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	<title>Agridoce &#187; Infância</title>
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	<description>porque eu sou um agridoce de menina...</description>
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		<title>Tanjal</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 12:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando era criança, em julho, ia pra colônia de férias da escola. Íamos sempre pra Vivenda Verde. Eu adoro esse nome de Vivenda Verde. Dia desses, tomei uma caipirosca de tangerina – em Beagá chamam caipivodca – e lembrei da Vivenda Verde. Não, não bebíamos nada com vodca por lá. O que rolava era muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando era criança, em julho, ia pra colônia de férias da escola.</p>
<p>Íamos sempre pra Vivenda Verde. Eu adoro esse nome de Vivenda Verde.</p>
<p>Dia desses, tomei uma caipirosca de tangerina – em Beagá chamam caipivodca – e lembrei da Vivenda Verde.</p>
<p>Não, não bebíamos nada com vodca por lá.</p>
<p>O que rolava era muito Tanjal nessa vida.  </p>
<p>Tanjal é um concentrado de suco de tangerina que vem numa lata. Lembro que levávamos litros de suco de tangerina feito de Tanjal e mais um monte de sanduíches de pão de forma e patê, cortados em triangulinhos.</p>
<p>Aí tomo caipirosca de tangerina e digo que aquilo tem gosto de infância e fica difícil de acreditar.</p>
<p>Mas tem.</p>
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		<title>Pequeno Príncipe na OCA</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 17:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olha, infelizmente já acabou, mas foi lindo: O Pequeno Príncipe na OCA. Fui à exposição no feriado de Finados e posso dizer que ela me tirou de um baixo-astral filho da mãe &#8211; sem contar a companhia&#8230; Pra começar, inúmeros ambientes contando a história do livro com retroprojetores a iluminar por todos os cantos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olha, infelizmente já acabou, mas foi lindo: O Pequeno Príncipe na OCA.</p>
<p>Fui à exposição no feriado de Finados e posso dizer que ela me tirou de um baixo-astral filho da mãe &#8211; sem contar a companhia&#8230;</p>
<p>Pra começar, inúmeros ambientes contando a história do livro com retroprojetores a iluminar por todos os cantos da OCA os desenhos queridos de Saint-Exupèry.</p>
<p>Destaque absoluto pra a caixinha do carneiro. Explico: um dos ambientes tinha três janelinhas redondas, fazendo com que nos sentíssemos dentro da caixinha com um carneiro dentro, desenhada pelo Aviador. Lá, um monte de giz de cera à disposição para que desenhássemos nas paredes! Muitos deixaram seus nomes, outros se arriscaram a desenhar carneirinhos mesmo. Tudo bem colorido, lúdico e lindo.</p>
<p>Em outra ala, um histórico minucioso da vida do autor de O Pequeno Príncipe e da trajetória do livro, além de telas que reproduziam as várias adaptações pra cinema, teatro e televisão que o livro já ganhou.</p>
<p>Também tinha um espaço onde um deserto era reproduzido, onde podíamos ver o avião caído no meio do nada. Também do nada surgiu um ator encarnando o Aviador e convidando todo mundo pra uma peça que contava aquela história toda que toda miss sabe de cor de salteado – eu que não sou miss sei e amo&#8230;</p>
<p>Tinha um lugarzinho cheio de estrelas penduradas no teto, onde podíamos deixar recados e desejos&#8230; Tinha uma lojinha com mil badulaques do Pequeno Príncipe – saímos de lá com um livro sobre Saint-Exupèry e uma camiseta do Petit.</p>
<p>Mas o que de mais surpreendente e lindo e mágico aconteceu foi o último andar da OCA.</p>
<p>Ao chegar lá, a gente simplesmente se deparou com o B-612! Vários planetas, estrelas, e no meio desse cenário todo um planetinha com vulcõezinhos e uma rosa vermelha incrível iluminando tudo.</p>
<p>Cara, quando vi o B-612 não sabia o que fazer. Não sabia se ria, se chorava, se fotografava. Até que vi umas crianças indo até lá, subindo no planeta! E perguntei candidamente aos organizadores se eu podia subir também. Eles sorriram e disseram que sim, claro.</p>
<p>E foi lindo.</p>
<p>E vivi tudo isso num momento bem triste e desanimado, com a auto-estima a zero. E essa foi só a manhã de um dia querido ao lado do meu querido. Dia que terminou no teatro, vendo As pontes de Madison – coisa que merece outro texto só pra si.</p>
<p>PS – As fotos do Pequeno Príncipe na OCA estão no <a href="http://www.flickr.com/photos/belembelem/sets/72157622732137012">AQUI</a>, no <a href="http://www.flickr.com/photos/belembelem">Belém, Belém</a>, claro. <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Rei</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 17:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tudo bem, eu adoro futebol. Tudo certo, o Pelé é gênio. Mas rei, leitor súdito, pra mim, é o Roberto Carlos. Por isso, hoje à noite, é bem provável que, se você ligar pra minha casa, qualquer um de nós que atenda, minha mãe, meu irmão ou eu, pegue o telefone e diga simplesmente isso: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Tudo bem, eu adoro futebol. Tudo certo, o Pelé é gênio. Mas rei, leitor súdito, pra mim, é o Roberto Carlos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Por isso, hoje à noite, é bem provável que, se você ligar pra minha casa, qualquer um de nós que atenda, minha mãe, meu irmão ou eu, pegue o telefone e diga simplesmente isso: “Liga depois, estamos vendo o especial do Rei!” pra em seguida, desligar solenemente na sua cara, como todo ano acontece quando algum desavisado liga nesse dia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Hoje à noite o Roberto Carlos vai entrar no palco mais uma vez entre gritos, aplausos e euforia, vai ficar esperando parado, sorrindo, até que toda a emoção se amenize um pouco e vai dizer: “É um prazer rever vocês”. E todo mundo vai gritar e aplaudir e ficar eufórico em dobro!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Já vi essa cena, ao vivo, em pleno Mineirinho e lhe digo: é das coisas mais incríveis que já vi. Homens, mulheres, jovens, crianças, idosos. Famílias, amigos, casais. Um mar de gente gritando junto que é um prazer revê-lo também. Nesse momento ninguém mais conversa com ninguém, ninguém mais olha pro lado – ele hipnotiza a gente. E quando a gente se dá conta está lá, alternando riso e choro, cantando junto com ele, mas baixinho, pra não atrapalhar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">E ele conversa no meio das músicas, fazendo você se sentir amigo mesmo, próximo. Apresenta a banda RC-7, e conta que o maestro é compadre dele. E quando canta Outra vez, naquela parte que diz que você foi “o maior dos enganos que eu pude fazer” ele emenda e confessa: “Mentira, da boca pra fora”. E o ginásio quase vem abaixo! Ou quando ele canta Nossa canção, antes fica mostrando no telão imagens de quando ele era jovem e a mulherada fica histérica gritando “Lindo!” e então ele canta: “Olhe aqui, preste atenção”, e se ouve um grande suspiro no ar emendado com todas as vozes juntas, a plenos pulmões: “Essa é a nossa canção”!<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333"> Aí, ele vai cantar Emoções, Detalhes, Como é grande o meu amor por você. Vai cantar um pouco de Jovem Guarda e talvez chamar o “meu amigo Erasmo Carlos”. Vai cantar Jesus Cristo, Nossa Senhora, O Terço. Vai cantar alguma música nova ou velha que ele tenha feito pra Maria Rita. E finalizar jogando rosas para o público.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333"> Nisso, o leitor indagador vai perguntar: Mas por que você vai assistir ao especial do Rei se já sabe tudo o que vai acontecer, se já está tudo roteirizado na sua cabeça, se já viu ao vivo? Porque eu sou fã! Ora, ora!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Eu comecei a gostar do Roberto Carlos com uns 12, 13 anos, influência óbvia dos meus pais. Gostei de saber pelo meu pai que aquele cara chato que minha mãe adorava tinha feito uma música pra o Caetano quando ele estava exilado em Londres. Achei corajoso, bonito mesmo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Daí comecei a reparar que sempre tem um comercial, uma novela, uma história com as músicas do Rei. Sempre tem um monte de outros artistas regravando músicas dele. E essas músicas sempre têm um pouco de mim, de você. Simples, clichês, encantadoras, passionais, meio bregas, como cada um de nós, abençoadamente, é.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Elas falam dos nossos desencontros, brigas, separações, derrotas. De saudade, amor, ciúme, fé, rebeldia. Servem pra lembrar, esquecer, amar, maldizer, conquistar, levar pra passear – de calhambeque pelas curvas da estrada de Santos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Pra que eu vou falar que de uns tempos pra cá a produção do Roberto caiu demais? Pra que eu vou dizer que prefiro o Roberto da Jovem Guarda e da década de 70 – da época enfim, que eu nem era nascida? Tudo o que ele fez naquele tempo foi tão forte e tão bonito que sustenta até hoje a coroa dele.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Mesmo ele sendo cheio de manias, mesmo ele tendo aquele cabelo ridículo, mesmo ele vindo tão pouco a minha cidade. Pra mim o que importa é que ele gosta de azul que nem eu, pra mim ele é “uma brasa, mora?”, pra mim ele é o cara que sabe como ninguém cantar os meus amores, as minhas paixões. Os altos e baixos das minhas emoções. </span></p>
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		<title>Um vovô de suspensórios</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 15:34:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei: - Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios&#8230; Pra você ser um vovô de suspensórios. - Hum&#8230; - Aí, nossos netinhos vão nos visitar&#8230; E vão dizer &#8220;Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei:</p>
<p>- Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios&#8230; Pra você ser um vovô de suspensórios.</p>
<p>- Hum&#8230;</p>
<p>- Aí, nossos netinhos vão nos visitar&#8230; E vão dizer <em>&#8220;Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é muito chato!&#8221;</em></p>
<p>- Hum&#8230;</p>
<p>- <em>&#8220;Tá bom. Só vamos porque a vovó Lu é super legal!&#8221; </em></p>
<p>- &#8230;</p>
<p>- Hahahahahahahahahahahahaha!</p>
<p>- Tá vendo? Nem você acredita nisso!</p>
<p>- Lógico! Eu sei que eu sou a chata e que você muito mais legal que eu e que nossos netinhos &#8211; assim como todo mundo &#8211; vão gostar muito mais de você do que de mim&#8230;</p>
<p>- Hehehehe!</p>
<p>- É, mas não me importo. Eles vão ter que me engolir que nem o Zagallo do mesmo jeito!</p>
<p>- Hahahahahahahaha!</p>
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		<title>Kriptonita</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 19:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No supermercado, eis que surge uma daquelas baratinhas miúdas, mas não menos nojenta. O menino e eu travamos o diálogo: - Uma barata!  - Mata logo! - Hum&#8230; - Que foi?! Mata!  - Não&#8230; Ela deve ter família&#8230; Já pensou se algum gigante viesse e esmagasse eu e o André?  (Chantagem emocional total. Ele descobriu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No supermercado, eis que surge uma daquelas baratinhas miúdas, mas não menos nojenta. O menino e eu travamos o diálogo:</p>
<p>- Uma barata! </p>
<p>- Mata logo!</p>
<p>- Hum&#8230;</p>
<p>- Que foi?! Mata! </p>
<p>- Não&#8230; Ela deve ter família&#8230; Já pensou se algum gigante viesse e esmagasse eu e o André? </p>
<p>(Chantagem emocional total. Ele descobriu que a minha kriptonita é ele e o André&#8230;)</p>
<p>E foi assim que mais uma daquelas baratinhas miúdas e nojentas continuou a viver lá no supermercado.</p>
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		<title>Fantasma só faz buuu!</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 14:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olha, em abril, antes dos dois meses de greve pelos quais as escolas públicas do Pará passaram, recomendei aos meus alunos de 8ª série &#8211; são duas turmas &#8211; a leitura do livro Capitães da Areia. Antes perguntei se eles preferiam organizar um sarau a fazer um teste sobre a leitura do livro. Preferiram o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olha, em abril, antes dos dois meses de greve pelos quais as escolas públicas do Pará passaram, recomendei aos meus alunos de 8ª série &#8211; são duas turmas &#8211; a leitura do livro Capitães da Areia.</p>
<p>Antes perguntei se eles preferiam organizar um sarau a fazer um teste sobre a leitura do livro. Preferiram o teste &#8211; &#8220;dá menos trabalho&#8221;, alegaram.</p>
<p>Pois bem.</p>
<p>A greve acabou, as aulas voltaram. A 2ª avaliação ficou só pro 2º semestre, assim como o teste.</p>
<p>Então eu disse a eles que teriam mais o mês das férias, além dois dois da greve, para ler o livro.</p>
<p>Foi quando uma aluna respondeu dizendo que não ia gastar o tempo dela de férias lendo livro nenhum, e que ela não tinha culpa da gente ter &#8220;inventado&#8221; essa greve.</p>
<p>Eu disse que tudo bem, que ela não lesse então. Mas que em agosto, doa a quem doer, farei esse teste sobre o livro e valerá metade dos pontos da prova. E não existe essa de não fazer o teste e fazer a prova valendo 10. Não fez o teste, faz a prova valendo 5.</p>
<p>Ponderei mais um pouco, disse que a greve não é &#8220;inventada&#8221; por nós só pra aumento salarial. Um dos pedidos desde o ano passado é por mais segurança nas escolas &#8211; e os episódios da feira da cultura e da festa junina da escola onde trabalho são provas mais do que concretas de que esse problema está longe de ser sanado.</p>
<p>Disse também que quando eu estudava era &#8220;obrigada&#8221; a ler pelo menos quatro livros por ano para trabalhos da escola. Capitães da Areia foi um desses, mas eu já tinha lido antes, porque, pra mim, ler nunca foi uma obrigação.</p>
<p>Aí, ontem à noite, contei essa história toda para o homem de todas as minhas vidas e recordei do primeiro livrinho que li para a escola: <a href="http://literatura.moderna.com.br/catalogo/encartes/85-16-04084-4.pdf">Fantasma só faz buuu!</a>, da Flávia Muniz. Li aos oito anos, na antiga 2ª série do 2º grau.</p>
<p>Então, não resisti, e puxei meu livrinho que já tem pra mais de 20 anos da estante, e me pus a ler a historinha para ele, no Skype! E ele, coitado, ouvindo paciente&#8230; Como diria meu grande amigo Milton, &#8220;quem sabe isso quer dizer amor&#8221;?</p>
<p>E quem sabe um dia meus alunos entendam o motivo de se ler e leiam para aqueles que amam. Poemas, parábolas, posts, piadas ou quem sabe um livrinho de 2ª série.</p>
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		<title>Ele seis, ela trinta</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 11:09:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Mamãe, você tem que superar esse seu medo de cachorro. - Hum&#8230; - Eu, por exemplo, já superei o meu medo do escuro. - &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify">- Mamãe, você tem que superar esse seu medo de cachorro.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify">- Hum&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify">- Eu, por exemplo, já superei o meu medo do escuro.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify">- &#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dos tempos do Pato Zito</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 04:02:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dia desses, rodando alucinadamente de carro com a célebre Patrícia Köhler e começamos a ouvir um CD incrível da Pat, só com músicas do Balão Mágico. Sim, somos fãs. Fãs daquelas que batem palma cantando – mesmo que dirigindo! – e que adorariam ter desfilado por aí com alguma roupinha Caramelo, grife que vestia o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT-BR">Dia desses, rodando alucinadamente de carro com a célebre Patrícia Köhler e começamos a ouvir um CD incrível da Pat, só com músicas do Balão Mágico.<br />
Sim, somos fãs. Fãs daquelas que batem palma cantando – mesmo que dirigindo! – e que adorariam ter desfilado por aí com alguma roupinha Caramelo, grife que vestia o grupo.<br />
Música vai, música vem, controle de choro em algumas horas e explosão de gargalhadas em outras, chegamos a mais um ponto em comum: nossos corações infantis batiam ambos pelo Tob.<br />
Uma vez um amigo falou que todo menino daquela época foi meio apaixonado pela Simony. Eu não sei. Eu sei que as garotas tinham a sorte de poder escolher entre Tob e Mike e minha amiga Patrícia e eu éramos da ala do primeiro.<br />
Você deve estar estranhando eu não citar o Jairzinho como uma dessas opções e vou começar a me explicar agora.<br />
O Tob é a personificação dos típicos namoros infantis e adolescentes. Na música Se enamora ele interpreta esse papel com perfeição. O cara que não sabe como se aproximar da garota, que torce pra que um dia ela tropece nele ou que tenha coragem para tirá-la para dançar.<br />
Nos dois primeiros discos do Balão, Tob divide com Simony a maioria das canções, uma espécie de primeira voz do grupo. Até que acontece o terceiro disco, exatamente o que traz Se enamora – o mesmo que traz Jairzinho para a turma.<br />
Ele chega botando banca, com &#8220;gatinhas me perseguindo / curtindo com o meu som / gritando: lindo, lindo / me chamando de bombom&#8221;. E, abruptamente, vimos Tob ser aos poucos substituído por Jairzinho nas canções mezzo românticas do Balão – Mochila azul, por exemplo.<br />
Tob é tímido; Jairzinho é garanhinho. Tob é o garoto que, por mais que não se declare, a menina sabe que gosta dela e, por conseguinte gosta dele também, vive sonhando com o dia em que ele se declarará finalmente.<br />
Aí, de repente, vem o Jairzinho. O Jairzinho é o cara que chega e ganha de nocaute. Rápido, sagaz, veloz. Sem enrolação, sem paciência de Jó.<br />
Mas preferimos, Pat e eu, o Tob. Os poucos rapazes que continuaram a ser Tob.</p>
<p>Tímidos, doces, românticos, em um exercício leve e lento do amor.</p>
<p>PS &#8211; Do Uma garota apenas, da Pat, do Tob, de mim. <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p></span></p>
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		<title>Da minha irmã</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 04:02:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu sempre estudei de manhã. Meus pais saíam pra trabalhar e me deixavam na escola. Quando chegou a 1ª série a turma passou para o turno da tarde e meus pais conversaram com a dona da escola e decidiram que eu ia continuar indo de manhã, assistindo aula na turma de apoio. A turma de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Eu sempre estudei de manhã. Meus pais saíam pra trabalhar e me deixavam na escola. Quando chegou a 1ª série a turma passou para o turno da tarde e meus pais conversaram com a dona da escola e decidiram que eu ia continuar indo de manhã, assistindo aula na turma de apoio.</p>
<p>A turma de apoio consistia na aula de reforço que a própria escola disponibilizava para os alunos que tivessem algum tipo de dificuldade. Funcionava assim: minha turma oficial tinha aula segunda de tarde e eu aprendia só na terça de manhã, com a tia do apoio.</p>
<p>Já se passaram 20 anos, exatos 20 anos, que essa história aconteceu e ela ainda me entristece porque meus pais simplesmente decidiram isso e não me contaram nada.</p>
<p>Imagine a cena: uma garota de seis anos chegando das férias, louca pra encontrar os amigos que tinham acabado de aprender a ler e a escrever com ela no ano anterior e que, sem mais nem menos, não encontra ninguém, absolutamente ninguém daquela turminha.</p>
<p>Quem me contou tudo foi a tia Júnia, dona da escola. E eu chorei tanto naquele dia, perguntando por um a um dos meus colegas.</p>
<p>Lá pelo meio do ano foi um aviso pra casa, dizendo que eu teria que ir em uma tarde, para tirar as fotos daquele semestre com a turma – a minha turma oficial. Aquela, eu posso afirmar, foi das tardes mais maravilhosas de toda a minha vida.</p>
<p>No dia seguinte, eu menti pros meus pais, dizendo que ainda tinha que tirar mais fotos, que tinha que voltar de tarde outra vez. E quando chegamos lá, e a tia Júnia disse que eu tinha inventado aquilo, eu expliquei que queria ficar brincando com eles, só mais uma vez. E assim foi, só mais uma vez.</p>
<p>A grande responsável por tanta saudade era uma garota que também se chamava Luciana. A Luciana Barros.<br />
A Luciana Barros era uma garota viva, esperta, de olhos agateados, desinibida, alegre, extrovertida.</p>
<p>Daquelas pessoas pra quem parece que não existe tempo ruim. A Luciana Barros era a minha melhor amiga. Melhor: é minha melhor amiga da infância.</p>
<p>Nós dizíamos pra todo mundo que éramos irmãs e ninguém acreditava porque como podia duas irmãs com o mesmo nome?! E nós respondíamos: &#8220;Nossos pais gostam muito desse nome, ora!&#8221;.</p>
<p>Depois daquele dia das fotos, eu nunca mais vi a Luciana Barros. Nem por isso deixei de pensar nela por todos esses anos. Sempre que penso em Manaus, sempre que penso na escolinha, sempre que penso em amizade, ela está sempre lá, na primeira fila. No primeiro lugar da primeira fila.</p>
<p>Eu tenho poucas amigas e justamente por isso todas são bem especiais, cada uma ao seu modo. Mas eu tenho que dizer uma coisa: a Luciana Barros é a única amiga que eu chamei de irmã. A única amiga que eu tive e tenho até hoje bem guardado no peito o sentimento de irmã.</p>
<p></span></span></p>
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		<title>Lúcia Já-vou-indo</title>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 17:15:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Emoção]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Sempre que vou a livrarias me detenho um pouquinho que seja na ala infantil. Na época da faculdade de Letras cheguei a pensar em fazer o TCC sobre literatura infanto-juvenil &#8211; seria uma aproximação (ou não) das infâncias da Narizinho e do Menino Maluquinho. Como a orientadora que eu queria manjava mais de Jorge Amado &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que vou a livrarias me detenho um pouquinho que seja na ala infantil.</p>
<p>Na época da faculdade de Letras cheguei a pensar em fazer o TCC sobre literatura infanto-juvenil &#8211; seria uma aproximação (ou não) das infâncias da Narizinho e do Menino Maluquinho. Como a orientadora que eu queria manjava mais de Jorge Amado &#8211; outra grande paixão minha &#8211; acabei deixando os livros infantis de lado, pelo menos no que tange a vida acadêmica.</p>
<p>Mas é irresistível pra mim mergulhar naqueles livrinhos coloridos. Ler novos, reler os que fizeram parte da minha infância, comprar uns aqui e outros ali.</p>
<p>O mais recentemente comprado foi o <strong>Lúcia Já-vou-indo</strong>, da Maria Heloisa Penteado. Depois de muito procurá-lo por mais de um ano, achei o último exemplar da Livraria Cultura do Conjunto Nacional.</p>
<p>Fiquei feliz. Ficava feliz quando não encontrava também, porque era/é sinal que as crianças ainda leem a história da lesminha que eu tanto adorava quando eu tinha cinco anos de idade.</p>
<p>O livro, cheio de ilustrações de cores contagiantes, conta a história da lesminha Lúcia, que nunca tinha conseguido ir a uma festa porque sempre chegava atrasada, afinal, era uma lesma.</p>
<p>Até o belo dia que a libélula Chispa Foguinho teve a idéia mais genial da minha meninice: fazer uma festa na casa da própria Lúcia! Ela só não contava que a Lúcia fosse sair de casa nesse dia&#8230;</p>
<p>Não conto o fim para que você, leitor, saia desesperadamente a procurar um exemplar de <strong>Lúcia Já-vou-indo</strong>.</p>
<p>Tenho memórias sobre esse livro. Lembro da minha mãe lendo, da minha avó lendo. Aqui, um adendo: liguei pra minha mãe pra contar que tinha comprado o <strong>Lúcia Já-vou-indo</strong>, e ela disse na hora: &#8211; Ah, esse livro é a cara da tua avó, ela adorava as libélulas.</p>
<p>As libélulas são um caso a parte. Minha mãe e minha avó adoravam as libélulas porque eu lia errado a palavra libélula. Eu lia libelula (tônica no u). Elas morriam de fazer molecagem comigo. Ensinavam o certo, mas eu dizia que libelula era mais bonito.</p>
<p>Lembro também de uma noite, eu lia deitada ao lado do meu pai na cama de casal dele e da minha mãe, enquanto ela, grávida de todos os meses do meu irmão, estava deitada na rede. De repente, minha mãe fala: &#8211; José, eu vou cair.</p>
<p>Foi quando meu pai voou da cama pra rede e pegou minha mãe no ar &#8211; a rede tinha rasgado ao meio. Essa é a grande cena heroica da minha infância. A lembrança é tão nítida que sei até o que estava passando na TV: Anarquistas graças a Deus. E eu lia <strong>Lúcia Já-vou-indo</strong>, claro.</p>
<p>Você, ou seu filho, ou seu neto, ou seus alunos, deviam ler também. É lindo.</p>
<p><a href="http://dialetica.org/agridoce/files/2009/05/6430528_a1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1292" src="http://dialetica.org/agridoce/files/2009/05/6430528_a1.jpg" alt="" width="235" height="200" /></a></p>
<p>PS &#8211; Dias depois, encontrei também na mesma Livraria Cultura o <strong>Sangue de Barata</strong>, da Ângela Lago. Todo feito em versos, é um livro também muito bacana, muito minha avó, minha mãe e eu. Mas ficou pra próxima, porque o dinheiro já tinha ido com a Lúcia&#8230; <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
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