Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Música

O Rei e eu

Por Luciana | 17/06/2009, 22h50

“Olha, você vive tão distante / muito além do que eu posso ter / eu que sempre fui tão inconstante / te juro, meu amor, agora é pra valer”*

E eu fui ao show do Rob Car.

Depois de sete anos, ouvi outra vez o Rei dizer que era um prazer me rever e só pude concordar.

E dessa vez não chorei. Tudo bem que os olhos encheram num e noutro momento, mas nada que se compare ao tanto que chorei em 2002, no Mineirinho.

É que eu estava ao lado do homem de todas as minhas vidas dessa vez e a felicidade que isso me causa é maior do que as lágrimas.

Rob Car não cantou Olha, não se vestiu de azul, não me deu uma rosa, mas como eu tinha uma rosa vestida de azul bem ao meu lado, não me importei…

E gritei tanto. As tias e vovós que estavam ao nosso redor muito provavelmente lembram até agora daquela menina louca vestida de vermelho e gritando sem parar que o Rob Car era lindo e Rei! Hahahahahaha!

Sim, como no Mineirinho, fui de vermelho. Dessa vez com uma blusinha com a Amelie Poulain estampada, presente adiantado do dia dos namorados – quando nos conhecemos, há quatro anos, ele disse que eu era/sou meio Amelie Poulain e acho que agora lembrou e comprou a camisetinha. Não sei…

Rob Car cantou Detalhes, tocando sozinho um violão. Depois emendou com Outra vez. Lindo demais. Ficamos, André e eu, comentando versos das músicas, do quanto elas dizem sobre nós. Do tempo em que “desisti de tentar esquecê-lo e decidi querê-lo por querer”… Da certeza de que ele é o cabeludo de todas as minhas vidas.

Cantou uma sequência em homenagem à cidade onde nasceu e aos pais – essa foi a parte mais angustiante do show pra mim porque me apertou uma saudade danada dos meus pais, mas os meus pais da minha infância, se é que dá pra entender.

Já o ponto mais engraçado foi quando ele disse que se não fosse cantor, com certeza seria… CAMINHONEIRO! E toma-lhe banguela! Hahahahahaha!

Da suingada cantou Eu te amo, te amo, te amo e Quando; da fase Maria Rita cantou Mulher Pequena; da fase Jovem Guarda, Namoradinha de um amigo meu, É proibido fumar e Jovens tardes de domingo; da fase motel, Cavalgada e Proposta; da fase gospel, Jesus Cristo e Nossa Senhora. Ainda teve Além do Horizonte (que eu amo!), É preciso saber viver e Amor perfeito.

Disse que cantaria uma música que resume o que sente pelos fãs e cantou Como é grande o meu amor por você. E um coro enorme cantou junto.

Logo no comecinho do show o Rob disse que quando falaram pra ele que faria 50 anos de carreira ele se surpreendeu, afinal, não tinha nem 50 anos de idade! Rá!

Ficamos planejando idas a outros shows: no cruzeiro do Rei; acompanhados das mães, dos filhos; no show dos 60 anos.

Não importa. Ainda nos reencontraremos. E será um prazer, como sempre. Sempre, sempre Roberto Carlos.

* Olha, segundo o maestro Eduardo Lages, é a melhor de Roberto/Erasmo, porque todos os versos são bons. Concordo, lógico.

Detalhes

Por Luciana | 10/06/2009, 10h30

Como você pronuncia Caim?

E amendoim?

Folhetim?

Boletim?

Capim? 

Essas palavras são oxítonas ou paroxítonas para você?

Se elas são oxítonas para você, por que raios fazer de conta que “ruim” é paroxítona?

Lembrei disso ainda agora, quando minha mãe comentou que, paradoxalmente, Roberto Carlos canta “até os erros do meu português ruim” sem erro (!), falando “ruim” de maneira oxítona.

No sábado passado, Bruno Mazzeo, no Altas Horas, também falou certinho a palavra “ruim”. É tão raro que nunca passa despercebido para mim. Fiquei mais fã dele.

Mas, fã por fã, hoje é dia de ir ver o Rei cantar com os erros e acertos do português ruIM dele, ao lado do rapaz que reina em meu coração – e que fala RUim só para me espetar!

PS – Até dia 15 e, já sabe, leitor: dia 12 de junho é dia de não-blogagem coletiva do dia dos namorados!

Dos tempos do Pato Zito

Por Luciana | 19/05/2009, 02h02

Dia desses, rodando alucinadamente de carro com a célebre Patrícia Köhler e começamos a ouvir um CD incrível da Pat, só com músicas do Balão Mágico.
Sim, somos fãs. Fãs daquelas que batem palma cantando – mesmo que dirigindo! – e que adorariam ter desfilado por aí com alguma roupinha Caramelo, grife que vestia o grupo.
Música vai, música vem, controle de choro em algumas horas e explosão de gargalhadas em outras, chegamos a mais um ponto em comum: nossos corações infantis batiam ambos pelo Tob.
Uma vez um amigo falou que todo menino daquela época foi meio apaixonado pela Simony. Eu não sei. Eu sei que as garotas tinham a sorte de poder escolher entre Tob e Mike e minha amiga Patrícia e eu éramos da ala do primeiro.
Você deve estar estranhando eu não citar o Jairzinho como uma dessas opções e vou começar a me explicar agora.
O Tob é a personificação dos típicos namoros infantis e adolescentes. Na música Se enamora ele interpreta esse papel com perfeição. O cara que não sabe como se aproximar da garota, que torce pra que um dia ela tropece nele ou que tenha coragem para tirá-la para dançar.
Nos dois primeiros discos do Balão, Tob divide com Simony a maioria das canções, uma espécie de primeira voz do grupo. Até que acontece o terceiro disco, exatamente o que traz Se enamora – o mesmo que traz Jairzinho para a turma.
Ele chega botando banca, com “gatinhas me perseguindo / curtindo com o meu som / gritando: lindo, lindo / me chamando de bombom”. E, abruptamente, vimos Tob ser aos poucos substituído por Jairzinho nas canções mezzo românticas do Balão – Mochila azul, por exemplo.
Tob é tímido; Jairzinho é garanhinho. Tob é o garoto que, por mais que não se declare, a menina sabe que gosta dela e, por conseguinte gosta dele também, vive sonhando com o dia em que ele se declarará finalmente.
Aí, de repente, vem o Jairzinho. O Jairzinho é o cara que chega e ganha de nocaute. Rápido, sagaz, veloz. Sem enrolação, sem paciência de Jó.
Mas preferimos, Pat e eu, o Tob. Os poucos rapazes que continuaram a ser Tob.

Tímidos, doces, românticos, em um exercício leve e lento do amor.

PS – Do Uma garota apenas, da Pat, do Tob, de mim. ;)

Não te parece óbvio?!

Por Luciana | 13/05/2009, 10h30

Na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, tem um café.

Depois de passar tempos perambulando pra lá e pra cá entre os livros, CDs e tudo mais, as pessoas queridas que me cercavam – Fefa, Trotta, André e Cláudia – e eu decidimos fazer uma parada no café antes de sair pra jantar.

Aí fui ao caixa. Imaginem um caixa e pessoas formando fila para os dois lado do balcão. Fiquei confusa, pensando em qual era a fila de fato e qual era a parte onde as pessoas estavam sendo servidas já.

Foi quando delicadamente perguntei ao rapaz magro, alto e bl que estava na suposta fila do lado esquerdo, se ele estava na fila. A resposta dele, me olhando de cima:

- Não te parece óbvio que estou na fila?

Eu normalmente daria uma resposta atravessada a ele e iniciaria um mini-barraco, mas fiquei tão, mas tão sem graça e sem ação que tudo o que fiz foi sair de lá sem comprar meu lanche.

Como o pessoal viu que eu tinha voltado de lá do balcão com as mãos abanando, contei o que tinha acontecido. Foi a deixa pra que a coisa virasse piada e tudo o que se dissesse entre nós fosse replicado com um: “Não te parece óbvio que…?!”.

O ponto alto foi quando estávamos na cantina C… que sabe! – um amor de cantina! – e o trio de cantores chegou a nossa mesa perguntando o que gostaríamos de ouvir.

Como me delegaram o direito de escolher o pedido, eu, mais uma vez, delicadamente – isso ninguém pode negar – falei para o senhor do violão:

- Bem, não sei se você sabe cantar essa, mas eu gostaria muito de ouvir Al di lá.

E ele:

- Bem, eu vou tentar…

E cantou toda a música bem ali do meu lado, me deixando vermelhinha de vergonha.

No fim, ele disse:

- Sabe os minutos que você tem de vida? Pois equivalem as tantas vezes que já cantei essa música.

Ora! Não parecia óbvio que ele sabia Al di lá de trás pra frente?!

Todo mundo ria, ria, tanto o cantor quanto a turma que estava comigo. E eu lá vermelha.

Pra salvar a situação fiz fotinhas dele e fotinhas com ele, e deixei claro que não quis subestimá-lo, que falei aquilo porque se ele não soubesse a música, eu pediria outra.

Enfim.

No final, ele ainda cantou uma música do Rob Car, afinal, era óbvio que ele sabia as canções do Rei!

PS – Pedi Al di lá porque é a música do filme Candelabro Italiano, que minha mãe e eu adoramos pelo fato da mocinha ser uma bibliotecária como a mamãe. ;) Falei mais sobre isso no Próximos Capítulos e estou postando aos poucos as fotinhas da viagem no Belém, Belém.

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