Café Mineiro

Marília e Rodrigo no Dialética

Arquivos: Homem da casa

Homem moderno

Por Ma | 27/07/2009, 17h35

Os tempos mudaram… e só mudaram porque as pessoas também mudaram.

Não só as mulheres, que passaram a trabalhar fora (e ainda lutam por salários iguais), a estudar cada vez mais, a fazer trabalhos antes considerados masculinos_ como dirigir ônibus ou rejuntar o piso ;) .

Mas tenho percebido que a maioria dos homens da minha geração e das que se seguiram são bem diferentes dos homens da geração do meu pai.

Cresci habituada a ver meu pai subir no telhado pra fazer reparos, consertar chuveiro, passar fiação elétrica, fazer pequenas reformas em casa… coisa que, hoje em dia, poucos homens entre 20 e 35 anos fazem.

Acredito que seja pela facilidade que temos hoje em contratar um pedreiro, um marceneiro ou um encanador. Você vê um outro motivo também?

É engraçado ver essas mudanças. E não há o que criticar; são escolhas. Eu mesma odeio limpar casa e prefiro mil vezes trabalhar fora e pagar uma pessoa para limpar o apartamento.

Às vezes brinco com o Rodrigo, dizendo que ele não é o homem da casa, mas ele só é, digamos, um homem dos tempos modernos, ou melhor, pós-modernos.

Homem da relação

Por Ma | 01/05/2009, 23h14

As coisas são um pouco trocadas aqui em casa. Não todas, mas algumas.

Sou eu quem esquece datas importantes, sou eu quem não percebe um penteado novo, quem deixa a toalha molhada sobre a cama, quem não liga para a família que mora em outra cidade todos os dias… assim como sou eu quem rejunta o piso do banheiro, ok.

Uma das minhas teorias quanto a isso é o fato de eu ter sido criada pelo meu pai e ele, pela mãe. Assim eu me tornei um pouco masculina e ele um pouco feminino (ui!).

No início de minha vida em Sampa foi difícil me acostumar ao quesito telefone: ele gosta que eu ligue uma vez por dia pra saber como ele está e dizer como eu estou, mesmo a gente morando sob o mesmo teto. E eu, no início, não entendia isso, essa preocupação saudável. Não ligava nunca! Hoje, mudei bastante, mas ainda não ligo quando ele se atrasa pra chegar em casa do serviço, o que sempre me rende uma ligação queixosa “não vai me ligar, não?”

Várias vezes esqueci (e ainda esqueço) a toalha sobre a cama. Do meu lado e do lado dele!!

Costumo não reparar se o cabelo está arrumado ou não, se a camiseta está amassada…

Já liguei pra ele dando os parabéns do nosso aniversário de namoro atrasada.

Dia desses ele me fez uma declaração linda e original_ que eu só vi porque ele me mostrou! A luz do nosso quarto é negra. E existem canetas especiais cuja tinta só é visível quando a luz negra incide. Ele já estava deitado, com a luz acesa. Eu entrei e saí do quarto diversas vezes. Havia reparado em um borrão na parede mas, como sou míope e estava sem óculos, achei que fosse sujeira e pronto. “Vou ter que te mostrar, né? Você não vai ver, né? Olha lá na parede.” Fui ver: uma linda declaração de amor que fez meus olhos marejarem.

Ainda bem que ele me conhece!

 

Afazeres

Por Ma | 24/03/2009, 20h32

Desde quinta-feira, marido está desempregado. Então eu saio pra trabalhar e ele fica em casa.

Compramos um reparador de rejunte (pois a vizinha de baixo está reclamando que está caindo água do meu banho no teto do banheiro dela, então precisávamos reforçar o rejunte do piso do box) e alguns interruptores (pois alguns já estão pifando).

Deixei a sacolinha com essas compras na sala e recomendei ao marido que passasse o rejunte, trocasse os interruptores e pendurasse a roupa que tinha lavado e estava na máquina. E fui trabalhar.

Liguei para ele na hora do almoço: _E aí, pendurou as roupas? (com medo de que elas ficassem fedidas se não fossem penduradas logo). _Ah, pendurei. Bom sinal, eu pensei, e desliguei o telefone.

Quando cheguei em casa, dei uma olhada em tudo e reparei que os interruptores não tinham sido trocados. _Ué, não trocou os interruptores? _Não, esqueci. _Passou o rejunte? _Ah, não. Muito difícil! Tem que ficar agachado. Deixei pra você passar. _Mas que folga! _Ah, mas eu pendurei a roupa. E passei a que precisava passar, sem você pedir. _Ah, que bom, obrigada! Passou tudo? _Não, menos da metade! Já estava suando! _Ê lere! Almoçou? _Ah, sim. _Lavou a louça, pelo menos, né? _Hmmmm… não.

O.o

Com um homem da casa desses, acho que vou fazer uns cursos básicos de eletricista, encanadora…

Eu passei o rejunte no Box. Os interruptores novos? Ainda estão na sacola!

Com a palavra, o Marido:

Nunca desvalorizei, na minha vida, o trabalho de uma dona-de-casa, pelo contrário.

Mas estar em casa obrigado, sem opção, é uma coisa, e ser dono-de-casa é outra completamente diferente. A escolha aí faz toda a diferença, sem contar, é claro, o sentimento bom que engloba estar desempregado, né?!

Quando eu era mais novo, gostava de ajudar minha avó nas tarefas da casa, tinha dó dela sozinha cuidando de tudo e sempre usava disso como desculpa para estar junto dela e dos que gosto.

Então, naquela época, sabia passar roupa, cozinhar, cuidar da casa.

Mas isso faz mais de 15 anos, não me lembrava, por exemplo, em qual potência precisava colocar o ferro de passar, então tive muito mais trabalho para passar as roupas com o ferro ligado no numero dois (e, como conseqüência, as roupas não ficaram tão bem passadas).

Ficar agachado num cubículo que mal me comporta em pé é crueldade. Mas os interruptores têm sido puro esquecimento mesmo. Mexer com coisas eletroeletrônicas é uma grande diversão para mim.

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