Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

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Típico casamento gaúcho

Por Luciana | 01/02/2010, 20h20

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Fui a um casamento em Pelotas agora em janeiro.

A história do casal é bacana e é assim: a moça dançava num CTG da cidade. CTG pra quem não é gaúcho e não sabe são os Centros de Tradição Gaúcha.

Ela dançava num CTG de Pelotas, vestida com aqueles trajes típicos de prenda, como se tivesse saído de um daqueles tomos de O tempo e o vento, do Erico Veríssimo – o meu Veríssimo favorito.

Até que um belo dia o irmão do par da mocinha foi ver uma apresentação do grupo e se encantou pela parceira fraternal. Resultado: decidiu entrar pro CTG também, só pra se aproximar dela.

Se aproximou tanto que fui ao casamento deles. :)

Bem, nunca tinha ido a Pelotas nem a qualquer casamento gaúcho. E é diferente sim.

Eles casaram da catedral da cidade que é uma igreja super bonita, cheia de vitrais maravilhosos.

Um dos pontos mais positivos da cerimônia foi o padre. Anote aí: pra cerimônia do seu casamento ser legal, é importante que o padre conheça um pouco você, seu noivo, a história de vocês. E esse padre tinha essa qualidade e fez da celebração algo bem reflexivo e alegre ao mesmo tempo.

Em seguida, fomos pra festa que foi num imenso galpão, repleto de mesas compriiiiidas, com bancos corriiiiiiiidos, música animada e um churrasco daqueles rolando. Ah, e tinha um pula-pula pra que as crianças ficassem bem esgadilhadas.

Depois do jantar, antes da valsa, o CTG apareceu todo paramentado e fez questão de fazer uma homenagem aos noivos. Como a banda que contrataram não apareceu, eles dançaram cantando a capela, numa das apresentações mais queridas que já vi. Era tudo emoção, sabe?

E é claro que depois os noivos dançaram junto com o grupo pra ficar tudo mais lindo ainda.

E é claro que eu não peguei o buquê da noiva.

E é claro que tocaram o legítimo tecnobrega paraense no meio da festa lá do outro lado do país e é claro que quem estava cantando era a Banda Dejavu famosa quem.

Um outro detalhe inesquecível da cerimônia foi que a noiva entrou na igreja de braço dado com o pai, ao som de uma música cantada ao vivo e a cores pelo próprio noivo!

E é claro que estou desde já pensando em que música vou cantar no meu casamento. Rá!

Uma das inúmeras pessoas que conheci e que me cumprimentou disse a grande verdade: só em velório e casamento pra reunir tanta gente querida.

Acima da cerimônia, do churrascão, da festa, do bolo delícia, a confraternização daquelas pessoas em torno do novo casal é que valeu cada quilômetro que tive que atravessar pra ir a esse casamento.

Ou você tá pensando que Pelotas é logo ali na esquina, leitor?

Depois eu que moro longe… ;)

Quem sabe um dia eu não resolva me casar numa cerimônia-festa tipicamente gaúcha também?

Nessa data querida

Por Luciana | 12/01/2010, 12h01

Talvez janeiro seja mesmo o mês que eu mais goste. Gosto de janeiro por algumas razões bem palpáveis e por outras nascidas daquelas minhas associações malucas de quem vive com um pé no mundo paralelo.

Então janeiro, como janela, jarro, jasmim é daquelas palavras que a gente enche a boca pra dizer e quando diz abre um sorriso! E eu adoro fazer isso. Adoro janeiro porque é um mês todo cheio de chuva, onde a cidade exaustivamente quente em que vivo fica mais úmida e doce. É uma época em que começa a chover pra valer em Belém, o que soa como uma bênção sobre nossas vidas.

Como se fosse impossível deixar de ser feliz – ano novo e abençoado.

Janeiro é o mês do aniversário da cidade onde moro há tanto tempo que nem me lembro mais. Não vou contar aqui a história da cidade, como é, porque é. Belém é, como diria Jorge Amado acerca de Gabriela e do amor, algo que não se prova nem se mede – existe e basta.

É uma cidade meio azul, meio caos, muito metrópole e bastante província.

Em janeiro, Belém faz jus ao título de “Cidade das Mangueiras” e suas árvores ficam repletas de mangas verde-amarelas. É como se a Santa dissesse: No mês do seu aniversário ninguém vai passar fome, pode deixar!

As pessoas andam com aquelas fitinhas coloridas de Nossa Senhora de Nazaré amarradas a três desejos no braço; se afogam em bacuri, tacacá, pato no tucupi, cupuaçu, açaí, guajará, guamá, maniçoba, tamba-tajá, patchouli e lírio.

Tem o Círio, o carimbó, o rio; o cheiro-do-pará, a castanha-do-pará; mas, fundamentalmente, o melhor da cidade seja lá quantos anos ela faça, são as pessoas. A tacacazeira, o peixeiro, a dançarina de carimbó, o maestro que é nome de praça e de teatro. Os senhores da guarda da Santa, os laranjinhas que limpam a cidade, os artesãos da praça e do pólo. Tanta gente, como diria Eneida.

Pra definir Belém existem uns brinquedos de miriti, que nos fazem lembrar que a vida é dura como a madeira, mas essa madeira pode ser leve como o miriti. Um caboclo chamado Plácido me contou assim.

PS – Esse texto foi publicado em um portal daqui, pelo aniversário da cidade onde moro. Ele é um texto requentado de outro, sobre o Círio. Mas, afinal, um dia de fama local não faz mal a ninguém.

Deu pra ti, baixo astral…*

Por Luciana | 11/01/2010, 10h11

Bem, quando você estiver lendo essas linhas, estarei em um carro vermelho, rumo a Florianópolis.

Na verdade, Florianópolis será só a parada pra dormir. Meu destino é Porto Alegre, Gramado/Canela e Pelotas.

Vou ali torcer pelo Inter, bater um papo com o Mário Quintana e o Erico Veríssimo, passear no Parcão, comer churrasco, galeto, café colonial e chocolate, etc e tal.

Volto dia 20 e aí os textos voltam também, certo?

Beijo, leitor.

* Nem tô de baixo astral. Mas todo mundo que se preze e vá pra Porto Alegre tem que cantarolar de leve essa música, hein?

PS – Fotos, claro.

Dos vendilhões do templo

Por Luciana | 19/06/2009, 15h15

Domingo passado fomos, André e eu, comprar um cartaz do Círio/2009 para ele levar pra mãe dele.

Um adendo curioso: a mãe dele deve ter uns quatro ou cinco cartazes do Círio e, ao invés de todo ano substituir um por outro, ela vai colando na parede um por um, construindo aos poucos um painel ciriano na casa deles!

Mas sim.

Compramos o cartaz na lojinha que fica dentro da Basílica Santuário de Nazaré, a um quarteirão da minha casa.

Estávamos lá sendo atendidos quando uma placa chamou a atenção do André: para utilizar o banheiro da Basílica Santuário cada pessoa tem que desembolsar cinquenta centavos.

Há tempos me questiono sobre a presença daquela loja – e mais os banheiros e uma lanchonete – ali dentro da igreja. Vou até lá pelo menos uma vez no ano, para comprar o cartaz e as camisetas do Círio, mas sempre me sinto desconfortável.

Eu sempre lembro dos vendilhões do templo e do quanto Jesus ficou puto com eles, sabe?

Lembro da Igreja Matriz de Ilhéus, que quando fui perguntar quanto custava um batizado lá, me deram um envelope branco e disseram que custava o que eu pudesse e/ou quisesse pagar.

Enquanto na Basílica de Nazaré um batizado – coletivo! – custava na mesma época 40 reais.

Como será nas outras igrejas? Será que são mais Igreja Matriz de Ilhéus ou mais Basílica Santuário de Nazaré?

Sobre a Copa do Meio Ambiente

Por Luciana | 04/06/2009, 09h09

Há alguns meses, o Cássio me indagou a respeito da rivalidade Belém x Manaus.

 

Eu fui sincera em responder que devido ao fato dos meus pais serem paraenses e do meu irmão e eu sermos amazonenses, em nossa casa essa rixa nunca foi alimentada.

 

(Tanto que eu sou aquela amazonense/manauara que torce pelo Paysandu!)

 

No máximo, meu pai convidava os amigos amazonenses para virem a Belém na época do Círio.

 

Tudo bem, devo confessar que ele quis que minha mãe viesse para Belém grávida, para que eu nascesse aqui e fosse paraense como eles.

 

Só que minha mãe, pra variar, foi sábia e disse a ele que foi em Manaus que me fizeram e era justo que eu nascesse lá.

 

Eu acho boba essa briguinha porque no final das contas somos todos moradores da Amazônia, do Norte, do Brasil. E independentemente de ser em Belém ou em Manaus, não nos iludimos que nenhuma grande seleção venha pra cá.

 

Penso que ao invés de questionar o lobby dos manauaras, os belenenses deveriam questionar os governantes e a comissão formada para batalhar pela Copa 2014 na cidade.

 

É muito fácil a coordenadora da comissão ir à TV e dizer que a ficha não caiu e que ela não deve explicações, quem deve é a FIFA (!); que quem perde é o mundo por não conhecer Belém (!), e não a própria cidade.

 

Eu já disse que fico pasma?

 

Devíamos, em uma visão macro da coisa, questionar por que a Região Sul do país, composta de apenas três estados, teve duas capitais eleitas, enquanto a Região Norte, o pulmão do mundo (rá!), ficou só com uma. Copa do Meio Ambiente, sei…  

 

Concordo com o pensamento de que pra ficar de cabeça erguida, a prefeitura e o governo locais têm mais é que cumprir as metas prometidas, mesmo sem a Copa.

 

E rio muito até agora da nota conjunta que o prefeito e a governadora publicaram, falando que foi INJUSTIÇA o que fizeram com Belém.

 

Ora, assim como é INJUSTIÇA o que andam fazendo com a saúde e a educação da cidade e do estado, só pra ficar em dois tópicos dos mais graves, em minha singela opinião.

 

De minha parte, quero ter um furgão lindão até 2014 e visitar com a família cada uma das cidades que sediarão os jogos. Não precisamos entrar em todos os estádios, queremos apenas sentir aquele clima “voa, canarinho, voa” pelo Brasil afora.

 

Pra fechar, um momento Balão Roots: eu morava perto do Vivaldão, em Manaus, e lá assisti ao primeiro show da minha vida, da melhor banda infantil do meu mundo, Balão Mágico!

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