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	<title>Blog da Copa &#187; Dragão Gordo</title>
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	<description>Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!</description>
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		<title>O Brasil em campo. E eu no busão.</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 19:34:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dragão Gordo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Copas passadas]]></category>
		<category><![CDATA[Voz do torcedor]]></category>
		<category><![CDATA[copa 94]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Era a terceira vez que eu acordava e nada tinha mudado. O cenário era o mesmo de 30 minutos antes. E o de uma hora antes. Gente pra todo lado. Um congestionamento comparável&#8230; Não, superior a qualquer véspera de Natal. Carros, ônibus, caminhões e até motos; mal se moviam nos poucos centímetros de asfalto que, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era a terceira vez que eu acordava e nada tinha mudado.</p>
<p>O cenário era o mesmo de 30 minutos antes. E o de uma hora antes. </p>
<p>Gente pra todo lado. Um congestionamento comparável&#8230; Não, superior a qualquer véspera de Natal.</p>
<p>Carros, ônibus, caminhões e até motos; mal se moviam nos poucos centímetros de asfalto que, ilusoriamente, apareciam e sumiam.</p>
<p>Dentro do ônibus, o anseio pré-Copa mal aparecia.</p>
<p>Ninguém aguentava mais aquela atmosfera de urucubaca e sovaco alheio. Tinham me liberado mais cedo do serviço.</p>
<p>&#8220;Uhuuu!&#8221;</p>
<p>O trouxa aqui esqueceu que mais alguns milhões de pessoas queriam o mesmo: Voltar pra casa e acompanhar a estréia do Brasil. </p>
<p>20 minutos no ponto e o ônibus passou.</p>
<p>&#8220;Beleza! &#8211; Tenho 2h e 40 minutos, fora o chorinho da TV&#8230;&#8221;</p>
<p>Háh!</p>
<p>Logo, o coletivo parou. Fila.</p>
<p>Mas uma fila que eu nunca presenciara antes.</p>
<p>O fim do mundo havia chegado e eu não sabia. Só podia.</p>
<p>Anda-pára-anda-pára e pára?</p>
<p>A euforia logo passou.</p>
<p>Foram duas horas e meia, num trajeto que levaria 30 minutos em dias normais.</p>
<p>Pra quem estava ansioso com a primeira Copa &#8220;que realmente valia&#8221; (1982 e 86 eu não entendia qual era a graça. E a de 90, bom, a gente prefere esquecer né&#8230;) , aquele começo não era lá grandes coisas. </p>
<p>Num cruzamento próximo, um cidadão vendia bandeirolas e cornetas verde-amarelas.</p>
<p>Assoprava aquele cone de plástico com um vigor incomum. E aumentava minha frustação que, àquela altura, já tendia ao ódio.</p>
<p>Tive um pensamento muito violento sobre o cidadão e a corneta. Mas isso, pode ficar para um tópico sobre John Stagliano.</p>
<p>Alguém, num clamor que traduzia nosso desespero, pediu:</p>
<p>&#8220;Ô motorista! Abre aqui pá nóis!&#8221;</p>
<p>Ok, era uma tradução porca e mal feita.</p>
<p>As portas do ônibus foram abertas.</p>
<p>Quase caí, na pressa de me livrar daquele ar quente.</p>
<p>Resignado, comecei a caminhar rapidamente, com outras centenas de doent&#8230; Torcedores.</p>
<p>Não fosse o raio da Copa, teria me lembrado de galhofar sobre as pessoas que ficaram presas no congestionamento enquanto eu avançava, no &#8220;passo do elefantinho&#8221;. </p>
<p>Algum tempo depois, avistei minha rua.</p>
<p>Entrei nela e reparei que não havia viva alma.</p>
<p>&#8221; Oh-oh&#8230;&#8221; &#8211; apertei o passo e mal cumprimentei o porteiro, quando entrei no prédio.</p>
<p>Não que isso fosse importante, porque a criatura estava grudada numa pequena televisão.</p>
<p>Desembestado, subi as escadas (claro, porque não tínhamos elevador). Meu coração palpitava. E o suor não pingava, cachoeirava.</p>
<p>Imaginei se teria algum treco no meio do caminho e engrossaria as estatísticas de pessoas que morrem por causa do esporte.</p>
<p>Toquei a campainha de casa como se estivesse com diarréia. Minha mãe abriu a porta, indignada.</p>
<p>&#8220;Precisa disso tudo?&#8221;</p>
<p>Desabei no sofá da sala.</p>
<p>Olhei para a TV e reconheci a camisa Canarinho. 0 a 0 no placar.</p>
<p>Um alivio, misturado à refrescância da brisa que batia em meu rosto molhado, foi suficiente para que eu me lembrasse que precisava tirar a àgua do joelho e lavar o rosto.</p>
<p>Afinal, já tinha perdido boa parte do primeiro tempo mesmo. O que seriam mais alguns segundos?</p>
<p>Lavava as mãos quando os berros ecoaram por todo o prédio. Toda a cidade.</p>
<p>&#8220;Ah não!&#8221;</p>
<p>Corri para a sala.</p>
<p>O Brasil tinha aberto o placar contra a Rússia.</p>
<p>E eu não vi o gol.</p>
<p>O ano era 1994.</p>
<p>Pode ter terminado com lágrimas de alegria.</p>
<p>Mas começou com gotas de suor bufante. ^_^</p>
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