porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Música

Cultivo uma lista de temas sobre os quais quero-tenho-preciso-gostaria de escrever nos meus blogs: agridoce, blog da copa, próximos capítulos.

Há dois anos o nome do Tim Maia não sai dessa lista.

O título do texto sobre ele seria “Tim Mais”, porque numa conversa com a Patrícia digitei errado e ela adorou por achar bem apropriado a ele.

Fiquei com uma vontade danada de escrever sobre o Tim depois de ter lido a biografia dele, escrita pelo Nelson Motta, e ter ficado dias escutando suas canções.

O fato é que adoro biografias.

Do pessoal da música já li a do Cazuza, a do Rei, a do Tim. Já li o “Verdade Tropical”, do Caetano, que não deixa de ser autobiográfico.

E dia desses li a do Erasmo, “Minha fama de mau”, que dei de presente pra minha mãe em novembro – aquisiçao da Feira Panamazônica do Livro. E o Tim Maia, claro, é personagem desse livro, pois foi ele quem ensinou o parceiro do Rei a tocar violão.

Li o texto de Erasmo de uma vez só, no sábado, esperando a Fórmula1.

É um texto leve – acompanhado de fotos incríveis -, que ele escreveu à mão e pediu ao filho para digitar – o que fez eu lembrar do meu primeiro TCC, que primeiro escrevi no caderno e depois passei para o computador.

Longe do didatismo da biografia do Rei, o livro do Tremendão passa uma ternura que eu acho que só a primeira pessoa consegue dar.

Não sei.

Em meio a tantos livros do mestrado (eu passei, acredita?) pra ler – O planalto e a estepe que o diga – Minha fama de mau foi deveras apaziguador.

Querendo muito agora ler a biografia do Simonal e a do Milton Nascimento.

PS - Não inclui a biografia do Vinicius de Moraes na lista porque o considero mais poeta que cantor, o que fazer?

PS2 – Não tinha um dia mais apropriado para voltar a escrever aqui do que 1º de abril, ao som de Pega na mentira, hein?

Luciana
25/12/09

Rei

Tudo bem, eu adoro futebol. Tudo certo, o Pelé é gênio. Mas rei, leitor súdito, pra mim, é o Roberto Carlos.

Por isso, hoje à noite, é bem provável que, se você ligar pra minha casa, qualquer um de nós que atenda, minha mãe, meu irmão ou eu, pegue o telefone e diga simplesmente isso: “Liga depois, estamos vendo o especial do Rei!” pra em seguida, desligar solenemente na sua cara, como todo ano acontece quando algum desavisado liga nesse dia.

Hoje à noite o Roberto Carlos vai entrar no palco mais uma vez entre gritos, aplausos e euforia, vai ficar esperando parado, sorrindo, até que toda a emoção se amenize um pouco e vai dizer: “É um prazer rever vocês”. E todo mundo vai gritar e aplaudir e ficar eufórico em dobro!

Já vi essa cena, ao vivo, em pleno Mineirinho e lhe digo: é das coisas mais incríveis que já vi. Homens, mulheres, jovens, crianças, idosos. Famílias, amigos, casais. Um mar de gente gritando junto que é um prazer revê-lo também. Nesse momento ninguém mais conversa com ninguém, ninguém mais olha pro lado – ele hipnotiza a gente. E quando a gente se dá conta está lá, alternando riso e choro, cantando junto com ele, mas baixinho, pra não atrapalhar.

E ele conversa no meio das músicas, fazendo você se sentir amigo mesmo, próximo. Apresenta a banda RC-7, e conta que o maestro é compadre dele. E quando canta Outra vez, naquela parte que diz que você foi “o maior dos enganos que eu pude fazer” ele emenda e confessa: “Mentira, da boca pra fora”. E o ginásio quase vem abaixo! Ou quando ele canta Nossa canção, antes fica mostrando no telão imagens de quando ele era jovem e a mulherada fica histérica gritando “Lindo!” e então ele canta: “Olhe aqui, preste atenção”, e se ouve um grande suspiro no ar emendado com todas as vozes juntas, a plenos pulmões: “Essa é a nossa canção”!

Aí, ele vai cantar Emoções, Detalhes, Como é grande o meu amor por você. Vai cantar um pouco de Jovem Guarda e talvez chamar o “meu amigo Erasmo Carlos”. Vai cantar Jesus Cristo, Nossa Senhora, O Terço. Vai cantar alguma música nova ou velha que ele tenha feito pra Maria Rita. E finalizar jogando rosas para o público.

Nisso, o leitor indagador vai perguntar: Mas por que você vai assistir ao especial do Rei se já sabe tudo o que vai acontecer, se já está tudo roteirizado na sua cabeça, se já viu ao vivo? Porque eu sou fã! Ora, ora!

Eu comecei a gostar do Roberto Carlos com uns 12, 13 anos, influência óbvia dos meus pais. Gostei de saber pelo meu pai que aquele cara chato que minha mãe adorava tinha feito uma música pra o Caetano quando ele estava exilado em Londres. Achei corajoso, bonito mesmo.

Daí comecei a reparar que sempre tem um comercial, uma novela, uma história com as músicas do Rei. Sempre tem um monte de outros artistas regravando músicas dele. E essas músicas sempre têm um pouco de mim, de você. Simples, clichês, encantadoras, passionais, meio bregas, como cada um de nós, abençoadamente, é.

Elas falam dos nossos desencontros, brigas, separações, derrotas. De saudade, amor, ciúme, fé, rebeldia. Servem pra lembrar, esquecer, amar, maldizer, conquistar, levar pra passear – de calhambeque pelas curvas da estrada de Santos.

Pra que eu vou falar que de uns tempos pra cá a produção do Roberto caiu demais? Pra que eu vou dizer que prefiro o Roberto da Jovem Guarda e da década de 70 – da época enfim, que eu nem era nascida? Tudo o que ele fez naquele tempo foi tão forte e tão bonito que sustenta até hoje a coroa dele.

Mesmo ele sendo cheio de manias, mesmo ele tendo aquele cabelo ridículo, mesmo ele vindo tão pouco a minha cidade. Pra mim o que importa é que ele gosta de azul que nem eu, pra mim ele é “uma brasa, mora?”, pra mim ele é o cara que sabe como ninguém cantar os meus amores, as minhas paixões. Os altos e baixos das minhas emoções.

Luciana

“Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”

“Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você; o que você vai ser quando você crescer”

Passamos uns dias na praia agora em julho e minhas primas elogiaram minhas saídas de praia – chegaram a pedir pra levar até a costureira para tirar o modelo…

Ficaram de boca aberta quando eu disse que elas eram da mamãe e que deviam ter uns 30 anos no mínimo. 

Semanas antes, abrimos o baú antigo em que minha mãe armazenou o enxoval de casamento dela durante o noivado com meu pai. Lá, em meio a muitas outras coisas lindas, encontramos as duas saídas de praia das quais eu me apossei, com a devida autorização da mamãe. 

Há uns dois anos mostrei para o André umas fotos minhas quando criança em que minha mãe aparece mais ou menos com a minha idade hoje. Tempos depois ele fez uma foto minha e ao me mandar disse que eu estava a cara da minha mãe nas fotos antigas…

Usando as saídas de praia então… 

Uma é vermelha e a outra é… amarela! E quem me conhece sabe o quanto não curto amarelo…

Mas, cara, era da minha mãe e hoje é minha. Não tem dinheiro que pague porque é daquelas coisas de valor sentimental, manja? 

E eu me achei linda, como ela. :)

 

Luciana

Na sexta passada vi o Globo Repórter sobre os 50 anos de carreira do Rei Roberto Carlos e um dos técnicos do show declarou que o Rob Car faz questão toda vez que idealiza um espetáculo é de que as apresentações sejam iguais tanto nas metrópoles quanto nas cidadelas. 

Pois bem.

No sábado, assisti pela TV ao show do Rei no Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro, e me senti meio lesada. No show que acompanhei no Hangar, em Belém, músicas como O Calhambeque, Café da Manhã, Seu Corpo, Amigo, Sentado à Beira de um Caminho não foram executadas. 

Sem contar que o Rob Car não entrou no palco a bordo de um carro azul e não rolou participação especial do Erasmo e da Wanderléa…

Enfim.

Pra consolar, lembrei que vi o show no Hangar sentada e no ar condicionado, sem temporal nem capa de chuva…

Luciana
01/07/09

Muito infame

- André, sabia que dá pra fazer um Top 5 de músicas do Michael Jackson que começam com B?

- B? Mas por que B?

- Ah, eu estava ouvindo algumas e notei a coincidência. Olha só: Bad, Billie Jean, Beat it, Black or white e Ben, não necessariamente nessa ordem…

- Mas e Bhriller?

(André, como sempre, infame!)

PS – Pelo menos foi uma brincadeirinha saudável, sem as pitadas de crueldade que li/ouvi por aí. Como disse a @sabineas, nojinho de quem faz piadas sobre morte. Quando for a mãe dessas pessoas será tão divertido.

Luciana