porque eu sou um agridoce de menina…

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25/12/09

Rei

Tudo bem, eu adoro futebol. Tudo certo, o Pelé é gênio. Mas rei, leitor súdito, pra mim, é o Roberto Carlos.

Por isso, hoje à noite, é bem provável que, se você ligar pra minha casa, qualquer um de nós que atenda, minha mãe, meu irmão ou eu, pegue o telefone e diga simplesmente isso: “Liga depois, estamos vendo o especial do Rei!” pra em seguida, desligar solenemente na sua cara, como todo ano acontece quando algum desavisado liga nesse dia.

Hoje à noite o Roberto Carlos vai entrar no palco mais uma vez entre gritos, aplausos e euforia, vai ficar esperando parado, sorrindo, até que toda a emoção se amenize um pouco e vai dizer: “É um prazer rever vocês”. E todo mundo vai gritar e aplaudir e ficar eufórico em dobro!

Já vi essa cena, ao vivo, em pleno Mineirinho e lhe digo: é das coisas mais incríveis que já vi. Homens, mulheres, jovens, crianças, idosos. Famílias, amigos, casais. Um mar de gente gritando junto que é um prazer revê-lo também. Nesse momento ninguém mais conversa com ninguém, ninguém mais olha pro lado – ele hipnotiza a gente. E quando a gente se dá conta está lá, alternando riso e choro, cantando junto com ele, mas baixinho, pra não atrapalhar.

E ele conversa no meio das músicas, fazendo você se sentir amigo mesmo, próximo. Apresenta a banda RC-7, e conta que o maestro é compadre dele. E quando canta Outra vez, naquela parte que diz que você foi “o maior dos enganos que eu pude fazer” ele emenda e confessa: “Mentira, da boca pra fora”. E o ginásio quase vem abaixo! Ou quando ele canta Nossa canção, antes fica mostrando no telão imagens de quando ele era jovem e a mulherada fica histérica gritando “Lindo!” e então ele canta: “Olhe aqui, preste atenção”, e se ouve um grande suspiro no ar emendado com todas as vozes juntas, a plenos pulmões: “Essa é a nossa canção”!

Aí, ele vai cantar Emoções, Detalhes, Como é grande o meu amor por você. Vai cantar um pouco de Jovem Guarda e talvez chamar o “meu amigo Erasmo Carlos”. Vai cantar Jesus Cristo, Nossa Senhora, O Terço. Vai cantar alguma música nova ou velha que ele tenha feito pra Maria Rita. E finalizar jogando rosas para o público.

Nisso, o leitor indagador vai perguntar: Mas por que você vai assistir ao especial do Rei se já sabe tudo o que vai acontecer, se já está tudo roteirizado na sua cabeça, se já viu ao vivo? Porque eu sou fã! Ora, ora!

Eu comecei a gostar do Roberto Carlos com uns 12, 13 anos, influência óbvia dos meus pais. Gostei de saber pelo meu pai que aquele cara chato que minha mãe adorava tinha feito uma música pra o Caetano quando ele estava exilado em Londres. Achei corajoso, bonito mesmo.

Daí comecei a reparar que sempre tem um comercial, uma novela, uma história com as músicas do Rei. Sempre tem um monte de outros artistas regravando músicas dele. E essas músicas sempre têm um pouco de mim, de você. Simples, clichês, encantadoras, passionais, meio bregas, como cada um de nós, abençoadamente, é.

Elas falam dos nossos desencontros, brigas, separações, derrotas. De saudade, amor, ciúme, fé, rebeldia. Servem pra lembrar, esquecer, amar, maldizer, conquistar, levar pra passear – de calhambeque pelas curvas da estrada de Santos.

Pra que eu vou falar que de uns tempos pra cá a produção do Roberto caiu demais? Pra que eu vou dizer que prefiro o Roberto da Jovem Guarda e da década de 70 – da época enfim, que eu nem era nascida? Tudo o que ele fez naquele tempo foi tão forte e tão bonito que sustenta até hoje a coroa dele.

Mesmo ele sendo cheio de manias, mesmo ele tendo aquele cabelo ridículo, mesmo ele vindo tão pouco a minha cidade. Pra mim o que importa é que ele gosta de azul que nem eu, pra mim ele é “uma brasa, mora?”, pra mim ele é o cara que sabe como ninguém cantar os meus amores, as minhas paixões. Os altos e baixos das minhas emoções.

Luciana

“Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”

“Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você; o que você vai ser quando você crescer”

Passamos uns dias na praia agora em julho e minhas primas elogiaram minhas saídas de praia – chegaram a pedir pra levar até a costureira para tirar o modelo…

Ficaram de boca aberta quando eu disse que elas eram da mamãe e que deviam ter uns 30 anos no mínimo. 

Semanas antes, abrimos o baú antigo em que minha mãe armazenou o enxoval de casamento dela durante o noivado com meu pai. Lá, em meio a muitas outras coisas lindas, encontramos as duas saídas de praia das quais eu me apossei, com a devida autorização da mamãe. 

Há uns dois anos mostrei para o André umas fotos minhas quando criança em que minha mãe aparece mais ou menos com a minha idade hoje. Tempos depois ele fez uma foto minha e ao me mandar disse que eu estava a cara da minha mãe nas fotos antigas…

Usando as saídas de praia então… 

Uma é vermelha e a outra é… amarela! E quem me conhece sabe o quanto não curto amarelo…

Mas, cara, era da minha mãe e hoje é minha. Não tem dinheiro que pague porque é daquelas coisas de valor sentimental, manja? 

E eu me achei linda, como ela. :)

 

Luciana

Na sexta passada vi o Globo Repórter sobre os 50 anos de carreira do Rei Roberto Carlos e um dos técnicos do show declarou que o Rob Car faz questão toda vez que idealiza um espetáculo é de que as apresentações sejam iguais tanto nas metrópoles quanto nas cidadelas. 

Pois bem.

No sábado, assisti pela TV ao show do Rei no Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro, e me senti meio lesada. No show que acompanhei no Hangar, em Belém, músicas como O Calhambeque, Café da Manhã, Seu Corpo, Amigo, Sentado à Beira de um Caminho não foram executadas. 

Sem contar que o Rob Car não entrou no palco a bordo de um carro azul e não rolou participação especial do Erasmo e da Wanderléa…

Enfim.

Pra consolar, lembrei que vi o show no Hangar sentada e no ar condicionado, sem temporal nem capa de chuva…

Luciana
01/07/09

Muito infame

- André, sabia que dá pra fazer um Top 5 de músicas do Michael Jackson que começam com B?

- B? Mas por que B?

- Ah, eu estava ouvindo algumas e notei a coincidência. Olha só: Bad, Billie Jean, Beat it, Black or white e Ben, não necessariamente nessa ordem…

- Mas e Bhriller?

(André, como sempre, infame!)

PS – Pelo menos foi uma brincadeirinha saudável, sem as pitadas de crueldade que li/ouvi por aí. Como disse a @sabineas, nojinho de quem faz piadas sobre morte. Quando for a mãe dessas pessoas será tão divertido.

Luciana
17/06/09

O Rei e eu

“Olha, você vive tão distante / muito além do que eu posso ter / eu que sempre fui tão inconstante / te juro, meu amor, agora é pra valer”*

E eu fui ao show do Rob Car.

Depois de sete anos, ouvi outra vez o Rei dizer que era um prazer me rever e só pude concordar.

E dessa vez não chorei. Tudo bem que os olhos encheram num e noutro momento, mas nada que se compare ao tanto que chorei em 2002, no Mineirinho.

É que eu estava ao lado do homem de todas as minhas vidas dessa vez e a felicidade que isso me causa é maior do que as lágrimas.

Rob Car não cantou Olha, não se vestiu de azul, não me deu uma rosa, mas como eu tinha uma rosa vestida de azul bem ao meu lado, não me importei…

E gritei tanto. As tias e vovós que estavam ao nosso redor muito provavelmente lembram até agora daquela menina louca vestida de vermelho e gritando sem parar que o Rob Car era lindo e Rei! Hahahahahaha!

Sim, como no Mineirinho, fui de vermelho. Dessa vez com uma blusinha com a Amelie Poulain estampada, presente adiantado do dia dos namorados – quando nos conhecemos, há quatro anos, ele disse que eu era/sou meio Amelie Poulain e acho que agora lembrou e comprou a camisetinha. Não sei…

Rob Car cantou Detalhes, tocando sozinho um violão. Depois emendou com Outra vez. Lindo demais. Ficamos, André e eu, comentando versos das músicas, do quanto elas dizem sobre nós. Do tempo em que “desisti de tentar esquecê-lo e decidi querê-lo por querer”… Da certeza de que ele é o cabeludo de todas as minhas vidas.

Cantou uma sequência em homenagem à cidade onde nasceu e aos pais – essa foi a parte mais angustiante do show pra mim porque me apertou uma saudade danada dos meus pais, mas os meus pais da minha infância, se é que dá pra entender.

Já o ponto mais engraçado foi quando ele disse que se não fosse cantor, com certeza seria… CAMINHONEIRO! E toma-lhe banguela! Hahahahahaha!

Da suingada cantou Eu te amo, te amo, te amo e Quando; da fase Maria Rita cantou Mulher Pequena; da fase Jovem Guarda, Namoradinha de um amigo meu, É proibido fumar e Jovens tardes de domingo; da fase motel, Cavalgada e Proposta; da fase gospel, Jesus Cristo e Nossa Senhora. Ainda teve Além do Horizonte (que eu amo!), É preciso saber viver e Amor perfeito.

Disse que cantaria uma música que resume o que sente pelos fãs e cantou Como é grande o meu amor por você. E um coro enorme cantou junto.

Logo no comecinho do show o Rob disse que quando falaram pra ele que faria 50 anos de carreira ele se surpreendeu, afinal, não tinha nem 50 anos de idade! Rá!

Ficamos planejando idas a outros shows: no cruzeiro do Rei; acompanhados das mães, dos filhos; no show dos 60 anos.

Não importa. Ainda nos reencontraremos. E será um prazer, como sempre. Sempre, sempre Roberto Carlos.

* Olha, segundo o maestro Eduardo Lages, é a melhor de Roberto/Erasmo, porque todos os versos são bons. Concordo, lógico.

Luciana