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Menina Eva vai ao teatro

Tag: Teatro Amazonense

Teatro UEA – Recepção aos calouros

Por Eva | 30/03/2010, 10h36

Ontem, dia 29, foi o primeiro dia na UEA, depois de uma separação estranha – as aulas dos veteranos começaram dia 8 de março, e as dos calouros estavam marcadas pra começar dia 22, mas só começamos ontem, o que me levou a cogitar se os veteranos precisam estudar três semanas a mais do que nós porque somos menos importantes, mas tergiverso…

O processo de matrícula foi bem emocionante: eu procurava TODO DIA no site da UEA pela grade de disciplinas, por algum concurso para professores de Teatro, por uma chamada de processo seletivo simplicifcado e…NÃO VIA NADA.

Considerando que a UEA publica no site aviso de que vai ter festa junina, aviso de que o ano foi muito bom, aviso que vai passar filme, achei que bem poderiam publicar aviso de que estavam selecionando (por concurso ou por seleção simplificada) professores para o curso de Teatro.

Mas, nenhum aviso houve, e tudo o que soubemos foram por boatos. DIZIAM que uma professora de Pernambuco veio, fez um projeto de curso e foi embora por “dificuldade de adaptação à instituição”. Diziam que não tínhamos nenhum professor. Depois, disseram que só faltavam dois professores. Depois, disseram que esperássemos. E esperamos.

E ontem, chegou o fim da nossa espera.Os cinquenta pioneiros do curso de Teatro, o primeiro curso superior de Teatro de Manaus, juntinhos, sentadinhos na sala 12, quinto andar – nossa casa, nosso QG.
A coordenadora do curso, a doce professora Gigi (não é demais chamar uma coordenadora desse jeito?) matou nossa ansiedade, falando sobre a grade de disciplinas, aêêêê!

O curso vai ter três habilitações: Licenciatura em Teatro, Bacharelado em Direção e Bacharelado em Interpretação. A opção por Licenciatura ou Bacharelado ocorrerá no final do quarto semestre, e por um dos dois Bacharelados, no final do sexto semestre. A professora Gigi ainda quer incluir futuramente uma habilitação em Cinema e TV. Ai, ai, parece um sonho.

Depois da conversa com a coordenação, o ex-presidente do Centro Acadêmico de Turismo nos levou pra um tour (turismo, tour…sacou?) pelo prédio. Subimos e descemos várias vezes os dez lances de escadas, conhecendo o ambiente. CPD, NUTEC, Pastoral, Cantina, Sala dos Professores, Mini-Auditório. Achei superdelicado, explicar onde ficam as coisas pros calouros. Todos os funcionários nos dando as boas-vindas, e a gente percebeu que todos no prédio esperavam por nós. (Minhas lembranças da primeira graduação na UFAM incluem veteranos ensinando calouros a pegar ônibus errado, mandando gente do Campus pro MiniCampus, uma grosseria tola.)

Depois, a Big Band do IFAM (antigo CEFET, antiga ETFAM), fez um show pra gente, muito bom, com músicas de Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Kleiton e Kledir e uma do próprio maestro, chamada “Feriado em Manaus”. Terminaram com “In the Mood”, claaaaaaro. :D

Depois, fomos pra Biblioteca, e nos apresentamos. Tem gente de 17 a 50 anos, tem gente que trabalha com teatro, tem gente que largou outro curso no meio, tem gente (como eu) que já está na segunda graduação. Todo mundo cheio de expectativa e sonhos.

Queridos, eu estou TOTALMENTE deslumbrada. :) Não consigo ver essas coisas com cinismo, eu nasci pra ser feliz e otimista.

Hoje, tenho aula. Quando der, conto pra vocês das matérias e professores.

P.S.: A recepção aos calouros teve notinha no site da UEA, aqui. O curso de Teatro nem aparece na lista de cursos de graduação… Ai, ai… Isso porque o curso já estava previsto desde AGOSTO

Vestibular UEA – notícias

Por Eva | 08/12/2009, 23h41

Fiz a prova em um bairro tão tão afastado, que pra chegar lá tive de atravessar a barreira rodoviária que fica na AM-010. Fui de mototáxi, pois tive de sair do meu trabalho (que fica na Oceania) ir almoçar em casa (moro na África) e chegar ao local de prova (Júpiter) com antecedência suficiente. Valeu a pena: meu mototaxista é do clube dos cem por hora, e quando cheguei ainda faltavam quarenta minutos para a abertura dos portões.

Todos os meus colegas estavam lá. Meu colegas do curso de teatro do SESC com o Chico Cardoso, meu atuais colegas dos laboratórios com o Michel Guerrero. Meus colegas com quem já trabalhei em peças empresariais. Todo mundo prestando vestibular pra Teatro, e todo mundo com medo de Química.

Fiz a prova de segunda, com 84 questões. Gostei muito da prova, bem elaborada e bem regional (tinha uma pergunta sobre formigas ao molho de tucupi que me fez sorrir). A prova de História incluiu conteúdos de Filosofia (Aristóteles e Rousseau!), e a prova de literatura estava DE-LI-CI-O-SA, com Gregório de Matos sempre atual.

Logicamente, não sabia nada de química – o que me fez refletir sobre currículos, educação, falência do ensino, e eu quase deprimi – e desesperei ao ver uma questão de Física que era de Movimento Uniformemente Variado, eu sabia que era, mas esqueci a porcaria da maldita fórmula S é igual a S0 v0 alfa t ao quadrado sobre dois. Três anos morrendo por causa dessa fórmula fuleira, e quando eu ACHO UMA OCASIÃO PERFEITA PARA USÁ-LA, eu não lembro!

No mais, fiquei feliz. Gabaritei Português, História, Geografia e Inglês, acertei dez de matemática (até eu fiquei surpresa com isso), acertei duas de Física e quatro de Química, e sete de Biologia. De 84 questões, acertei 59.

Hoje, foi a segunda prova, de Conhecimentos Específicos. A prova estava mais pesada, as questões me deixaram em dúvida, mas o resultado foi melhor ainda: de 36, acertei trinta!

O tema da redação era “Infância, Infâncias”, e a proposta era fazer uma dissertação sobre a ideia geral de infância como algo inocente, belo, alegre, tranquilo, e a constatação que cada experiencia de infancia é definida por diversos fatores (sociedade, educação, traumas). Suei pra ter uma ideia de desenvolvimento de texto, e terminei por abordar a evolucao do conceito de infancia (sentir ternura por crianças e amor materno é coisa meio recente, e a avalanche de produtos voltados pra crianças pode ser reflexo que nós só respeitamos a criança enquanto ela se manifesta como CONSUMIDORA). Acho que falei besteira e minha letra é muito feia, mas cá entre nós: redação eu sei fazer… :D Vocês não acham?

Então, torço pra que com essa pontuação, uma das dez vagas do meu restrito grupo de cotas (pessoas que já têm diploma de ensino superior) seja minha. É torcer pra que o povo CDF de 17 anos, que o papai chamava de “Os Cobras do Cursinho”, queira fazer coisas mais lucrativas como Medicina ou Odonto, e me deixe em paz com minha vaguinha.

(Estou torcendo loucamente pra ser coleguinha de sala do Michel Guerrero, da Héveni, da Ana Cláudia, do Douglas, do Ives… e dos meus parceiros de vida de artista.)

[Para quem tiver interesse, as provas e gabaritos do Vestibular 2009 UEA estão no site da Vunesp, www.vunesp.com.br]

Michel Guerrero

Por Eva | 29/11/2009, 14h09

Há cinco semanas, estou participando dos Laboratórios de Teatro coordenados pelo Michel Guerrero (ator e diretor influente e consagrado de Manaus).

Divulgado no jornal como um curso gratuito, no pimeiro dia apareceram mais de cem pessoas. Jovens, jovens, tão jovens. Uma revoada de adolescentes de onze até dezoito anos, com aquele discurso que eu conheço tão de perto, “eu amo teatro, minha vida é teatro, minha família não sabe de nada”. Alguns adultos, alguns já experientes.

Os laboratórios não são novidade pra mim. Fazer massagem no outro, segurar o olhar, desenvolver emoção, exercícios de fala e respiração, alongamentos, cenas improvisadas, criar um personagem e apresentar.

O que eu ganhei  – inegavelmente – com estes laboratórios, foi ver o Michel interpretando. Nossa, o Michel é uma força da natureza.

Uma vez, ele estava explicando em qual situação é possível interpretar de costas para o público. “Por exemplo”, ele disse, “se eu sou um sacerdote e faço assim”  e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, virou de costas pra nós, ergueu os braços para o céu e os abriu lentamente, e de repente o palco se tornou um altar sagrado, o ar se encheu de suspiros, e nós todos viramos membros daquela seita, silenciosos, completamente admirados. “Então eu posso ficar de costas, e até mesmo falar de costas, desde que caiba na proposta, entenderam?” E a mística se desfez, o mundo voltou ao normal, era apenas o Teatro Jorge Bonates e suas cadeiras antigas.

Cada vez que ele demonstra uma técnica de interpretação, eu fico maravilhada. Cutuco o meu namorado (que faz parte do mesmo povo do teatro), e fico vibrando: “NOSSA! NOSSA! Ele é muito bom, muito bom, muito bom!”

Com o passar das semanas, a quantidade de participantes diminuiu um pouco. Ontem, ele perguntou: “Tem alguém vindo pela primeira vez?” E ninguém levantou a mão. “Ai, GRAÇAS A DEUS!”

Em um dia que as apresentações se alongaram, passando do horário previsto para término (17h), alguns meninos perguntaram: “Podemos sair antes do final? Temos compromisso…” e o Michel respondeu, com tom leve e divertido e ao mesmo tempo ameaçador: “Podem ir, mas terão meu ÓDIO ETERNO!”

Por isso e por muita coisa que não conseguirei explicar, esses laboratórios me fizeram um bem imenso, e torço pra que se tornem um projeto permanente. Obrigada, Michel.

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