Quando me apaixonei pela primeira vez comprei um caderno preto, com um relógio antigo desenhado na capa e escrevi um livro de poemas nele. Pra o garoto que eu gostava – o Duda. Escrevi à mão uns 350, 400 poemas nesse caderno. Um caderno que não era meu, era dele, sabe? A imaginação era minha, o calo no dedo onde apoiava a lapiseira pra escrever era meu, a letra torta e fraquinha era minha. Mas aquele livro era só dele, do meu primeiro amor.
Eu lembro que nessa época eu tinha um bloquinho avulso onde anotava palavras que achava bonitas, diferentes, “exóticas” para colocar nos poemas. Palavras como flamboyant, diáfano, suave, jeans, hortelã, Veneza, zás, ventilador e muitas outras mais. Adorava encaixá-las, umas com as outras e, juntas, ao meu sentimento. Passei horas, dias, meses, um ano nesse exercício, ora rimado, ora livre. Sempre apaixonado. E quase não passo de ano, mas passei.
Nessa época eu era uma grande poeta (Miss Cangaíba total): ganhava os concursos de poemas do colégio, eles eram publicados no Informe Marista e eu fazia exposições de inéditos na época do Dia da Poesia – 14 de março, aniversário de Castro Alves.
Aí, semana passada, o homem de todas as minhas vidas estava reclamando que não conseguia fazer poemas, que não sabia lidar com rimas e métricas e tudo mais.
Eu disse que tudo bem, que o que ele escrevia em prosa era cheio de poesia também, tanto quanto seria se escrevesse poemas.
E, pra consolar mais ainda, contei a ele dos meus poemas de 15 anos atrás e do quanto eu os achava o máximo e do quanto eles são de fato terríveis…
Li alguns pra ele no Skype e ele ria e fazia exclamações!
Eu ri junto, mas a verdade é que tenho um carinho enorme por esses poemas que escrevi aos 15 anos para um garoto de 15 anos que não me dava bola.
O que eu gosto nesses poemas é da minha predisposição a escrever desenfreadamente, sem me preocupar se vou parecer ridícula ou não. Afinal, se “todas as cartas de amor são ridículas”, por que os poemas também não seriam?
Ainda hoje escrevo bobaginhas românticas, fofurinhas, mensaginhas, como uma adolescente de 15 anos.
Pra fechar, estrofinhas que escrevi no auge da minha adolescência. Não é pra você gostar, é pra você lembrar de quem você era, porque eu me lembro.
“Eu quero desatar antigos laços
e formar, com você, um nó somente
para sermos o aconchego de um abraço
ou apenas o cadarço de um tênis”
“O meu príncipe encantado
usa jeans e camiseta
ele é doce e engraçado
e me faz perder a cabeça!”
“Seus pais são loucos
e os meus também
o tempo é pouco
por isso vem!”
PS – O mais bonitinho foi o homem de todas as minhas vidas dizendo no final da conversa que mesmo não escrevendo poemas pra mim é com ele que vou casar.