porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Literatura

Dia desses, na aula de Teoria Literária, meu professor falou sobre compromisso e comprometimento.

Ele disse que compromisso é quando a gente cumpre nosso horário de trabalho, por exemplo. Já comprometimento, é quando, se precisar, ficamos no trabalho horas e horas a mais. Pela necessidade, pelo prazer.

Isso vale pra tudo na vida. Compromisso, comprometimento.

Segunda agora, voltando da Páscoa em Belém, meu voo atrasou mil horas em Brasília. Era dia da aula de Literatura Africana e cheguei no meio da tarde em casa, ou seja, já tinha perdido metade da aula, do meu compromisso.

Tudo o que eu queria era tomar banho, comer, dormir, relaxar.

Mas as palavras do professor martelaram demais na minha cabeça. E o meu comprometimento fez com que eu deixasse as malas na sala de casa e fosse pra aula.

E foi lindo.

Luciana

Cultivo uma lista de temas sobre os quais quero-tenho-preciso-gostaria de escrever nos meus blogs: agridoce, blog da copa, próximos capítulos.

Há dois anos o nome do Tim Maia não sai dessa lista.

O título do texto sobre ele seria “Tim Mais”, porque numa conversa com a Patrícia digitei errado e ela adorou por achar bem apropriado a ele.

Fiquei com uma vontade danada de escrever sobre o Tim depois de ter lido a biografia dele, escrita pelo Nelson Motta, e ter ficado dias escutando suas canções.

O fato é que adoro biografias.

Do pessoal da música já li a do Cazuza, a do Rei, a do Tim. Já li o “Verdade Tropical”, do Caetano, que não deixa de ser autobiográfico.

E dia desses li a do Erasmo, “Minha fama de mau”, que dei de presente pra minha mãe em novembro – aquisiçao da Feira Panamazônica do Livro. E o Tim Maia, claro, é personagem desse livro, pois foi ele quem ensinou o parceiro do Rei a tocar violão.

Li o texto de Erasmo de uma vez só, no sábado, esperando a Fórmula1.

É um texto leve – acompanhado de fotos incríveis -, que ele escreveu à mão e pediu ao filho para digitar – o que fez eu lembrar do meu primeiro TCC, que primeiro escrevi no caderno e depois passei para o computador.

Longe do didatismo da biografia do Rei, o livro do Tremendão passa uma ternura que eu acho que só a primeira pessoa consegue dar.

Não sei.

Em meio a tantos livros do mestrado (eu passei, acredita?) pra ler – O planalto e a estepe que o diga – Minha fama de mau foi deveras apaziguador.

Querendo muito agora ler a biografia do Simonal e a do Milton Nascimento.

PS - Não inclui a biografia do Vinicius de Moraes na lista porque o considero mais poeta que cantor, o que fazer?

PS2 – Não tinha um dia mais apropriado para voltar a escrever aqui do que 1º de abril, ao som de Pega na mentira, hein?

Luciana

A primeira vez que vi o filme As pontes de Madison foi em 1996, ainda numa fita de vídeo, com a mamãe. Será que preciso escrever aqui que choramos loucamente como se estivéssemos ao lado do Robert naquela chuva?

Aí, já não me lembro mais o ano, um belo dia me deparo com o livro que inspirou o filme e claro o comprei e dei de presente para a mamãe.

Até hoje quando revejo o filme sinto falta de algumas falas, como se tivessem cortado partes, mas não: essa lacuna que eu sinto se deve aos diálogos e situações extras que o livro proporciona.

Depois da minha mãe ter emprestado o livro pra cento e duzentas amigas, dei o livro pro André. Até hoje minha mãe não sabe que o livro que ela já revirou toda a casa a procura, está com o André… E que ele nem leu!

Dei o livro a ele por um motivo muito simples: essa certeza só temos uma vez na vida. ;)

Já procurei a trama escrita por Robert James Waller diversas vezes pra comprar outro livro pra mamãe, mas não acho. A última edição esgotou faz tempo.

Como vi que o André não vai ler o livro nunca, o presenteei também com o DVD d’As pontes de Madison.

Vimos o filme juntos há quase três anos, no dia 19 de janeiro de 2007 – essa data eu lembro porque é o aniversário do pai do André.

Nesse dia, após cantarmos os parabéns para o pai dele, nos enroscamos no sofá da casa dele e ficamos vendo o filme. Naquela época, ele ainda não sabia que eu era a mulher da vida dele… Mas eu já sabia, afinal, esse tipo de certeza…

Até que no finzinho do ano passado ele me levou pra ver a peça d’As pontes de Madison, no Teatro Renaissance, em São Paulo, sendo um dos poucos homens presentes no recinto lotado na maioria por mulheres de meia-idade – por que será?…

Com um elenco enxuto – Marcos Caruso, Jussara Freire, Luciene Adami e Paulo Coronato – e um cenário muito agradável, As pontes de Madison do teatro me agradou muito.

A forma com que contam a história no teatro lembra um pouco Véu de Noiva, de Nelson Rodrigues. Aquela coisa de misturar o tempo, o espaço e as personagens, manja?

Mais divertida e leve que o filme, menos erótica e dramática também, ver essa peça foi como reencontrar dois velhos amigos e ver que eles ainda continuam lá, se amando apaixonadamente dentro daqueles quatro dias mágicos do Condado de Madison.

E assim como quando vejo Kramer vs. Kramer e torço toda vez pra guarda do filho ser dada a ele, sempre que eu vir As pontes de Madison vou torcer pra ela ir embora com ele no meio daquela chuva.

Como torci no teatro, em novembro.

Luciana

Olha, infelizmente já acabou, mas foi lindo: O Pequeno Príncipe na OCA.

Fui à exposição no feriado de Finados e posso dizer que ela me tirou de um baixo-astral filho da mãe – sem contar a companhia…

Pra começar, inúmeros ambientes contando a história do livro com retroprojetores a iluminar por todos os cantos da OCA os desenhos queridos de Saint-Exupèry.

Destaque absoluto pra a caixinha do carneiro. Explico: um dos ambientes tinha três janelinhas redondas, fazendo com que nos sentíssemos dentro da caixinha com um carneiro dentro, desenhada pelo Aviador. Lá, um monte de giz de cera à disposição para que desenhássemos nas paredes! Muitos deixaram seus nomes, outros se arriscaram a desenhar carneirinhos mesmo. Tudo bem colorido, lúdico e lindo.

Em outra ala, um histórico minucioso da vida do autor de O Pequeno Príncipe e da trajetória do livro, além de telas que reproduziam as várias adaptações pra cinema, teatro e televisão que o livro já ganhou.

Também tinha um espaço onde um deserto era reproduzido, onde podíamos ver o avião caído no meio do nada. Também do nada surgiu um ator encarnando o Aviador e convidando todo mundo pra uma peça que contava aquela história toda que toda miss sabe de cor de salteado – eu que não sou miss sei e amo…

Tinha um lugarzinho cheio de estrelas penduradas no teto, onde podíamos deixar recados e desejos… Tinha uma lojinha com mil badulaques do Pequeno Príncipe – saímos de lá com um livro sobre Saint-Exupèry e uma camiseta do Petit.

Mas o que de mais surpreendente e lindo e mágico aconteceu foi o último andar da OCA.

Ao chegar lá, a gente simplesmente se deparou com o B-612! Vários planetas, estrelas, e no meio desse cenário todo um planetinha com vulcõezinhos e uma rosa vermelha incrível iluminando tudo.

Cara, quando vi o B-612 não sabia o que fazer. Não sabia se ria, se chorava, se fotografava. Até que vi umas crianças indo até lá, subindo no planeta! E perguntei candidamente aos organizadores se eu podia subir também. Eles sorriram e disseram que sim, claro.

E foi lindo.

E vivi tudo isso num momento bem triste e desanimado, com a auto-estima a zero. E essa foi só a manhã de um dia querido ao lado do meu querido. Dia que terminou no teatro, vendo As pontes de Madison – coisa que merece outro texto só pra si.

PS – As fotos do Pequeno Príncipe na OCA estão no AQUI, no Belém, Belém, claro. ;)

Luciana

hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
de toda mulher de trinta. . . trinta moleques que o tempo criou
e muito embora eu nao sinta
eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou

meus alunos leram Ana & Pedro e Capitães da areia – me formei em Jornalismo – voltei a Resende, Penedo, Mosqueiro, São Paulo, Beagá, Rio de Janeiro – escrevi um TCC sobre violência nas escolas que poderia ter sido bem melhor – fui reprovada no mestrado de Teoria Literária da UFMG – ampliamos o Dialética com mais pessoas queridas – coloquei aparelho nos dentes e não vou sorrir nunca mais – fui ao show de 50 anos de carreira do Rei Rob Car com a companhia ideal – conheci Ubatuba, Petrópolis, Parati, Campos do Jordão - tive dias de luluzinha com as amigas – passei a amar comida japonesa e comi mais temakis do que deveria – revi o belo parque do Ibirapuera – fui ao Museu do Futebol, à exposição do Vik Muniz no MASP, à exposição do Pequeno Príncipe na OCA -vi As pontes de Madison no teatro - li mais livros acadêmicos que livros por prazer (não que seja um desprazer a academia, vai) – vi A felicidade não se compra com o meu George Bailey particular – engordei seis malditos quilos - abandonei meus blogs (mas isso vai acabar!) - comemorei meus 30 anos (com carinha de 17 por conta do aparelho) - voltei a trabalhar como revisora em uma agência de publicidade - acompanhei o homem de todas as minhas vidas no primeiro Círio dele – passei no mestrado de Literatura Brasileira da PUC-MG - e…

FIQUEI NOIVA! :)

Afinal, o nome já dizia: dois mil e LOVE.

DSC04027

PS1 – Que o seu dois mil e LOVE tenha sido bem bom também, leitor. E que ano que ve m – que  já é logo amanhã – eu escreva mais e você venha mais me ler. ;)

PS2 – Post de amanhã: Como será dois mil e SEX?

Luciana