Camarim

Menina Eva vai ao teatro

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Estar pronto é tudo (Hamlet, ato V cena II)

Por Eva | 21/02/2010, 10h38

Passei na UEA, pra Teatro, e fui a primeira do meu grupo de seleção (pessoas que já tem curso superior completo).

Segunda é a matrícula. Aguardem, amados e queridos, muito teatro por aqui. Feliz 2010.

E segue a frase completa do Hamlet:

“Há uma especial Providência na queda de um pardal. Se há de ser agora, não será depois; se não for depois, há de ser agora; se não for agora, há de ser, todavia. Estar pronto é tudo. Uma vez que ninguém sabe o que virá, que
importa que seja logo? Assim seja!”

Vestibular UEA – notícias

Por Eva | 08/12/2009, 23h41

Fiz a prova em um bairro tão tão afastado, que pra chegar lá tive de atravessar a barreira rodoviária que fica na AM-010. Fui de mototáxi, pois tive de sair do meu trabalho (que fica na Oceania) ir almoçar em casa (moro na África) e chegar ao local de prova (Júpiter) com antecedência suficiente. Valeu a pena: meu mototaxista é do clube dos cem por hora, e quando cheguei ainda faltavam quarenta minutos para a abertura dos portões.

Todos os meus colegas estavam lá. Meu colegas do curso de teatro do SESC com o Chico Cardoso, meu atuais colegas dos laboratórios com o Michel Guerrero. Meus colegas com quem já trabalhei em peças empresariais. Todo mundo prestando vestibular pra Teatro, e todo mundo com medo de Química.

Fiz a prova de segunda, com 84 questões. Gostei muito da prova, bem elaborada e bem regional (tinha uma pergunta sobre formigas ao molho de tucupi que me fez sorrir). A prova de História incluiu conteúdos de Filosofia (Aristóteles e Rousseau!), e a prova de literatura estava DE-LI-CI-O-SA, com Gregório de Matos sempre atual.

Logicamente, não sabia nada de química – o que me fez refletir sobre currículos, educação, falência do ensino, e eu quase deprimi – e desesperei ao ver uma questão de Física que era de Movimento Uniformemente Variado, eu sabia que era, mas esqueci a porcaria da maldita fórmula S é igual a S0 v0 alfa t ao quadrado sobre dois. Três anos morrendo por causa dessa fórmula fuleira, e quando eu ACHO UMA OCASIÃO PERFEITA PARA USÁ-LA, eu não lembro!

No mais, fiquei feliz. Gabaritei Português, História, Geografia e Inglês, acertei dez de matemática (até eu fiquei surpresa com isso), acertei duas de Física e quatro de Química, e sete de Biologia. De 84 questões, acertei 59.

Hoje, foi a segunda prova, de Conhecimentos Específicos. A prova estava mais pesada, as questões me deixaram em dúvida, mas o resultado foi melhor ainda: de 36, acertei trinta!

O tema da redação era “Infância, Infâncias”, e a proposta era fazer uma dissertação sobre a ideia geral de infância como algo inocente, belo, alegre, tranquilo, e a constatação que cada experiencia de infancia é definida por diversos fatores (sociedade, educação, traumas). Suei pra ter uma ideia de desenvolvimento de texto, e terminei por abordar a evolucao do conceito de infancia (sentir ternura por crianças e amor materno é coisa meio recente, e a avalanche de produtos voltados pra crianças pode ser reflexo que nós só respeitamos a criança enquanto ela se manifesta como CONSUMIDORA). Acho que falei besteira e minha letra é muito feia, mas cá entre nós: redação eu sei fazer… :D Vocês não acham?

Então, torço pra que com essa pontuação, uma das dez vagas do meu restrito grupo de cotas (pessoas que já têm diploma de ensino superior) seja minha. É torcer pra que o povo CDF de 17 anos, que o papai chamava de “Os Cobras do Cursinho”, queira fazer coisas mais lucrativas como Medicina ou Odonto, e me deixe em paz com minha vaguinha.

(Estou torcendo loucamente pra ser coleguinha de sala do Michel Guerrero, da Héveni, da Ana Cláudia, do Douglas, do Ives… e dos meus parceiros de vida de artista.)

[Para quem tiver interesse, as provas e gabaritos do Vestibular 2009 UEA estão no site da Vunesp, www.vunesp.com.br]

Trabalho difícil

Por Eva | 14/09/2009, 08h31

Sábado, no grupo de teatro, tivemos um momento para analisar, verificar quais as dificuldades, rever idéias já estabelecidas.

Estamos com uma peça a ser produzida, e está sendo difícil, por uma série de razões. Falta elenco, os atores que temos não vem aos ensaios com a frequência desejada, algumas cenas estão desagradando, não temos nenhum patrocinador…e não temos palco confirmado.

Estamos ensaiando essa peça (com várias interrupções e retomadas) há cinco anos. Eu falto pouco às reuniões do teatro, atravessei duas crises do grupo sem deixar de comparecer.

Mas sábado, eu desabei. Chorei na frente do grupo, mimimi eu gosto tanto de interpretar mimimi tem uma coisa tão enorme na minha alma que quer se expressar mimimi eu me sinto frustrada mimimimimi. O grupo, compreensivo e solícito, me amparou, me abraçou.

Mas no grupo nós temos o João. E o João é demais. E ele começou suavemente a falar do caso de um senhor entrevado, que não conseguia mexer nada abaixo do pescoço. E esse senhor contou para o Divaldo Franco (um escritor e palestrante espírita muito conhecido e respeitado em nosso meio) que muita gente chegava pra conversar com ele, e começava a reclamar de dores e empecilhos tão pequenos, que o tetraplégico ficava até mesmo com vontade de rir.

E eu me toquei. Porque eu trabalho com atendimento ao público. E, dois dias antes, eu havia atendido uma freira. Puxando conversa, ela me falou que as férias dela de dois meses estavam no fim, e ela logo voltaria para o trabalho missionário dela, onde ela tinha ficado os últimos onze anos. Eu, curiosa, perguntei onde. Ela respondeu: RUANDA. Eu engoli em seco. “Então você tava lá quando…” “Sim. Eu vi tudo.”

Trabalho difícil, o meu? De jeito nenhum.

Não-Blogagem Coletiva do Dia dos Namorados

Por Eva | 12/06/2009, 11h25

Vocês vão me dar licença, mas eu aderi à idéia da Luciana. Vou bem ali, andar de mão dada no chuvisco, trocar presentes feitos à mão e conversar sobre filmes, novelas, atrizes dos anos 40. Hoje não tem post não.

Feliz sexta-feira pra todo mundo.

Merda!

Por Eva | 10/06/2009, 02h53

Primeiro post de mais um blog.

Blog é uma coisa tão 2003, e eu me pergunto às vezes porque eu continuo nesse formato, se apareceram tantas modinhas legais na internet depois disso. O Fotolog, o Orkut, o Twitter, o Facebook, MySpace.

Eu saí do Irc para o MSN, e recentemente, tenho usado muito mais o GTalk, incorporado maravilhosamente ao meu Gmail.

No IRC, nasceu o nickname, Menin@-Prodígio. Eu tinha só 16 anos. Depois, eu fiz um blog (em 2003, diga-se), e virei Menina Prodígio.  E no blog eu me achei.

No blog eu podia escrever textos longos. Eu podia receber comentários.

No blog, eu lia textos escritos por outras pesssoas. E eu, menina que sempre gostei de ler mas nunca tive acesso a tantos livros quanto eu gostaria, de repente vi aberto pra mim todo um mundo de gente interessante, escrevendo sobre suas idéias interessantes, em um tempo que se escrevia ideia com acento. Não faz tanto tempo assim.

E eu adoro blogs. Adoro a possibilidade de NÃO ESTAR ON-LINE pra interagir com aquela pessoa, adoro o estímulo à leitura e ao compartilhamento, e a liberdade que não se tem, por exemplo, em um fórum, onde os assuntos precisam ser separados e organizados em tópicos diferentes.

Nunca me acostumei com o Orkut, aquela falta absoluta de privacidade, aquela profusão de vírus, aquela sensação infinita de vazio.  Até gosto do Twitter, mas eu continuo gostando de textos longos.

Então, mais um blog. Eu já tenho dois – o meu blog pessoal, o Cintaliga, e o blog de experiências com literatura picante, o Morango com Gengibre.  (Links depois. Juro.) Não dou conta de nenhum. :)

E qual a razão do título grosseiro?  Tem uma história. Além de internauta, eu tenho vida real. E na minha vida real, eu adoro arte. Não sou culta, não entendo muito das teorias, mas sou apreciadora. E sou apaixonada por teatro e interpretação.

Há uma história entre os atores que diz que, antigamente – sabe-se lá quando era esse antigamente. Provavelmente, na época do Shakespeare -, quando um espetáculo de teatro fazia sucesso, ele era assistido pelos ricos. E os ricos andavam a cavalo ou de coche. E uma grande quantidade de cavalos permanecendo algum tempo parados em algum lugar ocasiona um grande acúmulo …de cocô de cavalo.As portas dos teatros ficavam cheias de merda em dias de espetáculo.

Então, desejar merda para um ator significava desejar um espetáculo com a casa cheia de gente influente. Por isso, os atores não costumam se desejar “boa sorte”, mas sim “Merda!”

Então, queridos leitores, merda pra mim, merda pra vocês.  Com tudo de irreverente, interessante, livre, belo e lúdico que a arte tem.  A porta do Camarim fica aberta, pra que todo mundo possa chegar e se enturmar.

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