A última tourada em Johannesburgo.
MarcosVP
Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar.
O mar é das gaivotas que nele sabem voar.
Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar.
Brigam Espanha e Holanda por que não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.
Esta profética canção, que tem o pitoresco título de “Um Cafuné na Cabeça, Malandro, Eu Quero Até de Macaco”, foi gravada por Milton Nascimento no início da década de 80, sobre um poema de Leila Diniz. Um lindo epitáfio para esta bela copa do mundo, intensa, colorida, barulhenta, surpreendente. Muito se escreveu sobre ela, sobre suas histórias – muita coisa legal você podem achar aqui, no coletivo Blog da Copa, do qual eu fiz parte.
Confesso que desde o início, acima mesmo de minha torcida (forçada) pelo Brasil, eu sonhava com uma final entre seleções que nunca haviam sido campeãs. O que eu não esperava era ter torcido tanto pelo redivivo futebol sulamericano. Argentina, Chile, Paraguai e principalmente o Uruguai me fizeram torcer muito, até as lágrimas. Além disso, várias coisas ficaram evidentes. Uma, é que a África ainda não encontrou seu caminho em campo. Apenas Gana se salvou, até o dia em que encontraram uma celeste mitológica pela proa. Depois, ficou claro que existem hoje três europas: uma nova, cheia de vida, de arte e de técnica – Alemanha, Holanda e Espanha – e outra velha, decadente, embolorada – França, Inglaterra, Itália, Portugal – e ainda uma absolutamente distante do que seja o futebol – Suíça, Eslovênia, Eslováquia, Sérvia. As seleções da América do Norte e da Ásia também pouco fizeram.
A final não foi um bom jogo. Não foi um jogo bonito. Espanha e Holanda tiveram mais defeitos que virtudes em sua última partida. O propalado toque de bola espanhol foi anulado por uma marcação implacável – e mesmo violenta – dos holandeses. Já a Holanda falhou onde era sua maior força: as finalizações mortais de Robben e Sneijder. Quando nada mais parecia funcionar, contudo, e a partida se encaminhava para a loteria dos pênaltis, a Espanha, que não desistiu de vencer um só minuto foi recompensada pelo gol salvador do irritante Iniesta. Era a estocada final, a morte do miúra laranja, o fim da tourada, o início da glória do matador. Assim se encerrava a copa de 2010, com uma seleção européia vencendo pela primeira vez fora do velho continente.
Eu, por minha vez, encerro também aqui minha função de palpiteiro, com a felicidade de ter pelo menos acertado o último jogo, inclusive contra notícia que dava conta de que os holandeses viriam com calções pretos. Então, para os que tiveram a paciencia de me aturar durante este longo mês, fica o meu primeiro presente da noite: o luxuoso PDF com todos os jogos da copa.
Agora, deixo aqui minhas últimas opiniões sobre o torneio, com aquilo que mais me chamou a atenção no que é o meu metier: a imagem, a visão, a cena. Como os 11 jogadores, onze imagens desta copa, onze imagens mexeram com minha emoção e que vão ficar na minha memória.

Com tantas câmeras ao redor, nada poderia mesmo passar impune. O primeiro vexame, o primeiro grade erro, capturado pelos olhos de todo um planeta, este coube ao infeliz Green, goleiro da Inglaterra, no jogo contra os EUA. Um frango homérico que lhe custou a posição.
Os vice campeões de 2006 esfarelaram-se na África como um macarrón velho. De um lado, o tresloucado Domenech, o técnico do zodíaco. De outro, alguns velhos remanescentes da geração zidânica. E uma maldição fermentada por meses nos fígados irlandeses.
Em um jogo violento, um lampejo de genialidade, de uma genialidade arte, moleque, insolente. No final, acabou não passando disso. Um lampejo.
Um craque das lentes, das câmeras, das propagandas. Em campo, um jogador pobre, de lances grotescos, de caras, bocas e ao final, arrogância e falta de educação. Triste epitáfio do belo narciso.
Um mito em campo, uma lenda fora dele. Um passa triste, de ombros caídos, sem coração e sangue. O outro lhe tenta acalmar. Não seria ainda a vez do mito em campo nem da lenda fora dele.
A tecnologia é pedida, é exigida. O juizão não viu o gol que Neuer, o goleiro alemão e milhões de pessoas pelo mundo, assistiram. E a Inglaterra pagou uma dívida histórica com o futebol.
A alegria albirroja de Larissa Riquelme, símbolo dos que torcem e acreditam, mesmo que sua camisa não tenha a história das outras, mesmo que seu país não tenha a glória dos outros. Porque amor é coisa que não cabe no peito, sequer na blusa.
A maior defesa de todos os tempos. Trapaça para muitos. Heroísmo para os que entendem verdadeiramente o que é este esporte, este pequeno mundo onde uma forma redonda encaixa perfeitamente entre linhas quadradas.
A cena final de um épico. O dia em que o louco não teve medo de mostrar, diante do mundo e da história, diante dos seus e dos outros, a sua própria genial e debochada loucura.
Brigam Espanha e Holanda, pelos designios do mar. O polvo, ao que parece, os conhecia melhor que todos.
O maestro da celeste é escolhido o melhor jogador da copa. E os olhos deste que vos escreve se encheram de água. Há muito um jogador não me emocionava. Obrigado por tudo, Diego.
E no grande e merecido final, a paradoxal alegria da Fúria.
E aqui me despeço com uma pequena coincidência. Hoje, dia 11 de julho, meu blog Escudinhos completa dois anos. Há exatos dois anos a primeira cartela foi publicada nele. Que venham mais anos. E eu, peço permissão para dizer adeus ao Blog da Copa. Obrigado pela oportunidade, adorei compartilhar este espaço com vocês. Tio Marmota, o Léo agradece mais uma vez pela Jabulani. Pela primeira vez ele resolveu bater bola dentro de casa e quebrar coisas e eu achei lindo.
Um grande abraço.
De que são feitos os heróis
MarcosVP
Com três coisas você faz um herói: história, humildade e sangue. E foi isso que mostraram alguns times dessa copa, principalmente um: o Uruguai. Quando os jogadores da seleção celeste aterrissarem em Montevidéo na semana que vem, serão recebidos como heróis. Com justiça, porque o são. O Uruguai não é, há muito tempo, a seleção que assombrou o mundo na década de 20, com títulos olímpicos e mundiais. É uma seleção menor, com nomes de pouca expressão, a última seleção sulamericana a se classificar nas copas, hoje em dia. A seleção das repescagens. Pois esta seleção mostrou nesta copa o que é ser heróico. A semi-final contra o Holanda não foi dramática como as quartas, disputadas contra Gana. Mas foi um senhor jogo de futebol. O Uruguai desfalcado de dois de seus melhores jogadores, Suárez e Lugano, lutou com bravura e raça até o último segundo. Teve contra si, um gol irregular. Teve contra si a exaustão de seu líder, Forlán, que deu tudo o que pode e não aguentou continuar de pé em campo. E por mais que percam de sete ou oito no dia da disputa pelo terceiro lugar, voltarão para casa glorificados como a primeira celeste a chegar a uma semi-final de copa depois daquela de 1970, que era grande mas que teve a má sorte de pegar pela proa o time que escreveu seu nome na história como o melhor de todos os tempos. Fica a lição para os brasileiros. Uruguaios, argentinos e paraguaios voltaram derrotados para casa, mas chegaram à luz do dia, pela porta da frente e foram recebidos com festa e com o carinho da torcida. Dunga foi aplaudido em Porto Alegre por conta de sua história. Lúcio, Gilberto Silva e Júlio César ainda serão reverenciados por sua humildade. O resto não deu o sangue, não teve humildade e nem tem história. Chegaram na madrugada, fugiram pela porta dos fundos, com o eco dos xingamentos ao longe.
Já o jogo Espanha e Alemanha, podia ter sido um dos melhores da copa e não foi. Os meninos de Joachim Löw, só resta dizer, tremeram. A fúria cresceu na copa, seu jogo ficou consistente, a Espanha jogou com uma frieza digna dos… holandeses, vai dizer? O que me leva a crer que a final vai ser um jogo de xadrez, decidida nos detalhes, talvez com placar magro. Aposto num Uruguai x Alemanha mais animado, confesso. Ao final das contas, toda a minha torcida para a Holanda, que me deu parte de meu sangue e que historicamente, merece mais o título. O vice para os espanhóis já será o que de más grande conseguiram numa copa.
E vamos, irmãos, aos últimos palpites desta totalmente excelente copa do mundo:
…
E então a gente se encontra no domingo, para encerrar a copa, ok?
¹ Holanda x Bulgária (1974) e Espanha x Paraguai (2002)
Tristeza em tangos e polcas.
MarcosVP
Duas imagens. Duas imagens explicam perfeitamente porque é que, racionalmente, eu preferia ver os hermanos avançando na copa que os dungaboyz, por quem eu só torci mesmo porque futebol não é departamento da cabeça e sim do fígado. Ao final do jogo em que o Brasil perdeu, o que Dunga e Jorginho fizeram? fugiram para o vestiário, sem falar com ninguém, sem cumprimentar os vencedores, sem apoiar os jogadores. Que diferença para Diego Maradona, este a quem os brasileiros odeiam como se ele tivesse chutado pessoalmente cada um de seus cachorros ou cuspido em suas mães. Dieguito, El Pibe, Homem com H maiúsculo, permaneceu em campo abraçando e apoiando seus comandados e dando aos argentinos a seguinte mensagem: “recebam-nos como heróis pois eles caíram de pé”. E caíram mesmo, pois os quatro gols que levaram se devem muito mais à verdadeira aula de futebol ministrada nessa tarde pela Alemanha de Schweinsteiger, Müller, Özil e Klose. A Argentina podia ter tomado de seis, sete e não sairia da copa de cabeça tão baixa quantos os brasileiros que perderam – assim como em 2006 – sem lutar, sem dar o sangue. Porque lutar e dar o sangue é coisa de jogador de futebol, e não de “guerreiros” de propaganda e estrelas do showbiz. Mas, eu falava de fígado, certo? Quantas piadas escutei hoje sobre o fato de Messi não ter marcado gol algum na copa. Mas o que jogou! Kaká, Rooney, Henry e Fernando Torres, todos ainda amargam o nada em suas contas. Mas esses não são argentinos, estão perdoados, não é mesmo?
De pé também caíram os valentes, guerreiros e briosos paraguaios. A Espanha tirou da cartola um gol sobrenatural para vencer os guaranis em sua partida mais dura nessa copa. As semifinais, afinal, são 75% européias. Agora eu me divido entre o sangue holandês que carrego e a vontade de ver os hermanos uruguaios levantarem aos píncaros a ex-Província Cisplatina.
Último palpite das semifinais e antepenúltimo até o fim da copa. Este é fácil e possivelmente será o último palpite fácil dessa copa: penso que Alemanha e Espanha virão de uniformes titulares, normalmente, a não ser que a Espanha resolva ter pruridos supersticiosos e entrar em campo de azul. A Alemanha que não costuma ter essas frescuras, vem de branco/preto/branco mesmo e é isso aí.
Até daqui a pouco.
O último fim de uma era.
MarcosVP
A primeira vez que se falou em “era Dunga” foi em 1990, depois do fiasco da seleção de Lazaroni na copa da Itália. Desde então, derrotado ou vitorioso, Dunga simbolizou, nos anos que se seguiram, uma coisa que nem o brasileiro médio nem a mídia aceitavam com muita tranquilidade: o futebol feio, de marcação, de disciplina e aplicação tática, o que pode até ter trazido ao Brasil uma copa do mundo – a de 1994. Ora, de qualquer forma, convenhamos que, num país que já teve craques mágicos como Pelé, Garrincha, Leônidas, Zizinho, Didi, Zico, Romário e – vá lá… – os Ronaldos, ganhar uma copa com um meio campo que tinha Zinho e Mazinho foi até uma heresia. Mas enfim, vivemos a era dos resultados. Quem vence é herói, quem perde é um fracassado.
Só que isso não é nem nunca foi a cara e o jeito, nem do Brasil, nem do vitorioso futebol sulamericano. Essa história é coisa de americano, de WASP. Por mais que me irritasse ao extremo aquele oba-oba da copa de 2006, o monástério dos meninos de Cristo montado por Dunga e Jorginho acabou se provando falível no momento crucial. Lembrando, é claro, do implacável axioma que Renato Russo escreveu um dia: “Deus está do lado de quem vai vencer”.
Agora a última “era Dunga” – a primeira parecia terminada em 1998 – se encerra. As glórias destes quatro anos serão sepultadas pelo patético cartão vermelho recebido por Felipe Melo no jogo contra a Holanda. Confesso, foi impossível, por mais críticas que eu tivesse à seleção, não torcer e não sofrer. E confesso também que meu bode maior nunca foi com o técnico, embora ele seja sim, uma pessoa intratável, descontrolada e ignorante. E nem nessa briga com a Globo eu estava do lado de alguém, pois como diz o profeta Franciel Cruz, dou um pelo outro e não quero troco. Meu bode é principalmente com o caráter fraco e questionável de alguns jogadores, principalmente as duas maiores estrelas desse time: Kaká e Robinho. Foi sobre esses dois galãzinhos de comercial que foram depositadas as esperanças da torcida brasileira por essa seleção. Porque nós nos esquecemos de quem são esses dois rapazes e o que eles já aprontaram, ou por seu desprezo às pessoas – caso de Robinho – ou por seu desprezo à seleção, quando as partidas e jogos eram menos importantes, como a copa América – caso de Kaká.
O triste é que o Brasil se ressente de algo que não possui há tempos, na verdade, desde 1970: uma seleção que jogue como o Brasil e vença. Eu creio que jamais veremos uma geração como aquela em campo novamente, como sei que nunca mais se reunirá novamente um Clube da Esquina, uma ipanema da Bossa Nova, uma Jovem Guarda, os Beatles, o Flamengo de Zico e Adílio, o Vasco de Ademir de Menezes, o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos. Mas há de haver um time e um técnico por aí que resgatem nossa alegria, que nos remetam novamente ao futebol que só este país de pés-sujos e vira-latas sabe jogar. Que nunca nos tirem da cabeça e do coração que mais vale uma seleção como a “fracassada” equipe de 1982 que mil times de Felipe Bastos, Michel Alves, Daniel Melo e demais quejandos sem nome, passado ou futuro. Por mais que tenhamos torcido e nos vestidos de verde e amarelo, isso não era o Brasil. Que venha, então o próximo.
E claro, depois de todo esse #mimimi, e depois de ver com que RAÇA e SANGUE os uruguaios arrancaram do fundo de uma partida quase perdida a sua classificação – APRENDAM, dungaboyz! – vamos ao palpite – difícil – para a primeira das semifinais.
Como vocês perceberam, até um jogo fácil como Uruguai e Gana eu consegui errar. De qualquer modo, era uma aposta de 50%, já que qualquer dos dois uniformes de Gana dava certo contra a celeste. Gana deve ter vestido a superstição e a lembrança da vitória contra os EUA. Os ganenses lutaram muito, mas não deu. Agora, o Uruguai, depois de 40 anos, manda a primeira semifinal contra a Holanda. Não dá para vir completo porque a Holanda, a não ser que tenha uns pantalones brancos escondidos, só tem calções pretos ou azuis. Então, como ocorreu várias vezes na copa, o Uruguai vem alterado e a Holanda com o uniforme completo. Mas também pode ocorrer do Uruguai vir todo de branco. Quem garante o contrário?
Amanhã, a segunda partida das semis. E toda minha torcida para a Argentina. Paraguai x Espanha pouco me importa.
O triunfo dos felipes
MarcosVP
Fim de papo para as oitavas de final. Confesso que não assisti nenhum dos dois jogos de hoje, mas ao que parece, hispânicos europeus e sudamericanos fizeram por merecer os resultados que obtiveram. Feliz pela vitória que dá mais uns dias de festa ao Paraguai e triste pela eliminação de Portugal - ainda que e Espanha merecesse mais a vaga, mas quem liga? família é família… – eu trago para este já surrado blog os meus palpites para os dois últimos jogos das quartas. Bom, como todos puderam perceber, eu acertei apenas três jogos das oitavas. Vamos ver o que me reserva a próxima etapa.
…
Vamos falar primeiro de Paraguai e Espanha. Vejam, o Paraguai só foi mandante em um dos jogos da primeira fase, contra a Nova Zelândia. Contra a Itália, veio com o uniforme tradicional completo, e os italianos também. Aí, veio o jogo com o Japão que tem – não sou eu que estou dizendo, é aquela tabelinha da FIFA – o uniforme titular igualzinho ao da Itália: azul/branco/azul. Não podiam jogar os dois de uniforme titular? Não, segundo a madre superiora. Paraguai e Japão entraram, ambos, com uniformes alterados. Isto posto, é o que acho que acontecerá com paraguai e Espanha. O uniforme reserva da Espanha era para ser todo azul-marinho, mas como eles jogaram de calções brancos contra o Chile, creio que essa combinação se repete, e assim como o Chile, o Paraguai virá de calções e meias azuis como jogou contra a Eslováquia. Sendo o Paraguai mandante, a albirroja está garantida.
Já Brasil e Holanda é outra história. Eu acreditava que o Brasil seria o mandante, mas não é, são os holandeses. Então, para agradar a Nike, o Brasil virá de azul/branco/azul, contra a Holanda de laranja/preto/laranja. Esta combinação já ocorreu nessa copa, no jogo Holanda x Japão. É minha aposta, apesar de achar que ambas as seleções poderiam vir tranquilamente com seus uniformes tradicionais. Em todo caso, se isso ocorrer, será a quarta combinação diferente de uniformes no quarto jogo entre Brasil e Holanda em copas do mundo. Lembram-se dos três anteriores?
…
Abraços a todos. Ao final das quartas eu retorno.
O túmulo dos critérios.
MarcosVP
Dois dias já se foram nestas empolgantes oitavas-de-final, depois de uma modorrenta fase de grupos. Os quatro jogos foram excelentes. A celeste olímpica mostrou raça para vencer os lépidos coreanos, comovendo toda a melancólica República Oriental do Uruguai que não via nada semelhante desde 1970. Os determinados ganenses destruíram, pela segunda copa seguida, a esperança dos americanos de avançarem como em 2002. Os rápidos alemães envolveram e esfolaram os indolentes britânicos, que fizeram uma péssima copa mas, pelo menos, pagaram uma dívida histórica com o futebol – sim, aquele não-gol de Hurst em 1966 foi descontado hoje da conta de Lampard. E por fim, os hermanos mostraram que vinho é mais forte que tequila e mandaram o bom time mexicano de volta para casa.
Sendo assim, dois jogos das quartas-de-final estão definidos, nesta copa que tem sido o túmulo dos critérios e das cores nacionais. A FIFA tem definido combinações de uniforme absurdas nesta copa, como por exemplo, a obrigação do Chile jogar todo de branco – como NUNCA antes – contra o Brasil. E se havia uma suspeita de que as seleções traziam peças com mais de duas cores nos uniformes, este jogo entre Argentina e México, em que o tradicionalíssimo uniforme albicerúleo argentino foi absurdamente vilipendiado, mostrou que a Argentina simplesmente não tinha opção. Foi imposta aos argentinos a obrigação de um uniforme – reserva que fosse – que tivesse uma única cor, no caso, azul. Olhando ao redor, na verdade, somente a França usou efetivamente peças de três cores, no caso, as meias. O Brasil, em sua configuração de uniformes, pode jogar sem problemas todo de azul. A Sérvia não usou calções brancos, mas é possível que os tivesse, além dos azuis e vermelhos que utilizou. E a princípio, de todos os times, somente Camarões, Holanda e Espanha não tinham pelo menos um uniforme de uma única cor. O resto foi obrigado a ter, por mais estranhos que fossem, como a Alemanha, por exemplo, em que os calções foram claramente feitos para serem usados com as camisas e meias de cores alternadas.
Isto posto, vão aqui meus dois palpites para os primeiros dois jogos das quartas.
…
Bom, o único critério que até o presente momento não falhou nessa copa foi: seleção mandante joga com a camisa titular. Isto posto, Uruguai e Argentina jogarão com as celestes tradicionais. Contra o Uruguai, Gana poderia vir sem problemas tanto de branco quanto de vermelho. Vou apostar no mais simples, com os africanos vindo com seu uniforme titular. Já em Argentina x Alemanha, a coisa é bem mais complicada. Vejamos… a Argentina podia perfeitamente vir com seu uniforme titular completo, com calções pretos e meias brancas. A Alemanha poderia vir tranquilamente com seu uniforme reserva em preto/branco/preto. Inclusive, foi assim que estas duas seleções se enfrentaram em um amistoso pouco antes da copa. Mas, levando em conta que o simples aqui nem sempre tem sido a tônica, eu creio que os comissários vão determinar que a argentina não use calções pretos, já que a Alemanha já tem preto no uniforme. E que, já que a Argentina não tem calções brancos, pelo visto, que combine os calções azuis com as meias azuis, como fez hoje contra o México. Nesse caso, a Alemanha vai ter que vir de calções e meias brancas. E poderia vir então, só com a camisa preta. Mas os árbitros possivelmente vão achar melhor que a Alemanha jogue toda de branco, em uma combinação que já fizeram contra a Argentina em 1966 e no Mundialito do Uruguai, em 1981. É minha aposta. E confesso que eu preferia estar redondamente enganado neste jogo, pois vai ser um dos momentos mais bizarros da história dos uniformes em copas.
Que venga el torito.
MarcosVP
E termina – finalmente! – essa interminável primeira fase da copa. O fechamento dos grupos G e H não trouxe qualquer surpresa. Brasil e Portugal dançaram um VIRAZINHO fajuto e não correram riscos. Coréia do Norte e Costa do Marfim fizeram lá o esperado e dão adeus sem choros nem vuvuzelas. O jogo do dia foi Espanha e Chile. Os chilenos de El Loco Bielsa até jogaram bem, mas em duas falhas da defesa aprenderam da pior forma o que podem fazer os excelentes Villa e Iniesta. De qualquer forma, ambos se classificaram, já que o resultado de Suíça e Honduras não tava pagando nem 1 por 1 em qualquer casa de aposta decente. Era OCHO sem sombra de dúvidas. No final das contas, contrário ao meu desejo, os Dungaboyz vão pegar nas oitavas não o touro grande, mas o pequeno.
Bem, todos já sabemos que minha previsão de uniformes para Alemanha e Inglaterra já furou, por causa da FRESCURA supersticiosa de Fábio Capello. Pelo menos espero que o all red lhes dê sorte. Vamos fechar então o caixão das oitavas de final:
…
Bem, até o final da copa eu terei a chance de ser mais rápido que a FIFA e palpitar os uniformes, como fiz com os das oitavas. Então, como já são poucos jogos, que tal curtirmos algumas curiosidades de uniformes usados na história das copas? Comecemos com uma bem interessante. Lembram que eu falei aqui de como Brasil e Argentina disputaram quatro partidas em copas e com quatro combinações de quatro uniformes diferentes? Algo próximo disso ocorreu nos jogos entre Brasil e Suécia, que se eu não estou enganado, foi uma das partidas que mais se repetiu na história das copas: foram sete confrontos. E querem mais uma? Em nenhum desses sete confrontos Brasil e Suécia repetiram a mesma combinação de uniformes. Não acreditam? Eu mostro.
…
…
…
Ah, sim… o sétimo e último jogo foi aquele da semi-final da copa de 1994, que eu postei aqui há alguns dias, quando o Brasil jogou todo de azul e a Suécia toda de branco.
E vamo que vamo.
Ciao, azzurra.
MarcosVP
Chega ao fim o penúltimo dia da primeira fase da copa e hoje, a mais contundente vítima foi a seleção da Itália, derrotada – com uma boa ajudinha do juizão inglês – pela Eslováquia por 3×2. De qualquer modo, a azurra fez uma campanha pífia, anos-luz distante de sua tradição e de seus títulos. Por mais nomes cascudos que ainda estivessem naquela equipe, ela nunca foi um time de verdade. A Itália carrega para casa, depois dos escândalos recentes de seu futebol doméstico, mais essa vergonha para digerir. Do lado alegre da força, o Paraguai – mais um sulamericano que termina seu grupo em primeiro – segurou o empate contra os simpáticos neozelandezes, que voltam para a oceania de cabeça erguida. No grupo D, a vitória maiúscula do Japão coloca mais um asiático nas oitavas. A Dinamarca – uma espécie de clone da Suíça, tanto nas cores quanto no que apresentou até agora, volta para casa sem glórias. Agora vejamos como ficaram mais dois jogos das oitavas:
…
Total tranquilidade para os comissários, vai dizer? As quatro seleções jogam de uniformes titulares. Paraguai e Japão ainda repetem a combinação de Paraguai x Itália. Sem sustos.
Agora vamos aos jogos do dia 25/06, último dia da primeira fase. Ufa!
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Tudo resolvido no grupo G. Brasil e Portugal estão classificados – a não ser, é lógico, que Portugal perca de muito do Brasil e a Costa do Marfim aplique uma goleada histórica pra cima da Coréia do Norte. Não acredito nessa combinação. No mais, Portugal, Brasil e Coréia do Norte jogam com uniformes titulares e a Costa do Marfim vem com o reserva, o mesmo em listras verdes e brancas com que enfrentou o Brasil.
…
Feia está a coisa no grupo H. O Chile tem duas vitórias e se classifica com um empate – ou até com uma derrota, caso a Suíça não vença Honduras. Mas se Espanha e Suíça vencerem seus jogos, por um placar mínimo que seja, os insinuantes chilenos estarão fora da copa. Por outro lado, se a Suíça vencer Honduras, a fúria é obrigada a vencer o Chile, se quiser ter a esperança de fazer um jogo dramático contra Brasil ou Portugal nas oitavas. De mais a mais, o jogo Chile e Espanha apresenta uma das mais aberrantes alterações de uniforme da copa, a da Espanha, que virá de azul-marinho com calções e meias brancas, quando podia vir toda de azul-marinho e o Chile, mesmo mandando o jogo, aproveitando para usar seu uniforme branco reserva. Pior: o Chile vem com o titular alterado, de meias azuis, quando a Espanha sim é que podia vir com as mesmas azuis. Incompreensível. Já a Suíça joga de uniforme 1 contra Honduras que vem com o uniforme 2.
E vamos em frente.
Xô, surpresa!
MarcosVP
Fim de papo neste dia 23/06 e mais duas partidas de oitavas-de-final se desenham. No final das contas, as favoritas Alemanha e Inglaterra avançaram em seus grupos, deixando de fora as surpresas balcânicas Eslovênia e Sérvia. Contudo, só uma delas chegará às quartas, já que se enfrentam agora. Os americanos conseguiram uma vitória heróica sobre a Argélia, e por terem buscado esta vitória o tempo todo mereceram mais a vaga que argelinos e eslovenos, que entraram em campo para se defender. E Gana vem para a segunda fase representando o orgulho africano, perdido nas eliminações das outras cinco – quem aí acredita na classificação da Costa do Marfim? – seleções do continente. Mas vai pegar os americanos com sede de vingança. Afinal foram os ganenses quem os desclassificaram em 2006.
…
Quanto aos uniformes, minhas apostas são simples. Estados Unidos e Alemanha, como mandantes, virão com seus uniformes titulares tradicionais. Gana e Inglaterra naturalmente se adaptarão, sem alterações. Aliás, a alteração no uniforme da Alemanha hoje ficou medonha. Apesar da belíssima camisa preta e dourada, o calção com listras brancas – feito para ornar com a camisa branca – ficou obviamente com cara de acochambração.
E vamos aos jogos do dia 24/06.
…
O interessante grupo F será definido nos jogos de 11h. A coisa está bem encaminhada para o Paraguai. Um empate com a Nova Zelândia já os classifica. Aos nativos da terra do kiwi, só a vitória interessa. De qualquer modo, os neozelandeses só dependem de si mesmos. O mesmo dá para dizer da Itália. Uma vitória sobre a confusa Eslováquia classifica a azurra, não importa o resultado de Paraguai e Nova Zelândia. Uma vitória paraguaia então, dá à Itália até o direito de empatar. Contudo, eu torço para que Paraguai e Nova Zelândia empatem e a Itália perca. Ia ser lindo. No mais, a Eslováquia (mandante) joga toda titular contra os italianos com calções azuis e os neozelandezes virão, pela primeira vez numa copa, de preto contra o Paraguai com a veste albirroja completinha.
…
No grupo E, o grande pega-pra-capar é o jogo Dinamarca x Japão, já que o jogo Holanda e Camarões - os holandeses já se classificaram e Camarões está fora – não influencia em nada. Com melhor saldo de gols, o Japão joga por um empate e eu torço para que sigam em frente. A dinamarca vem com uniforme titular e o Japão de calções azuis. Já Camarões joga com o uniforme número 1 e a Holanda com sua bela vestimenta reserva. Esteticamente, pelo menos, vai ser um lindo jogo.
Bola pra frente, rapaziada.
Andalevous, le bleus.
MarcosVP
Melhor impossível o final do grupo A da copa: Uruguai e México classificados, com o Uruguai em primeiro evitando a Argentina, a França voltando pra casa merecidamente humilhada e desmoralizada e os Bafana-bafana se despedindo com uma vitória – pelo menos uma. Já no grupo B, a esperada vitória dos argentinos sobre a Grécia – com gol de Martín Palermo e tudo – e o empate com a Nigéria que acabou classificando a Coréia do Sul. Com isso, já estão definidas duas partidas das oitavas-de-final e como ainda não saiu a tabelinha para esses jogos, eis meus palpites:
…
E amanhã, dia 23/06, temos os fechamentos dos grupos C e D.
…
O grupo C chega à última rodada absolutamente virado do avesso. Um empate classifica a surpreendente Eslovênia, o que deixa a até então favorita Inglaterra com a obrigação de vencer um jogo que promete ser dificílimo. Os Estados Unidos tem, teoricamente, uma tarefa mais fácil diante da Argélia. Muito teoricamente. Na minha opinião, eu acho que os argelinos vão é encarniçar pra cima do Tio Sam. Estados Unidos x Argélia é jogo simples de uniformes, com os EUA jogando com sua vestimenta principal e os argelinos com o belo reserva em verde-alface. Já a Eslovênia, que vem de toda de branco com seu uniforme titular, enfrenta os Ingleses completamente vestidos de vermelho, combinação que nunca utilizaram numa copa. Tomara que não sejam supersticiosos.
…
O grupo D está um pouco menos surrealista que o C. Se Alemanha e Sérvia vencerem seus jogos, se classificam, com os alemães provavelmente em primeiro, por conta do saldo de gols. Contudo, Gana só precisa de um empate diante dos germânicos para se classificar e se isso ocorrer e a Sérvia vencer a Austrália, a Alemanha estará fora das oitavas de final pela primeira vez numa copa da mundo. Aliás, outra coisa que jamais ocorreu é a Alemanha jogar toda de preto, como ocorrerá amanhã diante de Gana que vem, pela terceira vez, com seu uniforme titular todo branco. Já Austrália e Sérvia se enfrentam com uniformes titulares.
E vamos em frente.
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