Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

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Movimento Separatista

Por Luciana | 11/12/2008, 11h11

Terça agora, eu estava com uma daquelas frases de efeito no MSN: “Um minuto de silêncio para Michel Melamed“.

Michel Melamed está dando vida a Dom Casmurro e Bento Santiago (ele denominou assim no blog dele e quem sou eu pra dizer o contrário?) e eu estou simplesmente encantada com ele.

Sexta passada já tinha visto uma entrevista dele e da Maria Fernanda Cândido (horrorosamente linda) no Programa do Jô e mais do que as belas chamadas para a microssérie, o papo dos dois me convenceu a ver Capitu.

Na boa, a microssérie tinha mais era que chamar Dom Casmurro mesmo porque aquele lance do narrador passear pela cena foi exatamente o que me pegou.

Enfim.

Conversando com uma amiga, ela falou que já conhece o Melamed há tempos, dos trabalhos como poeta e ator de teatro – ele também tinha um programa na TVE, coisa que fiquei sabendo pelo blog dele e que a Carol que faz Jornalismo comigo confirmou.

Minha amiga então me mostrou um poema dele que, coincidentemente, chama-se P/ Luciana. Ou seja, foi escrito para uma moça com o mesmo nome que o meu.

Leia:

“no nosso último jantar

sentamos à mesa e comemos em silêncio (o próprio)

bebemos vinho e não brindamos

só se brinda quando existem planos

naquela noite, naquela mesa

nosso último jantar era a única certeza

alguém que porventura bisbilhotasse nossa janela

veria talheres e copos flutuando sobre as velas

no nosso último jantar

sentamos à mesa e comemos transparentes

alguém que porventura bisbilhotasse nossa janela

veria a comida sendo digerida dentro da gente

no nosso último jantar

sentamos à mesa e carcomemo-nos

alguém que porventura bisbilhotasse nossa janela

nos veria por muito pouco tempo.”

É um poema melancólico, dentro do que convencionei chamar de melancólico: tudo aquilo que é triste e lindo ao mesmo tempo.

Foi quando lembrei de um texto antigo meu, sobre separação. Eu tinha me separado do melhor rapaz do meu mundo e acreditava que seria pra sempre – ainda bem que existe uma palavra bonita no dicionário chamada reencontro…

Enfim. O texto de três anos atrás. Com um poema também, só que do Affonso Romano.

***

Mesmo quando não há mais nada a ver, mesmo quando um já não gosta do outro, separação é algo difícil. É não ter muita coragem pra tirar aquela foto do porta-retrato; é ter que, inevitavelmente, ver o que é realmente seu e o que é realmente dele; é ter que explicar para os amigos o que você ainda não consegue direito entender. É quando você se pergunta o que fazer com aquela “nossa” música; com aquele apelido bobo e lindamente íntimo; com todos aqueles planos e sonhos de que tudo-vai-se-ajeitar-se-deus-quiser.

Uma vez eu vi um casal de novela se separando e ele levando debaixo do braço o álbum de figurinhas do filho, explicando cheio de dedos que só guardaria com mais zelo, mas que era do filho. E ela disse: “Leva, o álbum sempre foi mais seu do que dele”. Ela dizer isso me soou como uma prova de intimidade tremenda que, ironicamente, estava se dissipando naquele momento.

Em um antigo dia dos namorados comprei dois CDs iguais, um para mim e um para meu namorado na época. Eu não sabia, mas aquilo era um sinal de que caminhávamos para uma separação. Quando ele soube, disse entristecido: “Mas para que dois, se eu te emprestaria o meu, e depois ficaríamos juntos até que fosse teu também?” E doeu ter premeditado involuntariamente o nosso desenlace.

Quando de fato nos separamos – a separação mais comovente do mundo – doeu menos. Um de nós disse: “Espera aí, não vamos chorar não. Tem um poema do Affonso Romano, chamado Separação, que eu quero ler pra você agora. Ele é melancólico, mas a gente sempre leu poemas um pro outro e sempre cantou desafinado um pro outro, então vamos terminar assim.” E assim foi.

Depois de tempos sem nos falar, contei pra ele o que um ex mais recente tinha feito: devolvido todas as cartas, cartões, poemas de pé quebrado, livros, CDs, roupas e tudo mais. Uma das piores sensações: um amor devolvido como quem diz “não tem espaço mais lá em casa nem pra recordar o que vivemos”.

Meu ex do poema do Affonso Romano, num lance de jogo do contente comigo, disse que jamais faria isso! Que se mudou recentemente, mas que preservou todas as minhas cartas e poemas e cartões, porque aposta que um dia serei uma escritora muito famosa e que o espólio dele valerá milhões! Ai, ai.

Enfim. Um pouco de Affonso Romano, um pouco de mim, um pouco de você, um pouco de cada uma das pessoas incríveis (e das não tão incríveis assim) das quais já tivemos ou teremos que nos separar.

***
“Desmontar a casa
E o amor. Despregar
Os sentimentos
Das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
Após a tempestade
Das conversas.
O amor não resistiu
Às balas, pragas, flores
E corpos de intermeio.
Empilhar livros, quadros,
Discos e remorsos.
Esperar o infernal
Juízo final do desamor.
Vizinhos se assustam de manhã
Ante os destroços junto à porta:
- Pareciam se amar tanto!
Houve um tempo:
Uma casa de campo,
Fotos em Veneza,
Um tempo em que sorridente
O amor aglutinava festas e jantares.
Amou-se um certo modo de despir-se
De pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
Modo de botar a mesa. Amou-se
Um certo modo de amar.
No entanto, o amor bate em retirada
Com suas roupas amassadas, tropas de insultos
Malas desesperadas, soluços embargados.
Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?
No quarto dos filhos
Outra derrota à vista:
Bonecos e brinquedos pendem
Numa colagem de afetos natimortos.
O amor ruiu e tem pressa de ir embora
Envergonhado.
Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?
Tonto, perplexo, sem rumo.
Um corpo sai porta afora
Com pedaços de passado na cabeça
E um impreciso futuro.
No peito o coração pesa

Mais que uma mala de chumbo.”

Inusitado

Por Luciana | 29/06/2007, 16h00

Toda vez que reprisam Kramer vs. Kramer na televisão eu brinco com a minha mãe dizendo que vou assistir de novo pra ver se dessa vez o juiz dá a guarda do Billy ao pai – eu adoro toda vez que ele diz “Você está ótima” pra ela, no elevador.
É engraçado esse sentimento. Essa esperança inútil de que, de repente, em uma reprise qualquer, o final do filme mude – o Rhett não vá embora e fique com a Scarlett; o Campeão não morra naquela maldita luta; a princesa abdique do trono e fique com o plebeu num eterno Roman Holiday. Essa esperança no inusitado.
A mesma coisa acontece com certos desenhos animados. A gente sabe de cor e salteado que o Coiote, o Tom e o Frajola vão sempre dever para o Papa-léguas, o Jerry e o Piu-piu, mas nem por isso deixamos de assistir aos desenhos na esperança de que finalmente os primeiros consigam liquidar os segundos – ou sou a única por aqui que torce para que os planos ACME do Coiote dêem certo, para que o Tom consiga capturar o rato e o Frajola se deliciar com aquele passarinho metido a besta?
Idem, idem quando se trata de alguns seriados. O que dizer do Chaves? O meu irmão assiste Chaves desde criança até hoje, aos 23 anos. Ele assistia Chaves quando passava depois do Bozo, lembra? Ele sabe as falas de cor, de trás pra frente, do jeito que for. E ri!
O que motiva o meu irmão e milhares como ele a assistirem Chaves até hoje? Não encontro outra palavra a não ser esperança mesmo. Esperança do Senhor Barriga se tocar que também foi pobre e, um dia, não chegar à vila para cobrar os aluguéis e sim para adotar de uma vez por todas o Chaves, não só por umas férias em Acapulco. Esperança de quando a Dona Florinda disser mais uma vez: “Que milagre o senhor por aqui!”, o Professor Girafales responder, sem pestanejar: “Vim pedi-la em casamento!” – e formar uma família bacana com ela e com o Quico. Esperança do Seu Madruga conseguir um emprego, pagar os aluguéis atrasados e casar com a tia bonitona da Paty. Esperança de ver a Dona Clotilde em um vestido que não seja roxo ou azul.
Ai, leitor esperançoso, você vai me dizer: “Mas, Luciana, assim acabaria o sentido desses desenhos e seriados!”. Tá, tudo bem. E a mesmice, não incomoda? E a possibilidade de episódios renovados a partir desse, digamos, rito de passagem que proponho?
“Sim, Luciana, suas idéias até fazem sentido, mas agora é tarde, essas produções já não estão mais na ativa, tudo o que vemos são reprises”. Tá, tudo bem, esse texto é só mesmo pra dizer que é imprescindível ter esperança, como a infantil.

Do meu prisma

Por Luciana | 01/02/2007, 15h50

Olha, a Patrícia me deu uns tantos presentes agora em Janeiro, mas vou falar de um em particular.
Ela me presenteou com um lindo Houaiss e disse: “Olha, Lu, leia e aprenda. Não quero mais saber dos seus erros no Cintaliga, hein?”.
A primeira palavra que acabo de consultar em meu mais novo amigo de infância é PRISMA. De acordo com o Houaiss, prisma é 1 sólido formado por dois polígonos iguais e paralelos na base e por paralelogramos nas laterais 2 sólido em forma de prisma, transparente, capaz de decompor os raios de luz 3 fig. ponto de vista.
Então. Eu vejo as coisas de um prisma muito particular. Acho que com todo mundo é assim, mas só posso falar por mim.
Muitas e muitas vezes já declarei que “Fulano é lindo”, que “Beltrana é maravilhosa” e um grande ponto de interrogação surgiu na testa do meu interlocutor. “Fulano é lindo? Puxa, fulano é todo desengonçado, Luciana!” “Beltrana é maravilhosa? Beltrana tem até bigodes, Luciana!” “Você é cega e louca mesmo!”
Pois do meu prisma eu acho que é o contrário, sabe? Cego e louco é quem só enxerga por fora. É quem só enxerga o pior, os defeitos, os erros.
Quando eu gosto, eu só enxergo o melhor. Só quero o melhor. E chego até a achar graça nos defeitos. Eu chamo isso de encantamento. Eu sou completamente encantada pelas pessoas que gosto. Eu não consigo gostar apenas. E não consigo gostar de ninguém que não seja, no mínimo, especial.
Uma das metas da Patrícia em 2007 é emagrecer 12 quilos – os mesmíssimos que eu preciso engordar. E ela reclama que roupa nenhuma entra mais nela, que isso, que aquilo. Na boa, eu acho a Pat tão linda – e o Tuca também acha – que só consigo rir quando ela diz que precisa emagrecer, que tá de dieta, que isso, que aquilo…
Eu não sou das melhores pessoas. É verdade. Não tenho muitos amigos. Talvez por isso dê um valor absurdo a cada um dos amigos que tenho. Porque pra eles serem meus amigos é sinal de que são das melhores pessoas mesmo.
Então pra mim a Lúcia é a melhor publicitária do Brasil, sim. A Glauce é a melhor médica. A Josse é a melhor professora de Literatura do Universo. O Lupa é o melhor desenhista do mundo. Eu não escreveria com outra pessoa que não fosse a Patrícia. E todos são lindos.
Um exemplo: um dia eu quis definir a Lúcia em uma palavra, não me lembro exatamente em que contexto. Aí perguntei pro Lupa qual o contrário de egoísta e ele disse: “Altruísta, Lulu”. E é isso mesmo. A Lúcia é a pessoa mais altruísta que eu conheço. Muito querida – e estou devendo um post a ela, não esqueci, viu, Lu?
Dia desses, em São Paulo, comentei com um rapaz corintiano que gostaria muito de ir ao Palestra Itália ver o Palmeiras jogar. Ele, que nem é meu amigo de fato, se ofereceu pra ir comigo. Mesmo com toda a fama de ranzinzento que ele tem, como é que eu posso deixar de achá-lo uma pessoa linda depois dessa? Não dá.
Foi em São Paulo também que ouvi falar no Manequinho Lopes pela primeira vez.
Na televisão do hotel tem o Infochannel, canal de turismo que fica o dia inteiro dando dicas pra lá de batidas sobre a cidade. Dicas de lugares pra fazer compras, dicas de lugares para comer ou badalar.
O único programete que me chamou a atenção foi o do Parque do Ibirapuera.
Eles começam exaltando o parque, dizendo que é uma área de lazer ótima para a família e tudo mais. Depois, dizem que quase que o Ibirapuera nem existia. Aí, senta que lá vem história!
Quem teve a idéia de criar o parque foi o prefeito Pires do Rio – hoje em dia nome de uma rua em São Paulo que parece que não tem fim! Só que o terreno que o Pires do Rio descolou era alagadiço, quase um pântano. Aí o Infochannel conta que graças à iniciativa de um simples funcionário público, Manequinho Lopes, o parque vingou. Ele plantou centenas e centenas de eucaliptos no terreno e com isso drenou o solo. Também cultivou várias espécies exóticas de flores e plantas lá. E é por conta disso que hoje temos o belo Parque do Ibirapuera…
Puxa, eu fiquei comovida com essa história. Eu imaginei o cara lá, plantando centenas e centenas de eucaliptos. Contei essa historinha pra algumas pessoas e uma delas disse: “Mas que bonito! É assim com essa emoção que você deveria falar na rádio! Devia mesmo gravar esse jeito que você conta essa história”.
Quando voltei pra casa, resolvi escrever um texto sobre o Ibirapuera, em homenagem ao tal humilde funcionário dos eucaliptos.
Aí fui procurar saber mais sobre o Manequinho. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ele não era tão humilde assim do jeito que eu vislumbrava.
Do prisma do Infochannel tudo levava a crer que Manequinho Lopes com suas próprias mãos foi lá e plantou os eucaliptos – eu imaginava que ele fosse um jardineiro, sei lá. Mas pelo que andei pesquisando ele só deu a ordem mesmo.
Manuel Lopes de Oliveira era entomologista – estudava e/ou colecionava insetos – e jornalista, e foi o primeiro administrador do Ibirapuera, lá na década de 20. Ele era de fato apaixonado por jardinagem e foi quem organizou tudo por lá: eucaliptos, espécies ornamentais nativas e exóticas, e um viveiro das mais diversas árvores – Ipê (adoro ipês), Tipuana, Pau-brasil, Sibipiruna…
Já na década de 30, ele foi Chefe da Divisão de Matas, Parques e Jardins de São Paulo. Ele manjava muito de arborização e contribuiu bastante para o embelezamento da cidade.
Quando Manuel morreu, em 38, o prefeito Fábio Prado batizou o viveiro do Ibirapuera de Manequinho Lopes, no dia 14 de março daquele ano – bem no Dia da Poesia, lindo, né? E assim é até hoje.
Muitas crianças e adolescentes têm aulas de ciências nesse viveiro, como têm aulas de arte no MAM, que também fica no Parque.
Mesmo o Manequinho não sendo o humilde funcionário que o Infochannel me fez acreditar que ele era, mesmo ele não tendo plantado uma a uma as centenas de eucaliptos do Ibirapuera, ainda assim eu gosto dessa história. Porque se não fosse a idéia dele não teria tido o ato de funcionários mais humildes que ele plantar as árvores naquela várzea.
Enfim. Infelizmente não fui ao Parque do Ibirapuera desta vez. Justo na vez em que mais ouvi e falei sobre ele. Mas em uma próxima oportunidade vou até lá visitar o viveiro Manequinho Lopes. Porque graças a ele hoje nós temos o Parque do Ibirapuera – do meu prisma, o belo Parque do Ibirapuera.

Direto do Domingo no Parque

Por Luciana | 24/01/2007, 16h56

O programa infantil que eu sempre tive vontade de ir era o Domingo no Parque.
Eu ainda não sabia direito o que era distância e por isso me indignava muito por minha escola não ir participar do programa.
Aquilo pra mim era uma fantasia só. Todas as crianças agitando no ar ráfias metalicamente coloridas; o Silvio Santos aconchegado no meio delas; aqueles chapeuzinhos do Mickey Mouse. Essa é uma das minhas lembranças que posso dizer que minha companhia certa era minha mãe – sempre víamos juntinhas o Domingo no Parque.
Vencemos em casa muitas partidas de um-dois-três-pin; gritamos muitos siiiiiiiiiiiiiiiiiiiim e nãaaaaaaaaaaaaaaao, ganhando e perdendo prêmios batutas; dançamos feito loucas por bicicletas que jamais trocaríamos por um milhão…
Mas apesar de tão lindo desempenho, os passaportes do Playcenter nunca chegaram a nossa casa em Manaus.
Acontece que o Silvio Santos é leitor assíduo do Cintaliga – ele e o presidente Lula, né, Bruno? E descobriu que Pat e eu fomos passar uns dias no Sítio do Picapau Amarelo semana passada. Foi quando teve a idéia de reparar a dívida que tinha com a gente.
Aqui, pra quem não sabe, uma informação importante: o Sítio do Picapau Amarelo da minha imaginação fica em Taubaté/SP, cidade do Monteiro Lobato, leitor imaginativo. Logo, as coisas ficaram mais perto e mais fáceis para o Silvio Santos.
Foi quando recebi um lindo envelope vermelhinho-da-asa-da-arara – gostou, Evinha? – com alguns passaportes e o bilhetinho: “Luciana, desculpe a demora, mas não esqueci que você era craque na brincadeira do pin. Estão aí seus passaportes e eu espero que você os compartilhe com pessoas especiais. Um abraço, Silvio Santos”.
***
Se eu disser que o melhor do Playcenter são as filas, você provavelmente vai rir da minha cara, né, leitor impaciente? Mas é verdade, sim: o melhor do parque são as filas. Pelo menos pra quem gosta de conversar e está acompanhada de pessoas que têm o que dizer. Mesmo que digam bobagens, amenidades… Mesmo assim é bom.
Nessas filas se pode conversar sobre astrologia, ciúme, fortunas a adquirir, sonhos megalomaníacos. Cantar músicas do Luiz Caldas, imitar os animadores dos brinquedos, fazer fotografias. Tomar coca, picolé, água pra não derreter de calor.
Nas filas da lanchonete a fome pode até nos ludibriar, como aconteceu com a Patrícia. Várias placas de propaganda da Coca-cola espalhadas pela praça de alimentação quando, de repente, a Pat toda elétrica me diz: “Lu, juro que de relance li Otimismo Cintaliga ao invés de Otimismo Contagia!”. Bem, um dia chegamos lá…
Confesso que fui a poucos brinquedos. Nos que não fui, fiquei pelos arredores fotografando tudo.
O primeiro, com o Tuca e o Alexandre, foi o Evolution. Ou melhor, Eeeeeevolution! Até briga entre meninas teve no meio dessa fila, meu Deus. Quando estávamos bem perto de entrar no brinquedo, o Tuca reparou que ninguém parecia sorridente no fim da rodada. E como bons leoninos que nós três somos, resolvemos sair de lá entre sorrisos, mesmo que amarelecidos!
O Cinema 180º teve a fila mais desgastante, mas ainda assim com momentos bacanas como a Pat jogando Coca-cola – sem querer – num rapaz ao lado da gente; André de óculos escuros – coisa inédita; Alexandre comendo batatinhas chips da forma mais elegante que já vi… O brinquedo é tal qual os simuladores do Viagem Insólita, do DeLorean e do Encolhi a Audiência que têm em Orlando – mas o mau humor da “animadora” brasileira acredito que é exclusivo.
Mas os dois momentos queridos, mais queridos, pra mim, foram sem dúvida a fila do Splash e a fila do Boomerang.
Na fila do Splash, o adorável Alexandre via as pessoas saírem ensopadas do brinquedo e dizia pra mim: “- Mas, Lu, eu não quero me molhar!”. E eu fui prometendo que ele não se molharia, lógico. As macaquices do André, suas caretas de praxe, imitações engraçadas e versões musicais fizeram umas tantas pessoas rirem feito bobas debaixo daquele sol maluco – destaque pra uma garotinha bem parecida com a do filme Meu primeiro amor, que sorria discretamente diante das palhaçadas do nosso trio. E quando finalmente nos ensopamos, o Alexandre não perdoou: “Mas, Lu, você disse que eu não ia me molhar!”.
A fila do Boomerang foi linda porque não a enfrentamos, Pat e eu. Ficamos sentadas em um banquinho, vendo o dia esfriar, batendo papo. Amigas.
O Alexandre querido, mais uma vez perdeu o celular ao meu lado – a primeira vez foi no show dos Stones ano passado e neste dia, seu aparelho ficou perdido no meio de nossas aventuras pelo Playcenter. No dia seguinte ele comprou um celular lindo e disse pra eu esperar ele pagar pra fazer perdê-lo de novo! Disse que ficava tão encantado como minha presença que acabava perdendo os celulares – não é fofo?
No fim, o parque se esvaziando, aquela sensação melancólica que envolve duas palavras que apesar de rimarem são tão distintas: beleza e tristeza. A imagem de um rapaz que solitariamente limpava um lago dizia muito sobre isso.
Os meninos reclamaram bastante da falta de vários brinquedos e me apontavam onde ficava um ou outro deles. Mas, de verdade, pra mim estava tudo lindo. Porque na cabeça de cada um deles eu enxergava um daqueles chapeuzinhos do Mickey. E por cima dos nossos chapeuzinhos do Mickey, um céu cor-de-rosa como algodão doce anoiteceu a cidade.

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