Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

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Como será dois mil e SEX?

Por Luciana | 01/01/2010, 15h09

final do ano vamos ver se consegui fazer tudo o que planejo.

rever porto alegre, gramado, rio, são paulo, salvador, ilhéus, ouro preto - conhecer florianópolis, pelotas, brasília – morar em beagá – fazer um primeiro ano de mestrado exemplar – voltar a blogar com regularidade – fazer o blog da copa uma coisa bacana pra quem curte futebol como nós - ver o Brasil ser hexacampeão - fotografar beagá, escrever sobre beagá, tudo mais em beagá – dar adeus aos refrigerantes – ajudar as pessoas de alguma forma – abstrair mais – sentir saudade como de praxe – voltar a malhar e perder os malditos seis quilos que me assolam – ir mais ao cinema, ler mais e fazer mais todas aquelas coisas que nem deveriam fazer parte das promessas de fim de ano, mas do cotidiano – poupar (hahahahahaha!) – e…

que os textos desse Agridoce voltem a emocionar as pessoas.

Dois mil e love foi assim…

Por Luciana | 31/12/2009, 16h49

hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
de toda mulher de trinta. . . trinta moleques que o tempo criou
e muito embora eu nao sinta
eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou

meus alunos leram Ana & Pedro e Capitães da areia – me formei em Jornalismo – voltei a Resende, Penedo, Mosqueiro, São Paulo, Beagá, Rio de Janeiro – escrevi um TCC sobre violência nas escolas que poderia ter sido bem melhor – fui reprovada no mestrado de Teoria Literária da UFMG – ampliamos o Dialética com mais pessoas queridas – coloquei aparelho nos dentes e não vou sorrir nunca mais – fui ao show de 50 anos de carreira do Rei Rob Car com a companhia ideal – conheci Ubatuba, Petrópolis, Parati, Campos do Jordão - tive dias de luluzinha com as amigas – passei a amar comida japonesa e comi mais temakis do que deveria – revi o belo parque do Ibirapuera – fui ao Museu do Futebol, à exposição do Vik Muniz no MASP, à exposição do Pequeno Príncipe na OCA -vi As pontes de Madison no teatro - li mais livros acadêmicos que livros por prazer (não que seja um desprazer a academia, vai) – vi A felicidade não se compra com o meu George Bailey particular – engordei seis malditos quilos - abandonei meus blogs (mas isso vai acabar!) - comemorei meus 30 anos (com carinha de 17 por conta do aparelho) - voltei a trabalhar como revisora em uma agência de publicidade - acompanhei o homem de todas as minhas vidas no primeiro Círio dele – passei no mestrado de Literatura Brasileira da PUC-MG - e…

FIQUEI NOIVA! :)

Afinal, o nome já dizia: dois mil e LOVE.

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PS1 – Que o seu dois mil e LOVE tenha sido bem bom também, leitor. E que ano que ve m – que  já é logo amanhã – eu escreva mais e você venha mais me ler. ;)

PS2 – Post de amanhã: Como será dois mil e SEX?

50 anos

Por Luciana | 24/12/2009, 10h10

2029. 24 de dezembro.

Um presépio no lugar da árvore; presentes embalados com carinho, por alguém que até lá já terá aprendido a fazer embrulhos e pacotes decentes; flores espalhadas pela sala; telefone tocando pra lá e pra cá com as pessoas mais queridas do outro lado.

Minha mãe e sua mãe desconfiando muito que não darei conta de preparar a ceia a tempo, desajeitada sempre na cozinha. Mas eu darei. Darei conta porque será uma comidinha feita só pra pessoas que amo. E o que eu não der eu encomendo em alguma quituteira da vida, afinal ninguém é de ferro.

Música, risada, fotografia. De vez em quando eu vou parar um pouco, olhar ao redor, e ter certeza de que aquilo, aquele dia, não é só contente nem alegre – é feliz. Plenamente feliz.

E depois do jantar uns dois meninos, rapazes, e uma menina, mocinha, meio parecidos comigo e com o homem de todas as minhas vidas, sairão pra ver os pares.

Vai ser quando ficaremos assistindo A felicidade não se compra pelo milésimo Natal, aninhados no sofá, mãos dadas, comendo um monte daquelas delícias natalinas! E vamos repetir nossos comentários do ano passado como se fossem novos: que George Bailey é o máximo, que Donna Reed está linda nesse filme; tentar obviamente imaginar como seria se não existíssemos, pra em seguida respirar aliviados por estarmos bem vivos e bem juntos.

E ficar bem nostálgicos, lembrando dos natais da nossa infância e da infância dos dois meninos, rapazes e da menina, mocinha. De como descobri que o Papai Noel não existia; de nossas peripécias para que os dois meninos, rapazes e a menina, mocinha não descobrissem logo.

Também vou contar minha piada de Natal favorita e o homem de todas as minhas vidas vai morrer de rir não pela piada, porque afinal é super sem graça, mas pela minha cara de pau de ainda contar mais uma vez! E calar minha gaiatice com um beijo doce, com gosto de fruta de Natal.

E mais uma vez eu vou pensar que mais que ouro, incenso e mirra, um lar é o melhor presente de Natal que se pode ter.

PS – Piada de Natal: “O garotinho pergunta pro Papai Noel: – Papai Noel, o senhor rói unha? E o Papai Noel responde: Ho! Ho! Ho!” Leitor exigente, eu disse que era super sem graça!

PS2 – Assista A felicidade não se compra! Todo ano, nessa época, eu assisto.

Eu te amo

Por Luciana | 25/11/2009, 14h16

Pronto! Consegui! Chamei a atenção de todos os sentimentais simplesmente com esse título, contudo engana-se redondamente quem pensa que vai encontrar aqui, hoje, uma crônica de amor. Talvez não encontre jamais, pois aprendi, dia desses, que não se deve escrever “eu te amo” porque o papel é um documento e, de repente, você muda de opinião e está lá, preso pela frase escrita. Por isso aprenda: só diga “eu te amo”, pois o vento se compromete a ser seu cúmplice. Mas, afinal, tenho que escrever bem depressa antes que o orgulho e a vaidade atinjam o meu ego e façam crescer um câncer em minh’alma! Declarar abertamente que você não me conhece, mas eu conheço você. Enquanto seus olhos estiverem passeando pelas minhas palavras, você é meu também. Eu só escrevo o que quero, o que me agrada e fortalece, o que me faz sorrir, o que eu deixo você saber! Se isso lhe atinge, modifica, revira do avesso, não é da minha conta. Isso é um lazer pra mim. É a busca da minha melhor morte. Então, de súbito, quebro todos os caríssimos copos de cristal do vizinho e corto os pulsos muito delicadamente para que as gotículas do meu sangue queimem essa página e a transforme na minha plenitude verde e ácida, e que essa plenitude lhe amanse e lhe faça plantar girassóis na janela da casa rosa que eu mandei construir para nós dois. Não! Não, criatura, eu não estou maluca! Apenas injetei você na minha idéia e agora não temos mais solução ou volta. Portanto, eu não sou sua escrava. Eu sou essas linhas simples que lhe deixam com esse olhar doce de descrença. Se você me abandonar, me trocar pela melhor escritora do mundo, eu juro que saio gritando bem na sua cara que eu sou mais eu, eu sou mais eu, eu sou mais eu e mais ninguém! Você ficará com raiva, me chamará de doente, de arrogante e não casará mais comigo quando tocar “Fire and Rain” do J. Taylor, regida pelo Caravelli. Nisso, passaremos a vida inteira como o Bandeira, uma vida “que poderia ter sido e que não foi”! Nesse momento, vou virar uma nerd-punk-ninja: usar óculos, pintar o cabelo de verde e lutar karatê. E você sempre será muito profuso de amor, de calor, de carne, de eu. Então, cruzando a Boaventura, a gente se reencontra, você pergunta se eu estou bem, eu lhe olho, nós casamos de vez! Tudo isso é muito confuso, mas insisto, não estou louca e, sendo assim, o que vale é a intenção. A minha intenção é fazer você me enxergar. Detesto essa gente que confunde complicação com mistério. “O Estado sou eu. Eu sou o Rei-Sol”. Quero a claridade. Afinal, o importante são as nuances e não as cores! O que vale é o seu olhar, o seu jeito, a sua risada e a maneira estranha como você me faz feliz. Dessa forma, que se dane o meu ego massageado de elogios que me amam; que se exploda o “som do mar e a luz do céu profundo”, porque o que me interessa é você. Você que vem de mim e é exatamente como o vento, meu amigo, avisou que seria. Talvez você pense que me perdi, que essa é sim uma crônica de amor, mas absolutamente não é. Ela é tão somente para falar do poder da palavra, dá pra entender? Ah! Dá pra sobreviver a mim, é só você querer. É só fazer de conta que não leu nada disso e ligar para ela e dizer (!) “eu te amo”. Escrever jamais! O Reino dos Céus é dos ignorantes e eu sou mais eu e vou direto pro inferno, sem escala e sem choro, nem vela! Só quero uma linha amarela que costure meus pulsos e me faça viver outra vez.

PS – Escrito em 1999, aos 20 anos, por uma Luciana que não sabia fazer parágrafos e escrevia num fôlego só.

Um mail pra dois

Por Luciana | 17/11/2009, 18h20

Queridos, saudade imensa.

Esse mail é só pra dizer que hoje meus alunos da oitava série fizeram um teste sobre Ana & Pedro. Sim, eu coloquei toda a turma pra ler a história daquelas cartas mais queridas.

Semana passada me crivaram de perguntas sobre o livro e foi bom falar em Ana, em Pedro. Eu até confessei que na época me apaixonei pelo Pedro, mas desisti só por causa da Ana. Eles riram que riram…

Falar na Ana e no Pedro é falar em velhos amigos. Ficamos fazendo as contas de quantos anos eles têm agora e dizendo que já devem ter se reencontrado pela internet, pelo google. :)

Estou me formando em Jornalismo agora no final do ano. E, como já sou formada em Letras, tentando o mestrado. Me inscrevi na UFMG, mas não passei. Agora vou tentar a PUC-MG.

Ronald, se eu for ao menos fazer as provas em Beagá, queria muito conhecer você.

Beijo apertado que nem abraço! ;)

Luciana.

***

Acabo de mandar esse mail pra o Ronald e pra Vivina, autores de Ana & Pedro. Ele resume bem o que se passa comigo agora: meus alunos leram Ana & Pedro, me formo em menos de um mês, não passei na UFMG e amarguei uma decepção muito grande comigo mesma por conta disso, e agora estou tentando outra vez que nem na música do Raul Seixas.

E se eu for a Beagá mês que vem, mesmo que eu nem passe, já será lindo.

Torce, leitor.

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