Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Poesia

Mais uma pausa no TCC para mais uma constatação

Por Luciana | 08/06/2009, 11h11

Cara, é lindo constatar que por mais que eu enrole, empurre com a barriga, dê os maiores desdobros possíveis no meu TCC, toda vez que volto a escrevê-lo é empolgante!

O segredo é, pra variar, simples sem ser simplório: escolhi o tema certo. O tema que me interessa escrever não só como jornalista, mas como professora: violência nas escolas.

Ontem fiquei girando, girando, procurando epígrafes para o ínicio de capítulo, afinal, são esses pequenos detalhes que dão leveza ao texto acadêmico por vezes tão duro de ser decifrado.

Aí, lembrei de uma frase do Jorge Amado no prefácio do romance Cacau. Ele afirmava que tinha escrito o livro com “um mínimo de literatura para um máximo de honestidade”.

Eu já tinha me valido dessa frase no epílogo do meu primeiro TCC e me deixa feliz ver que, nove anos depois, ainda serve. Ainda sou eu.

PS – Meu primeiro TCC, assim como o de agora, não teve introdução nem conclusão; teve proposição e epílogo, que nem n’Os Lusíadas! Hahahahahahahaha! Minha primeira orientadora riu e disse que eu era/sou mesmo pretensiosa.

Dobrando a saudade ou Todas essas coisas que só nós dois sabemos

Por Luciana | 31/05/2009, 03h03

Olha, você está na cidade que eu mais amo no mundo e tudo o que posso dizer é que adoraria estar aí com você.

Na verdade, eu posso dizer um pouco mais.

Eu queria ficar namorando baús na feirinha da Afonso Pena com você; queria subir até o mirante do Parque das Mangabeiras. Queria te levar pra comer linguiça de metro no Stadt Jever, na Contorno; queria ler pra você os poemas daquele livro nosso do Drummond à beira do lago do Parque Municipal. Queria uma rosa do Mercado Central.

E só nós dois sabemos porque diabos eu quero um baú; só eu sei pra te mostrar o quanto é lindo ver a Serra do Curral envolvendo Beagá num abraço do alto do mirante; só eu sei o quanto é bom bater papo com você ao redor de uma mesa, os dois de frente pro outro como um casal que se preze – sim, porque casal que se preze senta de frente um pro outro pra olhar bem nos olhos -; só você sabe fazer aquelas piadinhas bobas por conta dos poemas eróticos do Drummond.

Só eu sei porque não preciso ganhar uma rosa daquelas vermelhas do mercado…

Todas essas coisas que só nós dois sabemos. Todas essas coisas que um dia viveremos, porque sempre teremos Beagá.

Sempre teremos Bedford Falls. (Eu escrevo essa frase e os olhos enchem. Que bobona!)

Saber que você está em Beagá é dobrar a saudade.

Um beijo apertado que nem abraço, que nem o do Pedro pra Ana T.

Convite ao erro

Por Luciana | 20/04/2009, 23h45

Olha, no Love Live do Dia dos Namorados, ano passado, o André contou que eu passei uns meses mandando poemas todos os dias para ele, porque não me conformava com o fato dele não gostar de poesia.

O tempo passou e muitos e muitos mails depois posso dizer que hoje ele já compra livros de poesia e até considera ter um poeta favorito: Mário Quintana.

Aí, dia desses, ele me disse assim:

- Lu, tenta escrever o endereço do Dialética com algum complemento errado…

- Como assim?

- Ah, tipo: www.dialetica.org/ashgashg ou www.dialetica.org/blablabla ou www.dialetica.org/naoseioquenaoseioqueeusouumotario.

Aí, veio a surpresa. Em todas as páginas de erro do Dialética – aquelas onde você digita errado o endereço do blog – o André plantou um poema. Todos os poemas que “usei” para comovê-lo.

Agora posso dizer que aqui até os erros são cheios de poesia.

Então, erre. E cole aqui – e, sobretudo, aí – o poema que encontrar. ;)

De quando se tem 15 anos

Por Luciana | 06/04/2009, 12h18

Quando me apaixonei pela primeira vez comprei um caderno preto, com um relógio antigo desenhado na capa e escrevi um livro de poemas nele. Pra o garoto que eu gostava – o Duda. Escrevi à mão uns 350, 400 poemas nesse caderno. Um caderno que não era meu, era dele, sabe? A imaginação era minha, o calo no dedo onde apoiava a lapiseira pra escrever era meu, a letra torta e fraquinha era minha. Mas aquele livro era só dele, do meu primeiro amor.

Eu lembro que nessa época eu tinha um bloquinho avulso onde anotava palavras que achava bonitas, diferentes, “exóticas” para colocar nos poemas. Palavras como flamboyant, diáfano, suave, jeans, hortelã, Veneza, zás, ventilador e muitas outras mais. Adorava encaixá-las, umas com as outras e, juntas, ao meu sentimento. Passei horas, dias, meses, um ano nesse exercício, ora rimado, ora livre. Sempre apaixonado. E quase não passo de ano, mas passei.

Nessa época eu era uma grande poeta (Miss Cangaíba total): ganhava os concursos de poemas do colégio, eles eram publicados no Informe Marista e eu fazia exposições de inéditos na época do Dia da Poesia – 14 de março, aniversário de Castro Alves.

Aí, semana passada, o homem de todas as minhas vidas estava reclamando que não conseguia fazer poemas, que não sabia lidar com rimas e métricas e tudo mais.

Eu disse que tudo bem, que o que ele escrevia em prosa era cheio de poesia também, tanto quanto seria se escrevesse poemas.

E, pra consolar mais ainda, contei a ele dos meus poemas de 15 anos atrás e do quanto eu os achava o máximo e do quanto eles são de fato terríveis…

Li alguns pra ele no Skype e ele ria e fazia exclamações!

Eu ri junto, mas a verdade é que tenho um carinho enorme por esses poemas que escrevi aos 15 anos para um garoto de 15 anos que não me dava bola.

O que eu gosto nesses poemas é da minha predisposição a escrever desenfreadamente, sem me preocupar se vou parecer ridícula ou não. Afinal, se “todas as cartas de amor são ridículas”, por que os poemas também não seriam?

Ainda hoje escrevo bobaginhas românticas, fofurinhas, mensaginhas, como uma adolescente de 15 anos.

Pra fechar, estrofinhas que escrevi no auge da minha adolescência. Não é pra você gostar, é pra você lembrar de quem você era, porque eu me lembro.

“Eu quero desatar antigos laços

e formar, com você, um nó somente

para sermos o aconchego de um abraço

ou apenas o cadarço de um tênis”

“O meu príncipe encantado

usa jeans e camiseta

ele é doce e engraçado

e me faz perder a cabeça!”

“Seus pais são loucos

e os meus também

o tempo é pouco

por isso vem!”

PS – O mais bonitinho foi o homem de todas as minhas vidas dizendo no final da conversa que mesmo não escrevendo poemas pra mim é com ele que vou casar. ;)

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