Te acalma, Beyoncè, eu te entendo. Pode ir.
Por Luciana | 18/07/2010, 14h33
Gosto muito de filmes antigos e musicais. Já devo ter escrito isso em algum lugar desse blog. Aliás, tenho a impressão de que já escrevi de tudo aqui nesse blog, mas é engano. É engano porque minha vida não parou e continuo percebendo tudo ao redor com a mesma emoção que sempre esteve aqui.
Mas enfim.
Retomando, gosto muito de filmes antigos e musicais.
Tem um musical que adoro e que nem é antigo chamado Dreamgirls. Ele conta veladamente a história do grupo The Supremes.
Um belo dia, a cantora principal do grupo – casada com o empresário do grupo – se dá conta que vive uma grande mentira, que é um joguete na mão do marido.
É quando ela decide ir embora. Como é de praxe em musicais, ela conversa por dois minutos com ele e começa a cantar loucamente, dizendo que acabou e vai embora.
A música é Listen, quem canta é a Beyoncè.
Lembrei bastante por esses dias de uns versos que sempre me chamam atenção quando vejo esse filme: I’m not at home in my own home.
Esses versos sou eu nesse exato momento, leitor velho de guerra.
Estou aqui, na cama que há tempos é minha cama, no quarto que há tempos é meu quarto, entre as coisas e pessoas que amo e compõem o que sempre entendi como lar, mas não estou em casa na minha própria casa.
Não é mais minha própria casa. É mais do que nunca a casa da minha mãe onde vim passar alguns dias de férias. E perceber isso é uma catarse que quase não aguento, mas aguento sim.
Porque hoje quando falo em “lá em casa”, é do apartamentinho do Coração Eucarístico que estou falando. São das plantas que cuido, da louça que lavo, da mesa solitária que ponho para comer sozinha aos sábados, das almofadas que arrumo em cima do sofá do jeito que acho bonitinho, do larzinho peculiar que construí sozinha por lá e onde não preciso nem quero dar satisfação a ninguém.
E a Beyoncè canta, grita que nem louca nos fones nos meus ouvidos e eu tenho vontade de cantar, gritar que nem louca também da janela do apartamento da rua da poesia em Belém. Ela tá puta com o marido – desculpe, leitor, acho que nunca escrevi esse tipo de palavra por aqui – mas eu não estou puta com ninguém.
Eu só quero reencontrar esse lugar onde eu me sinta em casa na minha própria casa.


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1 comentário em “Te acalma, Beyoncè, eu te entendo. Pode ir.”
Caraca, Lu!!!! Eu sinto EXATAMENTE ISSO!!! Putz, sabia que já tinha até me desacostumado de me surpreender assim lendo blogs? Hahahahahaha…
Então… você mais ou menos sabe como é meu esquema de vida. O certo é que só me sinto em casa na minha casa quando minha mãe resolve viajar ou, como nessas duas últimas semanas, quando ela passa a maior parte do dia fora. E olha que é ela quem mora na minha casa e não o contrário! Coisa triste…
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