Ei, e a seleção?
Marmota

Eu vou… Eu vou… Pra Copa agora eu vou!
Eu ia escrever um texto daqueles repletos de considerações particulares a respeito da última convocação antes do Mundial, fazendo referências a outras pré-convocações em Copas anteriores repletas de clamores populares – os Ronaldos parecem o Romário de 2002 – e que ao menos desta vez Dunga mostra coerência ao manter o “grupo fechado”, ainda que pagando o preço de levar Doni, Michel Bastos, Kleberson, entre outras estranhezas. Isso sem falar nos mais exaltados, que sonham em ver Neymar como o “camisa 23″, aquele novato para pegar experiência. E que, exceto numa sucessão de atuações alienígenas do Fenômeno na Libertadores, dou preferêcia a esta coerência de Dunga, dando preferência a atletas que deram o máximo sob seu comando até aqui, reforçada com o discurso “o que vocês falavam em 2006 e o que vocês pensam hoje, ou estavam errados antes ou estão errados hoje”.
Então, antes de escrever, puxo o papo com a Luciana.
- Ei, e a seleção?
- Hexa. Sem as velharias de 2006.
Desisti do textão. Não conseguiria ser tão sintético. O que importa, no fim, é que dê certo.
Costa do Marfim?!
Luciana
Eu estava em um vôo de Belo Horizonte para São Paulo quando os grupos da Copa do Mundo de 2010 foram anunciados.
Quando cheguei a São Paulo, fui logo perguntando ao André quais os times que o Brasil vai derrotar na primeira fase.
Ele fez uma cara grave, um ar dramático e disse que a coisa estava bem difícil.
Xi.
Mas afinal, quem vai jogar contra o Brasil?
O primeiro que ele falou foi: Costa do Marfim.
Virou piada interna até hoje. Medo da COSTA DO MARFIM?!
Hahahahaha! Quem é a Costa do Marfim na Copa?
Depois, falou que tem Portugal!
Rá! Os saqueadores!
E por fim o que ele considera mais fraquinho, que é a Coreia do Norte.
Na boa, não sei quem disse a frase, mas concordo: pra quem quer vencer a Copa não existe time fraco ou time forte. Todos terão que ser batidos. E serão!
Ano novo, velhos palpites
Marmota
Está pronto para vivenciar o ano da Copa do Mundo? Enquanto o Carnaval não passa e 2010 finalmente começa, ainda há tempo de chutar uma bola Jabulani pra estratosfera. Aproveitei o nosso gerador de palpites (bem mais simples do que aqueles onde você precisa cravar os placares, não?) para criar a minha trilha entre a partida com a Coréia do Norte e a taça do hexa erguida em 11 de julho.
É lógico que essa brincadeira não tem qualquer pretensão. Até porque, até o início do Mundial, todas as seleções poderão passar por altos e baixos. De qualquer forma, você pode discordar como desejar – inclusive elaborando o seu próprio palpite. Vamos lá.
Primeira fase: Carlos Alberto Parreira e seu time que me desculpem, mas pela primeira vez na história de um Mundial, os anfitriões serão eliminados na primeira fase. A não ser que o time supere não apenas suas limitações, mas principalmente a desconfiança alheia, mexicanos e franceses conquistarão as vagas do Grupo A. O máximo de “ousadia” que vou me permitir será a ordem: México em primeiro. Logicamente, se depender da minha torcida, os sul-africanos podem se tornar o “Senegal” da vez e deixar Les Bleus na primeira fase. O que, convenhamos, seria justíssimo.
Os argentinos não terão dificuldade alguma em abiscoitar a liderança do Grupo B. A segunda vaga, no entanto, não me parece tão certa assim. Pode parecer estranho dizer, mas nos últimos Mundiais, a Coréia do Sul vem acumulando experiência para, ao menos, não ficar na lanterna. A Grécia, que conquistou uma Eurocopa quando ninguém acreditava, também pode surpreender. E a Nigéria, que nem de longe remete ao time forte dos anos 90, pode aproveitar a “força do continente” e seguir em frente. Minha bola de cristal coloca a Grécia um passinho à frente deles.
O Grupo C é uma tremenda barbada. Os coadjuvantes Argélia e Eslovênia assistirão ingleses e norte-americanos garantirem uma vaga nas oitavas-de-final. O Grupo D é meio “pegadinha”, mas o palpite seco é Alemanha e Gana. Especialmente porque a Sérvia já quebrou as pernas de quem achava o seu grupo de 2006 o “da morte” e a Austrália não é a do Guus Hiddink – e aqui faço meu lamento, adoraria ver a Rússia diante da Itália nas oitavas, pra Azzurra tremer diante do experiente treinador holandês outra vez…
Mas enfim. Para isso ter acontecido, os russos (que ficaram na repescagem) teriam que entrar no Grupo E, da favorita Holanda. Aqui, um cenário bem parecido com a chave da Argentina: qualquer dos três, Dinamarca, Japão e Camarões podem se classificar. Como já “derrubei” dois africanos antes, vou arriscar a classificação deles aqui, com os camaroneses – apesar da tentação de escolher os nórdicos. No Grupo F, outra barbada: os italianos vão nadar de braçadas diante das inexpressivas Nova Zelândia e Eslováquia. Já os paraguaios estarão na África com uma das melhores gerações de sua história, terão tudo para seguir em frente – quem sabe até chegando às quartas-de-final, por que não?
Finalmente, o Grupo G. O “da morte”. O do Brasil. Já ouvi numa dessas reportagens ufanistas: “é o grupo da morte para os outros”. Quando revelei à Luciana os adversários da seleção na primeira fase, tive como resposta um desdenhoso “queeee Costa do Marfiiiim o queee…”. Lógico que o time do Dunga é favoritaço, e deve seguir à risca o bom e velho chavão: para ser campeão, não se deve escolher adversários. Sendo assim, passando em primeiro numa chave carne-de-pescoço dessas, partiremos rumo ao hexa. Agora, os portugueses que tanto estimo que me desculpem, mas minha aposta nesse Mundial é exatamente a Costa do Marfim. Entre os africanos que disputam o Mundial, são os que tem maiores condições de atingir as semifinais – e há uma expectativa gigantesca para que uma nação do continente esteja entre os quatro.
Por fim, o Grupo H. Também é “da morte”. De assistir. A Globo pode colocar desenho animado que certamente dará mais audiência do que Suíça e Honduras. Francamente. Enfim, antes de ser eliminada durante o mata-mata, a Espanha seguirá encantando, goleando, etc. Ao seu lado, confio no aprendizado que Marcelo Bielsa teve em 2002: acredito que ele não repetirá o que lhe deixou fora da Copa na primeira fase. Vamos, Chile!
Mata-mata: Aqui é o momento de separar os homens dos meninos. E, obviamente, ainda que as configurações que elenquei na primeira fase possam fazer sentido, o histórico dos confrontos eliminatórios reservam surpresas que beiram à injustiça. Mas enfim, é a regra do jogo. E de acordo com minha ousada escolha, México e Grécia farão a partida “não deixe de perder” desta fase. Inglaterra e Gana farão um duelo difícil, mas os ingleses irão mais longe. Alemanha e Estados Unidos reeditarão o confronto das quartas em 2002 – que, diga-se, foi uma pedreira para os futuros vice-campeões. Já imaginaram se o time do Ashton Kutscher resolve jogar como fez na Copa das Confederações? Ah, melhor não arriscar…
Mmmhhh… Quem mandou inverter o Grupo A? Argentina e França! Não me importaria se um atentado alienígena abduzisse os dois de uma vez, mas ultimamente ando com mais raiva da França. Para não cair em contradição, uma zebrinha passeando no duelo entre Holanda e Paraguai… Itália e Camarões é outro destes confrontos imprevisíveis, mas vamos na aposta segura. Opa! É aqui que a Espanha vai dançar: diante de Costa do Marfim! Finalmente, um confronto sul-americano semelhante ao da Copa de 98: Brasil e Chile. O placar poderia ser o mesmo, não? 4 a 1 pra nós.
Minha maluquice paraguaia gerou o confronto mais inusitado das quartas-de-final: ao invés de um previsível e emocionante Brasil e Holanda, teríamos… Brasil e Paraguai! Rá! Em outro duelo distante do óbvio, a Inglaterra enfrentaria o México, e não a França, a caminho das semifinais. Itália e Costa do Marfim reforçariam minha teoria “tem africano entre os quatro”. O quarto jogo seria a revanche de 2006, entre argentinos e alemães. Querem saber? Depois dos percalços nas Eliminatórias, nuestros hermanos vão renascer das próprias cinzas e partirem para a decisão.
Agora é palpite puro: Argentina x Costa do Marfim, Brasil x Inglaterra nas semifinais. No fundo, sinto que minhas escolhas seriam estas mesmo, independente de classificações e confrontos anteriores… Mas seria legal se fosse assim, não? Melhor ainda seria a conquista do hexa sobre nossos maiores rivais, numa decisão perfeita para torcedores e investidores. Que tal?
Na espera pelo sorteio dos grupos
Marmota
Agora que boa parte das eliminatórias já terminaram (restam apenas nove das 32 vagas para o Mundial), cresce a expectativa para o sorteio dos grupos, que definirão a primeira fase da Copa. Nas últimas cinco edições, o evento ganhou ares de espetáculo, com direito a parte musical, apresentação de celebridades e afins. Anote na sua agenda: os adversários de suas seleções favoritas na África serão definidos em 4 de dezembro, na Cidade do Cabo.
Como não sabemos ainda quais são as nações classificadas, qualquer especulação não passa de uma tremenda brincadeira. Temos ao menos uma certeza: a África do Sul, como país-sede, está definida como cabeça-de-chave do Grupo A, já que desde o último Mundial, é o anfitrião que abre a competição. E sem qualquer pretensão, é provável que o Brasil encabeçe o grupo B, G ou H – assim o time atua pelo menos uma vez no Ellis Park, o estádio de maior capacidade e, portanto, com certeza de casa cheia.
As regras do sorteio só serão divulgadas pelo comitê organizador dias antes do sorteio. Mas tradicionalmente, funciona assim: teremos quatro potes com oito bolinhas, correspondente às seleções, em cada um. No primeiro, temos os oito cabeças-de-chave, definidos pelo desempenho em Mundiais, além do ranking da Fifa. Os demais tratam de formar uma distribuição geográfica interessante. Por exemplo: um com oito seleções européias; outro com os quatro/cinco da Ásia/Oceania e os três/quatro da América do Norte e Central; por fim, os dois/três sul-americanos, os cinco africanos e um a mais que sobraria no pote anterior. Outros potes, numerados de 2 a 4, determinarão a ordem dessa trupe em cada grupo.
Algumas obviedades: já sabemos que o primeiro pote terá, inevitavelmente, África do Sul, Brasil, Argentina, Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha. Tá faltando um europeu, que pode ser França ou Portugal, ambos na repescagem. Se os dois forem eliminados, a Holanda entraria aqui – e não o México, assim como 2006, por conta das posições no ranking da Fifa.
Como são 13 seleções do velho mundo, as oito restantes entrariam no pote seguinte – e aqui vale o lembrete: a Europa é o único continente que permite dois países num mesmo grupo. Nesse balaio já temos Dinamarca, Eslováquia, Suíça e Sérvia. A Holanda também está garantida (só não se sabe em qual pote). As quatro vagas restantes estão entre os já citados franceses e portugueses, além de Rússia, Grécia, Ucrânia, Irlanda, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina.
Vamos ao terceiro pote. Já temos cinco babas nele: Austrália, Japão, Coréia do Sul, Coréia do Norte (os asiáticos) e Honduras (América Central). México e Estados Unidos são duas bolinhas fortes nesse pote, aquelas que certamente configurarão um “Grupo da Morte”. Ainda resta uma aqui – que pode ser a Costa Rica, caso passe pelo Uruguai, ou ainda a baba restante, que está sendo disputada com afinco por Nova Zelândia e Bahrein.
Por fim, o quarto pote. Chile e Paraguai estão nele. Ao lado deles, pode vir o Uruguai. Soma-se Gana e Costa do Marfim, os únicos africanos (excluindo os donos da casa) com passaporte carimbado. Ainda restam três vagas, que podem ficar com Argélia ou Egito; Tunísia ou Nigéria; Camarões ou Gabão.
Com essas hipóteses bem factíveis, já dá pra se divertir um bocado. Algumas combinações favoráveis para o nosso grupo: Brasil, Eslováquia, Coréia do Norte e Gabão! Ou: Brasil, Bósnia, Nova Zelândia e Tunísia! Rá! Com um pouco mais de tempo, dá pra pensar ainda em alguns “Grupos da Morte”: Argentina, Dinamarca, Estados Unidos e Gana; Alemanha, Holanda, México e Paraguai… Ou aqueles grupos medonhos, uma dureza de assistir: Espanha, Irlanda, Japão e Argélia; África do Sul, Eslovênia, Uruguai e Coréia do Sul… Blé.
Enfim, você pode resistir à tentação e esperar pelo dia 4 de dezembro. Ou imaginar como seria a Copa perfeita, algo que sorteio nenhum será capaz de produzir.
Atualizado em 02/12: Enfim, agora já sabemos não apenas as 32 seleções classificadas, mas também a disposição dos potinhos para o sorteio desta sexta-feira.

No fim, do que se imaginava, a surpresa foi a presença da Holanda como cabeça-de-chave! A explicação da Fifa: usaram o ranking de outubro, antes da repescagem. Pessoalmente, seria uma boa idéia ter a França no mesmo grupo do Brasil. Assim já nos livraríamos desse fantasma de copas passadas logo de cara – e, em caso de derrota, ainda daria tempo de se classificar.
De qualquer forma, agora sim está mais fácil fazer elucubrações – lembrando que só a Europa permite dois países no mesmo grupo. Brasil, Nova Zelândia, Argélia e Eslovênia seria uma das melhores alternativas; já Brasil, Estados Unidos, Costa do Marfim e França seria uma tragédia.
¡Ay caramba, que pesadelo!
Marmota

Quando Don Diego vestiu a camisa da seleção brasileira, num comercial de guaraná às vésperas do vexame canarinho em 2006, o segundo melhor jogador de futebol de todos os tempos anunciava viver um “pesadelo”. É até risível pensar isso de um homem que, em 2004, atravessou problemas que começavam com excesso de peso e terminavam em dependência química, levando a imprensa cravar manchetes do gênero “Maradona à beira da morte”. Não à toa, muitos argentinos o enxergam como deus.
Mas enfim. Maradona já foi “pibe de oro”, craque de bola, capitão da seleção, amigo de Fidel e de Hugo Chavez, ex-viciado em cocaína, ex-ipertenso e quase morto, ex-apresentador de TV, dirigente vitalício do Boca Juniors e ídolo de uma religião. Nos últimos meses, assumiu um insólito desafio: treinar “La Selección” e conduzi-la ao tricampeonato mundial de futebol na África do Sul.
Mas ao contrário do treinador de seu maior rival (também um ex-jogador sem experiência anterior como técnico de uma grande seleção), Deus Diego está prestes a conduzir um milagre: deixar a Argentina fora de uma Copa do Mundo, algo que não acontece desde 1970. Depois da derrota para o Brasil em Rosário, as chances matemáticas de garantir uma das quatro vagas era de 60%, segundo Tristão Garcia. Veio a derrota pro Paraguai e as chances caíram para 26%.
Há quem ignore a calculadora e preveja um duelo faiscante no mais antigo e tradicional clássico sul-americano, entre argentinos e uruguaios, na última rodada das eliminatórias (imaginando que o time vença o lanterna Peru antes). E por mais que Don Diego não tenha lá muito traquejo como treinador, Carlos Bilardo, seu ex-treinador em 1986 e atual diretor de seleções da AFA, garantiu que ele fica. “Só vai sair se vierem Jesus Cristo ou a Virgem Maria”, diz (ou seja, alguém do mesmo patamar de Maradona, segundo os argentinos).
Para nós, já com o passaporte carimbado para o Mundial (e como diria Galvão, ganhar é bom; da Argentina é ainda melhor!) e com um time aguerrido e focado como há muito não se via, assistir ao pesadelo alviceleste certamente nos divide. Confesso que, num primeiro momento, imagino o quanto seria divertido vê-los disputando a repescagem contra algum time qualquer da Concacaf (hoje seria a Costa Rica, que não é aquela baba). Ou melhor: simplesmente acompanhar ao Mundial do sofá, diante da TV…
Mas pensando bem, preciso admitir que nossos vizinhos são muito mais apaixonados pela pelota do que nós. Passionais. Dramáticos. Loucos. Já teve a chance de visitar Buenos Aires? Pois quando isso acontecer, diga a eles que é brasileiro. Dificilmente haverá hostilidade: a primeira reação normalmente é a de respeito e alegria, como se quisessem celebrar o bom futebol – algo que, para eles, é uma característica comum entre as duas nações.
E aqui ignoro o argumento financeiro, envolvendo a Fifa, a imprensa esportiva ou empresas de qualquer ramo à espera da Copa, loucos para associarem suas marcas à paixão pelo futebol, facilmente resumido em um “Copa sem Argentina não dá dinheiro”. A bem da verdade, Copa sem Argentina é deixar do lado de fora gente entusiasmada que vê um jogador excepcional e, ao invés de vê-lo apenas como um promissor garoto-propaganda, o chama de deus.
E a ausência destes apaixonados, em detrimento ao negócio puro e simples, pode ser chamado de pesadelo, não?
(Este comercial da cerveja Quilmes, em alusão ao Mundial da Alemanha em 2006, consegue representar bem essa paixão argentina pelo futebol. Não te dá um pouquinho de inveja?)
Holanda campeã mundial (não oficialmente)
Marmota
Há quem lamente muito o fato daquele esquadrão comandado por Rinus Michels, a popular “Laranja Mecânica”, de não ter conquistado nenhum título mundial quando teve a chance, tanto em 1974 quanto em 1978 – sem o treinador e o líder Cruijff, que moldaram seu futebol total, mas ainda com talento que parou nas armações que encaminharam a Argentina para seu primeiro título. Ainda assim, é uma seleção simpática: só não torci por eles em Copas nos dois confrontos com o Brasil (1994 e 1998) e naquela partida épica diante dos portugueses em 2006.
Agora, pelo menos uma entidade considera os holandeses campeões mundiais – e não estamos falando daqueles brincalhões do IFFHS.
Foi a partir do Ubiratan Leal que conheci o “Unofficial Football World Championship”. Basicamente, é como em uma disputa de título aos moldes dos cinturões de boxe: quem vencer a partida, é o campeão. As estatísticas remontam às duas seleções mais antigas do planeta. Inglaterra e Escócia alternaram a posse da taça a partir de 1872, 58 anos antes de Jules Rimet criar a Copa do Mundo.
A brincadeira foi criada pelo jornalista britânico Paul Brown e inspirada em fãs escoceses, que celebram o fato de seu país ser a maior seleção de futebol de todos os tempos. Isso segundo a UFWC, lógico. Afinal, contando o primeiro confronto internacional de seleções, praticamente apenas ingleses e escoceses se enfrentavam entre 1872 e 1930 – nesse período, País de Gales conquistou seus “títulos mundiais” também.
Esse divertido sistema, que conta qualquer partida oficial da Fifa como potencial decisão, gerou campeões mundiais não-oficiais bastante inusitados. Venezuela, Israel, Coréia do Sul, Antilhas Holandesas, Austrália e Zimbábue, por exemplo, já conquistaram o título. Mais: no período entre 1939 e 1950, quando a Copa foi interrompida pela II Guerra Mundial, o tíitulo continuou em disputa – inclusive com alemães e italianos vencedores.
A seleção brasileira, a “melhor do mundo” segundo a Fifa, é apenas a quinta melhor na UFWC, por ter conquistado o “cinturão” por apenas 29 partidas – foram sete períodos. Uma destas oportunidades coincidiu com uma final de Copa do Mundo: Brasil 5 x 2 Suécia, em 1958. A última conquista brasileira também coincidiu com um Mundial: em 1998, quando derrotamos a Holanda nas semifinais, tomamos o título que acabara de ser tirado dos argentinos, nas quartas-de-final. A faixa durou apenas uma partida, já que os franceses fizeram questão de “unificar” os títulos…
Mas enfim. Os brasileiros estão atrás de escoceses, ingleses, argentinos, russos e holandeses – que, diga-se, são os atuais detentores do título. Além daquela semifinal de 1998, o Brasil teve outro duelo não-oficial pelo título: também numa semifinal, exatamente diante da “Laranja Mecânica” em 1974. Aquele jogo onde, dizem, Zagallo desdenhou da capacidade holandesa, então campeões não-oficiais, e levou 2 a 0. Outra coincidência: houve unificação dos títulos tanto a final de 1974, diante da Alemanha (a “Argentina” deles) quanto a de 1978 contra a nossa rival, já que em ambas a Holanda entrou campeã e saiu frustrada…
É óbvio que, nesse sistema, a única chance do Brasil reconquistar o título é num eventual encontro casual com o campeão não-oficial, seja em amistosos ou em competições oficiais. Por outro lado, prestem atenção no próximo sábado. Além de Brasil e Argentina, teremos outra partida importantíssima: Holanda e Japão, valendo o título da UFWC.
15 anos do Tetra. E daí?
Doni
Não há melhor dia para minha estréia aqui no Blog da Copa do que o aniversário da conquista do Tetra, pela seleção de Parreira, nos EUA. Hoje são 15 anos do jogo final contra a Itália, e eu poderia até escrever uma homenagem aos heróis Dunga e Romário, mas é óbvio que não vou. Prefiro aproveitar o momento para dar minha opinião sobre o polêmico embate 1994 x 1982, já que é uma comparação feita desde aquela época, tanto pela imprensa quanto por muitos torcedores, sem falar no próprio time.
A melhor maneira de explicar minha posição a respeito é usar minha metáfora preferida: a que envolve mulheres e o jogo da conquista. Vamos supor que a Copa seja uma bela mulher chamada Julia. Sei que o exercício seria mais fácil se estivéssemos falando da Taça Jules Rimet, que Deus a tenha, mas imagine uma mulher de corpo esguio, sinuoso e insinuante, com aquele olhar indiferente de quem sabe que é desejada por todos. Agora, pense que os escretes canarinhos das Copas da Espanha e dos EUA são pretendentes batalhando por ela.
O primeiro, vamos chamar de Marcos, é um jovem impulsivo, intenso, daquele tipo de homem para o qual uma paixão pode tornar-se uma verdadeira obsessão. Ele sabe o que quer e parte para o ataque, sem medo e sem medir riscos ou conseqüências. Marcos ama Julia sinceramente, e a deseja mais ainda. Trata-se de um batalhador, de alguém que confia no que pode oferecer a esta mulher e que deixa de lado os conselhos amorosos do Jô Soares porque acredita na própria ginga, na força do que sente. Marcos é sedutor e faz de tudo para deixar Julia balançada. É imprevisível, surpreende a cada momento e permite a ela antever os indizíveis prazeres que ela terá se deixar-se seduzir por ele. Os encontros deste casal são inesquecíveis, ainda que possam durar pouco.
O outro pretendente é o Paulinho, o típico engomadinho classe média. Ele cursa Engenharia, Administração ou Direito (impossível saber com certeza) porque o pai dele quis. O penteado está sempre impecável, assim como suas camisas e sapatos bem lustrados, sem esquecer da blusa sobre os ombros. Sempre que pode ele vai passar uns dias em Orlando, e volta dizendo aos amigos que não há lugar como a Florida. Adepto do “você sabe com quem está falando?” porque tem um tio que é senador da república, o approach dele para cima da Julia é um tanto diferente: ele chega devagar, não vai com muita sede ao pote porque diz ter medo de assustar a moça, mas no fundo tem medo é de levar um fora, algo que seria um golpe fatal em seu narcisismo. Na verdade, ele tenta conquistá-la mais para provar aos outros que pode fazê-lo do que por qualquer sentimento sincero em relação a ela.
Marcos é o Brasil do futebol na areia aos domingos e da roda de samba, da paquera na praia. Paulinho é o Brasil que viaja todo ano para a Disney e que faz a festa no free shop. Infelizmente, é comum que os argumentos do segundo conquistem as Julias da vida. É possível que o rapaz que oferece segurança e estabilidade com seu currículo de bom partido e seu jeito “fofo” tenha realmente seus atrativos. Quando isso acontece, Paulinho abraça Julia triunfante, e lança sobre Marcos um olhar desafiador, sem esconder seu ressentimento e um tanto de raiva. Afinal, ninguém acreditava na sua capacidade de seduzir a gata, e mesmo assim ele venceu! “Agora vocês vão ter que me engulir”, ele pensa, orgulhoso de seu pragmatismo.
Gosto de pensar nos momentos em que Julia espera o Paulinho na cama, enquanto ele está dobrando cuidadosamente sua cueca e fazendo uma bolinha com suas meias. Suspirando, ela sempre imagina o que poderia ter sido a sua relação com Marcos. O frio na barriga e o aperto no peito fazem com que ela se sinta viva, mesmo que por alguns segundos.
Voltando ao futebol, talvez minha maneira de encarar o esporte (e os relacionamentos também) seja meio démodé. O estilo Paulinho-Parreira parece ornar bem com esse nosso mundinho pragmático, afinal. Mas fico pensando que, as vezes, a força da vida e a graça dessa coisa toda estão naquilo que poderia ter sido, e no quanto nós batalhamos, nos entregamos e sonhamos com a grande conquista. Dia 05 de julho foi aniversário da Tragédia de Sarriá, o fim do caso entre Marcos e Julia, e lembrar desta data me emociona muito mais, 27 anos depois, do que pensar no aniversário da conquista protocolar do Tetra.
Todos os Corações do Mundo
Marmota
Alguns meses após da Copa da Alemanha, encomendei uma cópia do filme “Deutschland: ein Sommermärchen” (Alemanha, um conto de verão), dirigido por Sönke Wortmann – o mesmo de “O Milagre de Berna”. O longa narra o desempenho da “Nationalmannschaft” em seu próprio país, numa visão nacionalista alegre e oposta ao seu passado nazista – ao final, mesmo com o terceiro lugar da equipe de Klinsmann, os alemães fizeram festa diante do Portão de Brandemburgo, exatamente onde passava o Muro de Berlim anos antes.
Lembrei dele por considerá-lo o melhor filme do Mundial de 2006, mesmo não sendo o “oficial da Fifa”. Nesse quesito, talvez tenhamos que esperar a Copa de 2014, quando algum diretor competente fará com que jamais nos esqueçamos de uma história contada em duas horas. A mesma sensação que tenho quando lembro de Todos os Corações do Mundo (“Two Billion Hearts”), produção da Sports Target Media dirigida pelo brasileiro Murilo Salles. Uma feliz lembrança neste baile de debutantes do Tetra – conquistado em 17 de julho de 1994, exatos quinze anos.
O filme começa contextualizando o palco da Copa: os Estados Unidos – aquele país que não tá nem aí pro “soccer”. Entrevistas bem humoradas com populares dão a entender que o país não está nem um pouco interessado na competição. Surge a música tema composta pelo maestro Lalo Schifrin apresenta a preparação para a festa de abertura, em câmera rápida.
Na sequência do longa metragem, histórias envolvendo torcedores e favoritas ao título, entre as 24 nações participantes, se alternam com momentos inesquecíveis dos jogos mais importantes. Dezoito câmeras de 35mm, quatro de 16mm, captação de som dolby surround: recursos técnicos que transportam o espectador para a arquibancada. Ao fundo, o texto adaptado por Armando Nogueira é narrado pelo ator Antônio Grassi.
Resumidamente: a Argentina, animada com o tango de Batistuta, se abala com o doping de Maradona e cai diante da Romênia de George Hagi – que, por sua vez, perde uma batalha épica para os suecos (do goleiro Ravelli) com direito a empate cedido na prorrogação antes dos pênaltis. Os animados holandeses e sua torcida laranja se entusiasma, até o gol milagroso de Branco nas quartas-de-final. Os alemães, firmes como um tanque de guerra, começam se complicando com o calor (também pudera, quem aguenta partidas ao meio-dia…) e tropeçam na simpática zebra búlgara. Espanhóis em Madrid comemoram a melhor equipe em anos, eliminadas como sempre em um confronto inesquecível (e injusto) com a Itália.
Ah sim, tem a Colômbia, o torcedor e seu conversível pintado (“Animo muchachos, que nada se ha perdido! Con un esfuerzo mas ganaremos el partido!”) e a célebre entrevista coletiva de Francisco Maturana (“Un equipo que llegó con el intuito de ser protagonista… y en busca de su protagonismo tomamos un gol, después otro…”). Hahaha!
Mas enfim. Antes da decisão no Rose Bowl, temos um rápido histórico de seus dois personagens principais. Em Caldogno, o primeiro técnico de Roberto Baggio conta que o moleque fez 50 gols num torneio da escola, e todos perguntavam se era brasileiro. Na Vila da Penha, no Rio de Janeiro, Seu Edevair lembra do filho Romário, louco por futivôlei e por gols. Finalmente, o nervosismo de ambos no túnel que leva ao gramado. Tensão que prossegue com a trilha clássica forte a partir do apito inicial. Chutes a gol, torcedores nervosos, relógio correndo… Cobranças de pênalti, chute de Baggio pra fora, festa, emoção, aquela coisa toda.
Incrível como este documentário delicioso, que termina com a conclusão “não se trata de jogo, mas sim de pessoas”, até hoje não foi lançado em DVD. O que se vê nos mercados livres da web são cópias do VHS, lançado pouco antes da Copa de 98 pela Europa Filmes. Uma pena: mesmo quem não é louco por futebol, mas adora um bom filme, adoraria rever. Bem que podiam bolar uma parceria entre Placar, Lance, Trivela ou qualquer publicação e distribuir cópias, a preços camaradas, para os aficcionados.
Copa 82 – aquela!…
Luciana
Minha mãe tem um baú de madeira lindo, lindo, onde guardou o enxoval de casamento dela. Esse baú está conosco até hoje e é repleto de recordações.
Semana passada o abrimos para dar uma geral e encontramos entre outras coisas, essa camisetinha:
Minha mãe pegou a camisetinha com cuidado e disse:
- Olha, a blusinha da tua primeira copa… A de 82… Aquela que aqueles filhos da p&#@ perderam!
- Hahahahahahahahah!
- Mas guarda… Foi tua primeira copa.
- Tá, mãe.
Lavamos a roupinha – própria pra um bebê de dois, três anos - e guardamos. Quem sabe lá pra 2014, 2018, alguém se habilita a usá-la outra vez…
Ronaldo teve piripaque e a CBF vendeu a Copa de 98 para a França!
Marmota
No último encontro entre Brasil e França em uma Copa do Mundo, em 2006, todos sabem perfeitamente o que houve. Aquele time do Parreira entrou em campo como se fosse um divertido encontro de compadres, sem nenhum compromisso. Como se estivessem treinando em Weggis, na Suíça. Teve ainda a meia do Roberto Carlos e – como se isso fosse irrelevante – uma atuação convincente dos franceses.
A questão é que, diante de uma eliminação num Mundial, a coisa mais difícil para o brasileiro é eliminar dúvidas. Como pode um time ostentar o melhor futebol do mundo e perder? Ora, lógico que um time perde como em qualquer jogo. Explicar uma derrota pode ser simples, como em 2006. Mas e em 1998, naqueles 3 a 0 do Stade de France, em 12 de julho?
Resumidamente, até os 27 do primeiro tempo, o jogo parecia equilibrado. Então Roberto Carlos (aquele da meia) teve a chance de jogar a bola pra lateral. Preferiu a linha de escanteio. Bola no alto, cabeça de Zidane, gol. No último minuto antes do intervalo, novo escanteio para os donos da casa. O que houve? Bola no alto, cabeça de Zidane, gol.
Praticamente ninguém viu o segundo tempo. Quem ouviu alguma narração acompanhou relatos de um time apático, de cabeça baixa. Atacou boa parte do tempo, mas a reação não deu em nada. Os poucos crentes se resignaram à medida em que o tempo passava. Finalmente, Petit selou a festa em Paris, aos 47 da etapa final.
Enfim, isso foi o que todos viram. Quer dizer, vimos ainda a mídia fazer exatamente aquilo que deveria antes da final: lembrar que o Brasil vinha crescendo na competição, demonstrando competência desde a vitória contra a Dinamarca e sorte na semifinal diante da Holanda. Se dependesse apenas do discurso televisivo, não tinha como não ganhar da França!

Agora, vamos ao que até hoje, onze anos depois, permanece sem explicação.
Horas antes da partida, as emissoras de TV se surpreenderam com a escalação de Edmundo ao lado de Bebeto. Ronaldo, duas vezes o melhor do mundo, estava no banco. Até uma nova lista vir com o nome do Fenômeno tempos depois, os disparates já estavam lançados. O primeiro deles na boca de Galvão Bueno: “foi uma brincadeira de mau gosto!”. Até Suzana Verner, imagem recorrente das arquibancadas, foi acusada de “dopar” o então marido!
Jogo perdido, time abatido… Em pouco tempo, o enredo de novela estava preparado. Antes do jogo, Ronaldo (ainda Ronaldinho) teve uma crise nervosa, convulsão, piripaque, dor de barriga… Roberto Carlos, seu colega de quarto, se apavorou. Todos ficaram apavorados. Mencionaram ataque epilético! Diziam que estava espumando! Temiam por sua vida!
Essa é só a primeira parte da lenda. A segunda, mais crível, diz respeito ao vestiário. Os jornalistas já tinham a escalação com o Animal quando Ronaldinho chegou da clínica, ao lado do lendário Doutor Lídio Toledo, entre outros. Com exames completíssimos e sem nada anormal, disse estar apto a jogar. Até Ricardo Teixeira, apreensivo com o burburinho provocado por Edmundo na lista, participou daquela preleção muito louca. No Stade de France, uma nota oficial dizia que Ronaldo ainda sentia o tornozelo atingido por um dos De Boer no jogo anterior…
Zico – aquele que havia cortado Romário antes da Copa – era contra a presença de Ronaldo. O jogador, respaldado pelos médicos, disse que “ninguém o tirava do jogo”. Coube a Zagallo a palavra final: arriscou e botou o Fenômeno em campo. Ao que tudo indica, o time todo jogou preocupado. Imaginava-se que o camisa 9 pudesse cair duro no gramado. Quando se chocou com Barthez ainda no primeiro tempo, as pernas de todos tremeram mais.
Enfim, outras versões circularam por aí. A mais divertida até hoje: a CBF vendeu aquela Copa para a Fifa, com anuência da Nike – procurem por Ronald Rhovald por aí e verão que ainda tem gente certa de que este fictício representante da patrocinadora trocaria, por um bom dinheiro, o título de 98 por caminho facilitado em 2002…
Teorias da conspiração que certamente se encaixariam como alguma indicando nova mutreta entre cartolas: se o Brasil garantisse o título de algum europeu em 2006, seria contemplado como sede da Copa em 2014. A farra em Weggis, aquele clima de “já ganhou”… Zidane carrasco outra vez, o melhor em campo, cobrando falta em direção ao Henry. Tudo politicagem.
Deve ter sido consequência do trauma pré-tetra, sei lá. Desde então, “somos o país do futebol”, “os imbatíveis”… Seria mais simples admitir que perdemos, que a França foi melhor. Ah, mas não teria graça sem a perturbação das lacunas da derrota. Viva o mistério.
Next Page »
África do Sul
Alemanha
Argélia
Argentina
Austrália
Brasil
Camarões
Chile
Coréia do Norte
Coréia do Sul
Costa do Marfim
Dinamarca
Eslováquia
Eslovênia
Espanha
Estados Unidos
França
Gana
Grécia
Holanda
Honduras
Inglaterra
Itália
Japão
México
Nigéria
Nova Zelândia
Paraguai
Portugal
Sérvia
Suíça
Uruguai
