Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Relacionamentos

Manoel Pedro

Por Luciana | 05/11/2009, 17h15

Dia desses, o pai do noivo de todas as minhas vidas implicando com a mãe do noivo de todas as minhas vidas e eu lembrei das bobagens que meu pai dizia pra implicar com minha mãe.

Lembrei, por exemplo, do filho que ele dizia ter no interior de Manaus, o Manoel Pedro. Cara, minha mãe odiava esse papo de Manoel Pedro e dizia que se ele aparecesse mesmo um dia lá em casa, ela ia por meu pai e o filho dele na rua!

E meu pai falava, falava… Dizia que quando ele morresse, o Manoel Pedro ia vir reclamar os direitos dele. E minha mãe dizendo que não ia dar nada, NADA, pra ele! E meu pai ria, ria de azucrinar minha mãe.

Aí, quando meu pai morreu, no meio da tristeza toda, minha mãe deu um sorriso fraco e compartilhou aquela lembrança maluca que ela tinha acabado de ter das doces implicâncias do meu pai: – Já pensou se o Manoel Pedro aparece agora?

- Eu sempre vou achar que os casais que implicam e discutem e brigam são aqueles que ficam juntos pra sempre.

Um vovô de suspensórios

Por Luciana | 04/11/2009, 13h34

Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei:

- Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios… Pra você ser um vovô de suspensórios.

- Hum…

- Aí, nossos netinhos vão nos visitar… E vão dizer “Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é muito chato!”

- Hum…

- “Tá bom. Só vamos porque a vovó Lu é super legal!”

- …

- Hahahahahahahahahahahahaha!

- Tá vendo? Nem você acredita nisso!

- Lógico! Eu sei que eu sou a chata e que você muito mais legal que eu e que nossos netinhos – assim como todo mundo – vão gostar muito mais de você do que de mim…

- Hehehehe!

- É, mas não me importo. Eles vão ter que me engolir que nem o Zagallo do mesmo jeito!

- Hahahahahahahaha!

Dos paradoxos do amor

Por Luciana | 17/09/2009, 12h21

Olha, um dia eu fui tímida.

Eu sei, você deve estar rindo e desacreditando, mas é verdade.

Eu era tímida que nem você e por isso mesmo você me chamou tanta atenção quando nos conhecemos. Porque você era eu aos 14 anos – só que você já tinha 28…

Com 14 anos me apaixonei perdidamente – pra se apaixonar tem que ser perdidamente – por um rapazinho chamado Duda – já falei nele em outro texto, o do meu primeiro beijo.

Pois bem.

Mesmo depois que nos afastamos, eu continuei a gostar do Duda por um tempão. Aí, vieram os Jogos Estudantis e eu resolvi assistir a todos os jogos dele – e torcer por ele, claro – mesmo ele sendo de outro colégio que não o meu.

Eu ia aos ginásios, via os jogos, torcia pelo colégio alheio, o Duda me via, mas logo que terminava o jogo eu ia embora.

Até que chegou o dia dele jogar contra o time do colégio onde eu estudava. Foi terrível. O placar foi 120 a 20 pro meu colégio, mesmo eu torcendo muito pelo colégio do Duda.

Foi a única vez que, terminado o jogo, me aproximei do Duda, na arquibancada. Fiquei lá, parada, sentada ao lado dele, sem dizer nada diante da cara triste que ele fazia.

Quando cheguei em casa escrevi uma carta, dizendo o quanto lamentava pela derrota e o quanto queria ter dado um abraço grande nele após o jogo.

Passou um tempo e um dia resolvi entregar não só essa, mas todas as outras cartas que escrevia e guardava – fora os poemas de um certo caderno preto… Se eu tivesse quatorze anos hoje, escreveria tudo em um blog!

Depois de ler tudo, o Duda conversou comigo e a coisa mais marcante desse papo ao telefone foi ele dizendo que eu deveria ter dado aquele abraço no dia do jogo, porque ele bem que precisava naquela hora.

Me lembro com nitidez de ter me sentido a garota mais puramente idiota do mundo inteiro naquele momento.

E me lembro de, dali em diante, nunca mais ter deixado passar nada que me desse vontade real.

Hoje é engraçado ver você estranhar o meu jeito atirado, o meu jeito sem jeito de gritar todo esse amor que eu sinto por você, mas saiba que eu te amo porque você, ainda hoje, tem essa timidez que eu tinha aos 14 anos.

E se eu não tivesse deixado de lado a minha timidez seria bem provável que até hoje você não soubesse do que sinto e que um monte de cartas – hoje em dia mails, né? – se acumulassem mais uma vez em minhas gavetas.

Do valor sentimental

Por Luciana | 30/07/2009, 22h22

“Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”

“Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você; o que você vai ser quando você crescer”

Passamos uns dias na praia agora em julho e minhas primas elogiaram minhas saídas de praia – chegaram a pedir pra levar até a costureira para tirar o modelo…

Ficaram de boca aberta quando eu disse que elas eram da mamãe e que deviam ter uns 30 anos no mínimo. 

Semanas antes, abrimos o baú antigo em que minha mãe armazenou o enxoval de casamento dela durante o noivado com meu pai. Lá, em meio a muitas outras coisas lindas, encontramos as duas saídas de praia das quais eu me apossei, com a devida autorização da mamãe. 

Há uns dois anos mostrei para o André umas fotos minhas quando criança em que minha mãe aparece mais ou menos com a minha idade hoje. Tempos depois ele fez uma foto minha e ao me mandar disse que eu estava a cara da minha mãe nas fotos antigas…

Usando as saídas de praia então… 

Uma é vermelha e a outra é… amarela! E quem me conhece sabe o quanto não curto amarelo…

Mas, cara, era da minha mãe e hoje é minha. Não tem dinheiro que pague porque é daquelas coisas de valor sentimental, manja? 

E eu me achei linda, como ela. :)

 

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