Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

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Pequeno Príncipe na OCA

Por Luciana | 06/01/2010, 15h15

Olha, infelizmente já acabou, mas foi lindo: O Pequeno Príncipe na OCA.

Fui à exposição no feriado de Finados e posso dizer que ela me tirou de um baixo-astral filho da mãe – sem contar a companhia…

Pra começar, inúmeros ambientes contando a história do livro com retroprojetores a iluminar por todos os cantos da OCA os desenhos queridos de Saint-Exupèry.

Destaque absoluto pra a caixinha do carneiro. Explico: um dos ambientes tinha três janelinhas redondas, fazendo com que nos sentíssemos dentro da caixinha com um carneiro dentro, desenhada pelo Aviador. Lá, um monte de giz de cera à disposição para que desenhássemos nas paredes! Muitos deixaram seus nomes, outros se arriscaram a desenhar carneirinhos mesmo. Tudo bem colorido, lúdico e lindo.

Em outra ala, um histórico minucioso da vida do autor de O Pequeno Príncipe e da trajetória do livro, além de telas que reproduziam as várias adaptações pra cinema, teatro e televisão que o livro já ganhou.

Também tinha um espaço onde um deserto era reproduzido, onde podíamos ver o avião caído no meio do nada. Também do nada surgiu um ator encarnando o Aviador e convidando todo mundo pra uma peça que contava aquela história toda que toda miss sabe de cor de salteado – eu que não sou miss sei e amo…

Tinha um lugarzinho cheio de estrelas penduradas no teto, onde podíamos deixar recados e desejos… Tinha uma lojinha com mil badulaques do Pequeno Príncipe – saímos de lá com um livro sobre Saint-Exupèry e uma camiseta do Petit.

Mas o que de mais surpreendente e lindo e mágico aconteceu foi o último andar da OCA.

Ao chegar lá, a gente simplesmente se deparou com o B-612! Vários planetas, estrelas, e no meio desse cenário todo um planetinha com vulcõezinhos e uma rosa vermelha incrível iluminando tudo.

Cara, quando vi o B-612 não sabia o que fazer. Não sabia se ria, se chorava, se fotografava. Até que vi umas crianças indo até lá, subindo no planeta! E perguntei candidamente aos organizadores se eu podia subir também. Eles sorriram e disseram que sim, claro.

E foi lindo.

E vivi tudo isso num momento bem triste e desanimado, com a auto-estima a zero. E essa foi só a manhã de um dia querido ao lado do meu querido. Dia que terminou no teatro, vendo As pontes de Madison – coisa que merece outro texto só pra si.

PS – As fotos do Pequeno Príncipe na OCA estão no AQUI, no Belém, Belém, claro. ;)

Dois mil e love foi assim…

Por Luciana | 31/12/2009, 16h49

hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
de toda mulher de trinta. . . trinta moleques que o tempo criou
e muito embora eu nao sinta
eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou

meus alunos leram Ana & Pedro e Capitães da areia – me formei em Jornalismo – voltei a Resende, Penedo, Mosqueiro, São Paulo, Beagá, Rio de Janeiro – escrevi um TCC sobre violência nas escolas que poderia ter sido bem melhor – fui reprovada no mestrado de Teoria Literária da UFMG – ampliamos o Dialética com mais pessoas queridas – coloquei aparelho nos dentes e não vou sorrir nunca mais – fui ao show de 50 anos de carreira do Rei Rob Car com a companhia ideal – conheci Ubatuba, Petrópolis, Parati, Campos do Jordão - tive dias de luluzinha com as amigas – passei a amar comida japonesa e comi mais temakis do que deveria – revi o belo parque do Ibirapuera – fui ao Museu do Futebol, à exposição do Vik Muniz no MASP, à exposição do Pequeno Príncipe na OCA -vi As pontes de Madison no teatro - li mais livros acadêmicos que livros por prazer (não que seja um desprazer a academia, vai) – vi A felicidade não se compra com o meu George Bailey particular – engordei seis malditos quilos - abandonei meus blogs (mas isso vai acabar!) - comemorei meus 30 anos (com carinha de 17 por conta do aparelho) - voltei a trabalhar como revisora em uma agência de publicidade - acompanhei o homem de todas as minhas vidas no primeiro Círio dele – passei no mestrado de Literatura Brasileira da PUC-MG - e…

FIQUEI NOIVA! :)

Afinal, o nome já dizia: dois mil e LOVE.

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PS1 – Que o seu dois mil e LOVE tenha sido bem bom também, leitor. E que ano que ve m – que  já é logo amanhã – eu escreva mais e você venha mais me ler. ;)

PS2 – Post de amanhã: Como será dois mil e SEX?

Um mail pra dois

Por Luciana | 17/11/2009, 18h20

Queridos, saudade imensa.

Esse mail é só pra dizer que hoje meus alunos da oitava série fizeram um teste sobre Ana & Pedro. Sim, eu coloquei toda a turma pra ler a história daquelas cartas mais queridas.

Semana passada me crivaram de perguntas sobre o livro e foi bom falar em Ana, em Pedro. Eu até confessei que na época me apaixonei pelo Pedro, mas desisti só por causa da Ana. Eles riram que riram…

Falar na Ana e no Pedro é falar em velhos amigos. Ficamos fazendo as contas de quantos anos eles têm agora e dizendo que já devem ter se reencontrado pela internet, pelo google. :)

Estou me formando em Jornalismo agora no final do ano. E, como já sou formada em Letras, tentando o mestrado. Me inscrevi na UFMG, mas não passei. Agora vou tentar a PUC-MG.

Ronald, se eu for ao menos fazer as provas em Beagá, queria muito conhecer você.

Beijo apertado que nem abraço! ;)

Luciana.

***

Acabo de mandar esse mail pra o Ronald e pra Vivina, autores de Ana & Pedro. Ele resume bem o que se passa comigo agora: meus alunos leram Ana & Pedro, me formo em menos de um mês, não passei na UFMG e amarguei uma decepção muito grande comigo mesma por conta disso, e agora estou tentando outra vez que nem na música do Raul Seixas.

E se eu for a Beagá mês que vem, mesmo que eu nem passe, já será lindo.

Torce, leitor.

nostalgia

Por Luciana | 27/09/2009, 20h16

oi, leitor, você ainda tá aí?

eu ainda estou aqui, acredite.

fiz trinta anos.

amarguei um inferno astral filho da mãe antes do meu aniversário. uma nostalgia imensa. você sabe, a nostalgia é a saudade que dói.

dias antes do aniversário, um aluno me deu um recorte de jornal, com uma crônica, dizendo que tinha lido e lembrado de mim.

e o texto era sobre… nostalgia.

era de um cara dizendo as mil coisas que causavam nostalgia nele.

eu quase morri de chorar ali mesmo, mas não chorei porque sou uma professora dura na queda, né?

o engraçado é que ele recortou o texto e tirou o nome do autor.

aí perguntei pro Google de quem era aquele texto e ele me respondeu que era do José Roberto Torero.

e agora eu meti na cabeça que tenho que dar um livro do Torero pra esse meu aluno, porque é tão raro eles se interessarem pela leitura, é tão rara essa troca… fora o fato do texto realmente ter tudo a ver comigo naquele momento.

aí fiz trinta anos e minha nostalgia passou.

e meu tcc estacou. o meu blog estacou.

se você soubesse a lista enorme de coisas que tenho pra escrever aqui. tenho tudo anotado em um caderno.

mas eu continuo aqui e espero que você continue aí.

a emoção desse blog que não é emo, é emotivo, continua aqui também.

um beijo.

Do Açúcar Amargo

Por Luciana | 13/07/2009, 12h14

Semana passada recebi um mail com o assunto “te achei na net”. De imediato, pensei: – Xi, é spam.

Mas abri.

Eram palavras simpáticas que diziam assim:

Luciana, meu nome é Luiz Puntel, sou professor de Literatura. O livro CAPITÃES DA AREIA é leitura exigida este ano nos vestibulares da UNICAMP e da FUVEST. Vamos trabalhar com ele em sala de aula. Aí, pesquisa daqui, dali, caí no teu site, o teu blog. E gostei do que você resenhou sobre DORA e as mulheres do JORGE AMADO.
Posso usar seu texto com os meninos? Podemos lê-lo e analisar?
Beijão!!

Como assim, “meu nome é Luiz Puntel”?

***

Na época do colégio, eu esperava ansiosa pelo dia, geralmente entre janeiro e fevereiro, em que minha mãe comprava o material escolar. Muito mais que os cadernos, livros didáticos, estojo-canetas-lápis, o que me interessava mesmo eram os livros paradidáticos.

Lia todos assim que minha mãe chegava da livraria. Todos, num tapa só.

Minha mãe dizia que assim, quando fosse a hora de lê-los pra escola, eu enjoaria e não estudaria.

Ledo engano, afinal, faz parte de quem gosta de ler gostar também de reler…

***

Pois bem.

Vai ver que por isso, por dar tanta importância assim aos paradidáticos – tenho todos guardados até hoje aliás – é que respondi assim para o professor Luiz Puntel:

Nossa! Você é o Luiz Puntel de Açúcar Amargo? Se for, saiba que li esse livro na sétima série e gostei muito, tanto que guardo até hoje com carinho. :)
Lógico que você pode usar os textos do meu TCC para analisar com seus alunos! É um prazer – pena que moro em Belém e não vou poder participar também, pois adoro falar e falar sobre Jorge Amado.
E agora sou eu que tenho que te pedir: posso contar no meu blog sobre o seu pedido? Afinal, não é todo dia que recebo um mail do Luiz Puntel, um dos autores queridos da minha adolescência! :)
Abraço grande em você e nos seus alunos.

Açúcar Amargo, o livro em questão, foi lido por mim na 7ª série, e contava sobre a vida da Marta, que trabalhava como bóia-fria em plantações de cana-de-açúcar em São Paulo. Um dia, eles resolveram fazer uma greve, diante das irregularidades com que o trabalho deles era tratado. E aí, do meio daquele protesto, surgiu uma frase que lembro sempre, que foi escrita com batom, em uma faixa:

UNIDOS SOMOS FORTES COMO UM CANAVIAL.

Tem coisa mais linda que esse blog me dar um presente como esse?

PS – Ainda tenho dentro do livro o Suplemento de Trabalho! Meus professores usavam só pra exercício e faziam outro teste pra valer. ;)

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