoroso no país. Em compensação, outras seis cidades no mundo receberam o evento patrocinado: Roma, Paris, Berlim, Sydney, Cidade do México e o Rio – a única na América do Sul.

A arena tem capacidade para receber até 20 mil pessoas – durante a manhã daquela sexta-feira, mais ou menos 69 mil circularam pelos arredores da praia. Nem todos, portanto, ficaram diante do telão de 120metros quadrados, em alta definição, apesar de ser possível enxergá-lo antes mesmo de entrar no complexo. Antes mesmo de chegar, o primeiro contraste: por ser oficial, a transmissão da Fan Fest é, obrigatoriamente, da Globo; já os bares recebem o sinal da Orla TV, do Grupo Bandeirantes, que também exibia os jogos da Copa…

A arena fica exatamente a areia da praia – sabendo disso, optei por deixar os tênis no hotel e usar chinelão mesmo. Isso não impedia a presença de alguns perdidos, certamente saídos do escritório, usando camosa social, calça e sapatos. Todos estes, ao entrar, passam por duas barreiras: os seguranças responsáveis pela revista e os fiscais das catracas, que contabilizam a lotação do espaço, são parte dos cerca de mil profissionais envolvidos na organização. Mesmo no final da tarde posterior a eliminação brasileira, ainda tinha uma porção de torcedores curtindo uma ressaca, além do segundo jogo do dia: Uruguai x Gana.

Antes da prorrogação, consegui circular por todos os quiosques mantidos pelos patrocinadores. No cinema 3D da Sony, fila para curtir a transmissão da partida. Ao lado, uma lojinha de produtos licenciados, com preços inflacionados: uma camisa alusiva a qualquer seleção não saía por menos de R$ 100; a mini-jabulani, que encontrei por aí a R$ 35, custava o dobro. Valores que desmotivaram minha especulada em um dos dois bares da Coca-Cola instalados ali. Parti para o ambiente mais interessante: a área do telão.

Tava na cara que a maioria dos torcedores sentados ou escorados nas bordas da arena estavam ali desde o início da manhã, vestindo verde-amarelo e segurando vuvuzelas. Não encontrei ninguém vestindo azul celeste ou alguma camisa relacionada à África, tanto na arena quanto nos camarotes praticamente vazios: só descobri que a maioria dos presentes pareciam torcer para Gana quando Suárez salvou o que seria o gol da classificação de Gana aos 30 minutos da prorrogação, com a mão.

“Que vacilo…”, pensei, em voz baixa, enquanto a maioria gritava loucamente e Suárez deixava o campo, chorando, expulso de campo pelo árbitro português. Asamoah Gyan, um dos grandes nomes da seleção africana, partiu para a cobrança, Chutou com força e a bola bateu no travessão. Enquanto Gyan olhava atônito, vibrava ao lado de uns poucos aficcionados pelo Uruguai. Passei o minuto mais sensacional da Copa do Mundo não apenas diante de uma imagem em alta definição, mas também ouvindo reações da galera. Não podia ter escolhido melhor.

Aquela imagem deu a certeza, ao menos para mim, que o Uruguai se classificaria nos pênaltis. Mesmo com a redenção de Gyan, que foi lá cobrar o seu após ter desperdiçado a chance de se classificar. Vieram duas cobrancinhas medíocres dos africanos, além de uma bola na trave de Maxi Pereira, antes do botafoguense Loco Abreu fazer a alegria dos botafoguenses presentes na areia. Chute com cavadinha e vaga celeste para as semifinais, celebradas pela minoria dos cariocas da Fan Fest.

Assim que a transmissão acabou, entraram os comerciais dos patrocinadores – entre eles o famigerado Tcha Tcha. E acreditem: meia dúzia de três ou quatro torcedores levantaram-se e… Levantaram os braços, seguindo o jeito novo e envolvente de torcer nesta Copa do Mundo! Lógico que estavam levando na brincadeira… Mas isso denota que, mesmo babaca, repercutiu…

Enquanto ia embora, o mestre de cerimônias da Fifa Fan Fest tentava animar os presentes que ficariam para o show do sambista Arlindo Cruz. “É, pessoal, a seleção perdeu hoje mas nossa festa continua! Vamos continuar alegres, com a cabeça erguida! Vamos cantar juntos! Eeeeuuu… Sou brasileeeeiroooo…”. Ah, não, né?

Enfim, enquanto caminhava de volta, fiquei imaginando cada uma das doze cidades-sede no Brasil com uma estrutura semelhante. Fiquei imaginando onde cada uma das que conhecia poderia instalar uma área daquelas, com 31 mil metros quadrados e num lugar bem localizado? Talvez o Anhembi em São Paulo, os arredores do Beira-Rio em Porto Alegre… Onde mais?

Next Page »