“Quando eu era uma criança, eu pensava como uma criança, andava como uma criança e agia como criança. Mas agora que já sou adulto devo deixar de lado as coisas de criança. ” (I Coríntios 13, 11)
O que ninguém me contou quando era criança era que dava tanto trabalho e tomava tanto tempo assim essa vida adulta. Eu via as pessoas grandes com seus trabalhos importantes e achava mágico, ser por exemplo um professor, ensinar aos outros, ser um médico que cura as pessoas…
Mas não parava para pensar em quão trabalhoso isso é. Na época nem via meus pais sofrendo isso, também por que minha mente sempre estava ocupada em outras coisas.
Hoje, quando a corrida dos ratos me pegou e não vejo uma saída próxima, olho tanto para frente quanto para trás e digo:
_Não quero mais essa vida de Gente Grande.
A Gente Grande não tem tempo! Seja para brincar, seja para se divertir, divertir quem se gosta, seja até para um cafuné… Sempre correndo, assumindo responsabilidades e nessa “brincadeira” acabando por perder contato com os amigos da antiga, aqueles que cresceram junto com a gente, que nos viram ficar apaixonados pela primeira vez, que nos ajudaram na escola, que jogávamos juntos futebol na quadra do bairro…
Infelizmente, com a grande maioria dos meus amigos eu só converso por e-mail ou msn; os que ainda não aderiram à vida digital eu tenho falado menos ainda…
Nessa vida de gente grande até a familia mesmo acaba sendo deixada um pouco de lado, e na maioria dos casos falamos que é natural, que é um processo da vida “se desligar” de seus pais. Talvez, mas só se for um processo da morte… Uma preparação inconsciente para esse desligamento.
Sinto nos ombros hoje a responsabilidade de viver em dois mundos. afinal nunca me permiti abandonar minha criança interior por completo, mas tenho responsabilidades da Gente Grande que podam e encoleram minha criança…
Eu não tenho a resposta final deste post, não tenho a medida de balanço perfeito entre essas duas vidas…
Só me sinto dividido entre elas…
Normalmente a balança esta pendendo para um lado, o lado Gente Grande pesa mais…
Acho até que é isso o que me incomoda realmente. Não poder ser o contrário…
Mas aí vem a pergunta do Morpheus nesse momento:
Se eu pudesse, eu realmente iria querer?!