Como fãs do trabalho do argentino Liniers, não resistimos à curiosidade de ver como ele traduziria em tirinhas o sonho adiado do tricampeonato da Argentina. Foi só correr no blog dele e lá estava:



Clementina pra quem não sabe é a caçula de Liniers. A mais velha é Matilda, que já apareceu em outra tirinha de futebol do pai, dessa vez triunfando sobre a nossa Seleção.

Inspirada no comercial da Brahma onde o Júlio César – melhor goleiro do mundo – pergunta pra seus companheiros de seleção: A GENTE É O QUÊ?, passei dias perguntando ao André a mesma coisa, quando falávamos em Seleção, Copa e tudo mais.
Ao invés de responder na mesma empolgação e sintonia o já famoso GUERREIRO!, o André respondia sempre candidamente:
- Noivos.
***
A Copa começa dia 11 e André e eu vamos para o Rio de Janeiro nessa data, porque no dia seguinte é dia dos namorados e passaremos romanticamente lá na cidade do Marcos VP e da Luninha.
Pois mandei para o André há algumas semanas o voucher do hotel em que ficaremos em Copacabana e o gaiato me respondeu assim:
- Vamos pra COPA!…
… Copacabana!
(Nota: inspirado na capa do jornal Meia Hora)
***
E esse não é bem um diálogo, mas uma frase que li no macacãozinho de uma bebê de pouco mais de dois meses.
A roupinha, toda em verde e amarelo, dizia assim no peito: Não sei por que estão falando tanto nessa Copa, se o centro das atenções sou eu.
Oun!
Eu estava em um vôo de Belo Horizonte para São Paulo quando os grupos da Copa do Mundo de 2010 foram anunciados.
Quando cheguei a São Paulo, fui logo perguntando ao André quais os times que o Brasil vai derrotar na primeira fase.
Ele fez uma cara grave, um ar dramático e disse que a coisa estava bem difícil.
Xi.
Mas afinal, quem vai jogar contra o Brasil?
O primeiro que ele falou foi: Costa do Marfim.
Virou piada interna até hoje. Medo da COSTA DO MARFIM?!
Hahahahaha! Quem é a Costa do Marfim na Copa?
Depois, falou que tem Portugal!
Rá! Os saqueadores!
E por fim o que ele considera mais fraquinho, que é a Coreia do Norte.
Na boa, não sei quem disse a frase, mas concordo: pra quem quer vencer a Copa não existe time fraco ou time forte. Todos terão que ser batidos. E serão!
Minha mãe tem um baú de madeira lindo, lindo, onde guardou o enxoval de casamento dela. Esse baú está conosco até hoje e é repleto de recordações.
Semana passada o abrimos para dar uma geral e encontramos entre outras coisas, essa camisetinha:
Minha mãe pegou a camisetinha com cuidado e disse:
- Olha, a blusinha da tua primeira copa… A de 82… Aquela que aqueles filhos da p&#@ perderam!
- Hahahahahahahahah!
- Mas guarda… Foi tua primeira copa.
- Tá, mãe.
Lavamos a roupinha – própria pra um bebê de dois, três anos - e guardamos. Quem sabe lá pra 2014, 2018, alguém se habilita a usá-la outra vez…
No dia do jogo Brasil x França da Copa de 2006, tínhamos um aniversário para ir. Era de um bebê – neto de uma amiga da minha mãe – que fazia um ano naquela data.
Fiquei totalmente pra baixo com a derrota do Brasil e não tinha ânimo algum para ir pra tal festa, mas minha mãe insistiu muito, disse que seria uma desfeita com a amiga dela, que a criança não tinha culpa da Seleção ter perna de pau e que seria um modo da gente se distrair e esquecer a desclassificação do Brasil.
Enfim.
Chegamos lá, a surpresa: os pais de primeira viagem, ingênuos como duas portas, fizeram o aniversário com o tema… BRASIL E COPA DO MUNDO!
Tudo no aniversário era verde e amarelo: balões, bolo, pratinhos, copinhos, garfinhos, gardanapos, toalhas de mesa… Até a roupa do palhaço!
Nas paredes, imagens dos jogadores desenhadas e coloridas em pedaços de isopor.
O horror!
Era como se o aniversário inteiro fosse uma grande alegoria da derrota. A expressão nos rostos dos pais era de constrangimento puro… De “ah, se arrependimento matasse”.
Acho que a única pessoa relax ali era o aniversariante que não estava entendendo absolutamente nada do alto do seu um ano de idade – talvez as crianças que ainda não ligavam muito pra futebol também e, com certeza, minha mãe também não dava a mínima, afinal, desistiu da Seleção desde 82…
O fato é que todo ano, mais ou menos nessa época de junho/julho, eu me lembro daquele aniversário. Um dia o menino vai ver as fotos, vai saber do tal “tema” e vai perguntar sobre o placar daquele dia. E a cara no chão dos pais afoitos vai vir à tona outra vez.
Afoitos ou apaixonados demais pela Seleção?