Blog da Copa

Palpites sobre a maior festa do futebol mundial!

Arquivos: maio/2010

Que tal a base do logo da Copa 2014?

Por Marmota | 31/05/2010, 16h37

Está curioso para saber qual será a identidade visual do Mundial 2014, que será disputado no Brasil? Pois os repórteres Daniel Tozzi, Marcel Rizzo, Paulo Passos e Levi Guimarães, do portal iG, anteciparam a base que irá copor a imagem que será divulgada pela Fifa no dia 8 de julho. Aqui está:

Provavelmente a “arte final” ainda terá algumas características similares a outros selos alusivos à competições oficiais da entidade. Desde 2002, por exemplo, temos aquela representação circular da Taça Fifa em algum canto da marca. A nota do iG revela que o logotipo deve ser impresso com várias cores, mas sempre mantendo o desenho. Baseado nisso, “pintei” um palpite esdrúxulo, baseado nas cores usadas no logo da candidatura brasileira (a primeira imagem deste post):

Como não é a minha especialidade, pedi a opinião abalizada de um designer. Parece que ele não gostou muito. “achei feio. Pobre. Parece coisa da Unicef. E essas mãos? É campeonato de vôlei?”. Ih!

Também fui atrás da opinião do Carlos Merigo, que há alguns meses, pediu aos seus visitantes sugestões de logos para a competição. Os pitacos (contra ou a favor) estavam nos comentários, de onde também pincei a informação de que a escolha da empresa responsável pelo design não é da CBF, mas sim da Fifa – aliás, isso vale para toda a competição, o Brasil será apenas um “hospedeiro”.

E você, o que achou? Enfim, já dá pra afirmar seguramente que o Mundial 2014 já tem, ao menos, logo. Agora só faltam estádios, infra-estrutura, essas coisinhas insignificantes que, como bem representou Milton Trajano na charge abaixo, vão ser construídas de qualquer forma – ainda que alguém “meta a mão”, não necessariamente na massa.

Como eu consegui completar meu álbum da Copa

Por Marmota | 28/05/2010, 12h16

Nessas semanas que antecedem o Mundial da África do Sul, duas são as expectativas mais acentuadas para o torcedor fanático. A primeira é a competição propriamente dita, o apito inicial do jogo de abertura, que teima em demorar graças às notícias relacionadas à preparação das equipes, os útimos retoques no país-sede, os amistosos contra seleções insignificantes, enfim.

A segunda é o álbum de figurinhas da Copa do Mundo.

Confesso que, desde meus primeiros passos associados à festa futebolística, minha espera era pelos tradicionais guias ou revistas alusivas (que, diga-se, merece um texto só para elas). Não era uma criança adepta aos cromos. Não só por considerar caro investir em envelopes, mas pelo fato da maioria dos meus coleguinhas, potenciais trocadores de figurinhas, acharem o mesmo. Minha infância foi marcada por frustrantes álbuns incompletos. Em 2002, já bem crescidinho, pude perceber que o cenário era favorável, graças a combinação de amigos aficcionados e orçamento adequado.

Pois vejam que coisa: apeasar do entusiasmo, ainda ficou faltando uma figurinha em meu álbum do Mundial da Coréia e do Japão. Uma lacuna que pode ser representada pelos canais de comunicação pessoal aproveitados à época: só usávamos e-mails entre os conhecidos de sempre, sem chance de expansão; o ICQ tinha um excelente localizador, mas não era possível rastrear colecionadores; fóruns não eram exatamente confiáveis; e blogs ainda engatinhavam nas mãos de poucos usuários descolados.

Não é incrível perceber que, se o volume de gente nessas ferramentas de comunicação em rede aumentaram em oito anos, o mesmo se aplica ao interesse em um tipo de coleção 100% analógico, baseado em papel pintado e cola embutida, tecnologias “marcadas para morrer” por qualquer catedrático? Sim, a Fifa e a Panini chegaram a lançar um álbum virtual, que traz a genial sacada de resgatar rostos dos jogadores em figurinhas de álbuns antigos, mas as vendas em banca da boa e velha versão impressa deve ter ultrapassado com sobras os números de 2006, algo como 2,5 milhões de álbuns. Sem contar absurdos como o roubo de uma remessa de cromos em São Paulo!

Como explicar tamanho interesse por essa coleção? Meu palpite: o fato de estarmos, potencialmente, conectados a mais pessoas conhecidas e, consequentemente, aos seus colegas, embutiram no imaginário coletivo a sensação de que “vai ser moleza trocar figurinhas e completar o álbum”. De fato, quem cultivou suas estratégias de “networking” pode conseguir as 640 estampas desta temporada em tempo recorde. Tenho amigos que, em pouco mais de duas semanas, partiram para sua segunda coleção – sim, do mesmo álbum!!! – só para continuar imerso no universo das trocas, pretexto para estreitar laços. É importante lembrar que existem outras variáveis relacionadas ao processo, como investimento em envelopes de R$ 0,75 (com cinco figurinhas cada) e tempo para promover as trocas. Diante destes dois obstáculos, parti para uma estratégia menos agressiva. Enfim, em ritmo de treino, consegui completar em pouco mais de um mês.

Em 11 de abril, quando a Panini encartou álbuns gratuitamente nos grandes jornais do Brasil, estava em Vitória. Dois dias antes, os primeiros membros da rede já anunciavam: “aqui na minha rua já estão vendendo figurinha!”. Estava dada a largada. Meu primeiro contato com o álbum foi no aeroporto da capital capixaba. “Ih, moço, aqui as figurinhas só vão chegar durante a semana…”. Lamentei e disse que conseguiria o álbum de outra forma. “Ah não, moço, pode levar esse aqui. É que o homem que comprou o jornal não quis levá-lo, está sobrando!”. Uia, mas que tremendo golpe de sorte logo na arrancada!

O presságio positivo em trânsito não durou muito tempo. Num esforço em busca de diferentes distribuições, procurei figurinhas durante minhas passagens relâmpago por Brasília e Recife, semanas depois do lançamento. Nada de cromos. Ouvi de uma comerciante pernambucana uma história muito doida, dando conta que a distribuidora estava “segurando remessas porque haviam chegado poucas, não queriam privilegiar nenhum ponto de venda e por isso não existiam figurinhas à venda em lugar nenhum”. Mesmo sem fazer sentido, o Marcelo Bloc chegou a comentar que, em Fortaleza, a situação era parecida. A febre havia definitivamente surpreendido a Panini, que logo tratou de produzir mais remessas e normalizar o caos.

Para compensar a frustração após tantas andanças, fiz o que qualquer fã de álbuns adoraria fazer: entrei na revistaria da rodoviária Tietê e, sem pestanejar, pedi “um pacotão”. Na prática, um pacote fechado com 50 envelopes, ou seja, 250 figurinhas. Um belo começo, além de um passatempo delicioso: não há nada mais divertido do que rasgar pacotinhos, empilhá-los num montinho desordenado, observar uma a uma as novas aquisições (minha primeira foi a do Frei, da Suíça), ficar impressionado com os rostos semelhantes dos africanos e orientais, dar risada ao reparar que aquele esloveno se parece com o Marty McFly, resistir à tentação de colar os argentinos de cabeça para baixo… Enfim, dei sorte: acumulei apenas seis repetidas nessa leva, trocadas imediatamente.

Achou exagero meu ter comprado um pacotão? E o que dizer do Adilson Fuzo? “Bem, como estou colecionando o meu e o do meu filho, gastei praticamente todo o meu ordenado em envelopes para começar. Comprei mil figurinhas”.

É isso mesmo. Mil. certamente isso explica a reação de um vendedor, na Avenida Paulista, onde numa compra humilde pude formar meu primeiro “bolinho” de repetidas: “Tenho figurinhas pra vender sim, meu jovem. Quantos pacotes você vai querer? Cem? Duzentos?”. Diga se isso faz algum sentido pra você.

Como era de se esperar, as compras em múltiplos lugares diferentes revelavam surpresas, além de um número cada vez maior do hondurenho Costly, do sul-africano Pieenar e do norte-americano Beasley, entre outras bombas. As figuras duplas dos estádios (que logicamente ficaram coladas igual a cara do infeliz que as projetou assim) saíram em grande parte dos pacotinhos presenteados pela Luciana, em Belo Horizonte. Os mexicanos, que teimavam em permanecer com metade dos espaços vazios, apareceram numa compra que fiz no Rio de Janeiro. Num excelente negócio, ajudei o Rodrigo Cezaretti a abrir seu “pacotão” (essa coisa de comprar de baciada é mais comum do que você pensa) e propus uma troca justa: ele ficou com 250 cromos inéditos, desde que topasse trocar comigo, além das repetidas dele, as que eu ainda não tinha, mesmo se também faltassem pra ele.

Graças a iniciativas vencedoras como esta, digo com alegria que o maior número de cromos inéditos veio na troca com os amigos. Foi num encontro despretensioso de aniversário, por exemplo, onde percebi isso. Metade dos meus convidados levaram seus bolinhos de cromos, resultando em longos minutos de trocas bem sucedidas – só eu consegui quase uma centena. A propósito, aproveito a oportunidade para pedir desculpas aos outros presentes que, em razão dessa euforia, não conseguiram conversar direito comigo… Como no ano que vem não tem Copa, prometo compensá-los. Se serve como explicação, colecionar figurinhas nos deixa idiotas. Vejam que, mesmo na reta final, quando faltavam poucos cromos, ainda cometia a estupidez de comprar uns dez pacotinhos e juntar mais repetidas, só pra passar o tempo…

Finalmente, após múltiplas trocas com crianças de todas as idades, restavam seis figurinhas para o final. Pensei em aproveitar algumas das muitas propostas envolvendo contatos no Twitter. É mais factível do que participar de uma alucinada promoção da Panini, ou comprar os cromos diretamente com a empresa via Correios. Acabei optando por algo bem menos virtual e decidi passar no shopping Eldorado, no sábado à tarde, onde tradicionalmente dezenas de colecionadores se reúnem no espaço montado ao lado de uma réplica gigantesca da Jabulani, a bola do Mundial. Entre adultos e crianças, colecionadores e acompanhantes, encontrei uma dupla surpreendente. O pai tinha em mãos um fichário, com envelopes pásticos, contendo muitas repetidas de todas as figurinhas de zero a trezentos e vinte. O albão do filho continha as demais.

“Trocamos três por uma. É o melhor negócio para quem está prestes a terminar”, disse o jovem, sem mencionar se as prateadas valiam mais. De qualquer forma, aquilo provocou duas sensações. A primeira, desagradável. Ora, essa dupla está abusando da vontade dos colecionadores, exatamente como faz o Narazaki ao propor trocar as poucas que faltam a alguém por todas as repetidas. A segunda, mais amena. Vai, acabe logo com isso. E outra: quando a febre das figurinhas terminar, o que esses dois vão fazer com tantas figurinhas iguais? Juntar tudo num bolão e fazer “aleluia” no alto de um prédio?

Enfim, peguei minhas faltantes pouco antes do paizão selecionar cuidadosamente as dezoito figurinhas que valeriam a troca. Já em casa, após minhas cinco últimas autocoladas, chamei a Luciana e entreguei em suas mãos o cromo de um neozelandês. Então ela grudou a última que faltava para, finalmente, colocar o álbum no rol das conquistas, ao lado dos três anteriores. Ainda que, no de 2002, ainda esteja faltando o Keane, da Irlanda.

Ah sim, antes que o Adilson pergunte nos comentários: durante alguns dias, a turma do projeto experimental Koleções ficou com o meu álbum e, ao lado de outros, foi procurar por alguns campeões mundiais que pudessem, gentilmente, autografá-los. Como eu não havia marcado quais cromos havia colado, passei esse tempo trocando-os sem saber quais realmente tinha – uma verdadeira “roleta russa gigante”, como diria Israel de Jesus.

Em compensação, o meu álbum voltou com a assinatura do Raí, o que considero bem bacana – mesmo sabendo do potencial galhofeiro que isso representa, não apenas pelo fato do então camisa dez de 1994 ter “pipocado” naquela conquista, mas especialmente por seu passado relacionado ao clube mais colorido entre os paulistanos. Há quem suspeite, por exemplo, que esteja grafado alguma maluquice como “um beijo do Raí pra você”. Enfim, entre a verdade e a piada, fique sempre com a piada.

“PQP, perdemos a Copa”

Por Marmota | 12/05/2010, 14h23

Enquanto Dunga se justificava ao batalhão de 500 jornalistas, porta-vozes dos outros 190 milhões de potenciais repórteres e técnicos, Rodrigo telefonou para seu pai, o ator Roberto Cezaretti, ansioso por uma opinião a respeito dos 23 jogadores convocados pelo treinador para o Mundial. Ouviu um desabafo irritado.

- Putaqueoparil, perdemos a Copa hoje.

Não parece um comentário diferente do que, segundo o senso comum, foi ouvido em outros recantos do país pouco depois das treze horas da última terça. Esse, no entanto, vem respaldado por um pedaço de papel entregue a Rodrigo em 1993. Com ele, um recado.

- Guarde isso aqui, filho. Deixe para abrir só daqui algum tempo.

Fez isso anos mais tarde. O bilhete começava com uma lista de jogadores que fariam parte da Copa no ano seguinte, seguido por um prognóstico: com essa base, a seleção conquistaria o tetracampeonato. Acertou boa parte da escalação e o palpite.

Mas havia um outro parágrafo. Baseado apenas em sua atenta observação e sensações, Roberto Cezaretti escreveu que o embalo do título, somado ao desempenho dos outros adversários, seria capaz de colocar o Brasil nas finais das duas Copas seguintes. Só que o time fracassaria na primeira, levando o caneco apenas na segunda.

Convenhamos: dá pra não respeitar alguém que ousa prever o desempenho brasileiro em três mundiais seguidos e acerta?

Enfim, Roberto não precisou de qualquer esforço para cravar o que seria do Brasil em 2006. Mas essa era barbada: historicamente, quando o torneio acontece na Europa, dificilmente os convidados de outros continentes levantam a taça. A festinha brazuca em Weggis, que ajudou a abrir um buraco no “quadrado mágico” de Parreira, sacramentou o resultado.

Quando ouvi a história pela primeira vez, pedi ao Rodrigo para que o pai dele imaginasse seis dezenas aleatórias de um a 60 e me entregasse. Ele respondeu que o chute não foi fruto de adivinhação, mas sim conhecimento e “feeling” de um torcedor calejado. Perguntei ainda se o patriarca da família Cezaretti já havia sentenciado nosso destino em 2010. A resposta foi animadora: seríamos campeões.

De fato, há razões para isso: com o time principal, Dunga disputou a Copa América em 2007 e a Copa das Confederações ano passado. Começou ambas aos tropicões, mas faturou os dois títulos. Comprovou que sua postura rigorosa, oposta ao festerê que marcou nossa presença na Alemanha, deu resultado.

Neste semestre, no entanto, o feeling do Roberto fez com que mudasse de idéia. Tudo porque, entre os comprometidos ao sistema de Dunga, há jogadores com rendimento em queda ou lesionados – Kaká, por exemplo. Uma combinação entre os titulares de sempre e reservas que podem segurar o rojão em caso de necessidade. Só faltava a convocação final para que ele pudesse enxergar o que virá pela frente.

A essa altura, só nos resta duvidar da visão além do alcance de Roberto para torcer. Ou zicar algum perna-de-pau durante a preparação e abrir caminho para Ganso, Ronaldinho Gaúcho ou quem você desejar.

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