Camarim

Menina Eva vai ao teatro

Tag: Graduação em Teatro

Stanislavski

Por Eva | 14/09/2011, 17h50

Estou de férias da Faculdade de Teatro. Nossas aulas recomeçam segunda feira, dia 19 de setembro.

A professora de interpretação nos recomendou a leitura de dois livros: “Minha vida na arte”, do Constantin Stanislavski, e a peça “A Gaivota”, de Tchécov.

Tentamos encontrar o Stanislavski pra baixar. Não encontramos em português nem em inglês – achei apenas uma versão em um idioma que pode ser romeno ou esperanto, não faz diferença: Mea Veata en arta.

Tentamos comprar em livrarias. O livro não existe mais; a editora fechou há alguns anos, estava esgotado em todas as livrarias online.

Partimos para os sebos. O Estante Virtual só dispunha de dois exemplares: um custava 160, o outro, 150 reais. A coordenadora do curso arrematou o de 150 antes que fosse tarde.

Pegamos o livro e fomos tirar cópias, perfeitamente justificadas ante a raridade do exemplar. Com encadernação, cada cópia saiu por dezesseis reais. Nada mal.

Comecei a ler nas férias. E fiquei surpresa: o Stanislavsi era um menino rico, que recebeu finíssima educação intelectual e artística: ele relata que era habitual a família ir ao balé, à ópera e ao circo.

Eles montavam peças na “residência de verão” da família. Com figurino e música, gente. É muito diferente da Eva brincando no quintal de casa – embora eu também elaborasse meus figurinos, hehehe.

E, o que me deixou mais surpresa: o Stanislavski foi contemporâneo do Tolstói, do Tchécov, trabalhou lado a lado com Tchaikovski. É como se um monte de gênios houvesse combinado de nascer no mesmo lugar e época!

Gente, o que é que colocavam na comida desse pessoal? O mesmo pra mim, por favor!

Destruir para Reconstruir

Por Eva | 14/05/2011, 13h03

O Professor João Fernandes, que está ministrando a disciplina de Elementos Visuais do Espetáculo (3º período – Teatro/UEA), passou uma trabalho que me deixou em pânico. Eu teria que conceber um figurino a partir de uma pintura. Para a execução, só poderia ser usada a técnica de “reconstrução” – comprar o tecido e mandar a costureira fazer NÃO VALE!

Parti pra escolher as pinturas que serviriam de inspiração. Devo admitir que eu roubei um pouquinho nessa regra: escolhi pinturas que encaixavam direitinho com o material que eu tinha disponível em casa… Como o quadro Sereia, do pintor brasileiro Volpi:

Sereia - Volpi (1960)

Vi essa ideia no Craftser de fazer um vestido com camisas hering. E todo mundo tem pilhas de camisetas promocionais, não é? Eu tinha camisas brancas, pretas e verdes…o quadro é branco, preto, e verde…

P1160421

Então, recortei a frente das camisas. Consegui cinco “trapézios”. Medi minha cintura, que deu… um metro! (breve momento de dor e sofrimento). O lado menor de cada um dos cinco trapézios teria de ter vinte centímetros.

P1160422

Ficou mal-acabado, pois não quis me arriscar a fazer a barra da saia, mas o conceito é ótimo! Emendei os gomos com a máquina de costura.

Roupa Sereia

Saia de cinco gomos, feita com camisas hering; blusa preta com aplicação de camisa hering; na cabeça, lenço da mamãe (anos 70 que não voltam mais), sandália havaiana com “aplicação” de tornozeleira de camisa hering. Ou seja, um traje completamente reconstruído!

Vamos fazer uma apresentação com essas roupas no fim do semestre. Essa foi a que eu mais gostei.

Teatro UEA – Recepção aos calouros

Por Eva | 30/03/2010, 10h36

Ontem, dia 29, foi o primeiro dia na UEA, depois de uma separação estranha – as aulas dos veteranos começaram dia 8 de março, e as dos calouros estavam marcadas pra começar dia 22, mas só começamos ontem, o que me levou a cogitar se os veteranos precisam estudar três semanas a mais do que nós porque somos menos importantes, mas tergiverso…

O processo de matrícula foi bem emocionante: eu procurava TODO DIA no site da UEA pela grade de disciplinas, por algum concurso para professores de Teatro, por uma chamada de processo seletivo simplicifcado e…NÃO VIA NADA.

Considerando que a UEA publica no site aviso de que vai ter festa junina, aviso de que o ano foi muito bom, aviso que vai passar filme, achei que bem poderiam publicar aviso de que estavam selecionando (por concurso ou por seleção simplificada) professores para o curso de Teatro.

Mas, nenhum aviso houve, e tudo o que soubemos foram por boatos. DIZIAM que uma professora de Pernambuco veio, fez um projeto de curso e foi embora por “dificuldade de adaptação à instituição”. Diziam que não tínhamos nenhum professor. Depois, disseram que só faltavam dois professores. Depois, disseram que esperássemos. E esperamos.

E ontem, chegou o fim da nossa espera.Os cinquenta pioneiros do curso de Teatro, o primeiro curso superior de Teatro de Manaus, juntinhos, sentadinhos na sala 12, quinto andar – nossa casa, nosso QG.
A coordenadora do curso, a doce professora Gigi (não é demais chamar uma coordenadora desse jeito?) matou nossa ansiedade, falando sobre a grade de disciplinas, aêêêê!

O curso vai ter três habilitações: Licenciatura em Teatro, Bacharelado em Direção e Bacharelado em Interpretação. A opção por Licenciatura ou Bacharelado ocorrerá no final do quarto semestre, e por um dos dois Bacharelados, no final do sexto semestre. A professora Gigi ainda quer incluir futuramente uma habilitação em Cinema e TV. Ai, ai, parece um sonho.

Depois da conversa com a coordenação, o ex-presidente do Centro Acadêmico de Turismo nos levou pra um tour (turismo, tour…sacou?) pelo prédio. Subimos e descemos várias vezes os dez lances de escadas, conhecendo o ambiente. CPD, NUTEC, Pastoral, Cantina, Sala dos Professores, Mini-Auditório. Achei superdelicado, explicar onde ficam as coisas pros calouros. Todos os funcionários nos dando as boas-vindas, e a gente percebeu que todos no prédio esperavam por nós. (Minhas lembranças da primeira graduação na UFAM incluem veteranos ensinando calouros a pegar ônibus errado, mandando gente do Campus pro MiniCampus, uma grosseria tola.)

Depois, a Big Band do IFAM (antigo CEFET, antiga ETFAM), fez um show pra gente, muito bom, com músicas de Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Kleiton e Kledir e uma do próprio maestro, chamada “Feriado em Manaus”. Terminaram com “In the Mood”, claaaaaaro. :D

Depois, fomos pra Biblioteca, e nos apresentamos. Tem gente de 17 a 50 anos, tem gente que trabalha com teatro, tem gente que largou outro curso no meio, tem gente (como eu) que já está na segunda graduação. Todo mundo cheio de expectativa e sonhos.

Queridos, eu estou TOTALMENTE deslumbrada. :) Não consigo ver essas coisas com cinismo, eu nasci pra ser feliz e otimista.

Hoje, tenho aula. Quando der, conto pra vocês das matérias e professores.

P.S.: A recepção aos calouros teve notinha no site da UEA, aqui. O curso de Teatro nem aparece na lista de cursos de graduação… Ai, ai… Isso porque o curso já estava previsto desde AGOSTO

Estar pronto é tudo (Hamlet, ato V cena II)

Por Eva | 21/02/2010, 10h38

Passei na UEA, pra Teatro, e fui a primeira do meu grupo de seleção (pessoas que já tem curso superior completo).

Segunda é a matrícula. Aguardem, amados e queridos, muito teatro por aqui. Feliz 2010.

E segue a frase completa do Hamlet:

“Há uma especial Providência na queda de um pardal. Se há de ser agora, não será depois; se não for depois, há de ser agora; se não for agora, há de ser, todavia. Estar pronto é tudo. Uma vez que ninguém sabe o que virá, que
importa que seja logo? Assim seja!”

Cursos de Graduação de Teatro no ENADE

Por Eva | 20/10/2009, 23h45

O ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) é uma prova aplicada pelo Ministério da Educação a estudantes ingressantes e finalistas da graduação, escolhidos por amostragem. Eles fazem uma prova sobre seu curso e preenchem um questionário sobre a estrutura da Instituição na qual estudam, e os resultados são utilizados para avaliar as instituições. Se um aluno for selecionado para fazer o ENADE e não fizer, ele se ferra em verde e amarelo, não podendo receber diploma.

(Paira no ar a ameaça de fechamento dos cursos com piores notas. Eu realmente acho isso injusto. Eu compreendo que onde os cursos têm piores notas, os alunos têm mais dificuldades, a estrutura é PIOR, é exatamente onde este curso é mais necessário. O curso de Medicina da UFAM está por um triz, dizem. E vão fechar uma faculdade de Medicina no Amazonas, gente? NO AMAZONAS, onde há défice de profissionais de saúde? Mas, este não é o foco do texto, e eu nem tenho embasamento suficiente pra ter opinião sólida.)

Eu fiz o ENADE 2006. Era finalista do curso de Administração, e fui selecionada por azareio. Tive uma nota relativamente alta, igual à nota mais alta dos finalistas da minha instituição, o que não quer dizer que eu seja brilhante. Deixei três questões discursivas em branco por absoluta ignorância sobe o que deveria ser escrito ali, errei uma porção de questões de Administração Financeira, Contabilidade e Estatística, que sempre foram meu ponto fraco. Eu e todos os meus colegas achamos a prova relativamente fácil, e ninguém em momento algum cogitou fazer boicote e entregar a prova em branco, como alguns outros estudantes de outros estados, cursos e instituições fizeram.

Há um rodízio das áreas a serem avaliadas a cada ano. Temos então em 2004 os cursos de Agronomia, Zootecnia, Serviço Social, e um mix da área de saúde (Enfermagem, Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Med. Veterinária, Nutrição, Odonto, Terapia Ocupacional). O que Serviço Social faz aí nesse meio?

Em 2005, temos Física, Química, Biologia, Pedagogia, Arquitetura e Urbanismo, História, Geografia, Filosofia, Ciências Sociais, Matemática, Letras, e um mix de Engenharias(dezenas) e Coisas de Computador. Uma baita salada de humanas e exatas, onde a Arquitetura deve ter se sentido muito à vontade e a Biologia deve ter ficado no cantinho sem falar com ninguém.

Em 2006, o meu ano, tivemos uma relativa uniformidade. Administração, Arquivologia, Biblioteconomia, Biomedicina, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social, Design, Direito, Normal Superior, Música, Psicologia, Secretariado executivo, TEATRO e Turismo. A Biomedicina está bastante deslocada entre uma porção de cursos de Sociais Aplicadas (eu posso dizer Humanas II, ou isso não se usa mais?). Eu sei que neste ano houve uma quantidade imensa de alunos sendo avaliados, porque Administração é um curso populoso. Qualquer faculdade abre curso de administração, porque o mercado pede apertadores de parafuso com diploma e anel. (Sou crítica pra caramba dessa exigência universal de curso superior. Tem muito cargo que não utiliza tal habilidade, e tem muita gente MAIS REALIZADA se cursasse algum curso técnico. Nem todo mundo precisa/ gosta da Academia.)

A tendência é repetir esta sequência, pois nenhuma área deve ficar mais de três anos sem ser avaliada.

*******

Mas vamos ao tema do post. Tive vontade de falar disso porque, como disse no post anterior, agora sou vestibulanda de um curso superior em Teatro, e resolvi verificar em quais outros lugares do Brasil há essa graduação. Em 2006, foram avaliados 34 cursos de teatro, em 14 Estados. Tirei os dados e o gráfico daqui: [http://www.inep.gov.br/download/enade/2006/relatorios/teatro_relatoriofinal.pdf] O documento é um belo relatório de 177 páginas sobre como o ENADE foi pensado, realizado, tabulado, com análise dos resultados dos alunos.

Tabela Cursos de Teatro ENADE 2006

Tabela Cursos de Teatro ENADE 2006

Então, vejamos as cidades e instituições que ofereciam o curso superior em Teatro no ano de 2006. Onze cursos em São Paulo, sendo: Ribeirão Preto (Centro Universitário Barão de Mauá), Santo André (Faculdades Integrada Sagrado Coração de Jesus), Sorocaba (Universidade de Sorocaba), Bauru (Universidade do Sagrado Coração), Campinas (UNICAMP), Pindamonhangaba (Faculdade Santa Cecília). Na capital, temos a Faculdade Paulista de Artes, a particular PUC, a Faculdade Anhembi-Morumbi, a estadual UNESP e a Universidade São Judas Tadeu.

Quatro cursos em Minas Gerais, sendo: Montes Claros (Universidade Estadual de Montes Claros), Ouro Preto (Universidade Federal de Ouro Preto), Uberlândia (Universidade Federal de Uberlândia), e na capital, a Universidade Federal de Minas Gerais.

Três cursos no Rio Grande do Sul, sendo: Santa Maria (Universidade Federal de Santa Maria), Montenegro (Universidade Estadual do RS), e na capital, a Universidade Federal do RS.

Dois cursos na Bahia, sendo ambos na capital: Faculdade Social da Bahia e Universidade Federal da Bahia.

Dois cursos no Distrito Federal, em Brasília, a capital por excelência. Na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, e na UNB. (Eu me lembro muito claramente de mim mesma, em 2004, prometendo voltar a Brasília para fazer este curso, ainda que eu tivesse 60 anos ou mais. Você lembra, Poeta? poetamatematico.wordpress.com)

Dois cursos no Paraná, um em Londrina, na Universidade Estadual de Londrina, e outro na capital, na Faculdade de Artes do Paraná.

Dois no Rio de Janeiro, ambos na capital. Um na UniRio e um na UFRJ. (Eu acho o nome da Uni Rio tão estranho. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, e o apelido é UNIRIO? Parece sigla de particular, não? E como pode ser, Federal do Estado? É engraçado pra quem vê de fora.)

Mais dois em Santa Catarina, em Blumenau (Universidade Regional de Blumenau, FURB), e em Florianópolis na UDESC.

E aí vêm seis estados que oferecem o curso na capital, por Universidades Federais: Alagoas, Goiás, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Pra manter o padrão: Maceió (UFAL), Goiânia (UFG), São Luís (UFMA), João Pessoa (UFPB), Recife (UFPE) e Natal(UFRN).

Esses foram os cursos avaliados em 2006. E depois de juntar esses dados, eu me perguntei: e em 2009, será que entrou algum curso novo? E achei a resposta.

Mas como esse post já está gigantesco, eu continuo no próximo.

Mais no Dialetica.org:
Creative Commons 2008 - 2012 Alguns direitos reservados • Dialetica.org utiliza WordPress 3.3.1 WordPress